terça-feira, 14 de abril de 2026

“Escândalo W52-FC Porto: Quintanilha e Nuno Ribeiro avançam com recurso após penas de prisão efetiva”


Por: José Morais

A novela judicial em torno do caso de doping que abalou o ciclismo português ganhou um novo capítulo. Adriano Quintanilha, antigo líder da W52-FC Porto, e Nuno Ribeiro, diretor desportivo da equipa à época, contestaram as penas de quatro anos e nove meses de prisão efetiva que lhes foram aplicadas no âmbito da operação Prova Limpa. Ambos recorreram para o Tribunal da Relação do Porto, numa ofensiva jurídica que envolve milhares de páginas.

 

FPC pede mais tempo devido ao “volume excecional” dos recursos

 

A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), que figura como assistente no processo, foi notificada dos recursos em meados de março e solicitou ao Tribunal de Penafiel um prazo adicional de 30 dias para responder.

Segundo a federação, o acórdão e os recursos constituem um “dossier de dimensão invulgar”: o acórdão soma 417 páginas, enquanto os recursos ultrapassam as 800, com destaque para os apresentados por:

Nuno Ribeiro: 149 páginas

Adriano Quintanilha: 311 páginas

Associação Calvário Várzea: 321 páginas

A complexidade documental levou a FPC a justificar a necessidade de mais tempo para análise detalhada.

 

Tribunal deu como provado o esquema de doping

 

Na leitura do acórdão, realizada a 12 de dezembro de 2025, o coletivo de juízes foi taxativo: “praticamente todos os factos” descritos pelo Ministério Público ficaram provados.

 

O tribunal concluiu que:

 

Adriano Quintanilha financiava a aquisição de substâncias dopantes e tinha a palavra final sobre a sua utilização.

Nuno Ribeiro, ex-ciclista e diretor desportivo, era o elo operacional do esquema: comprava, distribuía e instruía os atletas sobre a utilização dos produtos proibidos.

Ambos foram condenados por tráfico e administração de substâncias e métodos proibidos, resultando numa pena única de quatro anos e nove meses de prisão efetiva.

 

Ciclistas com penas suspensas e clube punido

 

Onze ex-ciclistas da W52-FC Porto entre eles João Rodrigues, Rui Vinhas, Ricardo Mestre e José Neves foram condenados a penas suspensas inferiores a dois anos e meio. O tribunal considerou que os atletas eram “o elo mais frágil” da cadeia.

A Associação Calvário Várzea, entidade que suportava a equipa, foi condenada a pagar 57 mil euros ao Estado e proibida de participar em competições de ciclismo, profissionais ou recreativas, durante quatro anos.

 

Um caso que marcou o ciclismo português

 

A operação Prova Limpa tornou-se um dos processos mais mediáticos do desporto nacional, levando à extinção da W52-FC Porto, equipa que dominou o ciclismo português durante quase uma década.

O recurso agora apresentado promete prolongar o impacto do caso, mantendo o setor atento ao desfecho na Relação do Porto.

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