Por: Miguel Marques
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A Volta à Romandia assume os
holofotes esta semana no mundo do ciclismo e, na linha de partida, pela
primeira vez, estará o campeão do mundo Tadej Pogacar. A prova suíça, em
dificuldades, recebe calorosamente o melhor do pelotão, que pode ajudar o
evento a sair dos recentes problemas financeiros.
O diretor de corrida Richard
Chassot explicou como surgiu a estreia de Pogacar na corrida suíça: “É preciso
saber que também fui corredor. Conheço muito bem o Mauro Gianetti dessa altura.
O Mauro aprecia imenso a Volta à Romandia. Há dois ou três anos, ele já me
disse ‘sabes, Richard, um dia o Pogi virá de certeza à Volta à Romandia’”,
partilhou em entrevista ao Wielerflits. “Não sabia quando, mas viria certamente
em algum momento”.
O manager da UAE Team Emirates
- XRG acabou por trazer a novidade de que esta corrida, que ainda não figura no
palmarés de Pogacar, estava no seu calendário para 2026, após uma primavera em
que anteriormente corria exclusivamente as clássicas-chave que queria vencer.
“Em junho do ano passado,
disse-me ‘acho que há uma possibilidade para o próximo ano, ele poderá ajustar
um pouco o programa’. E, em dezembro, uma semana antes do anúncio, o Mauro
ligou-me. Disse ‘ouve, estamos no estágio, estamos a finalizar o programa e
vamos, em definitivo, à tua Volta à Romandia. Podes anunciá-lo rapidamente a
partir de meados de dezembro, para também trabalhares a comunicação’”.
Romandia
chegou a ser convidada a pagar a Lance Armstrong
Houve muita tensão na
organização da Romandia, a torcer para que nada acontecesse ao campeão do mundo
que o impedisse de alinhar. “Sabes como funciona o ciclismo. Com tantas quedas
e doenças, é sempre preciso esperar até ao último momento para ter a certeza de
que todos aparecem. Para já, tudo parece muito bem. Mas, ao contrário, também
podem surgir oportunidades ‘de última hora’. No ano passado, só soubemos muito
tarde que o Remco Evenepoel ia correr a Romandia”.
Este ano apenas 15 equipas
alinham, com quatro a optarem por não marcar presença (devido a uma regra da
UCI que permite falhar um evento WorldTour) e apenas um convite atribuído - à
Tudor Pro Cycling Team. Assim, o pelotão é muito reduzido, numa corrida que
enfrenta problemas financeiros que podem ditar o fim se não surgir um grande
patrocinador que cubra os atuais défices.
A possibilidade de pagar um
prémio de partida a Tadej Pogacar esteve fora de questão, responde de forma
direta. “Absolutamente não. Nunca me pediram isso e, além disso, não temos
capacidade para tal. Há muito tempo, recebi um pedido para pagar uma quantia ao
Lance Armstrong, mas recusámos”, revela Chassot.
“Com o Pogacar foi diferente:
disseram-nos que ele quer vencer e que estão até dispostos a ajudar na nossa
comunicação”.
Admite que há um viés pela
camisola arco-íris, já que ele pode ser, de facto, a salvação da corrida nos
próximos anos. “Se ele vencer, garantirá pelo menos visibilidade extra e talvez
também faça os nossos telefones tocarem mais depressa com patrocinadores.
Corredores como ele geram interesse transversal. São ainda mais especiais do
que as gerações anteriores de estrelas, inclusive nas redes sociais e na
imprensa”.
Pogacar
versus Roglic
Chassot também vendeu a ideia
de encher o público na Suíça francófona durante a semana, com a oportunidade de
ver o melhor do mundo pela primeira vez no país em muito tempo.
“No que toca ao Pogacar, é
também interessante notar que temos grandes comunidades eslovenas na Suíça.
Temos aqui um público vasto, ansioso por o ver e conhecer. Como não somos a
Volta a França, tudo é um pouco mais acessível, embora naturalmente protejamos
os nossos corredores. Para quem quer ver o Pogacar de perto numa subida ou num
contrarrelógio, a Volta à Romandia é muito adequada”.
Pogacar vai medir forças com
nomes como Oscar Onley, Lenny Martínez; e a dupla da Red Bull - BORA -
Hansgrohe, Florian Lipowitz e Primoz Roglic. Este último pode ser um candidato
legítimo contra Pogacar no prólogo inaugural, sobretudo tendo em conta que Pogacar
chega diretamente da Liege-Bastogne-Liege, onde foi vencedor.
“Podem discutir a vitória num
duelo, embora também tenham gregários muito fortes em João Almeida (correção:
Almeida não está na corrida, n.d.r) e Florian Lipowitz, respetivamente. Penso
que a UAE Emirates XRG e a Red Bull-BORA-hansgrohe vão dominar e medir forças
entre si. Complementadas por alguns jovens trepadores que têm pouco a temer nos
quilómetros de contrarrelógio, espero uma grande Volta. Quanto ao tempo, para
já tudo parece bem”.

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