Por: José Morais
O belga Jasper Philipsen
regressou ao sul de Portugal com um objetivo claro: ganhar ritmo, testar
limites e dar mais um degrau na preparação para os grandes desafios da
primavera. A 52.ª Volta ao Algarve surge como ponto de partida estratégico numa
temporada em que as clássicas ocupam o centro das ambições do velocista da
Alpecin-Deceuninck.
Sete anos depois da estreia na
chamada ‘Algarvia’, o sprinter belga vê na corrida portuguesa o cenário ideal
para afinar a forma. Percursos ondulados, bom clima e um pelotão competitivo
oferecem o contexto perfeito para encontrar o ritmo competitivo após o inverno.
“É uma corrida exigente, com
muito sobe e desce. Obriga-nos a trabalhar e isso é essencial nesta fase”,
explicou o corredor de 27 anos, assumindo que ainda não está na plenitude
física, mas confiante de que as sensações evoluirão ao longo da semana.
Clássicas
no horizonte
No calendário imediato de
Philipsen estão o tradicional ‘Fim de Semana de Abertura’ e uma série de
clássicas de um dia. Entre elas destacam-se a Milano-Sanremo, que venceu em
2024, e a icónica Paris-Roubaix, duas provas que encaixam no seu perfil explosivo.
O belga, vencedor da
classificação por pontos do Tour de France em 2023 e dono de múltiplos triunfos
em etapas tanto na Grande Boucle como na Vuelta a España, quer recuperar
rapidamente o “sentimento de corrida”. No Algarve, procura mais do que
vitórias: quer consistência e intensidade.
Memórias
e ambição renovada
A ligação de Philipsen ao
Algarve não é recente. Na sua primeira participação, contribuiu para o triunfo
na geral de Tadej Pogačar, então ainda a afirmar-se no pelotão internacional.
Recorda essa edição com entusiasmo, incluindo um raro momento a trabalhar na
frente do grupo para defender a liderança da equipa.
Agora, o foco é outro. Depois
de ter falhado por pouco o pódio na etapa inaugural em Tavira, devido a um erro
na última curva, aponta baterias à chegada em Lagos terreno propício para um
sprint puro. O próprio já reconheceu o final e acredita que a longa reta final
favorece uma chegada em alta velocidade.
Apesar de admitir que ainda
não está a 100%, Philipsen mostra confiança. Com um comboio de lançadores
experiente a apoiá-lo, acredita que, se as pernas responderem, o resultado pode
surgir naturalmente.
A Volta ao Algarve começou em
Vila Real de Santo António e termina no exigente alto do Malhão, cenário
habitual de decisões. Até lá, Philipsen quer transformar cada quilómetro num
passo firme rumo às grandes batalhas da primavera europeia.

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