domingo, 25 de novembro de 2018

“Taça de Portugal de Ciclocrosse”

Miguel Salgueiro e Isabel Caetano vencem em Bragança

Por: José Carlos Gomes

Miguel Salgueiro (Sicasal/Constantinos/Delta Cafés) e Isabel Caetano venceram hoje, na categoria de elite, a segunda etapa da Taça de Portugal de Ciclocrosse, disputada em Bragança.

A corrida de elite masculina foi empolgante, com várias mudanças ao longo da prova e com a luta pela vitória a ser travada literalmente ombro a ombro. A prova começou com um pequeno grupo de corredores a destacar-se. Roberto Ferreira (BTT Seia), descontente com a companhia, optou por isolar-se e pedalar em solitário.

Miguel Salgueiro manteve Roberto Ferreira em ponto de mira, apenas alguns segundos mais adiante, e, na derradeira volta, fez um último esforço que permitiu uma discussão ao sprint. A vitória seria creditada a Miguel Salgueiro, com o mesmo tempo de Roberto Ferreira. O terceiro, a 2m48s, foi Vítor Santos (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão). Com a vitória de hoje, Salgueiro trepou ao lugar mais alto da geral, com dez pontos de vantagem sobre Vítor Santos, anterior comandante.

Isabel Caetano controlou a prova de elite feminina a partir da frente. Isolou-se e deixou as rivais a uma distância confortável. O “osso mais duro de roer” foi Marta Branco (Maiatos/Reabnorte), segunda classificada, a 29 segundos. Daniela Pereira (Saertex Portugal/Edaetech) ficou a última vaga no pódio, a 4m26s. Com duas vitórias em duas corridas, Isabel Caetano comanda a Taça de Portugal.

Ana Santos (ASC/Focus Team/Vila do Conde) foi a melhor das duas sub-23 femininas em pista, batendo Rafaela Ramalho (Maiatos/Reabnorte) por 7m48s, e segue na frente da geral.

Tiago Sousa (ASC/Focus Team/Vila do Conde) chegou ao topo da geral de juniores graças ao triunfo em Bragança, onde bateu o colega de equipa Gonçalo Magalhães, por 3m01s, e João Ferros (BTTeam SU Colarense/CSTreino/UltraControlo), por 3m53s.

João Cruz (ASC/Focus Team/Vila do Conde) ganhou em cadetes masculinos e assumiu a primeira posição na geral da Taça. Mariana Líbano (Maiatos/Reabnorte) foi a melhor cadete feminina, cimentando o lugar cimeira na classificação geral.

Nas categorias de veteranos impuseram-se em Bragança os master 30 Rogério Matos (Rompe Trilhos/Apcar) e Andreia Freitas (BTT Loulé/Elevis), os masters 40 Afonso Ferreira e Flávia Vieira (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão), o master 50 António Moreira e o master 60 João Pinto (Boavista/Servigás/Duobike/Nast).

Lucas Ferreira (Bila Bikers/Carnes Silva/Cycles Oliveira) triunfou na primeira corrida do programa, destinada a juvenis.

A terceira prova da Taça de Portugal de Ciclocrosse vai disputar-se no concelho de Valongo, no dia 16 de dezembro.

Fonte: FPC

“Campeonato do Mundo de Ciclismo de Sala”

Dominic e Tamaris em 13.º lugar no Mundial de Liège

Por: José Carlos Gomes

Os irmãos Tamaris e Dominic Franke Fontinha ficaram ambos no 13.º lugar nas provas individuais do Campeonato do Mundo de Ciclismo Artístico, que hoje terminou em Liège, Bélgica.

Tamaris Franke Fontinha foi a primeira a entrar em ação, conseguindo uma atuação consistente durante grande parte da prova. Um erro técnico num dos exercícios deitou por terra a hipótese de um lugar no top 10.

A ciclista artística portuguesa finalizou a prestação no 13.º lugar em 23 participantes, com 90,98 pontos, um resultado que a colocou dois lugares aquém da classificação obtida no ano passado. Na luta pelas medalhas destacaram-se as alemãs. Iris Schwarzhaupt sagrou-se campeã mundial e a compatriota Milena Slupina ficou com a medalha de prata. O pódio completou-se com a austríaca Adriana Mathis.

Dominic Franke Fontinha estreou-se em grandes competições internacionais de elite, depois de em maio ter competido no Europeu júnior. Tal como a irmã, Dominic foi 13.º classificado – em 24 competidores -, tendo conseguido 106,74 pontos do júri, o que pode ser considerada uma estreia auspiciosa.

O alemão Lukas Kohl revalidou o título, seguido por outro germânico, Moritz Herbst, e pelo suíço Lukas Burri.

Fonte: FPC

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

“Qualquer maneira de pedalar vale a pena”

Todas as formas de pedalar valem a pena, são vantajosas, compensam, são úteis.

Por: André Geraldo Soares

Não nos referimos apenas aos benefícios pessoais, mas também aos sociais e ecológicos. Pedalar para ir ao trabalho, à escola e à casa do namorado é rápido e cômodo; a bicicleta é eficiente e prática para brincar, para exercitar-se e para espairecer. Além disso, também desafoga o trânsito e não empesteia o ar. Seja de barra forte, de BMX ou de triciclo, seus condutores estão demonstrando a viabilidade do ciclismo para a vida social e para o bem-estar ambiental. Que custe 150 mangos ou 14 mil dólares, a bicicleta, na rua, exprime o direito, escrito mas ainda não de todo aplicado, de movimentar- se nos espaços públicos sem constrangimentos.

Por isso é uma pena, é lamentável, é digno de compaixão, dá dó mesmo ver tantas pessoas estagnadas no trânsito, remoendo a raiva de ainda não terem chegado em casa e crentes de que o congestionamento são os outros! A realidade poderia ser diferente: as vias locais poderiam ser um espaço tranquilo e de convívio entre todas as modalidades e as vias de ligação poderiam dar fluidez ao transporte coletivo. As janelas das casas não precisariam permanecer fechadas para abafar o ruído de tantos motores imóveis e de tantas buzinadas inúteis. Com tanta ciência e tecnologia, com tanto conhecimento e imaginação, é patético constatar tantas pessoas iludidas de que uma pista a mais aqui e um viaduto a mais ali resolverão, enfim, final e definitivamente, os problemas de trânsito da cidade!

 O mais duro é que esta pena, este sofrimento, este martírio, este tormento diário e cotidiano é chamado de progresso, é considerado índice de desenvolvimento de um lugar. Mais carros significam, para a mentalidade tecno economicista, mais pessoas bem-sucedidas. Pátios de montadoras lotados denotam que o povo está com pouca grana. Já as ruas lotadas são sinal de economia aquecida. O Governo Federal diminui os impostos para atender as montadoras, a mídia glamouriza o modo de vida motorizado e o indivíduo reverbera aqui em baixo: “Eu padeço aqui engarrafado, mas com ar condicionado e DVD a bordo. E aqueles ali, amontoados no ônibus, devem reclamar para a prefeitura, porque eu não tenho nada a ver com isso”.

Essa situação não deixa de ser uma pena, um castigo, uma punição, uma penitência imposta a uma sociedade que não acredita na democracia. Ao contrário de buscarem participar, as pessoas preferem entregar o poder de todas as decisões que vão recair sobre suas cabeças a alguém mais famoso ou com campanha eleitoral mais lustrosa. Cidadãos reduzidos, quando muito, a eleitores – no mais das vezes, a apertadores de botões de urna. Ao invés de buscar conhecer as leis, de exigir espaços constantes para o planeamento urbano e de apoiar as instituições civis que tentam influenciar a adoção de políticas públicas igualitárias, o cidadão médio se desobriga disso tudo em nome do seu conforto. Enquanto isso, o mercado, o capital, as corporações, os investidores passam as diretrizes de governo, dentre as quais não constam nenhuma a favor de pedestres.

Por isso muitos ciclistas revelam pena, amargura, pesar, desgosto ao tratar da mobilidade urbana. Defendem a humanização das cidades, falam em nome das crianças que querem ir para a escola sem depender dos pais e enaltecem as velhinhas que dão exemplo para a marmanjada – mas são tratados como entraves para o desenvolvimento, como desordeiros ou como ETs. Não é de ficar triste? Tudo o que querem, estes ciclistas, é pedalar em paz e sem serem ameaçados, mas sabem que isso somente será conquistado quando a sua modalidade deixar de receber apenas as migalhas do orçamento público. Dá pra se conformar com isso? Arriscam sua pele e seus ossos, por gosto ou por necessidade, ocupando um mínimo espaço, e são acusados de atrapalharem o trânsito. É pra acabar!

De sorte que tais ciclistas compreendem seu papel para fazer das cidades um lugar melhor de se viver – e o fazem com alegria e disposição. E um dia, quiçá, todo mundo reconhecerá isso, confirmando que vale a pena pedalar. Existem muitas formas de dialogar com a sociedade para convencê-la de que um mundo viável para todos é um mundo ao alcance da bicicleta (evidentemente que, devido às dimensões do mundo, em integração com todos os demais veículos); mas a principal dessas maneiras é pedalar, ocupar os espaços, demonstrar pelo exemplo – e, evidentemente, usufruindo das vantagens de fazê-lo.

Fonte: Revista Bicicleta.com

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
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