Por: Miguel Marques
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A Volta à Flandres feminina de
domingo perfila-se como uma das edições mais abertas dos últimos anos, com um
pelotão profundo e talentoso pronto para lutar nas estradas flamengas. No
centro de tudo, como tantas vezes, estão Lotte Kopecky e Demi Vollering, duas
ciclistas que conhecem como poucas os pontos fortes uma da outra e que chegam
em excelente forma.
Kopecky:
finalmente liberta
A primavera não foi linear
para Kopecky. A belga admitiu ter colocado enorme pressão sobre si nas
primeiras semanas da época, e os resultados não surgiam com a facilidade
desejada. Depois veio a Nokere Koerse, e depois a Milan-Sanremo, e de repente
tudo mudou.
“No início estava a lutar, não
sei bem porquê. Mas vencer a Nokere Koerse e Sanremo tirou-me muito da pressão
que eu própria me coloquei, porque eu quero mesmo é ganhar corridas. Na minha
cabeça dá-me muita liberdade para entrar na Volta à Flandres”, disse à
Domestique.
Questionada diretamente sobre
como a sua forma compara com a de há doze meses, a resposta foi inequívoca.
“Estou exatamente no nível em que quero estar. Normalmente isso deve chegar
para ganhar clássicas”, afirmou Kopecky. Rapidamente reconheceu também que o
pelotão feminino nunca foi tão profundo, apontando a FDJ United-Suez, a UAE
Team ADQ e a Visma–Lease a Bike como equipas que elevaram a fasquia, e
enumerando uma lista de verdadeiras candidatas, incluindo Demi Vollering,
Marianne Vos, Pauline Ferrand-Prevot, Katarzyna Niewiadoma e Lorena Wiebes.
Mas não tenciona deixar que
isso mude a sua mentalidade. “Não preciso de me ver como a principal favorita.
Conheço as minhas qualidades, conheço a minha forma, e isso basta. Não vai
influenciar a minha corrida”.
No plano tático, Kopecky sabe
que anos a enfrentar as mesmas rivais têm dois lados. “Sabemos, em certos
momentos, como elas pensam. Mas também ao contrário, elas conhecem os meus
pontos fortes, sabem como penso em corrida”.
A sua abordagem no dia passará
pelo instinto. “Pode-se estar muito forte, mas se se gasta energia nos momentos
errados, ela vai-se. Às vezes estamos muito entusiasmadas, queremos ir já, mas
temos de nos manter calmas”.
E se sair sem a quarta vitória
na Ronde? “Sim, ficaria desiludida. Treino para ganhar corridas. Percebo que
ganhar duas clássicas na mesma época é muito difícil, e estou feliz por já ter
vencido Sanremo. Mas, claro, ficaria desiludida”.
Vollering: finalmente a
liderar a sua própria corrida
Demi Vollering falhou a Volta
à Flandres em 2025, mas regressa no domingo e falou, após o segundo lugar na
Dwars door Vlaanderen, sobre a forma como encara a corrida. “É sempre bom ter
confirmação, sentir as pernas e ver as outras a sofrer”, disse após esse
resultado, alcançado depois de várias semanas de treino sem competir.
O que torna esta edição
particularmente interessante para Vollering é o contexto. Nas suas
participações anteriores na Ronde, correu consistentemente ao serviço de
colegas mais fortes, como Kopecky, Chantal van den Broek-Blaak e Anna van der
Breggen. “No passado corri sempre para as minhas colegas na Volta à Flandres.
Tive sempre companheiras muito fortes nessa corrida que podiam fazer um pouco
melhor do que eu”, admitiu sem rodeios.
Isso já não se aplica.
Vollering chega a domingo como líder indiscutível da sua equipa, e a
curiosidade sobre o que pode fazer nesse papel é genuína, inclusive a sua.
“Estou muito curiosa para ver como será no domingo. Encaro-o com grande
confiança. Estou pronta”. Após cinco tentativas e ainda sem vitória, este pode
ser o ano em que finalmente descobre a resposta.

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