Por: José Morais
A novela judicial em torno do
caso de doping que abalou o ciclismo português ganhou um novo capítulo. Adriano
Quintanilha, antigo líder da W52-FC Porto, e Nuno Ribeiro, diretor desportivo
da equipa à época, contestaram as penas de quatro anos e nove meses de prisão
efetiva que lhes foram aplicadas no âmbito da operação Prova Limpa. Ambos
recorreram para o Tribunal da Relação do Porto, numa ofensiva jurídica que
envolve milhares de páginas.
FPC pede
mais tempo devido ao “volume excecional” dos recursos
A Federação Portuguesa de
Ciclismo (FPC), que figura como assistente no processo, foi notificada dos
recursos em meados de março e solicitou ao Tribunal de Penafiel um prazo
adicional de 30 dias para responder.
Segundo a federação, o acórdão
e os recursos constituem um “dossier de dimensão invulgar”: o acórdão soma 417
páginas, enquanto os recursos ultrapassam as 800, com destaque para os
apresentados por:
Nuno Ribeiro: 149 páginas
Adriano Quintanilha: 311
páginas
Associação Calvário Várzea:
321 páginas
A complexidade documental
levou a FPC a justificar a necessidade de mais tempo para análise detalhada.
Tribunal
deu como provado o esquema de doping
Na leitura do acórdão,
realizada a 12 de dezembro de 2025, o coletivo de juízes foi taxativo:
“praticamente todos os factos” descritos pelo Ministério Público ficaram
provados.
O
tribunal concluiu que:
Adriano Quintanilha financiava
a aquisição de substâncias dopantes e tinha a palavra final sobre a sua
utilização.
Nuno Ribeiro, ex-ciclista e
diretor desportivo, era o elo operacional do esquema: comprava, distribuía e
instruía os atletas sobre a utilização dos produtos proibidos.
Ambos foram condenados por
tráfico e administração de substâncias e métodos proibidos, resultando numa
pena única de quatro anos e nove meses de prisão efetiva.
Ciclistas
com penas suspensas e clube punido
Onze ex-ciclistas da W52-FC
Porto entre eles João Rodrigues, Rui Vinhas, Ricardo Mestre e José Neves foram
condenados a penas suspensas inferiores a dois anos e meio. O tribunal
considerou que os atletas eram “o elo mais frágil” da cadeia.
A Associação Calvário Várzea,
entidade que suportava a equipa, foi condenada a pagar 57 mil euros ao Estado e
proibida de participar em competições de ciclismo, profissionais ou
recreativas, durante quatro anos.
Um caso
que marcou o ciclismo português
A operação Prova Limpa
tornou-se um dos processos mais mediáticos do desporto nacional, levando à
extinção da W52-FC Porto, equipa que dominou o ciclismo português durante quase
uma década.
O recurso agora apresentado
promete prolongar o impacto do caso, mantendo o setor atento ao desfecho na
Relação do Porto.

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