Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
Pode visualizar este artigo
em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/joao-almeida-sera-o-principal-rival-ja-mostrou-que-o-consegue-bater-bruyneel-nao-da-por-adquirida-a-vitoria-de-jonas-vingegaard-na-volta-a-italia
O plano de Jonas Vingegaard
para disputar a Volta a Itália e a Volta a França há muito estava no horizonte,
mas foi agora confirmado pela Team Visma | Lease a Bike, enquanto o esboço da
época ficou definido. O dinamarquês vai tentar completar a coleção das Grandes
Voltas já em maio no Giro, e Johan Bruyneel defende que isso também o pode
ajudar na perseguição à Volta a França frente a Tadej Pogacar.
“Se tens a oportunidade de
vencer as três grandes voltas e, no fim da carreira, podes dizer ‘sou um dos
poucos que venceu as três grandes voltas’, tens de agarrá-la”, argumentou
Bruyneel no podcast The Move. “Há Merckx, há Froome e Hinault (para citar alguns,
outros também o fizeram), mas Indurain nunca venceu as três”.
É, de facto, um feito
histórico ao alcance de muito poucos na história do ciclismo, e essa lista não
inclui Tadej Pogacar, que venceu o Giro e o Tour, mas nunca a Vuelta. No último
outono, Vingegaard triunfou na classificação geral da última Grande Volta da
temporada, batendo João Almeida apesar de não estar no melhor nível na segunda
metade da corrida, fruto de doença, e o desgaste do Tour também pode ter
pesado. Depois de vencer a Vuelta, tornou-se óbvio que o Giro seria o passo
seguinte.
Vingegaard inicia a época no
UAE Tour, corre a Volta à Catalunha e segue para um estágio em altitude antes
da Corsa Rosa, onde o analista belga sustenta que ele é o homem a bater.
“Provavelmente vai ganhar o Giro, se a preparação correr bem. É provável que
não corra entre o Giro e o Tour. Acho exequível, mas estará a abdicar um pouco,
mentalmente, da dominância de Pogacar?”
É possível, mas no ciclismo
moderno muita coisa mudou, e os calendários são desenhados para que atingir o
pico em duas Grandes Voltas consecutivas já não seja invulgar. Mesmo a dupla
Giro–Tour, antes vista como quase impossível ao mais alto nível de forma
consecutiva, tem sido tentada com mais frequência e, no caso de Tadej Pogacar
em 2024, foi um sucesso absoluto.
E quanto às hipóteses de
Vingegaard vencer o Tour, a presença no Giro pode não fazer grande diferença.
Nas duas últimas épocas Pogacar esteve um patamar acima de todos, e ficou claro
que ganhar o Tour depende da sua consistência e saúde, mais do que da capacidade
de escalada de Vingegaard.
“Dizer ‘é altamente improvável
que eu possa ganhar o Tour, a menos que hajam circunstâncias. Por isso vou
apostar no Giro. Depois logo vejo o que o Tour traz’. Essa seria a minha
leitura da sua decisão”, acrescenta Bruyneel.
“Não creio que Pogacar
estivesse no mesmo estado de espírito. Porque ele domina. O Tour, a temporada,
o mundo do ciclismo inteiro. Vais enfrentar um canibal”.
No Tour, nomes como Remco
Evenepoel e Florian Lipowitz podem revelar-se candidatos muito credíveis ao
segundo lugar, ou até mais alto se o domínio do esloveno abrandar; mas a
presença de Vingegaard no Tour é sempre obrigatória porque um Pogacar saudável nunca
é garantia absoluta.
“Tens de estar lá e tentar. Há
sempre circunstâncias: não há garantia de que Pogacar vá fazer uma corrida
limpa, sem problemas, todos os anos. Ele caiu no ano passado, e podia ter sido
muito pior. Tens de estar em posição de pole para vencer”.
E, para Bruyneel, a presença
no Giro pode fazer com que Vingegaard entre no Tour com muito menos pressão do
que nos últimos anos, caso consiga vencer. Isso pode ser francamente benéfico.
“Se ele vai ao Giro e o ganha, começa o Tour quase sem pressão. Tudo o que
acontecer está bem. Não é como se tivesse de salvar a época”.
Duelo com
Almeida em Itália
Contudo, não se pode dar por
adquirido que Vingegaard triunfe na Corsa Rosa, tendo em conta os rivais à
partida, à cabeça João Almeida, a meteorologia instável e as quedas que, nos
últimos anos, alteraram significativamente o panorama das lutas pela geral.
“Ele tem de a ganhar, claro.
Mas é o segundo melhor corredor de grandes voltas do mundo, não há dúvidas.
Tadej Pogacar vai a fundo para o Tour e, para o Jonas, o João Almeida será o
principal rival. Já mostrou que o consegue bater”. Em Itália, será provavelmente
a UAE a colocar a maior oposição à Visma, mas deverá ser um duelo equilibrado,
já que nenhuma das equipas estará com o seu bloco de apoio mais forte.
No entanto, Vingegaard é o
homem a bater, no entender de Bruyneel, tendo em conta o que aconteceu em
agosto e setembro. “Esse foi um Jonas que, na minha opinião, não estava no seu
melhor. Ainda assim, conseguiu vencer, e com bastante autoridade, diria. Foi
renhido e não foi ao mesmo tempo. Na última etapa, simplesmente foi-se embora
de todos. Alguma vez Almeida o colocou verdadeiramente em apuros? O único que o
fez na Vuelta foi Tom Pidcock. Almeida não conseguiu mesmo distanciar
Vingegaard”.

Sem comentários:
Enviar um comentário