Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
A Exact Cross Mol masculina
prometia mais um capítulo marcante da rivalidade entre Mathieu van der Poel e
Wout van Aert, mas as condições invernais extremas transformaram a corrida numa
batalha de sobrevivência, não de supremacia.
Desde a volta inicial, os
protagonistas esperados assumiram a dianteira. Van Aert correu com autoridade e
pareceu confortável nos primeiros setores cobertos de neve, enquanto Van der
Poel adotou uma abordagem mais exploratória, testando os rivais com acelerações
sucessivas em vez de um ataque a fundo. Toon Aerts impôs o ritmo por momentos,
com Felipe Orts atento para não perder a roda, enquanto o quarteto se isolava
do restante pelotão.
O primeiro momento decisivo
surgiu a meio da corrida, quando Van Aert falhou duas vezes na areia,
permitindo a Van der Poel abrir uma vantagem de cerca de quinze segundos. A
margem soou ameaçadora, mas a prova voltou a virar pouco depois. Ao tentar
aquecer as mãos no frio intenso, Van der Poel caiu violentamente na neve,
quebrando momentaneamente o ritmo. Wout Van Aert capitalizou o erro e regressou
à discussão, mesmo com uma troca de bicicleta nas boxes pelo meio.
No final da quarta volta, o
duelo esperado ficou totalmente restabelecido, com ambos a cruzarem a meta lado
a lado para deleite do público. Porém, o reencontro durou pouco.
Queda de
Van Aert termina o duelo
Na sexta volta, surgiu o
desastre. Van Aert caiu com violência numa secção de asfalto escorregadio,
embatendo nas barreiras e no solo gelado. Embora tenha retomado a bicicleta, o
desconforto era evidente. Momentos depois, derivou para o posto de material e
abandonou a corrida, mancando, assistido pela equipa.
Com a desistência de Van Aert,
a prova perdeu a sua tensão central. Parte do público começou a sair à medida
que as condições pioravam, e as voltas finais tornaram-se um exercício duro de
controlo e resistência.
Van der Poel seguiu sozinho,
gerindo o percurso cada vez mais traiçoeiro com prudência, não com
agressividade. Mesmo para o campeão do mundo, as derradeiras voltas foram um
exercício medido de contenção de danos, não de domínio.
Cortou a meta para selar a
oitava vitória em oito corridas neste inverno, à frente de Aerts e Orts,
assinando uma prestação definida tanto pela resiliência como pela força bruta
numa das provas mais duras da temporada.
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