Por: José Morais
Depois de seis semanas
afastado da estrada devido a uma fratura na clavícula, Nelson Oliveira voltou à
competição com resultados encorajadores e uma convicção inesperada: a paragem
forçada pode ter sido, afinal, uma vantagem para o seu regresso ao Giro d’Itália.
O ciclista da Movistar, o
português com mais presenças em grandes Voltas, sofreu a queda no final de
fevereiro, durante um treino, e teve de ser operado. O cenário parecia
comprometer o início da temporada, mas a recuperação surpreendeu até o próprio
atleta.
“Foi tudo mais rápido do que
imaginávamos. Nas últimas semanas já consegui treinar muito bem e senti isso no
contrarrelógio. As sensações voltaram ao que eram”.
O regresso à competição
aconteceu n’O Gran Camiño, onde Oliveira não só mostrou estar recuperado como
se destacou de imediato: foi terceiro no contrarrelógio inaugural e partiu para
a terceira etapa no segundo lugar da geral, apenas um segundo atrás de Rafael
Reis.
Apesar da boa forma, o
corredor mantém os pés no chão. “Há aqui equipas muito fortes. Estou bem
colocado, mas esta prova nunca é fácil. Todos trabalham, todos sofrem. Eu
também. Vamos tentar lutar pelo top 3”, admitiu.
Giro
d’Itália no horizonte
Mais do que o resultado na
Galiza, Oliveira encara esta corrida como o passo necessário para ganhar ritmo
competitivo antes do grande objetivo: o Giro d’Itália, que arranca a 8 de maio,
na Bulgária, e termina em Roma.
“Depois desta prova ainda
tenho algumas semanas para recuperar e voltar a treinar. Acredito que posso
chegar ao Giro até um bocadinho mais fresco, porque não fiz Paris-Nice nem País
Basco”, explicou, vendo na lesão um inesperado lado positivo.
A edição deste ano marcará a
sua 23.ª participação em grandes Voltas um número que o coloca entre os
ciclistas mais experientes do pelotão internacional. No Giro, o seu papel será
claro: trabalhar para o líder da Movistar, Enric Mas, e tentar completar a
prova ao mais alto nível.
O sonho
de voltar a vence
Quase uma década depois da
última vitória o título nacional de contrarrelógio, Nelson Oliveira não esconde
que gostava de voltar a erguer os braços.
“Quem é que não quer ganhar?
Trabalhamos para isso todos os dias. Mas hoje em dia é cada vez mais difícil.
Vemos na televisão que quase sempre ganham os mesmos. Mas a ambição está cá”,
garantiu.
Sobre um eventual regresso aos
Nacionais de contrarrelógio, deixa a porta aberta: “Primeiro foco no Giro.
Depois logo vemos com a equipa.”
Um
veterano que continua a inspirar
Aos 37 anos e na 11.ª época
com a Movistar, Nelson Oliveira mantém a mesma determinação de sempre. A queda
poderia ter sido um travão, mas transformou-se num ponto de viragem. O
português regressa agora com energia renovada, resultados imediatos e a sensação
de que ainda tem muito para dar ao ciclismo.

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