sexta-feira, 9 de outubro de 2026

“Mistério no Mundial: Dois Jovens Talentos de Ruanda Desaparecem Após Competição em Montreal”


Por: José Morais

Dois corredores da seleção de Ruanda permanecem desaparecidos desde o final dos Campeonatos do Mundo de Ciclismo de 2026, realizados em Montreal, no Canadá. Os atletas não regressaram ao país com o restante da comitiva e, até ao momento, o seu paradeiro continua por esclarecer.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa ruandesa, os ciclistas em causa são Kevin Nshutiraguma, da categoria sub-23, e Pacifique Byusa, atleta júnior. Ambos terão abandonado o hotel da equipa por iniciativa própria pouco depois da competição, sem comunicar os seus planos aos responsáveis da delegação.

Perante o desaparecimento, a Federação Ruandesa de Ciclismo iniciou uma investigação interna para tentar reconstituir os últimos movimentos dos corredores e perceber o que aconteceu após a sua saída do alojamento oficial. Nenhum dos dois acompanhou a equipa na viagem de regresso a Kigali.

Durante os campeonatos, Nshutiraguma e Byusa participaram nas provas de contrarrelógio das respetivas categorias. O atleta sub-23 alinhou ainda na corrida de fundo, mas não conseguiu concluir a competição.

O caso surge num contexto delicado para muitos praticantes do ciclismo ruandês, frequentemente confrontados com dificuldades económicas e limitações estruturais que têm afetado o desenvolvimento da modalidade no país. Estas preocupações já foram várias vezes apontadas por atletas e dirigentes locais.

Esta não é, aliás, a primeira situação semelhante envolvendo corredores ruandeses em competições internacionais. Em 2022, Samuel Mugisha, vencedor da Volta ao Ruanda de 2018, desapareceu nos Estados Unidos após viajar para participar no Maryland Cycling Classic. Na altura, imagens de videovigilância captaram o ciclista a abandonar o aeroporto na companhia de duas pessoas que, segundo as investigações, lhe eram familiares.

Embora existam precedentes que alimentam várias hipóteses sobre o desaparecimento dos dois jovens atletas, as circunstâncias do caso continuam envoltas em incerteza. Até agora, não foi registado qualquer pedido de asilo por parte de Nshutiraguma ou Byusa junto das autoridades canadianas.

A ausência de respostas mantém a federação, os familiares e a comunidade ciclística em alerta, enquanto prosseguem as tentativas para localizar os dois corredores e esclarecer os motivos que estiveram na origem do seu desaparecimento.

“IL LOMBARDIA FECHA A TEMPORADA DOS MONUMENTOS COM TRANSMISSÃO INTEGRAL NO EUROSPORT E NA HBO MAX”


Por: Vasco Simões

Foto: Eurosport/Getty Images

A temporada dos Monumentos chega ao fim este sábado com uma das corridas mais emblemáticas do ciclismo mundial. Il Lombardia, conhecida como a «Clássica das Folhas Caídas», disputa a sua 120.ª edição e volta a reunir alguns dos melhores corredores do pelotão internacional num dos desafios mais exigentes do calendário. Disputada pela primeira vez em 1905, a prova conquistou um lugar de destaque na história da modalidade, sendo um dos cinco Monumentos e a última a realizar-se em cada temporada. Fausto Coppi, com cinco vitórias, é uma das grandes figuras da sua história, um recorde que Tadej Pogačar igualou com o triunfo em 2025.

A edição de 2026 liga Bergamo a Como ao longo de 239 quilómetros e cerca de 4600 metros de desnível acumulado, num percurso com nove subidas que promete testar a resistência e a capacidade de ataque dos principais candidatos. Depois de uma sequência inicial de dificuldades nod Pré-Alpes, com passagens por Selvino, Colle di Berbenno e Valpiana, os corredores seguem em direção ao Lago de Como e à emblemática subida à Madonna del Ghisallo, com inclinações que chegam aos 14%. A decisão deverá ganhar forma no circuito final de 22 quilómetros em Como, que inclui as subidas a Civiglio, com 4,1 quilómetros a 10,1% de inclinação média, e San Fermo della Battaglia. O topo desta última ascensão fica a pouco mais de cinco quilómetros da meta, deixando uma derradeira oportunidade para ataques decisivos.

A grande novidade desta edição é a ausência de Tadej Pogačar, vencedor das últimas cinco edições e campeão em título. O esloveno, que triunfou consecutivamente entre 2021 e 2025, não estará presente depois da queda sofrida na Vuelta a España. A sua ausência abre a corrida a um novo vencedor e interrompe uma série de domínio que marcou profundamente a história recente de Il Lombardia. Sem o principal protagonista dos últimos anos, a luta pela vitória promete ser particularmente disputada, num percurso que favorece os trepadores e os corredores capazes de fazer a diferença nas subidas mais duras.

Entre os principais candidatos ao triunfo destaca-se Remco Evenepoel, campeão europeu de estrada e segundo classificado nas duas últimas edições. O belga terá pela frente adversários de peso, como Isaac Del Toro, quinto em 2025, e Brandon McNulty, campeão do mundo de estrada, ambos da UAE Team Emirates-XRG. Também Paul Seixas, uma das jovens figuras em ascensão no pelotão internacional, surge entre os nomes a acompanhar. Giulio Ciccone, Juan Ayuso, Matteo Jorgenson, Ben Healy e Enric Mas são outras das referências que poderão discutir a vitória numa corrida em que a dureza acumulada e a gestão do esforço serão determinantes.

A edição de 2026 não contará com a participação de ciclistas portugueses. A ausência de representantes nacionais não diminui o interesse da corrida, que apresenta um pelotão internacional recheado de candidatos e promete uma disputa aberta pela sucessão de Pogačar. Com a combinação de montanha, distância e um final particularmente exigente, Il Lombardia volta a colocar à prova os corredores mais completos do calendário, numa das últimas grandes oportunidades da temporada para conquistar um triunfo de prestígio.

O Eurosport e a HBO Max asseguram a transmissão integral de Il Lombardia, este sábado, 10 de outubro, permitindo acompanhar toda a corrida, desde a partida em Bergamo até à chegada em Como. Em Portugal, a emissão está prevista entre as 09h35 e as 16h15, no Eurosport 1 e na HBO Max. São mais de seis horas de ciclismo em direto para acompanhar a última Clássica Monumento do ano, num percurso que promete emoção até aos quilómetros finais e que irá coroar um novo vencedor depois de cinco edições consecutivas dominadas por Pogačar.

Fonte: Eurosport

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

“Dorian Godon impõe a sua lei no Piemonte e Afonso Eulálio brilha entre os melhores"


Por: José Morais

O francês Dorian Godon conquistou esta quinta-feira a 110.ª edição do Gran Piemonte, numa corrida marcada pela incerteza até aos metros finais e por um desfecho eletrizante ao sprint. O corredor da Netcompany INEOS Cycling ergueu os braços após uma exibição de grande autoridade na reta da meta, tornando-se o sucessor do mexicano Isaac del Toro, vencedor da edição de 2025.

Entre os destaques da jornada esteve o português Afonso Eulálio, da Bahrain Victorious, que alcançou um excelente sétimo lugar, confirmando o seu bom momento de forma numa das mais prestigiadas clássicas do calendário italiano.

Após 4h06m19s de corrida, Godon revelou-se o mais forte no sprint decisivo, superando o dinamarquês Anthon Charmig (Uno-X), segundo classificado, e o italiano Alberto Bettiol (XDS Astana), que completou o pódio.

A prova viveu momentos de grande intensidade na fase final. Uma fuga numerosa chegou a alimentar esperanças de sucesso, mas o pelotão manteve a situação controlada. A formação UAE acelerou o ritmo nos quilómetros decisivos, procurando colocar Isaac del Toro na luta pela vitória. O mexicano respondeu com vários ataques e conseguiu destacar-se na companhia de Finn Fisher-Black, da Red Bull-BORA, deixando para trás grande parte dos adversários.

A dupla chegou a sonhar com o triunfo, mas a perseguição organizada pelo grupo principal acabou por anular a vantagem já dentro do último quilómetro. Com tudo novamente em aberto, a corrida foi decidida ao sprint, cenário em que Godon mostrou toda a sua explosão para reclamar uma vitória categórica.

O espanhol Pau Martí, da NSN Cycling Team, também assinou uma prestação de relevo ao terminar na décima posição, a apenas dois segundos do vencedor. Já o seu compatriota Jon Barrenetxea cruzou a meta no 13.º lugar.

Para Dorian Godon, este foi o sétimo triunfo da temporada e o 23.º da carreira profissional, inscrevendo o seu nome na história da clássica piemontesa como o quarto ciclista francês a vencer a prova. O último representante gaulês a consegui-lo tinha sido Richard Virenque, em 1996.

Quanto a Isaac del Toro, o foco passa agora para o próximo grande desafio da temporada: a Il Lombardia, monumento do ciclismo mundial que se disputa este sábado entre Bérgamo e Como, ao longo de 239 quilómetros.

Ficha Técnica

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