quinta-feira, 24 de setembro de 2026

“Paula Ostiz Resiste ao Inferno de Mont-Royal e Leva Espanha ao Top-20 do Mundial Sub-23”


Por: José Morais

Paula Ostiz voltou a demonstrar a sua raça nos Campeonatos do Mundo de Estrada Sub-23, terminando como a melhor espanhola na exigente corrida disputada em Montreal. A ciclista navarra concluiu a prova na 16.ª posição, a 1 minuto e 4 segundos da vencedora, a eslovaca Viktória Chladonová, após um percurso de enorme desgaste físico.

A competição feminina Sub-23 decorreu ao longo de 134 quilómetros num dos traçados mais duros da temporada internacional. O circuito de Mont-Royal, percorrido por dez vezes, apresentou uma seleção natural desde os primeiros quilómetros, com a longa ascensão da Camillien-Houde a provocar diferenças significativas no pelotão.

Num cenário de elevada exigência, Ostiz soube gerir o esforço e garantiu um lugar entre as melhores da classificação final, destacando-se como a espanhola mais bem colocada da prova.

Na luta pelo título mundial, Viktória Chladonová e a canadiana Isabella Holmgren conseguiram escapar à concorrência e chegaram isoladas à reta da meta. O desfecho foi decidido ao sprint, com a jovem eslovaca a revelar maior potência nos metros finais para conquistar a cobiçada camisola arco-íris.

A medalha de bronze ficou nas mãos da belga Fleur Moors. Depois de integrar o grupo da frente durante parte da corrida, a corredora perdeu contacto com as duas futuras protagonistas da decisão, mas acabou por ser a mais rápida entre as perseguidoras, assegurando o último lugar do pódio.

 

Mont-Royal voltou a fazer estragos

 

O percurso canadiano apresentou-se como um verdadeiro teste à resistência. As dez voltas ao circuito acumularam cerca de 2.690 metros de desnível positivo, transformando a corrida numa batalha de sobrevivência onde apenas as mais fortes conseguiram manter-se na disputa pelos lugares cimeiros.

Embora afastada da discussão pelas medalhas, Paula Ostiz confirmou a sua consistência ao terminar entre as vinte primeiras classificadas, assinando uma prestação sólida perante algumas das maiores promessas do ciclismo mundial.

Para Chladonová, a vitória em Montreal representa uma recompensa há muito perseguida. Depois de ter ficado às portas do ouro nos Mundiais de Kigali, onde terminou como vice-campeã tanto na prova de fundo como no contrarrelógio Sub-23, a eslovaca alcançou finalmente o topo do mundo. O triunfo surge apenas alguns dias depois de ter sido quarta classificada no contrarrelógio em Montreal, reforçando o excelente momento de forma da nova campeã mundial.

“Índia conquista o Mundial de Ciclismo: Pune prepara-se para receber a elite mundial em 2032”


Por: José Morais

A União Ciclista Internacional (UCI) voltou a alargar os horizontes da modalidade e escolheu a Índia como palco do Campeonato do Mundo de Ciclismo de Estrada de 2032. A cidade de Pune será a anfitriã da competição, marcando uma estreia histórica para o país mais populoso do planeta e reforçando a crescente aposta indiana nos grandes eventos desportivos internacionais.

O anúncio foi feito durante o congresso da UCI, realizado em Montreal, e representa um passo significativo para uma nação que procura ganhar protagonismo no panorama mundial do ciclismo. Com mais de 1,4 mil milhões de habitantes, a Índia terá pela primeira vez a oportunidade de acolher a principal prova do calendário internacional de estrada.

O presidente da UCI, David Lappartient, destacou a importância da decisão, sublinhando que o Campeonato do Mundo chegará pela primeira vez ao território indiano. Na corrida à organização da prova, Pune superou a candidatura das regiões neerlandesas de Groningen e Drenthe, que ficaram com a organização dos Mundiais de Estrada e Paraciclismo de 2034.

A escolha surge numa fase de forte crescimento do ciclismo na cidade indiana. Este ano, Pune organizou a sua primeira grande corrida por etapas internacional, uma prova da categoria 2.2 que reuniu 28 equipas. Em poucos anos, a cidade passou de estreante no calendário internacional a futura anfitriã da mais prestigiada competição de ciclismo de estrada do mundo.

Apesar do entusiasmo, os desafios são consideráveis. Embora a Índia tenha registado progressos nas disciplinas de pista e nas competições asiáticas, continua a procurar afirmar-se ao mais alto nível no ciclismo de estrada. A realização do Mundial poderá funcionar como um catalisador para o desenvolvimento da modalidade, impulsionando investimentos, estruturas de formação e o aparecimento de novas gerações de ciclistas.

 

Mundial integrado numa estratégia olímpica

 

A atribuição do Campeonato do Mundo encaixa também numa estratégia mais ampla do país. A Índia pretende candidatar-se à organização dos Jogos Olímpicos de 2036 e vê a receção de grandes competições internacionais como uma oportunidade para demonstrar capacidade organizativa, infraestruturas modernas e ambição global.

Depois de levar o Mundial de Estrada pela primeira vez ao continente africano, com a realização da prova em Ruanda, a UCI prossegue a sua política de expansão geográfica. Em 2032, a camisola arco-íris será disputada pela primeira vez nas estradas indianas, abrindo um novo capítulo na história do ciclismo mundial e levando a modalidade a um dos mercados mais vastos e promissores do planeta.

“Ivo e Rui Oliveira garantidos até 2029: UAE Emirates blinda dupla portuguesa e reforça aposta no talento nacional”


Por: José Morais

Foto: Rodrigo Rodrigues/FPC

A UAE Emirates assegurou a continuidade de Rui Oliveira e Ivo Oliveira até 2029, prolongando a ligação com os dois corredores portugueses que integram a estrutura desde 2019. A equipa mantém, assim, a confiança numa dupla que se tornou uma peça importante nas mais variadas frentes da formação, desde as clássicas às grandes corridas por etapas.

Ao longo das últimas temporadas, os irmãos gémeos afirmaram-se como elementos de enorme utilidade no coletivo, destacando-se pela capacidade de trabalho, versatilidade e experiência adquirida tanto na estrada como na pista. A formação dos Emirados considera que ambos tiveram um papel relevante no crescimento da equipa e pretende continuar a contar com o seu contributo nos próximos anos.

Rui Oliveira viveu em 2025 uma temporada particularmente marcante. Depois de conquistar a medalha de ouro olímpica na prova de madison, ao lado de Iúri Leitão, nos Jogos de Paris 2024, o ciclista português alcançou também a sua primeira vitória com as cores da UAE Emirates. O triunfo surgiu em solo nacional, ao vencer a derradeira etapa da Volta a Portugal, com chegada ao Porto.

Já Ivo Oliveira continua a consolidar o seu percurso como um corredor cada vez mais capaz de conciliar o trabalho em prol da equipa com ambições pessoais. Especialista em esforços individuais, sobretudo em contrarrelógios e prólogos, o português protagonizou a época mais produtiva da sua carreira. Apesar de não ter vencido em 2025, somou resultados consistentes que reforçam o estatuto conquistado nos anos anteriores, entre os quais se destaca o título nacional de fundo, alcançado pela segunda vez na carreira.

 

Equipa assegura continuidade de vários pilares

 

Além da renovação dos dois portugueses, a UAE Emirates confirmou ainda a permanência de vários corredores considerados importantes para a estrutura. O norueguês Vegard Stake Laengen prolongou contrato até 2027, enquanto o alemão Felix Grossschartner e o dinamarquês Julius Johansen, vencedor de duas etapas da Volta a Portugal, ficam ligados à equipa até 2028.

Também o esloveno Domen Novak viu o seu vínculo estendido, permanecendo na formação até ao final de 2029, numa clara demonstração da estratégia da UAE Emirates em preservar a base do plantel para as próximas temporadas.

Ficha Técnica

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