Por: Miguel Marques
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A longa perseguição de Tadej
Pogacar à Milan-Sanremo terminou finalmente em triunfo, mas só depois de a
corrida parecer escapar-lhe por completo no momento mais caótico do dia.
O campeão do mundo, já marcado
por uma camisola arco-íris rasgada e cortes visíveis após uma queda forte na
aproximação à Cipressa, pareceu, por breves instantes, encaminhar-se para mais
um quase na Monumento que tantas vezes o tinha resistido.
Em vez disso, transformou esse
momento no ato definidor da corrida. “Quando caí, por um segundo pensei que
estava tudo perdido”, disse Pogacar após a meta.
Queda ameaça terminar a
corrida de Pogacar antes de começar
O incidente surgiu no pior
momento possível. Com o pelotão a acelerar rumo à Cipressa e as equipas a lutar
pela posição, Pogacar foi ao chão juntamente com vários candidatos. Numa
corrida onde a colocação é tudo, até um pequeno atraso pode ser decisivo.
Para Pogacar, foi mais do que
isso. “Felizmente, voltei rápido à bicicleta, sem grandes danos nem para mim
nem para a bike”, explicou. “Depois vi a minha equipa, o Florian e o Felix, que
deram tudo para me recolocar na frente”.
Essa resposta imediata foi
crucial. Em vez de perder o contacto por completo, Pogacar conseguiu regressar
ao pelotão antes de a fase decisiva realmente começar. “Eles devolveram-me a
esperança e as pernas ainda estavam boas”.
A UAE
reconstrói a corrida na Cipressa
O que se seguiu foi uma
demonstração de força coletiva.
A UAE Team Emirates - XRG não
hesitou. Brandon McNulty e Isaac del Toro assumiram o ritmo na Cipressa,
elevaram a cadência e reconfiguraram a corrida após a perturbação da queda. “O
Brandon e o Isaac fizeram o resto na Cipressa”, disse Pogacar. “Hoje, sem a
equipa, provavelmente ia direto até à meta.”
Esse esforço recolocou Pogacar
e permitiu-lhe retomar o plano inicial. Uma vez lá, não perdeu tempo.
Pogacar
ataca, mas Pidcock recusa quebrar
Com o ritmo a subir, Pogacar
começou a atacar.
As acelerações repetidas na
Cipressa afinaram o grupo e, quando a corrida chegou ao Poggio, os principais
favoritos já estavam expostos. Pogacar voltou a mexer na última subida, à
procura do movimento decisivo que lhe escapara em edições anteriores.
Desta vez, apenas um corredor
conseguiu seguir. “Tentei ir sozinho, mas o Tom estava muito forte. Chapeau
também ao Mathieu”.
Tom Pidcock respondeu a cada
aceleração, colado à roda de Pogacar enquanto ambos se isolavam na frente da
corrida. Atrás, a perseguição nunca desapareceu por completo, mas a luta pela
vitória estava agora adiante.
Aposta ao
sprint decide a Milan- Sanremo
Nos quilómetros finais, a
cooperação deu lugar ao cálculo.
Pogacar e Pidcock trabalharam
para manter a vantagem, mas, à medida que a Via Roma se aproximava, a dinâmica
mudou. Pidcock recusou colaborar no último quilómetro, obrigando Pogacar a
lançar o sprint na dianteira. “Tive sorte no sprint”, admitiu Pogacar. “O Tom é
mesmo rápido e fiquei um pouco receoso quando me deixou ir primeiro”.
Essa hesitação marcou o
desfecho. “Sabia que não podia esperar demasiado e, no final, fiquei
surpreendido”.
Pogacar lançou da frente e
manteve a trajetória até à linha, batendo Pidcock por escassos centímetros numa
chegada ao sprint verificada por foto-finish, para assegurar, enfim, a vitória
que tanto lhe escapara.
Dos quase
ao triunfo em Monumento
A Milan-Sanremo é muitas vezes
descrita como a Monumento mais difícil de vencer, não pelas subidas, mas pela
dificuldade de a controlar. Para Pogacar, era a corrida que continuava a
resistir-lhe, apesar da sua dominância noutras frentes. Ano após ano, agitava o
final, para no fim ficar aquém.
Desta vez, nem uma queda na
fase mais crítica o travou. Pelo contrário, tornou-se parte da narrativa.
Ensanguentado, magoado e, por
instantes, convencido de que a corrida terminara, Pogacar respondeu com uma das
prestações mais completas da carreira. Depois de anos a tentar, a Milan-Sanremo
é finalmente sua.

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