quinta-feira, 8 de outubro de 2026

“Nannup Recebe a Elite Mundial: Austrália Coroa os Novos Reis do Gravel em Cenário de Grande Exigência”


Foto: UCI

Pela primeira vez na história, o Campeonato do Mundo de Gravel da UCI deixa a Europa e ruma ao outro lado do planeta. Nos dias 10 e 11 de outubro, a pequena localidade de Nannup, no coração da Austrália Ocidental, transforma-se no centro das atenções da modalidade, acolhendo os melhores especialistas e centenas de amadores numa luta intensa pelas prestigiadas camisolas arco-íris.

Com menos de mil participantes oriundos de diversos países, esta quinta edição do Mundial promete corridas espetaculares numa região já reconhecida pelos amantes do gravel graças à tradicional Seven Gravel Race, prova integrada há vários anos na UCI Gravel World Series.

 

Florestas, terra vermelha e milhares de metros de subida

 

O Vale de Blackwood servirá de palco a uma competição marcada pela dureza do terreno e pela beleza das paisagens australianas. Os percursos atravessam extensas florestas, plantações de pinheiros e zonas agrícolas, combinando estradas de terra, cascalho vermelho, argila compactada e superfícies técnicas que exigirão máxima concentração dos atletas.

A prova mais longa estará reservada aos Elites masculinos e aos escalões masculinos entre os 19 e os 49 anos, que enfrentarão 144 quilómetros e mais de 3.700 metros de desnível acumulado. Já a corrida feminina de elite decorrerá ao longo de 125,6 quilómetros, com cerca de 3.180 metros de subida. Os escalões mais veteranos disputarão uma distância de 90 quilómetros, igualmente marcada por exigentes setores de gravel.

As sucessivas colinas espalhadas pelo percurso deverão fragmentar o pelotão desde cedo, preparando um final seletivo onde apenas os mais fortes terão hipóteses de vestir a camisola de campeão do mundo.

 

Campeões em título sob pressão

 

A competição feminina surge recheada de talento internacional. A neerlandesa Marianne Vos, antiga campeã mundial da disciplina, volta a apresentar-se como uma das grandes favoritas ao triunfo. Contudo, terá forte oposição por parte da compatriota Wendy Oosterwoud, que assinou uma temporada consistente na Gravel World Series.

A esperança australiana recai sobre Nicole Frain e Tiffany Cromwell. Frain destacou-se com várias vitórias ao longo da época, enquanto Cromwell chega altamente motivada depois de conquistar a Seven Gravel Race de Nannup por três ocasiões, conhecendo como poucas cada metro dos trilhos locais.

Entre as principais candidatas figuram ainda a sul-africana Ashleigh Moolman-Pasio e a argentina Sofía Gómez Villafañe, ambas habituadas a brilhar nos mais importantes eventos internacionais de gravel.

 

Vermeersch tenta repetir o feito

 

Na corrida masculina, todas as atenções estarão voltadas para o belga Florian Vermeersch, campeão mundial em título e determinado a conservar a coroa conquistada na temporada passada.

Contudo, a concorrência promete ser feroz. A poderosa seleção belga apresenta várias alternativas de luxo, entre elas Lukas Malezsewski, Stan De Wulf e Daan Soete. Também o checo Petr Vakoč, o britânico Connor Swift, o dinamarquês Mads Würtz Schmidt e o norte-americano Keegan Swenson surgem entre os candidatos aos lugares cimeiros.

Depois de um longo calendário de qualificação disputado em diferentes continentes, a temporada internacional de gravel chega agora ao seu momento decisivo. Em Nannup, entre trilhos poeirentos, subidas implacáveis e paisagens selvagens, serão finalmente conhecidos os novos campeões do mundo da UCI Gravel para 2026.

Fonte: UCI

“Lombardia Sem Rei: Pogačar Fica de Fora e Abre a Porta a uma Nova Era em Como”


Por: José Morais

O último Monumento da temporada prepara-se para escrever um capítulo inédito. Pela primeira vez em seis anos, o Il Lombardia terá um vencedor diferente de Tadej Pogačar, o homem que dominou a clássica italiana de forma absoluta desde 2021. Com a ausência do esloveno, a edição de 2026 apresenta-se como uma das mais imprevisíveis dos últimos tempos.

No sábado, 10 de outubro, o pelotão enfrentará 239 quilómetros entre Bergamo e Como, num percurso exigente que acumula cerca de 4.600 metros de desnível positivo e nove subidas. Será uma jornada de desgaste constante, desenhada para separar os mais fortes e decidir o derradeiro Monumento do calendário.

Ao contrário das últimas temporadas, não existe um favorito incontestável. A ausência do pentacampeão da prova deixa o cenário completamente em aberto e transforma cada ataque numa potencial jogada vencedora.

 

Evenepoel vê finalmente o caminho livre para a vitória

 

Entre os grandes candidatos destaca-se Remco Evenepoel. O campeão europeu tem sido uma das figuras mais consistentes em Lombardia e chega a esta edição depois de dois segundos lugares consecutivos. Sem Pogačar no alinhamento, o belga surge naturalmente como uma das principais referências para conquistar a clássica das folhas mortas.

A dureza do percurso favorece as suas características e poderá oferecer-lhe a melhor oportunidade de vencer pela primeira vez nas estradas que terminam junto ao Lago de Como.

 

Percurso promete seleção natural até aos quilómetros finais

 

A corrida inicia-se em Bergamo e entra rapidamente num terreno acidentado. As ascensões a Selvino, Colle di Berbenno e Valpiana irão provocar o primeiro desgaste significativo, antes da passagem por Giovenzana.

Mais adiante surge a lendária Madonna del Ghisallo, um dos locais mais simbólicos da história do ciclismo. A cerca de 60 quilómetros da meta, esta subida poderá começar a revelar quem ainda terá forças para discutir o triunfo.

Daí para a frente, a prova entra na sua fase decisiva, onde a resistência física e a capacidade de recuperação serão colocadas à prova.

 

Dupla passagem por San Fermo pode decidir tudo

 

O desfecho concentra-se nos arredores de Como. Depois da primeira passagem por San Fermo della Battaglia, os corredores enfrentam Civiglio, uma subida curta mas extremamente exigente, com rampas capazes de provocar diferenças importantes entre os favoritos.

Quando o pelotão regressar a San Fermo della Battaglia pela segunda vez, restarão apenas cerca de cinco quilómetros para a meta. A partir desse ponto, o vencedor poderá emergir de um ataque na subida ou de uma descida agressiva em direção a Como.

A combinação entre inclinações duras e um final técnico favorece ciclistas explosivos, capazes de subir ao mais alto nível sem comprometer a velocidade nas descidas.

 

Pidcock, Ciccone e a nova geração sonham com a glória

 

Num ano marcado pela ausência da grande referência da prova, vários nomes acreditam poder aproveitar a oportunidade.

Tom Pidcock apresenta um perfil ideal para um final técnico e montanhoso, enquanto Giulio Ciccone surge motivado perante uma corrida desenhada para escaladores agressivos. Ambos possuem recursos para fazer a diferença nas últimas dificuldades.

A lista de candidatos inclui ainda Paul Seixas, Matteo Jorgenson e Isaac del Toro, corredores com capacidade para resistir ao ritmo brutal de uma clássica de quase 240 quilómetros. Já Davide Piganzoli chega moralizado após recentes exibições de destaque e poderá assumir o papel de surpresa da jornada.

 

O Monumento que encerra a temporada

 

Depois de Milão-San Remo, Volta à Flandres, Paris-Roubaix e Liège-Bastogne-Liège, chega o momento de fechar o ciclo dos Monumentos de 2026.

Tradicionalmente considerada a mais montanhosa das cinco grandes clássicas, Lombardia volta a apresentar um traçado exigente que privilegia trepadores e corredores completos. Este ano, porém, existe um ingrediente adicional: a certeza de que haverá um novo nome inscrito no troféu.

Sem o campeão das últimas cinco edições, o Il Lombardia regressa à incerteza que torna o ciclismo tão fascinante. E, quando o pelotão entrar em Como, apenas um corredor terá o privilégio de inaugurar uma nova era na clássica italiana.

“Jonas Vingegaard de Olho no Inferno de Sallanches: Dinamarca Acredita que o Mundial de 2027 Pode Reescrever a História”


Por: José Morais

Depois de anos afastado das grandes provas de seleções, Jonas Vingegaard poderá estar prestes a encarar um dos maiores desafios da sua carreira. O percurso brutal do Campeonato do Mundo de 2027, em Sallanches, surge como um cenário quase feito à medida do dinamarquês, e as palavras do selecionador nacional deixam antever que a possibilidade está cada vez mais em cima da mesa.

Durante grande parte da sua trajetória no ciclismo profissional, Vingegaard raramente apostou nos Campeonatos do Mundo ou da Europa. As poucas tentativas realizadas acabaram por não produzir os resultados esperados e, em 2026, voltou a ficar ausente das grandes decisões internacionais. Contudo, o desenho do percurso previsto para 2027 poderá alterar completamente esse panorama.

O selecionador da Dinamarca, Michael Mørkøv, admitiu que o tema já desperta interesse dentro do grupo e reconheceu que o traçado francês parece encaixar de forma quase perfeita nas características do vencedor das três Grandes Voltas. Sem revelar conversas aprofundadas sobre o assunto, destacou que tanto ele como Vingegaard têm plena consciência da magnitude do desafio que os espera em Sallanches.

 

Uma montanha-russa de 265 quilómetros e 5.700 metros de desnível

 

O Mundial de Sallanches promete ser um dos mais exigentes da era moderna. Com um percurso de 265 quilómetros e cerca de 5.700 metros de desnível acumulado, a corrida será disputada num circuito repleto de ascensões que obrigará os corredores a um desgaste constante ao longo do dia.

Para muitos especialistas, trata-se de um desenho que favorece claramente os trepadores. Num cenário de elevada dureza, corredores capazes de manter ritmos elevados nas subidas partem com vantagem. E é precisamente nesse capítulo que Vingegaard construiu a sua reputação como um dos atletas mais dominadores da sua geração.

No entanto, a montanha não conta toda a história. As corridas de um dia exigem mudanças de ritmo permanentes, acelerações explosivas e uma capacidade de resposta imediata a ataques sucessivos. São características distintas das provas por etapas, onde a gestão do esforço assume um papel mais determinante.

 

Entre os planos da Visma e o sonho da camisola arco-íris

 

A eventual presença de Vingegaard dependerá também da estratégia traçada pela Visma-Lease a Bike. A equipa neerlandesa tem tradicionalmente dado prioridade aos grandes objetivos da temporada, especialmente ao Tour de France, e qualquer preparação para um Mundial desta dimensão exigirá um programa específico.

Com o estatuto que alcançou nos últimos anos, o dinamarquês encontra-se numa fase da carreira em que pode começar a explorar metas diferentes. Depois de conquistar as três Grandes Voltas, a camisola arco-íris surge naturalmente como uma das poucas distinções de topo que ainda faltam no seu palmarés.

Há ainda um fator competitivo impossível de ignorar: a presença provável de Tadej Pogačar. O esloveno continua a ser apontado como um dos grandes favoritos para um percurso desta natureza, o que transformaria Sallanches num palco de sonho para mais um capítulo da rivalidade que tem marcado o ciclismo contemporâneo.

Falta ainda mais de um ano para a grande corrida, mas as expectativas começam a crescer. O percurso é brutal, o desafio é enorme e a questão permanece em aberto: estará Jonas Vingegaard preparado para lutar finalmente pela glória mundial com as cores da Dinamarca?

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
  • Diretor: José Manuel Cunha Morais
  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
  • Periodicidade: Diária
  • Registado: Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº: 125457
  • Proprietário e Editor: José Manuel Cunha Morais
  • Morada: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Redacção: José Morais
  • Fotografia e Vídeo: José Morais, Helena Morais
  • Assistência direção, área informática: Hugo Morais
  • Sede de Redacção: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Contactos: Telefone / Fax: 219525458 - Email: josemanuelmorais@sapo.pt noticiasdopedal@gmail.com - geral.revistanoticiasdopedal.com