quarta-feira, 1 de abril de 2026

“Quase morri por causa de uma transfusão” - Ciclista italiano condenado por doping fala dos riscos da era negra do ciclismo”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

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A vida de Riccardo Riccò tomou um rumo radical, longe do ciclismo profissional. Banido para sempre após vários episódios ligados a doping, o italiano reconstruiu o quotidiano fora da competição, focado no negócio e numa relação mais serena com a bicicleta. Numa entrevista ao La Stampa, o antigo corredor revisita o passado, assume os erros e explica como conseguiu reerguer-se após os momentos mais duros.

Trepador puro, no auge bateu-se por algumas das provas mais prestigiadas do seu país natal, como a Volta a Itália e a Il Lombardia, roçando o triunfo em ambas, mas somando várias vitórias de nível durante a carreira profissional. Riccò integrou a desacreditada Saunier Duval, onde rendeu muito acima das expectativas nos primeiros anos, com três vitórias de etapa na Volta a Itália. Em 2008 foi segundo atrás de Alberto Contador, mas esse patamar não foi alcançado de forma natural, e sim através do uso de CERA, uma terceira geração de EPO.

Contudo, os hábitos de doping não cessaram após a suspensão aplicada. Em 2011 confessou transfusões sanguíneas, depois de uma delas quase lhe ter custado a vida, apesar de inicialmente ter negado o recurso ao procedimento proibido.

Riccò reconhece o impacto da queda em desgraça: “Destruíram-me, passei por momentos duros, caí em depressão e noutras situações complicadas, mas não quero fazer-me de vítima”. Durante anos, o ciclismo foi uma memória dolorosa: “Voltei à bicicleta há três anos, depois de dez em que me doía ver os antigos rivais a correr e a vencer. Lembrava-me do que eu já não podia fazer. Nem via as corridas”.

Com o tempo e ajuda profissional, a perspetiva mudou: “Depois comecei a processar tudo, também graças à terapia. Agora estou em paz, embora a ferida ainda exista”. Hoje, o ciclismo já não é profissão, mas permanece como hobby: “Uso apps para me comparar com os tempos dos profissionais e continuo competitivo”.

O italiano mantém também ligação à modalidade através dos amadores, a quem aconselha: “Além de dar dicas, faço algum acompanhamento. Sei duas ou três coisas sobre ciclismo. Sofri e venci, por isso disse para comigo: porque não? Estou a treinar oito amadores, gosto, é o meu mundo”.

Sobre o passado, não foge à responsabilidade, embora enquadre a época: “Não procuro desculpas e aceito a minha culpa, mas com o tempo muitos outros casos vieram a público”.

O italiano lançou ainda uma observação contundente sobre dois compatriotas, alguns dos mais bem-sucedidos do século XXI. “Se olharmos para a lista de corredores, todos os mais fortes foram apanhados por doping, exceto o [Damiano] Cunego e o [Paolo] Bettini”.

“Quando há negócio envolvido, é assim que funciona”. Na mesma linha, afirma que fez parte de uma dinâmica generalizada: “Eu estava dopado quando todos estavam dopados”.

Um dos episódios mais graves da carreira foi a autotransfusão que quase lhe custou a vida, prática que descreve sem rodeios: “Não foi a primeira vez que a fiz. Andava a fazê-la há um ano, porque era a única forma de não dar positivo: tiras o teu sangue e depois voltas a pô-lo”. Como explica, não foi uma ideia isolada: “Não a inventei. O Moser estabeleceu o Recorde da Hora na Cidade do México e disse publicamente que o tinha feito”.

 

Agir sem pesar os riscos

 

Riccò admite que agiu sem avaliar os riscos: “Com transfusões autoaplicadas, é algo que pode acontecer. Não tinha medo e fiz aquilo com leviandade. Se tivesse injetado cortisona de imediato, nada teria acontecido, mas eu não sabia e, aos vinte anos, sentes-te omnipotente”.

Quanto à suspensão vitalícia, sustenta que a situação foi agravada por um caso em que, diz, não teve responsabilidade direta: “Fui enredado num processo de tráfico de substâncias dopantes com o qual nada tinha a ver, e provei-o em tribunal, mas a justiça desportiva quis afastar-me de vez e conseguiu”.

“Swimrun junta-se à família do triatlo com cinco provas em 2026”


O Swimrun entra no calendário da Federação de Triatlo de Portugal, depois de, em 2025, a World Triathlon ter decidido que passaria, definitivamente, a estar sob a sua égide. Serão cinco as provas em Portugal durante o ano de 2026.

Com origem na Suécia, esta modalidade combina corrida e natação em águas abertas, mas sem zonas de transição e realizada na maioria das vezes no meio da natureza. Além disso, os atletas usam o mesmo equipamento durante toda a prova, que vai alternando entre os dois segmentos.

As competições podem ser disputadas de forma individual ou em equipas, normalmente em duplas, com os atletas a terem de progredir na prova em conjunto. Os percursos não têm um formato fixo, sendo desenhados de acordo com as características do terreno, podendo incluir mar, rios, lagoas e trilhos técnicos.

 

Entre as regras básicas da modalidade destacam-se:

 

Obrigatoriedade de completar todos os segmentos pela ordem definida;

Utilização do equipamento ao longo de toda a prova;

Cumprimento das normas de segurança, especialmente em meio aquático;

No caso das equipas, progressão conjunta dos atletas.

A Federação de Triatlo de Portugal congratula-se com a integração do Swimrun no seu calendário. Será uma oportunidade para dinamizar a modalidade em Portugal e atrair novos praticantes, em todas as disciplinas que fazem parte da comunidade Triatlo. Existe já um circuito nacional. Segue o calendário para 2026

– TROIA Swimrun – 19 de abril saber mais: https://www.swimrunportugal.com/troia

– LAGOA Swimrun – 23 e 24 de maio saber mais: https://www.swimrunportugal.com/lagoa

– PENACOVA Swimrun – 27 e 28 de junho saber mais:  https://www.swimrunportugal.com/penacova

– MADEIRA Swimrun – 6 de setembro saber mais: https://www.swimrunportugal.com/madeira

– ZÊZERE Swimrun – 26 e 27 de setembro saber mais: https://www.swimrunportugal.com/zezere

Guia de iniciação ao Swimrun saber mais: https://www.swimrunportugal.com/_files/ugd/76b08e_250be7fc7d7f40b3a94d609456d0cb9b.pdf

Fonte: Federação Triatlo Portugal

“Pelotão do futuro pedala na XXXI Volta ao Concelho de Loulé”


A XXXI Volta ao Concelho de Loulé de Juniores terá lugar durante o final desta semana, com quatro etapas em três dias. Considerada por muitos como a "Volta ao Algarve dos Juniores", a prova chega à sua 31.ª edição consolidada como uma das mais importantes no calendário de formação nacional.

Entre 2 e 4 de abril, um pelotão de 138 corredores, distribuídos por 23 equipas de Portugal, Espanha e Países Baixos, enfrentará os rigores do terreno algarvio num figurino que conjuga exigência técnica com a reconhecida dureza orográfica da região.

A competição arranca na quinta-feira com a primeira etapa, uma ligação de 79,5 quilómetros entre Alte e Loulé, com passagem estratégica por Salir. No dia seguinte, a tradicional jornada dupla de sexta-feira promete definir a hierarquia da classificação geral. A manhã começa com o esforço individual, um contrarrelógio de 10,1 quilómetros disputado na Circular Norte de Loulé, onde os especialistas tentarão ganhar segundos preciosos.

No mesmo dia, à tarde, o pelotão enfrenta a terceira etapa (76,6 km) com partida de Almancil e final coincidente com a mítica subida ao Alto do Malhão. A contagem de primeira categoria será o grande obstáculo para quem ambiciona vestir a camisola amarela, num cenário que é um palco icónico do ciclismo profissional na Volta ao Algarve.

O desfecho está guardado para sábado, com a etapa rainha de 104,3 quilómetros. É a tirada mais longa e exigente, levando os jovens atletas até ao Ameixial, Vermelhos e Portela do Barranco. O percurso é caracterizado por um constante sobe e desce, acumulando um desnível positivo de 2194 metros.

A prova algarvia tem servido de rampa de lançamento para nomes que hoje integram a elite mundial, como é o caso de António Morgado (vencedor em 2021 e 2022), que atualmente brilha no World Tour ao serviço da UAE Team Emirates.

 

Mais eventos oficiais

 

4 de abril: Gião Bike Challenge, Gião

4 de abril: Campeonato de Resistências de BTT do Concelho de Águeda - Resistência BTT BELA BELA, Belazaima do Chão

4 de abril: 18º BTT Isabelinha, Viatodos

4 de abril: 3.ª Resistência Urbana Noturna - Ribeirense 2026, Porto de Mós

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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