domingo, 30 de agosto de 2026

“Keegan Swirbul resiste ao Douro e sela triunfo numa corrida de nervos até ao Porto”


Por: José Morais

O norteamericano Keegan Swirbul, líder da Efapel, transformou o Grande Prémio Douro Internacional numa demonstração de resistência e controlo, fechando a sexta edição da prova com a camisola amarela bem protegida até ao último metro da etapa decisiva, disputada este domingo no Porto.

Depois de ter abalado a concorrência na etaparainha entre Vila Real e Lamego, no sábado, Swirbul entrou para a derradeira tirada com a vantagem necessária para manter à distância Jesus Del Pino e Francisco Campos, os dois homens que completavam o pódio provisório. A Efapel assumiu o comando das operações ao longo dos 154,3 quilómetros, anulando investidas e controlando ritmos para impedir qualquer surpresa.

A última etapa, com partida e chegada no Porto, acabou por ser marcada por uma tentativa tardia de Angel Sanchez, que procurou evitar o sprint mas foi neutralizado a três quilómetros da meta. Com o pelotão compacto, a discussão final ficou entregue aos velocistas.

No arranque explosivo para a meta, Iker Bonillo impôs a sua potência e garantiu à Feira dos SofásBoavista a vitória na etapa, enquanto Swirbul cruzava a linha de chegada com a serenidade de quem já sabia que o Douro lhe pertencia.

“Volta Espanha: Enric Mas vira o jogo em Aitana e deixa Gall e Roglic a contar perdas numa etapa de fogo”


Por: José Morais

A vitória que Enric Mas perseguia há oito anos finalmente chegou — e num cenário digno de drama alpino. O líder da Movistar reforçou a camisola vermelha ao triunfar no Alto de Aitana, numa etapa de 187,4 km marcada por fugas caóticas, ataques falhados e um desfecho onde a frieza do espanhol derrotou a potência de Oscar Onley e a insistência de Primoz Roglic.

 

Crónica da etapa versão totalmente nova

 

A corrida mal tinha arrancado e já se desenhava uma fuga numerosa, com nomes como Sivakov, Lutsenko, Kron, Mackellar, Fisher-Black e Turner a animarem a frente da prova. O grupo cresceu, encolheu, voltou a crescer — um daqueles dias em que o pelotão parecia disposto a deixar a estrada decidir quem tinha pernas para sobreviver.

A Movistar manteve sempre o controlo atrás, sem entrar em pânico, enquanto os fugitivos ganhavam tempo rumo ao Miserat. A perseguição era irregular, com pequenos grupos a tentarem colar, alguns a ficarem pelo caminho, outros como Vermeersch, Zana ou Cort a conseguirem integrar a frente.


Buitrago voltou a mostrar instinto de montanha ao coroar o Puerto de Tollos, mas a vantagem nunca foi suficiente para assustar o bloco azul da Movistar, que mantinha o relógio estável nos 4:40.

A etapa ganhou outra temperatura na subida a Tudons e, sobretudo, na aproximação a Benifallim. A fuga começou a desfazer-se, com Sivakov e Camprubí a resistirem mais do que o esperado. Atrás, a Decathlon assumiu o comando do pelotão e iniciou o plano que parecia desenhado para lançar Felix Gall para a vitória.

 

Só que o plano não funcionou.

 

Aitana: onde tudo se decidiu

 

A 10 km do topo, Sivakov tentou o último suspiro, deixando Camprubí para trás. No pelotão, Muhlberger impôs um ritmo brutal que deixou favoritos em dificuldades até Sepp Kuss cedeu. Quando o austríaco terminou o trabalho, Gall lançou o ataque que todos esperavam.

Mas o ataque não teve o efeito desejado.

Gall acelerou… e depois quebrou. Primeiro perdeu o comboio da própria equipa, depois perdeu, Mas, depois perdeu Roglic. A subida plana de Aitana expôs o erro tático: o austríaco ficou isolado demasiado cedo e pagou caro.

Carapaz ainda tentou surpreender com um ataque explosivo, mas o pelotão estava atento e absorveu tanto o equatoriano como Sivakov, o último resistente da fuga.

A 3,8 km do fim, Gall tentou novamente. Voltou a falhar. Widar, Tejada e Skjelmose animaram o grupo, mas ninguém conseguia abrir espaço real.

Foi então que Mas decidiu jogar.

 

O golpe final

 

O espanhol acelerou com Oscar Onley na roda. Roglic reagiu, Widar também, mas Mas manteve a calma, controlou o esforço e esperou o momento certo. No sprint final, o líder da Movistar mostrou inteligência e sangue-frio: deixou Onley lançar primeiro, mediu a distância e passou no instante exato.

Vitória de classe. Vitória inesperada. Vitória que muda a narrativa da corrida.

Roglic chegou 12 segundos depois. Gall, o grande derrotado do dia, perdeu 18 segundos ironicamente, após a etapa em que a sua equipa mais trabalhou.

 

Resumo rápido

 

Vencedor: Enric Mas

Roglic: +12’’

Gall: +18’’

Fuga: longa, instável e anulada nos últimos 5 km

Movistar: controlo perfeito

Decathlon: esforço enorme, resultado desastroso

“Tadej Pogacar fora de cena, Emirates afunda: queda, fraturas e uma desistência que expõe a crise da equipa”


Por: José Morais

A ausência de Tadej Pogacar abriu um vazio que a UAE Team Emirates ainda não conseguiu preencher. Sem o seu farol para a classificação geral, a formação tenta reinventar-se apostando em vitórias de etapa, mas a realidade tem sido bem mais dura do que o plano.

 

Uma equipa à deriva após a era Pogacar

 

A comparação com a Visma pósVingegaard é inevitável: quando o líder desaparece, a estrutura treme. No caso da Emirates, tremeu e começou a ruir. João Almeida perdeu o início de temporada para um vírus persistente, falhou Giro e Tour, e ainda não reencontrou o ritmo que o tornou um dos mais sólidos escaladores do pelotão. Jay Vine regressa à Vuelta depois de três quedas e longos períodos afastado da bicicleta uma temporada marcada por interrupções e incerteza.

A equipa já tinha sofrido no Giro d’Italia com a queda massiva da segunda etapa, apesar das três vitórias de Jhonatan Narváez. Mas a Vuelta trouxe novos problemas.

 

Vermaerke corre com uma costela partida

 

O episódio insólito aconteceu na etapa 7: Kevin Vermaerke foi apanhado pelas câmaras a admitir, entre risos e dores, que estava a competir com uma costela fraturada. Enquanto recebia uma garrafa do carro da equipa, avisou os diretores para terem cuidado porque “doía”.

A revelação, feita sem intenção, expôs um segredo que a equipa tentava manter longe dos rivais. Mais tarde, explicou ao Cyclingnews que a lesão veio de uma queda na Volta a Burgos e que só um ultrassom revelou a pequena fissura. Garantiu, no entanto, que “não o limita na bicicleta”.

 

Torres abandona na estreia e agrava o cenário

 

Como se não bastasse, a etapa 9 trouxe a segunda baixa da Emirates: Pablo Torres abandonou na sua primeira Grande Volta. O jovem espanhol já tinha admitido sentir-se mal no dia anterior e, logo na primeira subida, ficou para trás no Alto de Tárbena. Saiu da corrida visivelmente debilitado.

Torres era uma das peças mais valiosas no apoio a Pogacar, responsável por revezamentos decisivos em etapas como a do Alto de El Bartolo. Na geral, ocupava um respeitável 24.º lugar.

 

Um futuro imediato sem brilho

 

Com Pogacar fora, Almeida debilitado, Vine em recuperação, Vermaerke lesionado e Torres fora da corrida, a Emirates enfrenta uma realidade crua: as hipóteses de vencer etapas diminuem a cada dia. A equipa que dominava montanhas e GC agora luta para manter competitividade mínima.

O desafio não é apenas ganhar é sobreviver.

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
  • Diretor: José Manuel Cunha Morais
  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
  • Periodicidade: Diária
  • Registado: Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº: 125457
  • Proprietário e Editor: José Manuel Cunha Morais
  • Morada: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Redacção: José Morais
  • Fotografia e Vídeo: José Morais, Helena Morais
  • Assistência direção, área informática: Hugo Morais
  • Sede de Redacção: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Contactos: Telefone / Fax: 219525458 - Email: josemanuelmorais@sapo.pt noticiasdopedal@gmail.com - geral.revistanoticiasdopedal.com