Por: José Morais
Foto: Organização
A principal corrida por etapas
do calendário sub-23 vai sofrer alterações profundas a partir de 2026. Já fora
da entretanto extinta Nations Cup, o Tour de l’Avenir passará, pela primeira
vez na sua história moderna, a aceitar equipas comerciais a par das
tradicionais seleções nacionais.
A decisão é vista como
positiva para muitos jovens corredores que, no modelo anterior, não encontravam
espaço nas respetivas seleções. Em contrapartida, implicará a redução do número
de convites atribuídos a federações nacionais, deixando várias fora da prova já
no próximo ano.
“A mudança nas regras de
participação do Tour de l’Avenir está plenamente alinhada com a realidade do
ciclismo profissional moderno”, explicam os organizadores. “Na sequência das
reformas da UCI, as equipas investem cada vez mais no desenvolvimento de ciclistas
muito jovens, através da criação de equipas de formação.”
Nesse sentido, já foram
atribuídos dez convites a equipas de desenvolvimento de estruturas World Tour e
Pro Team. Entre as formações confirmadas estão as equipas sub-23 da Team Visma
| Lease a Bike, UAE Team Emirates, Red Bull–BORA–hansgrohe, Picnic PostNL,
INEOS Grenadiers, Bahrain Victorious, Soudal–Quick-Step e EF Education.
Em 2025, alinharam no Tour de
l’Avenir 26 seleções nacionais, além da equipa mista do World Cycling Centre.
Para 2026, é já evidente que muitas federações não regressarão, estando mais de
um terço das vagas desde logo ocupadas pelas equipas comerciais.
Itália
pode ficar de fora
A Itália é uma das seleções
que poderá perder lugar na prova. Com os seus principais talentos integrados em
equipas de desenvolvimento convidadas — nomeadamente Lorenzo Finn e Davide
Donati na Red Bull Rookies —, a organização poderá optar por privilegiar outros
países.
Marino Amadori, histórico
selecionador da equipa italiana sub-23, confirmou estar a par das alterações,
em declarações ao Bici.Pro. “Este ano, o Tour de l’Avenir será um evento misto,
reservado a equipas e seleções nacionais”, explicou. “Os melhores ciclistas do
nosso país irão competir integrados nas suas equipas.”
Sem Lorenzo Finn, atual
campeão do mundo sub-23, a seleção italiana ficaria claramente enfraquecida. Um
cenário que Amadori aceita com resignação. “Se os melhores corredores
competirem pelas equipas de formação, será difícil sermos competitivos. Por
isso, não estamos à espera de participar enquanto seleção nacional.”
Em 2025, Finn terminou o Tour
de l’Avenir no quarto lugar da geral, atrás de Paul Seixas, Jarno Widar e
Jørgen Nordhagen. Tudo indica, no entanto, que estes três se concentrem em
compromissos WorldTour em 2026, abrindo caminho para que o italiano seja um dos
principais candidatos à vitória.
Caso vença o Tour de l’Avenir
em 2026, Finn tornar-se-á o primeiro italiano a triunfar na prova desde 1973,
ano em que Gianbattista Baronchelli — por duas vezes segundo classificado na
Volta a Itália — alcançou esse feito.
Embora os principais
candidatos à vitória final só se clarifiquem ao longo da temporada, Mateo Pablo
Ramírez (Equador, UAE Gen Z), sexto classificado em 2025, e Jan Huber (Suíça,
Tudor U23), 11.º da geral e vice-campeão do mundo sub-23, surgem como os mais
sérios opositores de Finn na luta pelo prestigiado título.

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