segunda-feira, 26 de novembro de 2018

“ACM acusa Presidente da República e Governo de discriminarem ciclismo”

O Presidente da República e o Governo foram acusados de discriminar o ciclismo por não atribuírem tratamento igual às modalidades e aos feitos desportivos dos portugueses. A acusação partiu do Presidente da Associação de Ciclismo do Minho, José Luís Ribeiro, na Gala de encerramento da época desportiva realizada no auditório do Campus de Azurém (Guimarães) da Universidade do Minho.

Perante um auditório repleto, o dirigente minhoto acusou também algumas autarquias e alguma comunicação social de tratamento diferenciado, defendeu o reforço dos apoios ao ciclismo regional e de formação, anunciou uma iniciativa junto do poder político para enquadrar todos os eventos na tutela das federações e apelou aos jovens atletas para que não descurem os estudos e conciliem a vida académica com a prática desportiva.

A Associação de Ciclismo do Minho encerrou a época desportiva de 2018 com uma Gala em que, além da consagração dos Campeões do Minho e dos vencedores das diversas competições, homenageou os minhotos que se sagraram Campeões Nacionais em 2018 e que alcançaram resultados internacionais de relevo.

“O nível de progresso de um País também se mede pelo índice de prática desportiva e pela qualidade e quantidade do trabalho desenvolvimento na formação desportiva dos jovens. Por vezes, basta um pequeno reconhecimento público que confira visibilidade às modalidades - nem que este surja apenas quando um atleta alcança um feito desportivo de relevo - para que as dificuldades diminuam”, referiu José Luís Ribeiro lamentando que “infelizmente, nem isso aconteça e o ciclismo, como outras modalidades amadoras, continuem a ser discriminados por aqueles que mais responsabilidades têm”.

“Onde estavam o Presidente do República e o Governo quando ciclistas portugueses conquistaram títulos europeus e mundiais? Como é possível um Presidente da República e o Governo continuarem a discriminar o ciclismo e a não atribuírem tratamento igual às modalidades e aos feitos desportivos das modalidades amadoras? Quantos títulos internacionais será necessário o ciclismo voltar a conquistar para que os titulares de cargos públicos se dignem reconhecer a modalidade?”, questionou José Luís Ribeiro afirmando “não ser justo que o ciclismo seja considerado pelo IPDJ das primeiras modalidades nacionais em termos de desenvolvimento desportivo mas seja das últimas em termos de financiamento público”.

O dirigente minhoto considerou ser “imperioso” que o Presidente da República e o Governo “saibam e reconheçam que existe muito mais desporto para além do futebol”, afirmando que “ao não ser alterado o comportamento discriminatório evidenciado até ao momento pelo presidente da República e pelo Governo, estes continuarão a trilhar o caminho para se transformarem no Presidente e no Governo de alguns portugueses e no Presidente e no Governo de apenas algumas modalidades desportivas”,

José Luís Ribeiro afirmou que “situação idêntica, infelizmente, ocorre também nalgumas autarquias do Minho que privilegiam algumas modalidades na atribuição de apoios e discriminam os nossos clubes de ciclismo”.

Os apoios ao desenvolvimento da prática desportiva e ao alto rendimento, a revisão dos estímulos do Estatuto do Mecenato e o incentivo e valorização do trabalho dos dirigentes desportivos voluntários são matérias que, segundo o dirigente minhoto, “se não forem urgentemente acauteladas vão contribuir para o rápido declínio do desporto”.

“É fundamental estimular e valorizar o trabalho desenvolvido no ciclismo regional e reconhecer que os clubes e as associações, movidos pelo trabalho voluntário dos seus dirigentes, são a base da construção do desporto e prestam à comunidade um serviço singular, mantendo ativos e dinamizando projetos que contribuem, por exemplo, para a integração social, a democratização da prática desportiva e a preservação dos valores do desporto”.

“Sem ciclismo regional de formação não haverá futuro, não existirá ciclismo profissional e não haverá sequer Volta a Portugal”, referiu o dirigente considerando que a Federação Portuguesa de Ciclismo tem que fazer mais, exigindo ao Governo, com mais veemência e eficácia, um tratamento justo e adequado para o ciclismo”.

José Luís Ribeiro acusou ainda a comunicação social de “salvo raras exceções, só se lembra do ciclismo para noticiar casos de doping”. “Somos pelo jogo limpo e defendemos “tolerância zero” em relação ao doping mas - também neste assunto - não aceitamos tratamentos diferenciados. Não se percebe nem se aceita que a comunicação social e a própria população sejam benevolentes e desvalorizem casos de doping surgidos noutras modalidades mas sejam absolutamente implacáveis quando surgem casos no ciclismo”, disse reafirmando que a ACM “foi e continuará a ser pelos princípios e valores do desporto, nomeadamente, a ética, a honestidade, o espírito e a verdade desportiva”.

“Defendemos e continuaremos a exigir que a Federação Portuguesa de Ciclismo processe judicialmente os prevaricadores em matéria de dopagem reclamando indemnizações pelos prejuízos causados à modalidade”, referiu o dirigente relembrando que, desde 2014, a ACM alerta para “os sinais preocupantes em relação ao doping detetados, em especial, em eventos e competições não reconhecidas pelas federações desportivas”.

“Esses são eventos que fogem à tutela das federações e nos quais não existe qualquer garantia, por exemplo, de cumprimento das normas de segurança e da defesa da verdade e da ética desportiva, podendo, inclusive, estarem a contribuir para a proliferação do doping. Esses eventos são um sério problema do desporto atual e uma grave ameaça ao desenvolvimento desportivo, não apenas do ciclismo, configurando também uma flagrante e incompreensível concorrência desleal em relação a eventos desportivos devidamente oficializados pelas federações”, afirmou.

O Presidente da Associação de Ciclismo do Minho considerou ser “urgente enquadrar definitivamente todos os eventos nas respetivas Federações dotadas do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva pelo que, acompanhando a evolução do fenómeno desportivo e antecipando o futuro, estamos a trabalhar, com o apoio da Federação Portuguesa de Ciclismo, numa proposta de alteração legislativa que oportunamente será apresentada”.

No balanço da época desportiva, José Luís Ribeiro considerou que “2018 foi um ano de excelência para a Associação de Ciclismo do Minho: consolidamos a ACM como a maior e mais representativa associação regional de ciclismo do País (2893 atletas, 127 clubes, 157 agentes desportivos, 186 dias de atividade, 2860 colaboradores voluntários em todas as atividades e 45.318 participantes no total das atividades), desenvolvemos e inauguramos em Guimarães a segunda fase do Centro de Ciclismo do Minho, organizamos mais uma edição do Grande Prémio do Minho, organizamos os campeonatos do Minho de ciclismo de estrada e BTT, provas da Taça de Portugal e os Campeonatos Nacionais de Maratonas e de Ciclocrosse e organizamos ainda aqueles que já foram considerados os melhores Campeonatos do Mundo Universitários de sempre”. “Orgulha-nos o êxito da época desportiva de 2018 e partilhamos o sucesso com todos os que contribuem para que a Força Minho seja uma realidade cada vez mais pujante”, referiu.

Aos jovens atletas, “que merecem o nosso carinho especial”, o dirigente minhoto fez um pedido: “continuem a divertir-se com o ciclismo mas nunca descuidem os estudos. É possível praticar desporto e ter bom rendimento escolar. O estudo e o desporto complementam-se e potencializam-se, sendo possível conciliar a carreira académica com a prática desportiva ao mais alto nível. Esse é o caminho certo, esse é um caminho de futuro”.

“Também não esquecemos – porque merecem uma palavra de apreço e de reconhecimento - as famílias dos atletas, dos dirigentes, dos restantes agentes desportivos, voluntários e patrocinadores. Sem o apoio deles, jamais se conseguiriam vencer as dificuldades”, concluiu.

Na 10ª edição da Gala da ACM foram homenageados os atletas minhotos que se sagraram Campeões Nacionais em 2018 e que conquistaram resultados de relevo a nível internacional. De igual modo, foram entregues os prémios finais do Campeonato do Minho de Ciclismo de Estrada - Arrecadações da Quintã, Campeonato do Minho de BTT XCO - Raiz Carisma, Campeonato do Minho de BTT DHI - CISION, Campeonato do Minho de BTT XCM - AFA Cycles e da Taça do Minho de Ciclismo de Estrada - Arrecadações da Quintã e de BTT XCO - Raiz Carisma.

Na iniciativa, que decorreu com grande entusiasmo e emoção, atuaram Marco Génio, a Academia Sara Salazar - Danças Orientais, Zé Miguel, Paulo Rodrigues / Ana Silva e Sina Key.

Fonte: ACM

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