Por: José Morais
O contrarrelógio individual da
Volta à Comunidade Valenciana acabou por ser, na prática, um exercício de
estilo. Com os tempos anulados para a classificação geral devido ao vento, a
segunda etapa perdeu peso competitivo, mas não retirou a Remco Evenepoel a
oportunidade de reafirmar o seu estatuto de referência mundial na
especialidade.
O belga da Red
Bull-BORA-hansgrohe, tricampeão mundial de CRI, correu como se a etapa tivesse
impacto total na corrida. Em 17 quilómetros, marcou 20m12s e foi claramente o
mais rápido, deixando uma mensagem inequívoca: mesmo quando “não conta”,
Evenepoel conta sempre. A vitória serviu mais para afirmação individual do que
para mexer na narrativa da geral, que ficou intacta.
Do lado português, João
Almeida optou por uma leitura completamente diferente do momento. Em estreia de
temporada, o ciclista da UAE Team Emirates privilegiou a prudência, sem
qualquer risco desnecessário, terminando apenas no 89.º lugar, a mais de três minutos.
Foi uma decisão claramente estratégica: com a etapa neutralizada para a geral,
não havia ganhos a justificar um esforço máximo ou a exposição a quedas.
Quem aproveitou melhor o
cenário foi Nelson Oliveira (Movistar), especialista no esforço individual, que
terminou num sólido 34.º lugar, confirmando consistência mesmo num dia atípico.
Com os tempos anulados, a
Volta à Comunidade Valenciana segue sem sobressaltos na liderança, com Biniam
Girmay (Intermarché-Wanty) a conservar a camisola de líder. A corrida avança,
assim, com uma etapa ganha, mas poucas conclusões coletivas à exceção de uma,
clara: quando há um contrarrelógio, Evenepoel nunca passa despercebido, conte
ou não para a geral.

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