sábado, 4 de agosto de 2018

“VOLTA A PORTUGAL/CALOR EXTREMO GERA REVOLTA NA VOLTA A PORTUGAL: CADA CICLISTA BEBEU 15 LITROS DE ÁGUA”

Louis Bendixen abandonou sexta-feira desidratado e com insuficiência renal

Por: Alexandre Reis

Foto: Lusa

As opiniões estão divididas, mas há um sentimento de revolta no pelotão face à indiferença com que os organizadores da Volta e respetivos comissários encararam as duas primeiras etapas, tendo a de ontem superado as temperaturas da véspera. E isto quando existem regulamentos, depois de a UCI ter criado o Protocolo de Condições Meteorológicas Extremas para preservar a integridade física dos atletas. Etapas no Tour Down Under ou na Volta a San Juan foram anuladas ou reduzidas na sua extensão devido ao calor.

Já na Volta, as vítimas sucedem-se. Joaquim Silva (Caja Rural) desistiu na 1ª etapa e o dinamarquês Louis Bendixen (Team Coop) não alinhou na 2ª, desidratado e com falha renal: "Depois de etapa com cinco horas de calor extremo, estive mais três horas no controlo antidoping, sem beber nem comer. O corpo desfaleceu e tive de passar a noite no hospital."

O vice-campeão olímpico em Atenas’2004, Sérgio Paulinho (Efapel), pede uma maior proteção aos atletas, pois basta dizer que numa etapa como a de ontem, cada corredor tem de beber 15 a 20 litros de água para combater a desidratação: "Dou-me bem com o calor, mas não quer dizer que não tenha crises com quase 50 graus. Muita gente fala em outras coisas que são prejudiciais para a saúde, das quais nem vale a pena designar... Mas esta situação é extremamente prejudicial para a saúde. A Proteção Civil pede a todos para se manterem em locais frescos; a nós é pedido que pedalemos 200 km. Existem regulamentos, mas nem sempre são cumpridos. Há que proteger os ciclistas."

Gustavo Veloso (W52-FC Porto) é da mesma opinião: "A etapa, hoje [ontem], deveria ter sido anulada. Estamos preparados para correr com o calor, mas sem estas temperaturas."

Já Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Ali) discorda que haja intervenção: "Dias de muito calor, mas espero recuperar. Isto é a Volta a Portugal, é espetáculo e nós somos atletas acima do normal. Aplaude-se muito o futebol, mas deve-se olhar mais para estes homens que deixam tudo na estrada, com um sofrimento que ninguém imagina. Depois, há a magia, quando o povo nos refresca com a água..."

Fonte: Record on-line

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