Tour de France pega fogo sob calor extremo e Van der Poel explode para a vitória em Ussel
Por: José Morais
A véspera do primeiro dia de
descanso não trouxe alívio ao Tour de France. Trouxe caos. A Corrèze amanheceu
sob alerta vermelho, com o asfalto a derreter e o ar a vibrar como uma muralha
de calor. A organização foi obrigada a amputar 30 quilómetros da etapa, mas o
que se perdeu em distância ganhou-se em intensidade. O espetáculo não foi
encurtado.
Calor
brutal, ritmo selvagem
Desde a bandeira inicial, a
corrida transformou-se numa batalha sem pausas. A estrada subia, o pelotão
esticava-se e os ataques surgiam em sequência, como marteladas numa porta que
não queria abrir. Kirsch, Alaphilippe, Ganna, Pidcock, Van der Poel, Jorgenson,
Izagirre… todos tentaram fugir daquele forno, mesmo sabendo que a única saída
era acelerar ainda mais.
A primeira hora foi um
absurdo: 47 km percorridos e 700 metros de desnível. Os sprinters ficaram para
trás, o grupo principal foi reduzido a pouco mais de quarenta ciclistas e o que
deveria ser um dia de transição virou um clássico feroz.
A fuga
ganha nomes pesados
Pidcock acendeu o pavio. Van
der Poel trouxe a pólvora. Ganna lançou uma ofensiva que parecia definitiva.
Formou-se uma fuga de luxo: Simmons, Gee-West, Johannessen, Van Eetvelt,
Baudin, Castrillo, Pidcock e Van der Poel dois vencedores de grandes clássicas
e um ritmo que não permitia respirar.
A UAE Team Emirates manteve a
corda curta. Pogacar, em amarelo, não queria surpresas. A vantagem da fuga
nunca passou muito de um minuto.
Pidcock
domina as subidas; Castrillo resiste como gigante
Pidcock transformou cada
subida numa seleção natural. Passou primeiro no Suc au May e na Côte de la
Croix du Pey, pedalando como se a estrada tivesse sido desenhada para ele:
estreita, quente, irregular.
Castrillo, o aragonês valente,
voltou a mostrar a alma de caçador de etapas. Não precisava vencer para ser
visto bastava dividir a frente com monstros como Van der Poel e Pidcock. Mas o
ritmo acabou por o consumir antes dos 30 km finais.
Mont
Bessou: o ataque que mudou tudo
No Mont Bessou, Van der Poel
decidiu que era hora de virar a página. O ataque não pareceu uma aceleração
pareceu uma mudança de cenário. Johannessen aguentou a roda. Pidcock tentou
responder, mas um problema mecânico atrasou-o por segundos que pareceram eternos.
Baudin também voltou ao grupo.
A 22 km da meta, quatro homens
lideravam a corrida.
Atrás, Simmons e Gee-West
desistiram da fuga para trabalhar para Pedersen. Verona juntou-se ao esforço da
Lidl-Trek, enquanto Vauquelin puxava pela Ineos. A diferença caiu para 45
segundos.
Ussel
vibra com a aproximação do Tour
Era a primeira vez que Ussel
recebia o Tour. As ruas ferviam de expectativa enquanto o grupo perseguidor
surgia ao longe. Van der Poel olhou para trás. Pidcock recuperava o fôlego.
Johannessen e Baudin calculavam cada pedalada.
A estrada começou a descer. A
tensão cresceu.
Van der
Poel, em modo fera, fecha o dia com triunfo feroz
No sprint reduzido, Mathieu
van der Poel mostrou porque é um dos ciclistas mais explosivos da sua geração.
Lançou-se com violência controlada e cruzou a meta como se estivesse a reclamar
o Tour para si.
A etapa foi encurtada. O
espetáculo, não.

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