Por: Ivan Silva
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
As declarações de Ruben
Guerreiro surgem num tom de incredulidade e de defesa pessoal. O ciclista
mostrou-se surpreendido com a forma como o seu nome foi associado a uma notícia
que considera infundada, rejeitando qualquer irregularidade relacionada com localizações
ou controlos.
“Até fui ver ao calendário se
era dia das mentiras. Não tenho qualquer problema com as localizações, não
cometi nenhuma ilegalidade, nunca sequer recebi um aviso de faltas. É normal,
às vezes, um pequeno erro, mas eu nunca tive qualquer problema nem percebo o
fundamento da notícia. Nestes 11 anos de profissional as pessoas que me
acompanham sabem que sempre fui transparente, leal ao trabalho, com ética.”
Não
consigo treinar 25-30 horas
O corredor explicou em
conversa com o Topcycling que a ausência de contactos recentes com equipas tem
razões exclusivamente físicas e não disciplinares. Desde novembro, a prioridade
passou a ser a recuperação, longe das exigências de carga típicas do ciclismo
de alto rendimento.
“Deixámos de falar com as
equipas porque não consigo, desde novembro, fazer uma semana de 25-30 horas. O
meu foco agora é ginásio e fisioterapia. Um pouco de bicicleta até onde o corpo
dá. Não vou enganar ninguém quando não consigo exercer a minha profissão. Nunca
vi um ciclista ser notícia por dar uma falta, mas eu não tenho nenhuma
notificação. Não tem qualquer fundamento.”
O problema físico que
condiciona esta fase já vem de trás e teve origem durante um estágio de
preparação para uma Grande Volta, numa altura em que o sofrimento ultrapassou
claramente o limiar do aceitável.
“A primeira grande inflamação
foi num estágio com a equipa para o Giro de Itália, nem conseguia dormir quanto
mais treinar. Tenho sofrido da cervical, onde tenho uma hérnia (…) Em 2024 as
coisas não foram bem avaliadas e andei este tempo todo em esforço.”
Apesar do contexto difícil, o
ciclista não fecha a porta ao futuro e deixa críticas veladas à forma como o
mercado reage a lesões ou épocas menos conseguidas, sobretudo quando se trata
de corredores com mais de 30 anos.
“Ainda não me comprometi com
ninguém porque não estou apto para competir, mas estou a fazer a minha
recuperação. As equipas parece que estão desesperadas para tentar combater os
ciclistas da frente e acabam por se baralhar. Um ciclista com 31 anos, que tem
um ano menos bom ou uma lesão, acaba por ser metido na prateleira, mas ainda há
muitos corredores acima dos 30 que fazem um bom trabalho e que mostram que a
idade é só um número.”
Para o corredor, o rendimento
continua a ser possível em qualquer fase da carreira, desde que haja
alinhamento entre todas as partes envolvidas.
“Tudo é possível atingir em
termos de performance, basta as pessoas estarem em conexão e haver vontade de
todas as partes.”
Durante este período, contou
com apoio médico fora do ciclismo, algo que considera determinante para o
processo de recuperação.
“Houve um clube grande de
futebol que me ajudou, o médico de um clube grande, que me direcionou para um
especialista e estou muito grato por isso. Sou cauteloso e prefiro fazer as
coisas bem em silêncio.”
Regresso
a Portugal?
A decisão de não procurar
equipa foi consciente e comunicada aos seus representantes, numa lógica de
pausa controlada e não de abandono da bicicleta.
“Informei as pessoas que me
representam que não procurassem equipa. A competir só no nível WorldTour e
neste momento a ideia é fazer uma pausa na carreira, mas com a presença da
bicicleta assim que possível. Quero recuperar e ir pouco a pouco, sem desconectar
da bicicleta.”
“Em finais de 2024 pedi ao meu
agente para sair. Não estávamos a ter a melhor comunicação e desde então tem
sido um pouco mais para cumprir calendário e dias. Em junho de 2025 reuni-me
com uma equipa WorldTour, as coisas estavam a correr bem, mas não se concretizaram
e talvez tenha sido o melhor porque mais tarde percebi que precisava de tempo e
espaço para resolver a minha situação.”
O balanço dessa passagem
mantém-se positivo do ponto de vista humano e competitivo, apesar de uma
incompatibilidade clara com o método de trabalho.
“As análises ficam para mim.
Prefiro ficar só com os bons resultados. Tinha tudo para ser um casamento
perfeito. Mostrei o meu carácter e a minha maneira de ser: transparente, leal,
companheiro. Acabei por ganhar a primeira corrida, sucederam-se bons resultados
no Gran Camiño e noutras corridas.”
No entanto, a adaptação ao
sistema de treino revelou-se um obstáculo difícil de ultrapassar.
“Eles são muito fiéis a um
sistema de treino e eu nunca me habituei, era super sensível à carga física e
acabou por ser isso, uma má adaptação aos treinos e à forma deles verem as
coisas em termos de rendimento.”
E assim termina a ligação de 3
anos do Cowboy de Pegões à Movistar Team. Sem um post de despedida, de
agradecimento. O futuro de Ruben Guerreiro está em suspenso, mas longe do seu
final.
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