Por: Miguel Marques
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A 15ª etapa era a penúltima
oportunidade de sprint para os velocistas nesta Volta a Itália, com um final
icónico no centro de Milão. Contudo, o dia acabou marcado por críticas às
motas, uma surpreendente vitória da fuga e uma neutralização do tempo da geral
devido ao perigoso circuito urbano. Muito para dissecar num dia em que se
esperava pouca ação.
“Não é que o pelotão tenha
calculado mal. Deram no máximo dois minutos e rodaram com muitas equipas a
trabalhar atrás. Se dás cinco minutos a um bom grupo e não fechas o espaço,
enquanto te aproximas muito rápido no final mas não consegues… então o pelotão
falhou claramente”, argumentou Zonneveld no podcast In de Waaier.
A sobrevivência da fuga na
frente foi o tema do dia, com as três principais equipas de sprinters
totalmente dedicadas à perseguição, mas incapazes de apanhar a escapada de
quatro corredores que marcou a etapa. Com média superior a 51 km/h durante todo
o dia, foi duro até para quem pôde resguardar-se no pelotão ao longo de toda a
tirada.
Isto resulta de muitas
variáveis, mas sobretudo da qualidade e coordenação dos homens na frente. “Isso
quase já não acontece. Os corredores ‘menos cotados’ tornaram-se muito melhores
nesta era. Eles andaram mesmo, mesmo muito forte na frente. Porque são simplesmente
tipos especiais. Alguém como o [Mirco] Maestri é muito bom nisto. É realmente
muito forte, uma autêntica besta na bicicleta. O mesmo se aplica a [Fredrik]
Dversnes”.
Circuito
urbano, curvas técnicas e motas
Por mais impressionante que
tenha sido, a etapa terminou com críticas contundentes. À Eurosport, vários
corredores, nas entrevistas pós-corrida, aludiram à influência das motas a
ajudarem os homens da frente com o efeito de vácuo.
Ao analisar a perseguição
empenhada do pelotão, é difícil perceber como o grupo conseguiu resistir na
cabeça de corrida até à meta. “Acho sensato terem dado apenas dois minutos. Não
foi erro do pelotão. Como é possível quatro homens ficarem à frente de um
pelotão onde, como disse Elmar Reinders, 30 homens estão a ser ‘engolidos’?”
“A explicação é algo que tem
vindo a incomodar cada vez mais: motas e carros à frente do grupo líder, ou à
frente do pelotão”, sustenta Zonneveld. “Viu-se hoje também que homens da Uno-X
tentaram afastar as motas do pelotão. Notou-se, sobretudo numa fase inicial,
que as motas estavam mesmo muito próximas do grupo da frente”.
O comentador neerlandês
acredita que isso pode ter sido decisivo na etapa, com os escapados a manterem
apenas alguns segundos sobre o pelotão no momento em que Fredrik Dversnes
sprintou para a vitória, a maior da sua carreira.
A quantidade de veículos na
corrida e um circuito pleno de obstáculos urbanos revelou-se um pesadelo para o
pelotão em perseguição. “Num circuito local como aquele, é talvez ainda mais
problemático, porque as motas querem mais imagens. Se estás num circuito com
muitas curvas, tens de rodar mais perto”.
Pelotão
ultra-rápido não conseguiu fazer a captura
“Fui espreitar o Strava para
ver quão rápido iam o [Alec] Segaert e o pelotão. Nos últimos 20 quilómetros, a
diferença era de 1:10 minutos e, creio, uma média de 55,7 km/h. Não se pode
dizer que estavam parados. Isso é simplesmente ridículo”.
A Lidl-Trek, a Soudal -
Quick-Step e a Unibet Rose Rockets gastaram todos os seus gregários e homens de
lançamento para fechar o espaço, mas ainda assim não foi possível. Mais do que
um erro de cálculo, faltou potência para sustentar uma velocidade incrivelmente
alta durante tanto tempo no pelotão.
“Viu-se pontualmente no
pelotão, quando aparecia a velocidade, que iam a 60 quase o tempo todo. Estando
ali uma fuga de quatro… esperar-se-ia ter três Gannas e um Dversnes na frente.
No pelotão, ia-se mesmo muito depressa”.
Para Zonneveld, é impossível
negar a influência das motas no desfecho. “A influência das motas é, na
verdade, bastante significativa. Recebo mensagens de pessoas que não estão
muito longe do pelotão. Dizem que é isto que acontece quando uma grande equipa
começa a queixar-se numa Grande Volta”, explica.
“Depois, no Giro, colocam
simplesmente duas motas extra à frente da fuga. Há muitas pessoas que pensam
isto, mas, claro, não se consegue provar. Existem muito poucas regras,
sobretudo para as motas”.

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