Por: José Morais
A 52.ª edição da Volta ao
Algarve foi oficialmente apresentada esta terça-feira, na Câmara Municipal de
Albufeira, e desde logo ficou claro que a prova arranca com um ingrediente
especial: o primeiro duelo direto entre João Almeida e Juan Ayuso desde que
deixaram de partilhar as mesmas cores na UAE Emirates. Agora em equipas
diferentes, português e espanhol assumem-se como os principais protagonistas de
uma algarvia que promete emoção até ao último quilómetro.
Vice-campeão em 2023, apenas
batido por Jonas Vingegaard (ausente nesta edição), João Almeida encara a
corrida “de casa” com ambição e serenidade. “É uma rivalidade saudável e vai
ser bom correr um contra o outro. Vamos gostar”, afirmou o corredor luso, de 27
anos, durante a conferência de imprensa. “O Juan é muito forte. Somos ciclistas
semelhantes. Talvez ele seja um pouco melhor no contrarrelógio, mas na montanha
estamos muito próximos. Vai ser uma grande corrida.”
Depois de um segundo lugar
recente na Volta à Comunidade Valenciana, Almeida garante chegar ao Algarve com
boas sensações. “Ganhar nunca é fácil, ainda mais com um pelotão tão forte, mas
estamos preparados. A Volta ao Algarve tem enorme prestígio internacional e,
sendo em Portugal, tem sempre um sabor especial. Sentir o apoio das pessoas faz
a diferença.” Curiosamente, o português confessou não ter presente a última
vitória nacional na geral da prova, conquistada por João Rodrigues em 2021.
Do outro lado está Juan Ayuso,
que se estreia em Portugal como sénior e inicia uma nova fase da carreira com a
Lidl-Trek. O espanhol mostrou-se confortável no novo contexto e destacou a
afinidade com Almeida. “Somos muito parecidos na forma como lidamos com a
pressão. Somos calmos, até dentro do autocarro… só que agora será a primeira
vez que estaremos em autocarros diferentes”, disse, com um sorriso. Para Ayuso,
a Volta ao Algarve “é uma corrida muito completa”, ideal para testar todas as
capacidades: “Tem contrarrelógio, duas chegadas em alto bem distintas e etapas
para sprinters onde também haverá muita tensão.”
A prova arranca esta
quarta-feira em Vila Real de Santo António e percorre 673,7 quilómetros até à
consagrada chegada ao Alto do Malhão, no domingo. Pelo meio, a grande novidade
está reservada para quinta-feira, com a subida à Fóia por uma vertente inédita,
mais exigente e seletiva.
“É a etapa que melhor se
adapta a mim”, reconheceu João Almeida. “A Fóia está mais dura este ano,
encaixa bem nas minhas características e nas do Juan. O contrarrelógio é ideal
para especialistas puros e o Malhão também é muito exigente. Tudo pode acontecer.”
Ayuso concorda e reforça: “É uma subida muito dura. Será o dia onde mais
diferenças podem ser feitas.”
Com dois dos maiores talentos
do ciclismo mundial frente a frente, em terreno conhecido e com novas variantes
no percurso, a Volta ao Algarve ganha um enredo digno de clássico moderno uma
rivalidade jovem, saudável e com potencial para marcar o início da temporada
europeia.

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