sábado, 18 de abril de 2026

“Andar de bicicleta sem capacete ou fazer uma infração pode dar multa? As regras que muitos desconhecem e que podem sair caras”


Por: José Morais

A bicicleta ganhou espaço nas cidades portuguesas. É económica, sustentável e, para pequenas deslocações, muitas vezes mais rápida do que o carro. Mas há um detalhe que continua a surpreender muitos utilizadores: apesar de não exigir carta de condução, pedalar implica cumprir o Código da Estrada na íntegra.

Infelizmente, nas nossas estradas apesar de muitos automobilistas não cumprirem as regras de transito nem respeitar os ciclistas, também existe o contrário, e são os ciclistas que não respeitam, colocando em perigo a sua vida, já que são sempre o elo mais fraco.

Em Portugal, os ciclistas são legalmente equiparados a condutores e as bicicletas a veículos. Isto significa que todas as regras aplicáveis aos restantes utilizadores da via pública também se estendem a quem circula sobre duas rodas. E sim, há multas para quem não as respeitar, apesar de muitas vezes as autoridades não atuarem, um ciclista se for autuado, se tiver carta de condução pode ser apreendida, e até retirar pontos.

Para quem ainda tem dúvidas sobre prioridades, capacete, luzes obrigatórias ou circulação em rotundas, reunimos os pontos essenciais e algumas curiosidades que podem evitar dissabores.

 

1. Onde podem circular as bicicletas

 

Os ciclistas podem utilizar a estrada, a berma, ciclovias e, em alguns municípios, faixas BUS (quando autorizado localmente). Já os passeios continuam reservados aos peões, sendo proibida a circulação de bicicletas exceto para crianças até aos 10 anos, desde que não coloquem ninguém em risco.

Tal como os automóveis, as bicicletas só podem usar o passeio para aceder a garagens, edifícios ou estacionamentos.

 

2. Prioridade: a regra é igual à dos carros

 

Com a equiparação legal, os ciclistas seguem a regra geral da prioridade: quem vem da direita tem preferência, salvo sinalização em contrário.

Nas rotundas, podem circular na via mais à direita, mas devem redobrar a atenção: os veículos que circulam mais ao centro e pretendem sair têm prioridade sobre quem segue no exterior.

 

3. Capacete: recomendado, mas não obrigatório

 

É uma das dúvidas mais frequentes. Em Portugal, o uso de capacete não é obrigatório, nem sequer em bicicletas elétricas. A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) já esclareceu este ponto várias vezes.

Ainda assim, é fortemente recomendado e continua a ser o equipamento que mais vidas salvas em caso de queda.

 

4. Sinalizar mudanças de direção

 

Sem piscas, a comunicação faz-se com as mãos. O ciclista deve sinalizar com antecedência sempre que muda de direção, garantindo que os restantes condutores percebem a manobra.

 

5. Semáforos: parar no vermelho é obrigatório

 

Tal como qualquer veículo, a bicicleta tem de respeitar a sinalização luminosa. Passar um vermelho constitui infração e pode resultar em coima.

 

6. Luzes obrigatórias: não é opcional

 

Apesar de muitos não utilizares, e mesmo à noite, entre o anoitecer e o amanhecer ou sempre que a visibilidade esteja reduzida a bicicleta deve ter:

Luz branca frontal, contínua, visível a 100 metros

Luz vermelha traseira, contínua ou intermitente, visível a 100 metros

Refletores: branco à frente, vermelho atrás e âmbar ou branco nas rodas

Em caso de avaria, a bicicleta deve ser conduzida à mão.

 

7. Circular lado a lado é permitido

 

É possível circular em pares, desde que não comprometa a segurança nem dificulte o trânsito. Dentro das localidades, o ciclista pode ocupar toda a faixa, embora deva manter-se o mais à direita possível.

 

8. Passagens para velocípedes: prioridade garantida

 

Quando existe sinalização própria, os condutores devem ceder passagem aos ciclistas que atravessem a faixa de rodagem.

 

9. Telemóvel e auriculares: as mesmas regras dos carros

 

Falar ao telemóvel enquanto se pedala é proibido. O uso de auriculares só é permitido num ouvido, para garantir que o ciclista mantém perceção sonora da envolvente.

 

10. Condução correta e transporte de cargas

 

Os pés devem estar nos pedais e as mãos no guiador, exceto para sinalizar. As rodas devem manter contacto com o solo. Para transportar objetos, é obrigatório utilizar suportes adequados, como cestos, alforges ou reboques.

 

11. Seguro de bicicleta

 

Outro dos pontos importantes que muitos esquecem, é o seguro, apesar de não ser obrigatório, deve o ciclista que anda na estrada possuir o mesmo, de responsabilidade civil, para algum percalço que possa surgir, mas também de acidentes pessoais, já que coloca a saúde do ciclista segura.

 

Porque estas regras importam

 

Portugal tem assistido a um aumento significativo de ciclistas, mas também de acidentes envolvendo bicicletas. O desconhecimento das regras continua a ser um dos principais fatores de risco. Cumpri-las não é apenas uma questão legal é uma forma de proteger a própria vida e a dos outros.

Para consulta completa do Código da Estrada, podes aceder ao documento oficial da ANSR, e mantenha-se em segurança.

http://www.ansr.pt/Legislacao/CodigoDaEstrada/Documentos/Republica%C3%A7%C3%A3o%20do%20C%C3%B3digo%20da%20Estrada.pdf

“A Volta a Itália 2026 voltará a incluir um decisivo “Quilómetro Red Bull”, alterando as dinâmicas da classificação geral”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/a-volta-a-italia-2026-voltara-a-incluir-um-decisivo-quilometro-red-bull-alterando-as-dinamicas-da-classificacao-geral

 

A Volta a Itália 2026 recupera uma das suas inovações mais vistosas. O chamado Quilómetro Red Bull regressa após a estreia em 2025, mas com ajustes significativos pensados para elevar ainda mais as apostas na luta pela geral.

A principal mudança introduzida pela organização é a relocalização deste ponto bonificado. Nesta edição, ficará muito mais próximo da meta em 20 das 21 etapas, ficando excluído apenas o contrarrelógio individual da etapa 10. Esta alteração redefine por completo o seu impacto estratégico. Os três primeiros a passar no Quilómetro Red Bull somam bonificações de 6, 4 e 2 segundos, respetivamente, num momento muito mais decisivo do final de cada etapa.

Para lá deste ponto intermédio, o único outro local para recuperar tempo será a meta, onde o vencedor de etapa arrecada 10 segundos de bonificação. Neste contexto, cada passagem pelo Quilómetro Red Bull torna-se um campo de batalha essencial para os candidatos à Maglia Rosa.

A proximidade à linha abre a porta a múltiplos cenários táticos: ataques tardios, acelerações dos favoritos ou manobras coordenadas de equipa para controlar ou fracionar a corrida no momento crítico.

 

A Volta a Itália 2025

 

A influência da iniciativa ficou clara na sua estreia. Isaac Del Toro, segundo da geral e vencedor da classificação de jovens, acumulou 14 segundos de bonificação graças às suas passagens neste ponto.

Este número sublinha como margens mínimas podem revelar-se decisivas numa Grande Volta, sobretudo na primeira metade, quando muitas vezes determina quem lidera a corrida e molda as táticas que daí nascem mais tarde.

Com este redesenho, a Volta a Itália aposta em finais mais incisivos e abertos. Cada etapa ganha peso estratégico, obrigando as equipas a manterem-se atentas até aos quilómetros finais. A luta pela Maglia Rosa promete, assim, ser ainda mais cerrada, com cada segundo a contar e o Quilómetro Red Bull a consolidar-se como um dos elementos mais influentes na configuração da corrida italiana.

“A estrela mais comercial do ciclismo” - Bruyneel e Martin sobre o potencial contrato de ‘8 milhões por ano’ que a UAE tem à espera de Paul Seixas”


Por: Miguel Marques

Em parceria com: https://ciclismoatual.com

Pode visualizar este artigo em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/a-estrela-mais-comercial-do-ciclismo-bruyneel-e-martin-sobre-o-potencial-contrato-de-8-milhoes-por-ano-que-a-uae-tem-a-espera-de-paul-seixas

 

Esta semana, apenas a Brabantse Pijl e o Gran Camiño ocuparam a atualidade competitiva, mas os dias mais calmos permitiram destrinçar a semana do Paris-Roubaix e também da Volta ao País Basco, que revelou a nova estrela do ciclismo, Paul Seixas, “a estrela mais vendável” da modalidade segundo Johan Bruyneel e Spencer Martin.

“Ele já era o corredor mais popular, mas isto levou-o a outro nível. Ele é o rei da Bélgica neste momento, Wout Van Aert”, disse Bruyneel no podcast The Move. “Acho que é mais do que merecido. Estávamos todos à espera disto. Mais uma vez, esteve muito forte. Posso dizer que o Pogacar foi talvez mais forte, mas o Van Aert correu com muita inteligência”.

A corrida viu Pogacar e Mathieu van der Poel sofrerem avarias significativas cedo, longe da meta. Van Aert também teve problemas, mas recuperou mais rápido e, no final, teve pernas para atacar o grupo no setor de Orchies e depois aguentar o ritmo de Pogacar durante a última hora de prova no ‘Inferno do Norte’.

“Pessoalmente, continuo a acreditar que o Mathieu van der Poel foi o mais forte na corrida. Mas o Paris-Roubaix é o que é. De repente, colocou-o numa situação em que, quando tens dois minutos de atraso após a Floresta de Arenberg, isso devia ser fim de linha… Foi fim de linha, mas ele ficou muito perto”.

Nos quilómetros finais, van der Poel ainda conseguiu colar-se ao grupo perseguidor, mas ficou a escassos segundos do duo Pogacar–Van Aert, que já liderava a corrida nessa fase. O triunfo de Van Aert trouxe ar fresco a um cenário de monumentos/Campeonato do Mundo dominado pelos mesmos três corredores nos últimos anos.

“Também sou fã do Pogacar, mas sei que quando alguém é dominante e depois não vence, isso mexe com toda a gente. Ok, finalmente alguém o bateu. Também é emocionante”. Spencer Martin estava no lado oposto, a torcer por Pogacar. Um triunfo não só completaria o seu lote de monumentos como abriria a porta a uma provável conquista dos cinco no mesmo ano, algo nunca conseguido, embora tenha sido o primeiro da história a subir ao pódio de todos no mesmo ano, em 2025.

“Quase numa perspetiva perversa, pensei: ‘Quero ver se o Pogacar consegue ganhar todas as corridas em que alinhar em 2026’. Quero ver até onde chega o ridículo. Mas tens razão, é bom que não tenha ganho”.

 

Paul Seixas: Decathlon ou UAE?

 

Na Volta ao País Basco, a prova montanhosa de seis etapas poderia, nas circunstâncias certas, ter visto Paul Seixas, o mais jovem em prova, vencer todos os dias. Apesar da concorrência forte, o francês foi simplesmente inatingível nas jornadas-chave.

Após o contrarrelógio inicial, no qual abriu de imediato um fosso relevante sobre os rivais, “toda a gente percebeu ‘ok, este é o vencedor’. Na segunda etapa, todo o pelotão, todos os rivais, sabiam: ‘Já sabemos quem vai ganhar o País Basco’”, afirma Bruyneel. “Acontecesse o que acontecesse nas etapas, ele estava noutro patamar”.

Depois das Ardenas, as negociações sobre o seu futuro serão retomadas, ainda que nunca tenham parado totalmente. Não são só a Decathlon e a UAE que disputam o seu próximo contrato (o atual termina no final de 2027). Também a Red Bull - BORA - Hansgrohe e a INEOS Grenadiers já estarão envolvidas.

Onde quer que corra, com o talento e potencial que exibe, o custo será elevadíssimo. Segundo a dupla, com acesso ao agente de Seixas e às conversas de bastidores, o valor em cima da mesa iguala o salário de Tadej Pogacar: 8 milhões de euros por ano.

“Acho que, pelo país de onde vem e pela qualidade que tem, pode ser, pelo menos pelo seu potencial, a estrela mais vendável do ciclismo”, defende Martin. “Mas são 8 milhões por ano. Em cinco anos, é um investimento de 40 milhões de euros”. Justifica-se pagar já este salário a um corredor que ainda não correu uma Grande Volta?

“É demais. Quer dizer, é o que o Pogacar ganha. É ridículo, é demasiado. Se o Pogacar ganha 8 milhões de salário, como justificas 8 milhões para o Paul Seixas?” contrapôs Martin: “Bem, não seria para este ano. Seria para daqui a dois anos”.

Há, no entanto, nuances. As equipas de topo têm dificuldade em contratar novas estrelas, quase todas presas por contratos longos. Quem conseguir assinar Seixas deverá segurá-lo por muitos anos e, se corresponder ao potencial, será um ativo inestimável para qualquer estrutura.

Só neste inverno, as rescisões contratuais de corredores como Remco Evenepoel (agora Red Bull - BORA - Hansgrohe), Juan Ayuso (agora na Lidl-Trek) e Oscar Onley (que foi para a INEOS Grenadiers) custaram vários milhões, sem contar com salários. Os números no ciclismo nunca foram tão altos e, talvez, esse seja um valor que várias equipas, incluindo a Decathlon, em crescimento e que poderá até contar com o apoio do presidente francês Emanuel Macron, estarão dispostas a pagar.

Mas há riscos óbvios: “Já vimos tantos jovens corredores… Alguns ganharam uma Volta a França quando eram novos. ‘Ah, agora vai ganhar três ou quatro ou cinco’. Nunca mais o voltaram a ganhar. Não digo que seja o caso do Seixas, mas é muito, muito cedo para falar de um contrato desse calibre”.

Em breve haverá novidades e, embora lhe reste um ano e meio de contrato, é praticamente certo que um acordo surgirá antes. “Se fores a Decathlon, não te podes dar ao luxo de falhar isto”, sustenta Martin, chamando-lhe a oportunidade de uma vida para uma equipa que, até há pouco, estava longe das grandes.

“Imagina que poupas, dizes que 8 milhões é demais. Ele vai para a UAE e ganha cinco Tours. Ficas a parecer um idiota, certo?” Só o futuro dirá o que Paul Seixas representará para o ciclismo e com que equipa.

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
  • Diretor: José Manuel Cunha Morais
  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
  • Periodicidade: Diária
  • Registado: Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº: 125457
  • Proprietário e Editor: José Manuel Cunha Morais
  • Morada: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Redacção: José Morais
  • Fotografia e Vídeo: José Morais, Helena Morais
  • Assistência direção, área informática: Hugo Morais
  • Sede de Redacção: Rua do Meirinha, 6 Mogos, 2625-608 Vialonga
  • Contactos: Telefone / Fax: 219525458 - Email: josemanuelmorais@sapo.pt noticiasdopedal@gmail.com - geral.revistanoticiasdopedal.com