Por: Carlos Silva
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
João Almeida tem construído
uma carreira notável e consolidou-se como um dos raros ciclistas da UAE Team
Emirates - XRG com liberdade para explorar as suas próprias oportunidades.
Habitualmente colocado ao serviço de Tadej Pogacar, o português pôde assumir
ambições pessoais na Volta a Espanha de 2025, onde protagonizou um momento
intenso com Tom Pidcock.
O episódio ocorreu no 9.º dia
da prova, numa etapa que não se previa particularmente complicada, mas cuja
subida final irregular gerou bastante tensão entre os candidatos à
classificação geral. Num cenário onde pouco espetáculo era antecipado, Jonas
Vingegaard lançou um ataque decidido na ascensão, obrigando Almeida e Pidcock a
organizar a perseguição.
A tentativa de resposta esteve
longe de ser tranquila. Enquanto o britânico demonstrava estar próximo do
limite, o português insistiu em acompanhar o ritmo do dinamarquês, provocando
uma troca de palavras entre ambos. A questão que se impôs depois foi inevitável:
o que disse Almeida a Pidcock naquele momento?
Pidcock contou o episódio com
humor: “Ele disse-me para ter tomates”, revelou entre risos o ciclista da
Q36.5. “Eu disse: se fores um pouco mais devagar, consigo-te acompanhar. Achei
que a roda do Almeida era perfeita para tentar chegar ao Vingegaard. Chapeau
para ele: eu não pude ajudar muito, ele gritou comigo, mas ele é como um
trator. Naquela zona mais plana e sobretudo no último quilómetro, foi
impressionante. Só consegui passar por ele.”
Almeida:
“Pedi desculpa depois. Talvez nos tenha aproximado”
Meses mais tarde, numa
conversa com Matt Stephens, Almeida revisitou o momento. “Não sei se disse
exatamente isso, mas foi perto”, comentou, rindo da versão de Pidcock. O
português admitiu que sentia claramente que o britânico estava no limite, mas
não queria desperdiçar a oportunidade de responder ao ataque de Vingegaard.
“Pensei: talvez deva forçar um
pouco mais. Mas ele já não tinha nada no tanque. Eu senti isso, mas podemos
sempre tentar.” Ainda assim, garante que o ambiente não ficou tenso. “Pedi
desculpas depois e ele disse que estava tudo bem. Não acho que tenha sido um
grande problema, mas reconheço que não foi a melhor forma de dizer as coisas.
No fim, até nos aproximou um pouco.”
Almeida refere mesmo que
aquele confronto acabou por gerar algum vínculo entre eles. “Talvez tenha sido
o início de uma pequena relação. Foi um bom momento”, acrescentou, recordando o
cenário de chuva, frio e esforço máximo naquela subida final, ao perseguir
Vingegaard: “Era um daqueles dias… e eu só pensava: Tom, preciso mesmo da tua
ajuda agora.”
Antes da etapa, não havia
expectativas. “Estávamos no autocarro e disseram que não era uma subida
difícil, que nada ia acontecer. Foi precisamente ali que atacaram forte. Achei
que se puxasse a fundo ia rebentar. Foi um daqueles momentos em que não sabes o
que fazer.”
A visão
de Almeida sobre Pogacar: “Se estiver sozinho, fica mais difícil…”
Sobre o esloveno, Almeida
admite que não é fácil vencê-lo. “Se for uma etapa muito dura, não tens
hipótese. Nem penses muito nisso. Guarda energia e faz o teu melhor, porque vai
doer.” Ainda assim, acredita que Pogacar não é invencível em todos os cenários.
“Se for uma etapa complicada,
acho que é possível. Com uma boa equipa, talvez consigas colocá-lo numa posição
mais difícil.” Para ilustrar, lembra o Tour de 2022, quando a Jumbo-Visma
conseguiu desmontar o esloveno tacticamente. “Se estiver sozinho, dois contra
um ou três contra um, torna-se mais difícil para ele.”
Almeida afirma já ter
discutido esses momentos com o companheiro de equipa. “Já lhe disse antes, mas
acho que ele pedalou muito mal naquele dia. Podia até ter vencido, ou pelo
menos terminado com maior vantagem. Acho que aprendeu bastante com isso. Ninguém
sabe tudo.”
Ainda assim, conclui com
realismo: “Se olharmos para Paris-Roubaix ou a Volta à Flandres… até o Van der
Poel tem dificuldade em superá-lo nesses terrenos. Muitos ciclistas
especialistas em empedrado têm de aceitar isso. Não faz muito sentido, mas é a
realidade. É simplesmente o mais forte.”
Pode visualizar este artigo
em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/joao-almeida-analisa-pogacar-e-fala-da-vuelta-se-puxasse-a-fundo-rebentava

Sem comentários:
Enviar um comentário