Por: Ivan Silva
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
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O ultraciclista britânico Alex
McCormack entrou para a história ao estabelecer um novo recorde mundial de
distância percorrida em sete dias. O ciclista de 28 anos completou uns
impressionantes 3.826 quilómetros, superando a anterior marca de 3.813 quilómetros
numa demonstração extrema de resistência física e mental.
A tentativa decorreu na
Alemanha, ao longo das margens do rio Mosela, nas proximidades da cidade de
Koblenz. McCormack pedalou continuamente num percurso com um perfil
praticamente plano, composto por uma ida e volta com cerca de 150 quilómetros.
Durante uma semana inteira, repetiu o mesmo trajecto vezes sem conta,
enfrentando desgaste acumulado, privação de sono e condições climatéricas
extremamente adversas.
Mais de
18 horas por dia em cima da bicicleta
Para alcançar o novo máximo
mundial, McCormack passou em média 18 horas e meia por dia a pedalar. O pouco
tempo restante era dividido entre refeições rápidas, recuperação física e
curtos períodos de descanso.
Os últimos dias da tentativa
transformaram-se num verdadeiro teste de sobrevivência. Nas derradeiras 40
horas do desafio, o britânico dormiu apenas uma hora. A fadiga tornou-se tão
extrema que a equipa de apoio recorreu a métodos pouco convencionais para o
manter acordado. Um dos momentos mais insólitos aconteceu quando McCormack
começou a cantar músicas de karaoke com um elemento da equipa técnica para
combater o sono.
Quando o relógio marcou o
final oficial dos sete dias, ainda faltavam cerca de quatro quilómetros para
concluir a última volta. No entanto assim que o tempo terminou, o britânico
desmontou imediatamente da bicicleta. Segundo a sua equipa de apoio, encontrava-se
completamente esgotado.
Chuva,
frio e até neve complicaram a missão
Além do desgaste físico
natural de um esforço desta dimensão, McCormack teve ainda de lidar com
condições meteorológicas muito difíceis. Durante vários dias enfrentou chuva
persistente, temperaturas baixas e até neve, algo que tornou a tentativa ainda
mais dura.
As condições obrigaram-no a
usar múltiplas camadas de roupa para combater o frio, comprometendo parte da
eficiência aerodinâmica. Mesmo assim, o britânico conseguiu manter um ritmo
impressionante ao longo da semana.
A equipa de apoio desempenhou
um papel decisivo durante toda a tentativa. O grupo trabalhou dia e noite para
garantir alimentação constante, hidratação adequada e pequenas pausas
estratégicas. Um dos maiores desafios passou precisamente pela ingestão calórica
necessária para sustentar o esforço extremo.
14 mil
calorias por dia para alimentar o corpo
Durante os sete dias do
recorde, McCormack consumiu cerca de 14 mil calorias por dia, um valor
absolutamente extraordinário quando comparado com as necessidades de um adulto
médio.
Entre bebidas energéticas,
hidratos de carbono rápidos, refeições líquidas e alimentos de digestão fácil,
toda a estratégia nutricional foi desenhada para evitar que o corpo entrasse em
colapso energético. Em provas de ultra resistência, o equilíbrio entre ingestão
calórica e capacidade digestiva torna-se muitas vezes tão importante quanto a
própria condição física.
Uma
bicicleta preparada ao detalhe
Para esta tentativa histórica,
McCormack utilizou uma Canyon Speedmax CFR especialmente modificada. A
bicicleta de contrarrelógio recebeu vários componentes aerodinâmicos
adicionais, optimizados para reduzir ao máximo a resistência ao vento durante
os milhares de quilómetros percorridos.
O britânico já possui um
currículo sólido nas disciplinas de ultra ciclismo e BTT. Em 2025, ganhou
notoriedade ao estabelecer outro recorde impressionante: subir de bicicleta o
equivalente à altitude do Monte Evereste duas vezes em menos de 21 horas.
Com apenas 28 anos, Alex
McCormack continua a afirmar-se como um dos nomes mais extremos do
ultraciclismo mundial, numa modalidade onde os limites físicos e mentais são
constantemente levados ao extremo.







