Por: José Morais
A equipa portuguesa de
ciclismo Feirense-Beeceler foi suspensa por 22 dias pela União Ciclista
Internacional (UCI), na sequência de três processos relacionados com anomalias
no passaporte biológico de ciclistas ligados à formação. A sanção foi anunciada
pela Agência Internacional de Testes (ITA) e estará em vigor entre 22 de março
e 12 de abril de 2026.
De acordo com o comunicado
divulgado pela ITA, a decisão foi tomada pela Comissão de Disciplina da UCI
após terem sido registadas três violações das normas antidopagem num período de
12 meses, situação que ativa automaticamente uma suspensão coletiva da equipa.
Os casos dizem respeito aos
ciclistas Venceslau Fernandes, António Carvalho e Barry Miller, todos com
ligações recentes à estrutura sediada em Santa Maria da Feira. As
irregularidades foram identificadas através do passaporte biológico, ferramenta
que monitoriza ao longo do tempo parâmetros sanguíneos dos atletas para detetar
possíveis manipulações fisiológicas associadas ao uso de substâncias proibidas.
Entre os três processos, dois
já resultaram em sanções definitivas. Venceslau Fernandes, vencedor da Volta a
Portugal do Futuro de 2018, cumpre uma suspensão de seis anos, em vigor entre
28 de novembro de 2025 e 6 de novembro de 2030, após ter sido notificado pela
Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) em novembro de 2024. As anomalias
identificadas remontam a julho de 2022, período em que representava a
Feirense-Beeceler.
Também o português António
Carvalho, duas vezes terceiro classificado na Volta a Portugal (2022 e 2023),
está atualmente suspenso por quatro anos, até 3 de novembro de 2029, após ter
sido notificado pela UCI em novembro de 2025. No seu caso, foram detetadas
anomalias no passaporte biológico referentes a fevereiro de 2023, embora o
histórico do atleta inclua registos semelhantes em 2018, quando corria pela
W52-FC Porto, e novamente em 2024, já ao serviço da equipa feirense.
O terceiro processo envolve o
norte-americano Barry Miller, notificado pela ADoP em 18 de setembro de 2025. O
ciclista, que representou a equipa em 2023, tem o processo ainda em fase de
análise.
A suspensão terá impacto
direto no calendário competitivo da equipa portuguesa, que ficará impedida de
alinhar em várias provas do calendário nacional, entre elas o Troféu
Internacional da Arrábida (22 de março), a 43.ª Volta ao Alentejo (25 a 29 de
março), o Troféu Região de Coimbra – Aldeias de Xisto (11 de abril) e a
Clássica de Viana do Castelo (12 de abril).
A ITA recorda ainda que a
formação portuguesa pode recorrer da decisão para o Tribunal Arbitral do
Desporto (TAS). Entretanto, a suspensão surge num momento em que a UCI reforçou
o combate ao doping no ciclismo, tendo delegado no início de fevereiro na própria
ITA a condução dos processos relacionados com violações das regras antidopagem
e falhas de localização de atletas.

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