Por: Miguel Marques
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Tadej Pogacar assinou mais uma
exibição extraordinária nas estradas de terra batida da Toscana para vencer a
Strade Bianche, atacando de longe e chegando sozinho a Siena na prova de
abertura da sua temporada de 2026.
O campeão do mundo desferiu o
movimento decisivo a 78 quilómetros da meta, no duro setor de Monte Sante
Marie, deixando todos os rivais para trás e transformando o resto da corrida
numa longa demonstração a solo pela “strade bianche” da Toscana. Atrás, a luta
pelos restantes lugares do pódio tornou-se um duelo tático tenso, com o
emergente francês Paul Seixas e o seu colega na UAE Team Emirates - XRG, Isaac
del Toro, a afirmarem-se como os opositores mais fortes.
A UAE
incendiou a corrida em Monte Sante Marie
A prova já seguia a um ritmo
excecional muito antes do ataque de Pogacar.
Uma fuga inicial de nove
corredores, com Jack Haig, Patrick Konrad e Tibor Del Grosso, nunca ganhou
grande margem, já que a UAE Team Emirates - XRG controlou o pelotão. A seleção
a sério começou quando o grupo entrou no setor de gravilha de cinco estrelas de
Monte Sante Marie, o trecho de sterrato mais temido da corrida.
Os homens da UAE começaram a
aumentar o ritmo em cadeia. Florian Vermeersch assumiu a dianteira antes de
passar o testemunho a Jan Christen, esticando o pelotão e reduzindo
drasticamente o grupo. A fuga foi neutralizada e os favoritos ficaram
rapidamente isolados.
Pogacar
ataca de longe
Com a corrida já fracionada,
Pogacar lançou o ataque que acabaria por decidir a prova.
Ao acelerar com violência, de
pé nos pedais, o esloveno impôs de imediato uma seleção que apenas um punhado
de corredores conseguiu sequer tentar seguir. Seixas ainda conseguiu fechar o
espaço por momentos, numa das respostas mais impressionantes do dia, quando o
jovem de 19 anos encurtou a diferença nas íngremes rampas de gravilha. Porém, o
esforço revelou-se insustentável.
Em instantes, Pogacar voltou a
carregar e o jovem francês teve de ceder terreno, enquanto o campeão do mundo
desaparecia sozinho pela frente.
Um longo
solo pela gravilha toscana
Uma vez isolado, Pogacar
entrou num ritmo implacável que foi ampliando, de forma constante, a sua
vantagem.
Apesar de restarem mais de 60
quilómetros quando o ataque vingou, a diferença continuou a crescer, já que
atrás faltou coordenação para uma perseguição eficaz.
Quando Pogacar alcançou os
setores decisivos de terra batida em redor de Siena, a sua liderança já ia bem
além de um minuto. O esloveno teve até tempo para assinalar um momento
simbólico no setor de Colle Pinzuto, onde a organização tinha inaugurado, dias
antes, uma pedra comemorativa das suas vitórias na Strade Bianche.
Ao passar na curva onde tinha
caído na edição do ano anterior, Pogacar gesticulou calmamente para a câmara
antes de prosseguir o seu esforço a solo.
Explode a
luta pelo pódio atrás
Enquanto Pogacar seguia
sozinho rumo a Siena, atrás desenrolou-se uma disputa intensa pelos restantes
lugares do pódio.
Sucessivos ataques compuseram
gradualmente um grupo perseguidor de elite com Tom Pidcock, Matteo Jorgenson,
Vermeersch, Romain Gregoire, Seixas, Del Toro e Christen. O grupo abriu e
fechou várias vezes no terreno ondulado a caminho de Siena.
Acabaria por ser Seixas a
lançar uma aceleração decisiva que forçou nova seleção, com Del Toro como único
a responder de imediato.
Atrás, a hesitação dos
restantes bastou para que o duo cavasse uma pequena vantagem. Christen ainda
tentou fazer a ponte, mas foi rapidamente controlado pelo resto do grupo
perseguidor.
Na frente, porém, o desfecho
nunca esteve verdadeiramente em causa. Após mais de 70 quilómetros isolado,
Pogacar mantinha mais de um minuto de avanço ao aproximar-se da íngreme Via
Santa Caterina, que conduz à Piazza del Campo, em Siena.
A exibição voltou a sublinhar
porque a Strade Bianche se tornou numa das corridas mais associadas ao estilo
agressivo do esloveno.
Para Pogacar, a vitória
assinalou um arranque espetacular de 2026 e mais uma prova de que, quando
decide atacar de longe, mesmo os mais fortes do pelotão raramente encontram
resposta. Destaque também para Paul Seixas, que aos 19 anos e na estreia nesta
corrida, conseguiu a segunda posição, diante de Isaac del Toro, um pódio para
mais tarde recordar.

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