Por: Miguel Marques
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O processo relacionado com a
Operação Prova Limpa continua a fazer correr muita tinta e vai voltar aos
tribunais em outubro. Adriano Quintanilha, antigo responsável máximo da W52-FC
Porto, e um inspetor da Polícia Judiciária serão julgados por alegadamente
terem participado na criação de um esquema destinado a afastar
responsabilidades do empresário no âmbito da investigação ao maior caso de
doping do ciclismo português, que manchou profundamente a sua imagem.
A primeira sessão do
julgamento está agendada para 7 de outubro, no Tribunal de Felgueiras.
A decisão de pronunciar os
dois arguidos foi tomada pelo Tribunal de Instrução Criminal de Penafiel, em
setembro de 2025, depois de ter validado na totalidade a acusação apresentada
pelo Ministério Público. Tanto Adriano Quintanilha como o inspetor da PJ tinham
solicitado a abertura da fase de instrução, mas os argumentos apresentados não
impediram o avanço do processo para julgamento.
Segundo a acusação, citada
pela agência Lusa, Adriano Sousa, conhecido no meio do ciclismo como Adriano
Quintanilha, e o inspetor da Polícia Judiciária terão elaborado um documento
destinado a demonstrar que a estrutura da equipa desconhecia qualquer prática
relacionada com doping.
De acordo com o Ministério
Público, a iniciativa surgiu na sequência das buscas realizadas em abril de
2022, no âmbito da Operação Prova Limpa. A acusação sustenta que Adriano Sousa,
então preocupado com as consequências disciplinares e criminais do processo,
terá recorrido ao apoio de um inspetor da PJ com quem mantinha uma relação de
amizade e que partilhava o «mesmo sentimento de apego à equipa W52-FC Porto e
ao ciclismo».
As autoridades consideram que
ambos terão criado um Código de Conduta ao qual foi atribuída, de forma
alegadamente falsa, a data de janeiro de 2022, anterior às buscas efetuadas
pelas autoridades. O documento incluía disposições que procuravam demonstrar
que qualquer infração às normas antidopagem cometida por ciclistas ou pelo
diretor desportivo teria ocorrido «à revelia, contraindicação e com o total
desconhecimento da Associação» e do respetivo presidente.
Posteriormente, o documento
terá sido apresentado a Nuno Ribeiro e aos corredores da equipa para recolha de
assinaturas. Segundo a acusação, Adriano Quintanilha terá defendido que a
assinatura do documento era necessária para «proteger a equipa de ciclismo» e
garantir a continuidade do trabalho desenvolvido pela estrutura.
O Ministério Público refere
ainda que um dos atletas apenas assinou o documento depois de lhe ter sido
transmitido que não receberia o salário caso recusasse fazê-lo.
Face aos factos investigados,
Adriano Quintanilha, a Associação Calvário Várzea e o inspetor da Polícia
Judiciária respondem pelo crime de falsificação de documento. O antigo
dirigente enfrenta igualmente uma acusação por coação, enquanto o elemento da PJ
está também acusado de favorecimento pessoal.
Este não é o único processo
judicial relacionado com a antiga estrutura da W52-FC Porto. No processo
principal da Operação Prova Limpa, Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro já foram
condenados a penas de prisão efetiva de quatro anos e nove meses. Ambos recorreram
da decisão e aguardam o desfecho dos respetivos recursos.


