Por: José Morais
O Clube Desportivo Feirense
anunciou a abertura imediata de uma investigação interna na sequência da
suspensão aplicada à sua equipa de ciclismo Feirense-Beeceler, medida que
estará em vigor durante 22 dias. A direção do clube garante que pretende apurar
todos os factos relacionados com o caso e promete agir com firmeza caso sejam
confirmadas infrações deliberadas às regras antidopagem.
Em comunicado oficial, a
instituição de Santa Maria da Feira reforça que qualquer forma de dopagem é
totalmente incompatível com os princípios que orientam o clube. A direção
sublinha que a ética, a transparência e o respeito pelo desporto são valores inegociáveis,
não existindo espaço para tolerância ou complacência perante práticas ilícitas.
A suspensão da formação
feirense foi anunciada pela International Testing Agency (ITA) e terá efeitos
entre 22 de março e 12 de abril. A decisão surge após o registo de três casos
de anomalias no passaporte biológico de antigos corredores da equipa num período
de 12 meses, entre 2022 e 2023.
Apesar de salientar que os
processos são individuais, o Feirense decidiu avançar com uma análise interna
detalhada para avaliar eventuais responsabilidades. A direção afirma confiar na
estrutura profissional que gere a modalidade, mas deixa claro que, se vier a
ser demonstrada qualquer violação consciente das normas, a atividade do
ciclismo no clube poderá ser suspensa de imediato.
O clube acrescenta ainda que,
caso se confirmem responsabilidades de atletas durante o período em que
representaram a equipa, reserva-se o direito de recorrer aos tribunais para
defender a sua reputação e os valores institucionais.
Com mais de um século de
existência, o Feirense recorda os seus 108 anos de história e destaca o papel
de mais de 1.300 atletas que atualmente representam o emblema em diversas
modalidades. Para a direção, preservar a credibilidade do clube é uma prioridade
absoluta, independentemente dos resultados desportivos.
Segundo a ITA, os processos
que motivaram a suspensão envolvem os ciclistas Venceslau Fernandes, António
Carvalho e Barry Miller. O norte-americano Miller foi notificado em setembro de
2025 pela Autoridade Antidopagem de Portugal após a deteção de irregularidades
no seu passaporte biológico, sendo o único caso ainda em investigação.
Já Venceslau Fernandes
encontra-se a cumprir uma suspensão de seis anos, válida entre novembro de 2025
e novembro de 2030, relacionada com anomalias registadas em julho de 2022,
período em que representava a equipa de Santa Maria da Feira.
Também António Carvalho foi
alvo de sanção disciplinar após ter sido notificado pela Union Cycliste
Internationale por irregularidades no seu passaporte biológico detetadas em
fevereiro de 2023. O corredor português cumpre atualmente um castigo de quatro
anos, que se prolonga até novembro de 2029.
O Feirense esclarece ainda que
dois dos atletas mencionados já não pertenciam ao plantel há vários anos quando
os processos vieram a público. Segundo o clube, nunca houve qualquer
notificação prévia ou conhecimento interno de resultados adversos relacionados
com esses corredores enquanto integravam a estrutura.
Além da investigação interna,
a direção feirense admite reforçar os mecanismos de controlo e educação
antidopagem dentro da equipa, numa tentativa de proteger a credibilidade da
modalidade e evitar que situações semelhantes voltem a afetar o clube. A aposta
em programas de prevenção e formação para atletas e staff poderá ser uma das
medidas analisadas no seguimento deste processo.

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