sexta-feira, 31 de julho de 2026

“Paula Blasi: A ascensão fulminante da estreante que já chega ao Tour como protagonista”


Por: José Morais

Paula Blasi já não pedala na sombra. A espanhola que há poucos meses conciliava treinos com estudos e trabalho entra este sábado no Tour de França Feminina como uma figura observada, analisada e temida. A vitória na La Vuelta apagou o anonimato e empurrou-a para o centro das atenções, obrigando-a a estrear-se na prova mais longa e exigente da história recente: 1.175 quilómetros, 18.795 metros de desnível e um juiz implacável à espera o Mont Ventoux.

A estreia chega carregada de simbolismo. Paula Blasi continua a ser uma novata, mas já não é uma incógnita. O paradoxo acompanha-a desde o primeiro dia: aprender enquanto todos a observam.

 

O salto para o profissionalismo

 

Até há pouco tempo, Paula Blasi dividia o ciclismo com a vida académica e um emprego. A profissionalização mudou tudo: descanso tornou-se treino, alimentação virou estratégia, e cada detalhe passou a contar.

“Agora preciso de encarar isto como trabalho. Não é só prazer, há partes duras que também fazem parte”, admite.

Num Tour de nove etapas, essa gestão invisível dormir bem, recuperar, controlar o desgaste pesa tanto quanto a força das pernas.

 

Uma estreante com estatuto

 

Blasi não chega sozinha ao desafio. No UAE Team ADQ, partilha responsabilidades com Elisa Longo Borghini e Mavi García, duas veteranas que lhe oferecem margem para errar, aprender e arriscar.

Mavi García, aos 41 anos, funciona como bússola: lê fugas, percebe o vento, antecipa o caos do pelotão. Blasi observa, absorve, replica.

 

A rota mais dura de sempre

 

O percurso desta edição é um teste de resistência e nervos:

Etapas planas três dias para ganhar ritmo e evitar quedas.

Média montanha três etapas onde o desgaste começa a pesar.

Contrarrelógio em Dijon o primeiro momento de verdade.

Jura e Mont Ventoux dois monstros que decidem destinos.

Final em Nice explosivo, técnico, com o col d’Èze repetido até à exaustão.

O Ventoux, com 15,7 km a 8,8%, será o ponto de viragem para todas.

 

As rivais que moldam o Tour

 

A luta pela camisola amarela promete intensidade máxima:

Pauline Ferrand-Prévot a defensora do título.

Demi Vollering sempre à caça da coroa perdida.

Kasia Niewiadoma imprevisível, ataca onde ninguém espera.

Anna van der Breggen, Marlen Reusser, Longo Borghini, Backstedt, Gery um pelotão sem espaço para distrações.

Paula Blasi entra como aprendiz… e ameaça.

 

O verdadeiro desafio

 

O Tour não exige que Paula Blasi vença. Exige que sobreviva:

às primeiras etapas nervosas, ao contrarrelógio que revela demasiado, ao Ventoux que destrói ilusões, e ao dia seguinte, sempre ao dia seguinte.

“Jonas Vingegaard afasta cenário de retirada e promete continuar a deixar marca no pelotão”


Por: José Morais

Jonas Vingegaard, estrela da Visma e um dos nomes mais influentes do ciclismo mundial, garantiu que não está a ponderar abandonar a carreira tão cedo. O dinamarquês, de 29 anos, assegura que pretende cumprir integralmente o contrato que o liga à equipa até 2028, afastando rumores sobre uma possível retirada antecipada.

Numa entrevista à TV2, Vingegaard explicou que o futuro permanece em aberto, mas que não sente qualquer urgência em fechar o capítulo competitivo. “Se em 2028 perceber que já não tenho motivação, então será o momento de parar. Mas também posso continuar. Neste momento, não sei quando será a despedida”, afirmou o ciclista, que marcou presença na partida da segunda etapa da Volta à Dinamarca prova onde o colega Wout van Aert tem dominado.

Com humor, comentou ainda o ambiente da corrida: “Estão a pedalar nas estradas onde costumo treinar”, disse, entre sorrisos, durante a visita.

 

Ambição intacta e novos objetivos no horizonte

 

Jonas Vingegaard sublinhou que ainda há muito por conquistar. A motivação, garante, continua a ser alimentada pelas corridas que nunca venceu.

“Existem muitas provas onde ainda não deixei a minha marca, e isso empurra-me para a frente”, explicou. Este ano, somou triunfos inéditos no Giro, na Volta à Catalunha e na ParisNice três marcos que reforçam a ambição de repetir o feito em 2027.

 

Regresso às competições ainda indefinido

 

Depois da queda que o obrigou a abandonar o Tour na 15.ª etapa, com fratura da clavícula, o dinamarquês admite que o calendário para o resto da temporada continua em aberto.

“Sinto-me melhor. Já não tenho dores e consigo mexer o braço. Não ficará exatamente como antes, mas o regresso ainda não foi discutido. Depende da recuperação total”, afirmou.

“Wout Van Aert domina a etapa rainha e transforma a chuva dinamarquesa em espetáculo”


Por: José Morais

Wout van Aert assinou uma exibição de autoridade na etapa mais dura do Tour da Dinamarca, conquistando a terceira vitória consecutiva e reforçando a preparação para a Volta a Espanha. Num dia marcado por chuva persistente, quedas, ataques sucessivos e um percurso de 202,9 km entre Fredericia e Vejle, o belga da Visma-Lease a Bike mostrou porque continua a ser um dos corredores mais completos do pelotão internacional.

 

Chuva, caos e uma fuga teimosa

 

A etapa rainha começou com quatro dinamarqueses a animarem a corrida: Emil Schandorff Iwersen, Boas Lysgaard, Andreas Stokbro e Aksel Bech Skot-Hansen. O quarteto chegou a ter três minutos de vantagem, mas a Visma e a UnoX mantiveram o pelotão sob controlo.

A 81 km do fim, um acidente espetacular dividiu o grupo, embora sem afetar os principais candidatos. Mais tarde, a chuva voltou a ser protagonista: Ashlin Barry escorregou numa curva, obrigando Wout Van Aert a desviar-se pela relva para evitar nova queda. O belga manteve-se firme, trocou de bicicleta e regressou rapidamente ao pelotão.

 

Christophe Laporte abre caminho, Van Aert fecha contas

 

Com a fuga a perder força, a Visma acelerou. Christophe Laporte lançou o primeiro ataque sério nas rampas de Vejle, levando consigo Van Aert e reduzindo o grupo a uma elite de perseguidores.

A 15 km da meta, Wout Van Aert atacou com decisão. Lukas Kubis foi o único a responder de imediato, enquanto outros nomes como Alexander Kamp, Søren Kragh Andersen e Pier-André Côté tentavam manter-se na luta.

Na última subida, Laporte voltou a mexer, mas o pelotão compacto anulou o movimento. Van Aert não esperou pela linha: lançou o sprint a 800 metros do fim, resistiu à aproximação de Kubis e abriu espaço suficiente para celebrar com autoridade.

 

Hat-trick histórico e liderança reforçada

 

Wout Van Aert venceu com margem confortável, seguido por Kubis e Laporte. O belga ampliou a vantagem na geral para 20 segundos, tornando-se o primeiro ciclista desde Ivan Basso (2005) a vencer três etapas consecutivas no Tour da Dinamarca.

 

Classificação após a etapa rainha

 

1.º Wout van Aert líder destacado

2.º Lukas Kubis +20s

3.º Christophe Laporte +30s


Ficha Técnica

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