Por: Ivan Silva
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
A fusão Lotto-Intermarché
implicou grandes mudanças estruturais para as duas equipas de estrada. Também o
ciclocrosse não escapou a alterações profundas, já que ambas operavam
estruturas próprias que deixaram de poder existir separadamente. Assim, a formação
de ciclocrosse Deschacht-Hens, da Lotto, e a Charles Liégeois Roastery CX, da
Intermarché-Wanty, juntaram-se no início do novo ano do calendário para dar
origem à Charles Liégeois – Deschacht.
O gestor da nova equipa será
Bart Verschueren, da Deschacht, deixando o antigo responsável da Charles
Liégeois fora do organigrama. Não totalmente, porém. Bart Wellens mantém-se na
estrutura Lotto-Intermarché, transitando para a equipa de estrada como diretor
desportivo a tempo inteiro, após períodos em part-time já em 2025, incluindo a
estreia na Volta a Itália.
“Não me deixaram escolha”,
disse Wellens ao Het Nieuwsblad. “Inicialmente, disse-se que a equipa de
ciclocrosse continuaria até ao fim da época, mas as conversas aceleraram e
decidiu-se fundir também as equipas de ciclocrosse a partir do início de janeiro.
O que compreendo. Mas depois também li que já não havia lugar para mim na
equipa.”
Para Wellens, será uma
experiência completamente diferente, longe das barreiras e das boxes, passando
a viver a temporada a partir do carro da equipa.
“Nos últimos quatro meses,
trabalhei sete dias por semana com esta equipa de ciclocrosse”, referiu
Wellens. Em particular, orgulha-se do trabalho com jovens talentos, tendo
construído uma via de acesso ao topo para Julie Brouwers e Keije Solen nas
respetivas categorias.
“Fiz tudo para dar aos meus
corredores o melhor do melhor. Levei a Julie Brouwers ao nível em que está
atualmente e sei que pode fazer ainda mais. Espero que a nova direção da equipa
passe tantas horas na mota ou dê tanto treino no campo de ciclocrosse quanto eu
dei.”
As duas jovens ainda podem
contar com o seu antigo treinador e gestor. “Também não vou abandonar
completamente a Julie e a Keije, mesmo a meio da época. Prometi-lhes que, se
precisarem de mim durante a semana, por exemplo para rolar atrás da mota,
estarei lá para elas.”
Uma
despedida amarga
O antigo campeão do mundo de
ciclocrosse admitiu que perceber, na Superprestige de Diegem, na terça-feira,
que se tratava da sua derradeira incursão na disciplina foi “uma pílula difícil
de engolir”.
“Mas há sempre um lado
positivo. Normalmente não vejo os meus filhos em janeiro, mas desta vez já
marquei algumas datas com eles. E vou certamente continuar a acompanhar. Tenho
de fazê-lo, já que continuarei a desempenhar o papel de Professor do Ciclocrosse
– claro, do conforto de casa, ou no local, como em Benidorm, onde estarei como
analista da Play Sports.”
“O ciclocrosse estará sempre
no meu coração. A única coisa que não vou ter saudades é de lutar por mais um
metro quadrado para montar a tenda às 7:30h no parque de corredores. E como não
sou esperado em Baal [o GP Sven Nys disputado no dia de Ano Novo], desta vez
não tenho de me preocupar com a ressaca. Embora deva correr bem. Jogos de
tabuleiro com os miúdos, uma bebida e deitar... não muito tarde.”
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