Por: Ivan Silva
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Faltam menos de três meses
para o arranque da 87.ª edição da Volta a Portugal e, apesar das dúvidas que
ainda persistem em torno da organização da prova, o cenário aponta para uma
corrida na estrada entre 5 e 16 de agosto. O processo de construção do percurso
continua, contudo, longe de estar fechado, sobretudo devido às dificuldades em
assegurar partidas e chegadas em vários municípios.
Segundo informações recolhidas
pelo DN junto da organização e de diversas autarquias, a Federação Portuguesa
de Ciclismo acredita que os principais obstáculos financeiros foram
ultrapassados. Cândido Barbosa, presidente da Federação, explicou que foi alcançado
um entendimento relativamente às dívidas deixadas pela Podium Events. “A dívida
foi negociada, foi feito um acordo na semana passada. A Podium deixou por pagar
152 mil euros à UCI [inscrições da Volta no calendário internacional], além dos
500 mil que deve à Federação [relativos a provas nacionais]”, afirmou.
O dirigente recordou ainda os
efeitos do diferendo jurídico entre as partes. “A providência cautelar colocada
pela Podium foi danosa, ao atrasar vários meses de preparação”, reconhecendo,
ainda assim, que “a decisão foi favorável à FPC” ao considerar legítima a
rescisão contratual motivada pelos incumprimentos financeiros. Apesar do
contexto conturbado, deixou uma garantia: “Em 2025, a prova esteve em risco de
não acontecer, agora não é o caso”.
Em termos desportivos, a
intenção passa por levar a corrida a regiões menos habituadas a receber a
caravana da Volta. “Ir a sítios que têm estado de costas voltadas para a Volta
e, o mais possível, tentar chegar a Portugal inteiro”, explicou Cândido Barbosa.
Nesse sentido, já é conhecida a presença de Albufeira no percurso, embora ainda
sem confirmação oficial da data da etapa.
A estrutura prevista aponta
para 11 dias de competição e um dia de descanso intermédio. Depois da passagem
pelo Algarve, o pelotão deverá rumar ao Alentejo, onde a subida às Antenas da
Serra de São Mamede, em Portalegre, surge como uma das possibilidades em cima
da mesa, depois de ter sido utilizada recentemente na Volta ao Alentejo.
Mais a norte, a etapa da Torre
deverá voltar a assumir papel central na luta pela classificação geral. Sérgio
Costa, presidente da Câmara da Guarda, confirmou a existência de contactos,
embora sem definição quanto à chegada. Já Cândido Barbosa esclareceu que “A
Etapa da Torre está fechada com outro município”, acrescentando que “há quatro
chegadas sempre fáceis de fechar: a Torre, a Senhora da Graça e a primeira e a
última etapas.”
A jornada da Torre poderá ser
seguida por um contrarrelógio individual destinado aos especialistas da
disciplina. A ideia passa por um exercício tendencialmente plano e superior a
20 quilómetros, numa tentativa de equilibrar o percurso e evitar uma corrida
excessivamente centrada na montanha.
Uma ausência praticamente
confirmada será a de Viseu. João Azevedo, presidente da autarquia, explicou que
a prioridade financeira está direcionada para outro grande evento desportivo. O
investimento no Rali de Portugal de 2027 foi considerado estratégico, por “dar
enorme retorno e obrigar a escolhas em eventos desportivos.”
Também não deverá existir
passagem pelo Larouco. Fátima Fernandes, presidente da Câmara de Montalegre,
confirmou que não existiram contactos para incluir a subida no percurso da
edição de 2026.
Já Viana do Castelo mantém-se
disponível para continuar ligada à corrida. Luís Nobre revelou ao DN existir
“disponibilidade para continuar a receber a Volta nos termos que Viana tem
recebido”, cenário que poderá abrir espaço a uma chegada em Santa Luzia, uma
das subidas mais emblemáticas da região.
No Minho, a antepenúltima
etapa deverá ligar Guimarães a Fafe, com dupla passagem na meta e inclusão do
exigente Salto da Pedra Sentada, setor conhecido do mundo dos ralis e já
utilizado anteriormente pela Volta. A penúltima etapa terminará, ao que tudo indica,
na mítica subida à Senhora da Graça, numa jornada que poderá apresentar um
percurso endurecido antes da chegada ao santuário.
Mondim de Basto já terá,
inclusivamente, previsto o investimento necessário para receber novamente a
corrida, com a verba apresentada em reunião camarária ainda no final de 2025.
Por definir continuam
eventuais passagens por Lisboa e Porto, duas cidades que a organização gostaria
de voltar a integrar no percurso, embora sem confirmações oficiais de
negociações em curso.

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