Por: Carlos Silva
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
Poucos nomes no ciclismo
despertam tanta controvérsia quanto Lance Armstrong. O americano, agora com 53
anos, continua a ser um tema sensível no mundo do desporto, onde a simples
menção ao seu nome ainda gera debates inflamados entre fãs e especialistas.
Apesar de ter sido banido do
ciclismo profissional após a revelação de um dos maiores escândalos de doping
da história, Armstrong mantém uma presença ativa no meio, através do seu
podcast "The Move", onde discute o ciclismo moderno ao lado do seu
ex-chefe de equipa Johan Bruyneel e outros convidados.
"Os
meus rivais também faziam batota"
Numa recente entrevista ao Jot
Down Sport, Armstrong falou abertamente sobre o seu passado, reconhecendo as
suas falhas, mas insistindo que não era o único culpado. "Os meus rivais
também faziam batota", afirma.
O ex-campeão destacou ainda o
impacto devastador que o doping teve em alguns dos seus adversários, indo além
das consequências desportivas: "Isso destruiu alguns dos meus adversários.
Perdi cinco ou seis rivais da minha geração devido a substâncias proibidas e
maus hábitos."
Armstrong admite que passou por momentos difíceis e que poderia ter desistido, mas encontrou forças para continuar: "Foi uma fase complicada, mas decidi lutar. Estou muito orgulhoso por ter conseguido superar essa fase."
O americano credita a sua
resiliência ao exemplo da sua mãe: "Nasci quando a minha mãe tinha apenas
dezassete anos, e ela nunca desistiu. Pensei muitas vezes nela durante esse
período negro, e isso acabou por me salvar."
O estado
atual do ciclismo: ainda falta emoção?
Mesmo afastado das
competições, Armstrong continua a acompanhar de perto o ciclismo e não hesita
em expressar opiniões sobre o desporto atual. Para ele, há um problema
fundamental na forma como as corridas são apresentadas ao público.
"Os organizadores não
querem abrir mão do seu espetáculo, e isso, na minha opinião, prejudica o
desporto."
O americano questiona se o
formato das competições ainda é atraente para as novas gerações: "Se eu
pedisse aos meus filhos para assistirem a uma etapa da Volta à França do início
ao fim, todos diriam que não. Assistir a uma corrida durante o dia todo não é
apelativo para os jovens. Eles só se interessam quando algo realmente
emocionante acontece."
Armstrong
e a sua relação com a Volta à França
Se há uma corrida com a qual
Armstrong está intrinsecamente ligado, é a Volta à França. Entre 1999 e 2005,
ele dominou a prova, vencendo sete edições consecutivas, títulos que mais tarde
foram anulados. "Sempre considerei a Volta à França como a minha
corrida."
No entanto, a sua visão mudou
com o tempo e as experiências pessoais: "Agora que visito França com mais
frequência, percebo que a Volta pertence a todos, especialmente aos
franceses."
Apesar da sua queda do
pedestal, Armstrong mantém um apreço especial pelo país e sua capital:
"Gosto muito de França e, em particular, de Paris. Quanto mais vezes
visito a cidade, mais me dou conta de como é maravilhosamente bonita",
disse.
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