quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

“Seleções competem na Catalunha e no mundo virtual”


Por: José Carlos Gomes

As Seleções Nacionais de ciclismo voltam ao ativo no próximo fim de semana, competindo em duas provas. No sábado, três corredores representam o país no Campeonato do Mundo de Ciclismo Eletrónico. No sábado e no domingo, teremos seis juniores com as cores nacionais na corrida da Copa Catalana de Cross Country Olímpico (XCO) que vai realizar-se em Banyoles.

A segunda edição do Campeonato do Mundo de Ciclismo Eletrónico terá o tiro de partida às 18h00 de Portugal Continental. Os corredores terão por diante um percurso virtual de 54,9 quilómetros, no percurso Knickerbocker do mundo virtual Zwift de Nova Iorque. Será um trajeto com um acumulado de 944 metros, que apresentam uma grande variedade de terrenos, incluindo rampas com 14 por cento de inclinação.

Além da capacidade física para este tipo de esforços explosivos, será necessário usar a melhor estratégia na componente de “gamificação”, de modo a aproveitar do modo mais eficiente os “poderes” disponibilizados durante a corrida/jogo. A Seleção Nacional estará representada por três corredores. No setor masculino as cores portuguesas serão defendidas por Fábio Costa (Glassdrive-Q8-Anicolor). Na prova feminina teremos em ação Beatriz Pereira (Bizkaia Durango) e Sofia Gomes (Massi-Tactic Women Team).

Portugal estará também representado na Copa Catalana de BTT. Na linha da estratégia das últimas épocas, a Seleção Nacional para a Catalunha será composta por corredores jovens, exclusivamente juniores, que competirão nas provas do circuito UCI Junior Series de XCO.

O selecionador nacional, Pedro Vigário, convocou os masculinos Artur Mendonça (BTT Loulé/Elevis), Guilherme Barros (Altimetria), Rafael Sousa (Guilhabreu BTT) e Tomás Gaspar (Penafiel Bike Clube), e as femininas Íris Chagas (Cantanhede Cycling/VESAM) e Mariana Líbano (Guilhabreu BTT).

A prova feminina realiza-se no sábado, às 14h30. A corrida de juniores masculinos está marcada para as 9h40 de domingo.

“Pretendemos dar experiência de competição a nível internacional, numa prova que contará com alguns dos melhores juniores da Europa. Esta participação faz parte do trabalho, iniciado nos estágios de dezembro do ano passado, visando apresentar a Seleção Nacional nas melhores condições no Campeonato da Europa de XCO, que vai realizar-se em Anadia, no início do verão”, explica o selecionador nacional.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

“Alegada tensão entre João Almeida e Evenepoel 'ficou-se' pelas redes sociais: «Não somos uma equipa de totós»”


Ricardo Scheidecker lamenta a polémica gerada no Giro'2021 e aborda o que aconteceu

 

Por: Lusa

Foto: Wout Beel

Ricardo Scheidecker lamenta a polémica gerada no Giro'2021 em torno da alegada tensão entre João Almeida e Remco Evenepoel, lembrando que o ciclista português teve de trabalhar para o belga por ter perdido tempo na quarta etapa.

"Não tenho redes sociais, pelo que não tenho noção nenhuma da repercussão e isso incomoda-me e incomodou-me zero. Lamento as pessoas terem ficado chateadas, mas, a nível interno, aquilo que eu posso dizer é que o João se encontrou na situação de ter de trabalhar para o Remco, porque no dia da [quarta] etapa de Sestola perdeu tempo", recorda, em declarações à Lusa.

O episódio conta-se numa 'penada': o luso 'quebrou', perdeu quase seis minutos para o vencedor da etapa, e deu um trambolhão na geral, descendo do quarto ao 42.º posto, com o recém-coroado vencedor da 48.ª Volta ao Algarve a assumir-se então como único chefe de fila da formação belga, na oitava posição.

"Se não tem perdido tempo, teria sido ao contrário, porque nós não somos uma equipa de 'totós'. Somos uma equipa que tem de gerir os seus recursos da forma como a corrida se desenvolve. Esse dia foi um dia capital. E eu falei disso com o João nesses dias e ele sabe muito bem, sempre me disse que aquele dia foi chave no Giro, porque ele tinha condições para ter ganho a Volta a Itália no ano passado", considera o diretor técnico e de desenvolvimento da Quick-Step Alpha Vinil.

Nesse dia, dezenas de adeptos portugueses - a maioria dos quais 'convertida' ao ciclismo apenas desde a extraordinária exibição de João Almeida na Volta a Itália no ano anterior - 'invadiram' as redes sociais da então Deceuninck-QuickStep para criticar a opção da equipa, que não esperou pelo jovem de A-dos-Francos (Caldas da Rainha), e insultar Evenepoel, numa ausência de 'fair play' inédita na modalidade que haveria de prolongar-se até ao final da temporada passada.

"Não me incomodam as críticas e as redes sociais não são um ambiente onde eu me encontre", esclarece Scheidecker, recordando que, naquele 11 de maio de 2021, o agora ciclista da UAE Emirates cometeu uma falha que hipotecou definitivamente o seu sonho de levar a camisola rosa para casa.

"[O João Almeida] surpreendeu-me pela positiva e tive a oportunidade de lhe dizer que excedeu as minhas expectativas, o que me deixou extremamente feliz, mas com aquele sabor agridoce de 'caramba, um dia em que te esqueces de comer outra vez, como já tinha acontecido no Tirreno-Adriático, deixa-te numa situação de desvantagem'. E, pronto, o ciclismo é isto mesmo: vivendo e aprendendo", nota.

Os 'ecos' da alegada rivalidade luso-belga foram alimentados nas redes sociais e também nos comentários televisivos, mas o diretor português da Quick-Step Alpha Vinil garante que não contaminaram o seio da formação belga.

"Nós, na equipa, gerimos a situação e os corredores de forma serena, creio que com a liderança necessária para que os corredores façam aquilo que devem fazer e para que consigamos tirar deles o melhor. Acho que isso acabou por acontecer, porque fizemos um Giro excecional, apesar de não termos ganho nenhuma etapa. Fomos protagonistas, falhou [o triunfo] mas foi por pouco. Esta história das tensões e daquilo que as pessoas veem do exterior não é necessariamente aquilo que nós vemos do interior", contrapôs.

Quarto do Giro2020, no qual andou 15 dias vestido de rosa, João Almeida viria a protagonizar uma recuperação 'fulgurante', que o levou ao sexto lugar da geral final, com o mesmo tempo do quinto, o colombiano Daniel Martínez, enquanto Evenepoel, que se estreava numa grande Volta depois de ter estado mais de oito meses afastado da competição, devido a uma fratura da pélvis, acabou por desistir, na sequência de uma queda, após a 17.ª etapa, quando já estava a mais de uma hora do 'maglia rosa' Egan Bernal.

Fonte: Record on-line

“Volta ao Algarve: Scheidecker desmistifica o 'fenómeno' Evenepoel”


Dúvidas ou expectativas quanto ao futuro do ciclista desvalorizadas pela Quick-Step Alpha Vinyl

 

Por: Lusa

Foto: Lusa

As dúvidas ou expectativas quanto ao futuro de Remco Evenepoel são desvalorizadas pela Quick-Step Alpha Vinyl, garante Ricardo Scheidecker, revelando que a equipa está centrada em prepará-lo para vencer, sem se preocupar com o epíteto de fenómeno do ciclista.

Nos últimos 18 meses, mais precisamente desde que fraturou a bacia numa queda horrenda na Volta à Lombardia, muito se escreveu - aliás, como acontece desde que, há três anos, se converteu no 'prodígio' favorito do ciclismo mundial - sobre o futuro do jovem de 22 anos que, no domingo, se sagrou vencedor, pela segunda vez, da Volta ao Algarve, com os mais céticos a duvidarem que a 'prometida' carreira idílica do belga será aquilo que poderia ter sido.

"São notícias que nós, com todo o respeito, ignorámos. Tínhamos era que - e acho que é o que estamos a fazer - concentrar-nos, e ele concentrar-se, na sua recuperação física como ser humano. E, depois, no 'timing' certo, na sua recuperação como atleta. Foi isso que fizemos. Aquilo que as pessoas dizem, especulam, vale pouco, não é? Naquilo que nos concerne, não investimos tempo a ouvir esse tipo de 'trend'", revela à agência Lusa o diretor técnico e de desenvolvimento da formação belga.

O português que "orquestra a bem oleada máquina que é a Quick-Step Alpha Vinyl" (a descrição pertence à sua biografia na página da equipa) desvaloriza as teorias pessimistas sobre o futuro do vencedor da 48.ª 'Algarvia', mas também aquelas que descrevem o mais jovem ciclista belga em quatro décadas a somar 25 vitórias profissionais como um fenómeno.

"Nós, internamente, não vivemos nesse contexto. É um dos líderes da equipa e é tratado como tal. Temos expectativas como temos para todos os nossos 30 corredores, mas essa expectativa é construída com o passar do tempo. Não estamos aqui a fazer filmes que vai fazer isto ou aquilo...", assevera.

Ricardo Scheidecker afasta ainda as recorrentes comparações entre Evenepoel e aquele que, quase unanimemente, é considerado o melhor corredor de todos os tempos, lembrando que "Eddy Merckx foi um e não vai haver mais nenhum".

"Ele vai ser o Remco Evenepoel, que está a consolidar o seu crescimento, tem 22 anos. É ainda um miúdo. E nós não estamos aqui a pensar naquilo que ele vai fazer. Estamos a pensar é em prepará-lo para poder ganhar corridas e descobrir as suas qualidades -- e tem-nas, já demonstrou isso. E vamos continuar a trabalhar nelas. Depois, se ganha, se não ganha, o futuro o dirá. Não sou futurologista... a vida não tem 'ses'. Os 'ses' são coisas do passado, não se pode voltar para trás...", avalia.

O sempre discreto (e ponderado) diretor técnico da melhor equipa do mundo, que prefere ficar na 'sombra' nos 'bastidores' das provas, reitera que "aquilo que as pessoas pensam, especulam, a pressão e as expectativas que têm" quanto ao jovem corredor é indiferente para a estrutura técnica da Quick-Step Alpha Vinyl.

"Nós não temos de viver em função das expectativas das pessoas. Nós vivemos em função do que sabemos, do nosso trabalho com os corredores e com o Remco. É evidente que ele, de caráter, é um vencedor, como muitos desportistas de alto nível. Acho que se não o fosse, não faria este trabalho. Já quando era futebolista, tinha demonstrado isso. Ele tem um caráter vencedor, gosta de ganhar, trabalha para poder ganhar", enumera à Lusa.

Descrito pelos seus companheiros, nomeadamente pelo experiente Mark Cavendish, como "um verdadeiro líder", Evenepoel ainda terá, na opinião de Scheidecker, de confirmar essa aptidão natural.

"Essas qualidades têm de ser desenvolvidas e aperfeiçoadas, porque mesmo que a pessoa tenha potencial para ser um líder, pode nunca vir a ser. É como eu digo: 'life is about experience' [a vida é feita de experiência] e esse processo de crescimento está a acontecer. É evidente que ele é um dos líderes da equipa e cada vez se comporta mais como tal, mas nós também temos de compreender que ele tem 22 anos e que há que dar tempo ao tempo, com a necessária serenidade e viver um dia de cada vez", conclui.

Fonte: Record on-line

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