Por: Miguel Marques
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A Volta à Romandia ficou
marcada pelo domínio de Tadej Pogacar, mas terá sido isso fortemente
influenciado pelas motas? Surge mais um testemunho de um corredor que esteve na
prova suíça e sentiu nas pernas quanto o pelotão beneficiou do vácuo atrás das
motas de TV.
O tema gerou forte polémica
durante a semana, sobretudo após a 4ª etapa, em que uma fuga robusta com Primoz
Roglic e Valentin Paret-Peintre foi alcançada na subida ao Jaunpass, depois de
ter sido perseguida no vale.
Louis Vervaeke, da Soudal -
Quick-Step, foi muito crítico com o que considerou ser uma diferença controlada
com ajuda de uma mota à frente do pelotão. “Perdemos 50 segundos em cinco
quilómetros. Imagino que tenha sido quando a transmissão televisiva começou. É
sempre a mesma história. Assim que entram no ar, as motas estão lá e, por
vezes, para mim, isso muda a corrida”.
Paret-Peintre foi mais longe,
sugerindo uma decisão consciente: “Se a organização quer que o Tadej Pogacar
ganhe, é uma escolha deles. Já o dissemos várias vezes, mas é a vida”.
Há anos que se sabe que, mesmo
a 20 metros, os homens que puxam pelo pelotão podem obter um mínimo benefício
de vácuo ao perseguirem uma mota. Quando as diferenças são menores, ou um
ataque coincide com a presença de uma mota à frente, isso pode alterar significativamente
o desfecho da corrida.
Poder-se-ia assumir que, nesse
dia, o duo da Soudal - Quick-Step falou a quente, desiludido após ver fracassar
a sua perseguição pela vitória de etapa. Mas, no pelotão, Luke Plapp, da Team
Jayco AlUla, corrobora a tese.
“Foi simplesmente ridículo, a
diferença que fizeram esta semana. Quando a fuga se formava, os rapazes da UAE
controlavam, mantinham a fuga por perto. Tinhas um ou dois da UAE a perseguir
uma fuga e conseguiam manter tudo muito semelhante”, disse no podcast Stanley
St. Social. “E depois as motas entravam à frente do nosso grupo e a velocidade
no pelotão tornava-se inacreditável”
O australiano terminou em
quinto na classificação geral, esteve nos momentos-chave e não muito longe de
Pogacar. O seu relato é mais um num fluxo constante de corredores a falar do
impacto atual das motas na corrida.
“Íamos em fila, a sprintar à
saída de cada curva, e as diferenças caíam a pique. Foi provavelmente o maior
efeito que alguma vez vi as motas terem numa corrida de bicicleta”, chegou a
afirmar Plapp. “Houve etapas em que foi quase uma anedota a velocidade a que
íamos e o quanto as motas influenciaram”.

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