Face à recente divulgação de dados relativos à distribuição de receitas provenientes das apostas desportivas, a Federação de Triatlo de Portugal vem expressar a sua profunda preocupação perante a injustiça estrutural do modelo em vigor.
Futebol ‘monopoliza’ apostas
desportivas com quase 80% das receitas – Notícias ao Minuto
O triatlo, modalidade olímpica
com crescente número de praticantes, resultados internacionais de relevo e
organizadora de eventos de nível mundial, não recebeu até hoje um único euro
proveniente do mecanismo de distribuição de receitas das apostas desportivas.
Este facto não só é injusto, como representa também uma clara ausência de
reconhecimento da realidade desportiva plural existente em Portugal.
Quando o legislador criou, em
2015, este mecanismo de apoio ao desporto, não antecipava que o sistema se
tornasse tão desequilibrado e incapaz de apoiar de forma justa a diversidade
desportiva nacional.
Contudo,
a realidade está muito longe desse objetivo. O triatlo:
Nunca recebeu qualquer
montante proveniente das receitas das apostas desportivas;
Funciona hoje com menos 30% de
financiamento público real (via IPDJ) do que há 10 anos (descontado o efeito
inflação), com mais 26% de atletas;
Recebe, de apoio direto do
Estado, apenas 152 € (ano) por atleta, um valor totalmente desajustado às
necessidades reais da modalidade. Cerca de menos 100 euros do que em 2019.
Quem
sobrevive assim?
Como se assegura a preparação
de atletas de alto rendimento, o desenvolvimento de clubes, a formação de
treinadores, a organização de eventos e a capilaridade territorial quando o
financiamento diminui e os mecanismos criados para apoiar o desporto simplesmente
ignoram modalidades inteiras?
Assim, a FTP apela a uma
revisão urgente e estrutural do mecanismo de repartição das receitas das
apostas desportivas que recupere o espírito da Lei de 2015: a criação de um
sistema que sirva todas as modalidades, sem exceção.
06 de maio de 2026,
A Direção da Federação Triatlo
Portugal

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