sexta-feira, 28 de novembro de 2025

“João Almeida analisa Pogacar e fala da Vuelta: "Se puxasse a fundo rebentava"


Por: Carlos Silva

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

João Almeida tem construído uma carreira notável e consolidou-se como um dos raros ciclistas da UAE Team Emirates - XRG com liberdade para explorar as suas próprias oportunidades. Habitualmente colocado ao serviço de Tadej Pogacar, o português pôde assumir ambições pessoais na Volta a Espanha de 2025, onde protagonizou um momento intenso com Tom Pidcock.

O episódio ocorreu no 9.º dia da prova, numa etapa que não se previa particularmente complicada, mas cuja subida final irregular gerou bastante tensão entre os candidatos à classificação geral. Num cenário onde pouco espetáculo era antecipado, Jonas Vingegaard lançou um ataque decidido na ascensão, obrigando Almeida e Pidcock a organizar a perseguição.

A tentativa de resposta esteve longe de ser tranquila. Enquanto o britânico demonstrava estar próximo do limite, o português insistiu em acompanhar o ritmo do dinamarquês, provocando uma troca de palavras entre ambos. A questão que se impôs depois foi inevitável: o que disse Almeida a Pidcock naquele momento?

Pidcock contou o episódio com humor: “Ele disse-me para ter tomates”, revelou entre risos o ciclista da Q36.5. “Eu disse: se fores um pouco mais devagar, consigo-te acompanhar. Achei que a roda do Almeida era perfeita para tentar chegar ao Vingegaard. Chapeau para ele: eu não pude ajudar muito, ele gritou comigo, mas ele é como um trator. Naquela zona mais plana e sobretudo no último quilómetro, foi impressionante. Só consegui passar por ele.”

 

Almeida: “Pedi desculpa depois. Talvez nos tenha aproximado”

 

Meses mais tarde, numa conversa com Matt Stephens, Almeida revisitou o momento. “Não sei se disse exatamente isso, mas foi perto”, comentou, rindo da versão de Pidcock. O português admitiu que sentia claramente que o britânico estava no limite, mas não queria desperdiçar a oportunidade de responder ao ataque de Vingegaard.

“Pensei: talvez deva forçar um pouco mais. Mas ele já não tinha nada no tanque. Eu senti isso, mas podemos sempre tentar.” Ainda assim, garante que o ambiente não ficou tenso. “Pedi desculpas depois e ele disse que estava tudo bem. Não acho que tenha sido um grande problema, mas reconheço que não foi a melhor forma de dizer as coisas. No fim, até nos aproximou um pouco.”

Almeida refere mesmo que aquele confronto acabou por gerar algum vínculo entre eles. “Talvez tenha sido o início de uma pequena relação. Foi um bom momento”, acrescentou, recordando o cenário de chuva, frio e esforço máximo naquela subida final, ao perseguir Vingegaard: “Era um daqueles dias… e eu só pensava: Tom, preciso mesmo da tua ajuda agora.”

Antes da etapa, não havia expectativas. “Estávamos no autocarro e disseram que não era uma subida difícil, que nada ia acontecer. Foi precisamente ali que atacaram forte. Achei que se puxasse a fundo ia rebentar. Foi um daqueles momentos em que não sabes o que fazer.”

 

A visão de Almeida sobre Pogacar: “Se estiver sozinho, fica mais difícil…”

 

Sobre o esloveno, Almeida admite que não é fácil vencê-lo. “Se for uma etapa muito dura, não tens hipótese. Nem penses muito nisso. Guarda energia e faz o teu melhor, porque vai doer.” Ainda assim, acredita que Pogacar não é invencível em todos os cenários.

“Se for uma etapa complicada, acho que é possível. Com uma boa equipa, talvez consigas colocá-lo numa posição mais difícil.” Para ilustrar, lembra o Tour de 2022, quando a Jumbo-Visma conseguiu desmontar o esloveno tacticamente. “Se estiver sozinho, dois contra um ou três contra um, torna-se mais difícil para ele.”

Almeida afirma já ter discutido esses momentos com o companheiro de equipa. “Já lhe disse antes, mas acho que ele pedalou muito mal naquele dia. Podia até ter vencido, ou pelo menos terminado com maior vantagem. Acho que aprendeu bastante com isso. Ninguém sabe tudo.”

Ainda assim, conclui com realismo: “Se olharmos para Paris-Roubaix ou a Volta à Flandres… até o Van der Poel tem dificuldade em superá-lo nesses terrenos. Muitos ciclistas especialistas em empedrado têm de aceitar isso. Não faz muito sentido, mas é a realidade. É simplesmente o mais forte.”

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/joao-almeida-analisa-pogacar-e-fala-da-vuelta-se-puxasse-a-fundo-rebentava

Sem comentários:

Enviar um comentário

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
  • Diretor: José Manuel Cunha Morais
  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
  • Periodicidade: Diária
  • Registado: Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº: 125457
  • Proprietário e Editor: José Manuel Cunha Morais
  • Morada: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Redacção: José Morais
  • Fotografia e Vídeo: José Morais, Helena Morais
  • Assistência direção, área informática: Hugo Morais
  • Sede de Redacção: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Contactos: Telefone / Fax: 219525458 - Email: josemanuelmorais@sapo.pt noticiasdopedal@gmail.com - geral.revistanoticiasdopedal.com