Por: José Morais
Vencer a Volta ao Algarve é um
objetivo assumido e antigo de João Almeida, que chega à 52.ª edição da prova em
clara boa forma e determinado a lutar pelo triunfo. O ciclista português
identifica o espanhol Juan Ayuso e o alemão Florian Lipowitz como os adversários
mais perigosos numa corrida que ambiciona conquistar pelo menos uma vez na
carreira.
“Usar o dorsal número um é
sempre motivador. Sabemos que ganhar será difícil, mas o objetivo é claramente
lutar pelo primeiro lugar”, afirmou o corredor da UAE Team Emirates, em
declarações à Lusa e à Rádio Renascença.
Na ausência do campeão em
título, Jonas Vingegaard, e da sua equipa Visma–Lease a Bike, coube a João
Almeida, segundo classificado da edição anterior, assumir o dorsal mais
simbólico da prova. Um estatuto que, garante, não lhe acrescenta pressão.
“Ganhar a Volta ao Algarve é
algo que gostava muito de riscar da lista. O segundo lugar do ano passado
ficou-me atravessado estive perto, mas ao mesmo tempo longe”, confessou o
melhor voltista português da atualidade.
A edição de 2026 arranca
quarta-feira, em Vila Real de Santo António, e termina domingo no alto do
Malhão, em Loulé. Para Almeida, o percurso mais exigente favorece os trepadores
e pode ser decisivo. “A Fóia está mais dura, há duas passagens no Malhão e um
contrarrelógio plano, mas diferente do habitual. No geral, é um percurso que me
agrada.”
Entre os principais rivais,
João Almeida destaca Juan Ayuso, que se estreia no Algarve pela Lidl-Trek, e
Florian Lipowitz, terceiro classificado do último Tour. “E haverá certamente
mais corredores perigosos, alguns que até me posso estar a esquecer”, admitiu.
O português chega ao Algarve
embalado por um segundo lugar na Volta à Comunidade Valenciana, primeira prova
da temporada, onde terminou a 31 segundos de Remco Evenepoel. “O percurso não
era totalmente à minha medida, mas senti-me muito bem. A forma está lá e isso
deixa-me confiante.”
Vice-campeão da última Vuelta,
João Almeida contará com o apoio dos compatriotas António Morgado, Rui Oliveira
e Ivo Oliveira, e mostrou-se igualmente atento às novidades estratégicas do
percurso, nomeadamente os sprints intermédios. “Podem criar situações
imprevisíveis, com fugas ainda na estrada. Temos de nos adaptar.”
Mais do que um objetivo
isolado, vencer no Algarve pode ser um passo importante rumo à principal meta
da época: o Giro d'Itália, que decorre entre 8 e 31 de maio. “Começar bem a
época dá sempre confiança. Até ao Giro ainda há corridas importantes e espero
ganhar mais.”
Na Volta a Itália, João
Almeida voltará a medir forças com Vingegaard, que o superou na Vuelta. “É um
adversário duríssimo. Estivemos perto de o bater e isso já é motivo de orgulho.
O objetivo agora é continuar a evoluir para tentar ganhar.”
O português reconhece que a
presença do dinamarquês no Giro era expectável. “Se não fosse, melhor. Mas o
facto de ele ir, torna a corrida mais dura e mais controlada. Para mim, isso
também é positivo. Acredito que será um grande Giro.”

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