segunda-feira, 25 de maio de 2026

“A influência das motas é, na verdade, bastante significativa” - Zonneveld sobre a etapa mais polémica da Volta a Itália 2026”


Por: Miguel Marques

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A 15ª etapa era a penúltima oportunidade de sprint para os velocistas nesta Volta a Itália, com um final icónico no centro de Milão. Contudo, o dia acabou marcado por críticas às motas, uma surpreendente vitória da fuga e uma neutralização do tempo da geral devido ao perigoso circuito urbano. Muito para dissecar num dia em que se esperava pouca ação.

“Não é que o pelotão tenha calculado mal. Deram no máximo dois minutos e rodaram com muitas equipas a trabalhar atrás. Se dás cinco minutos a um bom grupo e não fechas o espaço, enquanto te aproximas muito rápido no final mas não consegues… então o pelotão falhou claramente”, argumentou Zonneveld no podcast In de Waaier.

A sobrevivência da fuga na frente foi o tema do dia, com as três principais equipas de sprinters totalmente dedicadas à perseguição, mas incapazes de apanhar a escapada de quatro corredores que marcou a etapa. Com média superior a 51 km/h durante todo o dia, foi duro até para quem pôde resguardar-se no pelotão ao longo de toda a tirada.

Isto resulta de muitas variáveis, mas sobretudo da qualidade e coordenação dos homens na frente. “Isso quase já não acontece. Os corredores ‘menos cotados’ tornaram-se muito melhores nesta era. Eles andaram mesmo, mesmo muito forte na frente. Porque são simplesmente tipos especiais. Alguém como o [Mirco] Maestri é muito bom nisto. É realmente muito forte, uma autêntica besta na bicicleta. O mesmo se aplica a [Fredrik] Dversnes”.

 

Circuito urbano, curvas técnicas e motas

 

Por mais impressionante que tenha sido, a etapa terminou com críticas contundentes. À Eurosport, vários corredores, nas entrevistas pós-corrida, aludiram à influência das motas a ajudarem os homens da frente com o efeito de vácuo.

Ao analisar a perseguição empenhada do pelotão, é difícil perceber como o grupo conseguiu resistir na cabeça de corrida até à meta. “Acho sensato terem dado apenas dois minutos. Não foi erro do pelotão. Como é possível quatro homens ficarem à frente de um pelotão onde, como disse Elmar Reinders, 30 homens estão a ser ‘engolidos’?”

“A explicação é algo que tem vindo a incomodar cada vez mais: motas e carros à frente do grupo líder, ou à frente do pelotão”, sustenta Zonneveld. “Viu-se hoje também que homens da Uno-X tentaram afastar as motas do pelotão. Notou-se, sobretudo numa fase inicial, que as motas estavam mesmo muito próximas do grupo da frente”.

O comentador neerlandês acredita que isso pode ter sido decisivo na etapa, com os escapados a manterem apenas alguns segundos sobre o pelotão no momento em que Fredrik Dversnes sprintou para a vitória, a maior da sua carreira.

A quantidade de veículos na corrida e um circuito pleno de obstáculos urbanos revelou-se um pesadelo para o pelotão em perseguição. “Num circuito local como aquele, é talvez ainda mais problemático, porque as motas querem mais imagens. Se estás num circuito com muitas curvas, tens de rodar mais perto”.

 

Pelotão ultra-rápido não conseguiu fazer a captura

 

“Fui espreitar o Strava para ver quão rápido iam o [Alec] Segaert e o pelotão. Nos últimos 20 quilómetros, a diferença era de 1:10 minutos e, creio, uma média de 55,7 km/h. Não se pode dizer que estavam parados. Isso é simplesmente ridículo”.

A Lidl-Trek, a Soudal - Quick-Step e a Unibet Rose Rockets gastaram todos os seus gregários e homens de lançamento para fechar o espaço, mas ainda assim não foi possível. Mais do que um erro de cálculo, faltou potência para sustentar uma velocidade incrivelmente alta durante tanto tempo no pelotão.

“Viu-se pontualmente no pelotão, quando aparecia a velocidade, que iam a 60 quase o tempo todo. Estando ali uma fuga de quatro… esperar-se-ia ter três Gannas e um Dversnes na frente. No pelotão, ia-se mesmo muito depressa”.

Para Zonneveld, é impossível negar a influência das motas no desfecho. “A influência das motas é, na verdade, bastante significativa. Recebo mensagens de pessoas que não estão muito longe do pelotão. Dizem que é isto que acontece quando uma grande equipa começa a queixar-se numa Grande Volta”, explica.

“Depois, no Giro, colocam simplesmente duas motas extra à frente da fuga. Há muitas pessoas que pensam isto, mas, claro, não se consegue provar. Existem muito poucas regras, sobretudo para as motas”.

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