Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
As estradas brancas da
Toscânia proporcionaram um dos momentos mais emotivos desta temporada do World
tour feminino, com Elise Chabbey a disparar para um triunfo surpresa na Strade
Bianche Feminina.
A suíça cortou a meta em Siena
após uma corrida brutal pelos setores de gravel, assinando aquele que descreveu
como o maior triunfo da carreira pela FDJ United - SUEZ.
Mesmo no imediato após a
vitória, Chabbey admitiu que a dimensão do momento ainda não tinha assentado
por completo.
“É tanta emoção, acho que
ainda não consigo perceber”, expressou após a chegada. “Acho que vou perceber
nos próximos dias. Ainda bem que tenho três semanas em altitude, vou ter tempo
para assimilar e, uau, é simplesmente incrível”.
Plano de
corrida muda após contratempo de Vollering
A FDJ começou a prova com um
plano claro em torno da líder de equipa Demi Vollering, amplamente apontada
como uma das favoritas no gravel toscano.
Mas a estratégia foi posta em
causa durante a corrida quando Vollering enfrentou problemas, forçando a equipa
a ajustar a abordagem. “Partimos com uma equipa muito forte e tínhamos mesmo um
plano”, explicou Chabbey. “A Demi é a melhor corredora, depois infelizmente
teve um problema e ficámos só a Franzi e eu”.
Ao lado da companheira
Franziska Koch, Chabbey viu-se de repente a lutar pela vitória.
A suíça sublinhou quanto o
resultado deve ao trabalho coletivo que sustentou a sua performance. “Devia ter
sido para a Demi, mas hoje é para mim”, disse. “Toda a gente nesta equipa está
totalmente comprometida. O staff, as minhas colegas, e trabalhamos mesmo
unidas”.
Uma
corrida disputada no limite
A vitória de Chabbey esteve
longe de ser linear. A suíça passou grande parte da prova no limite, à medida
que os setores de gravel iam desfazendo o pelotão. “Já tinha feito alguns
esforços antes, estive na fuga”, disse. “Estive mesmo no limite tantas vezes”.
Em vários momentos admitiu que
as exigências físicas a levaram perto de desistir. “Tantas vezes, na minha
cabeça, era como: ‘Só quero desistir’. Mas depois pensava: não, pela Demi que
está atrás e por todo o trabalho que as minhas colegas fizeram”.
Essa determinação acabou por
levá-la até à icónica chegada na Piazza del Campo, em Siena. “Tinha de ir até à
meta e ver”, acrescentou. “E passei a linha em primeiro e uau, ainda não
consigo acreditar”.
Momento
de consagração em Siena
A Strade Bianche cresceu
rapidamente até se tornar numa das clássicas de um dia mais prestigiadas do
ciclismo feminino, e Chabbey sabia bem o significado de vencer no gravel
toscano. “Nem sabia que era a primeira suíça”, admitiu. “Mas é uma das minhas
corridas preferidas, gosto mesmo desta prova”.
Enfrentar um pelotão repleto
de grandes nomes tornou o resultado ainda mais saboroso. “Não era só a Elisa e
eu, hoje havia tantas corredoras de nível”, apreciou. “Na linha de partida,
estavam todas as grandes”.
Para Chabbey, a vitória é um
marco definidor na carreira.
E mesmo que as emoções ainda
não tivessem assentado por completo após a chegada em Siena, a suíça sabia
exatamente o que o momento representava. “Tenho muito orgulho por o ter
conseguido pela equipa”.

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