Por: Miguel Marques
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A UCI respondeu às críticas da
Team Visma | Lease a Bike pela decisão tardia de proibir sistemas ajustáveis de
pressão dos pneus antes do Paris-Roubaix, defendendo a medida como necessária
para proteger um “terreno de jogo nivelado” no pelotão.
A decisão, que retira o
sistema Gravaa da Visma a poucos dias da corrida, já tinha provocado uma reação
forte dentro da equipa. O chefe de performance Mathieu Heijboer questionou o
timing e a justificação, descrevendo-a como “uma história vaga” e apontando a
ausência de qualquer intervenção prévia. “Também não houve aviso prévio. Aliás,
ainda o usámos no GP Denain”.
No centro da disputa está um
sistema concebido especificamente para as exigências do Paris-Roubaix, que
permite aos corredores ajustar a pressão dos pneus em plena corrida para
equilibrar a tração no empedrado com a velocidade na estrada.
Num Monumento onde as escolhas
de material podem pesar tanto quanto a força física, a sua retirada está longe
de ser um detalhe marginal.
UCI
defende decisão com base na equidade
Numa resposta enviada à
Domestique, a UCI detalhou a sua posição, evocando o princípio de que a
tecnologia que melhora o rendimento deve ser acessível a todo o pelotão. O
organismo defendeu que, sendo apenas uma equipa a utilizar atualmente o
sistema, este representava uma “vantagem significativa”, sobretudo numa corrida
como o Paris-Roubaix, onde os fatores técnicos podem ser decisivos.
A UCI apontou ainda o estatuto
da Gravaa, a empresa por detrás do sistema, que entrou em falência no início
deste ano. Após várias semanas de análise, concluiu-se que o produto já não
pode ser considerado comercialmente disponível segundo os seus regulamentos, um
requisito para ser usado em competição.
Com base nisso, equipas,
fabricantes e a AIGCP foram informados a 25/3/2026 de que o sistema não seria
autorizado para o restante da temporada de 2026.
Persistem
frustrações com o timing e a interpretação
A explicação esclarece a
posição do organismo, mas não responde às preocupações já levantadas pela Visma
sobre o modo e o momento em que a decisão foi tomada.
Para lá do argumento técnico,
o timing esteve no centro da reação da equipa, surgindo a poucos dias de uma
das provas mais sensíveis ao equipamento no calendário. Esse contexto alimentou
uma observação mordaz de Heijboer, que sugeriu: “Isso, claro, não é
coincidência”.
Não há, porém, qualquer
indicação de que a equipa vá arriscar em desafio à decisão. “Esse é um risco
que, obviamente, não vamos correr”, assegurou, perante sanções que podem chegar
à desclassificação. Mas o impacto é evidente. Questionado diretamente se isso
afeta as hipóteses de Wout van Aert, Heijboer foi breve: “Sim”.
Um debate
que não terminará no empedrado
A UCI pode ter defendido
publicamente a sua decisão, mas o desacordo que desencadeou dificilmente
terminará com o próprio Paris-Roubaix.
No cerne está uma questão que
vai além de uma corrida: como definir acessibilidade num desporto onde o
desenvolvimento tecnológico acelera. Para a UCI, a linha traça-se na
disponibilidade transversal no pelotão. Para a Visma, a interpretação mantém-se
aberta a contestação.
Com essa divergência agora
exposta, o que começou como uma decisão tardia pré-Roubaix já se transforma num
debate mais amplo sobre como o ciclismo equilibra inovação e justiça.

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