terça-feira, 13 de outubro de 2026

“Fé acima da competição: Safiya Al Sayegh despede-se do ciclismo profissional aos 25 anos.


Por: José Morais

Pioneira do ciclismo feminino nos Emirados Árabes Unidos, Safiya Al Sayegh anunciou o fim da sua carreira desportiva, escolhendo seguir integralmente as suas convicções religiosas após uma longa reflexão pessoal.

Aos 25 anos, Safiya Al Sayegh colocou um ponto final numa trajetória que marcou profundamente o ciclismo dos Emirados Árabes Unidos. Reconhecida internacionalmente por competir de hijab e vestuário integral, a atleta tornou-se uma figura única no pelotão profissional feminino e uma referência para muitas jovens atletas muçulmanas.

A decisão surge após um intenso processo de reflexão interior, durante o qual a ciclista procurou encontrar equilíbrio entre a paixão pela competição e o compromisso com os princípios da sua fé. Segundo revelou, os últimos anos foram marcados por um conflito emocional que a levou a questionar se conseguiria continuar a conciliar a alta competição com as exigências religiosas que considera fundamentais na sua vida.

Al Sayegh entrou para a equipa UAE Team ADQ em 2022 e rapidamente se destacou como uma das principais representantes do ciclismo do seu país. Durante a carreira conquistou vários títulos nacionais, alcançou resultados de relevo em competições asiáticas e representou os Emirados Árabes Unidos em grandes eventos internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos.

Em 2026 transitou para a equipa de desenvolvimento dos Emirados Árabes Unidos, projeto que terminará no final da temporada. No entanto, a conclusão da estrutura não foi o único motivo por detrás da sua retirada. A decisão pessoal de privilegiar a sua fé acabou por assumir um peso determinante.

A atleta explicou que optou por seguir aquilo que considera ser o caminho correto de acordo com as normas religiosas que orientam a sua vida, mesmo que isso significasse abdicar da modalidade que a acompanhou durante uma década. A escolha representa, segundo as suas próprias palavras, um ato de obediência espiritual e fidelidade às suas crenças.

Mais do que uma colecionadora de resultados, Safiya tornou-se uma embaixadora do crescimento do ciclismo feminino nos Emirados. Participou ativamente em programas de formação e desenvolvimento de jovens talentos, ajudando a criar oportunidades para novas gerações de ciclistas e contribuindo para aproximar o nível competitivo do Médio Oriente ao panorama europeu.

Ao longo dos anos, assumiu também o papel de símbolo da representação feminina no desporto do seu país, defendendo que o ciclismo podia abrir portas para muitas jovens emiradenses que sonham alcançar o profissionalismo.

Na mensagem de despedida, destacou o orgulho de tudo o que conquistou dentro e fora das estradas, agradecendo à família, aos amigos, às equipas e a todos os que a apoiaram ao longo da caminhada. Sublinhou ainda que deseja ser recordada não apenas pelas vitórias, mas pela forma como procurou transmitir valores de respeito, bondade e alegria, enquanto mostrava ao mundo uma imagem positiva do Islão.

Fora do universo competitivo, Safiya Al Sayegh continuará ligada à sociedade emiradense através do seu trabalho institucional e profissional. Licenciada em Design Gráfico pela American University in Dubai, integra também o conselho do Dubai Sports Council, mantendo uma ligação próxima ao desenvolvimento do desporto no país.

Com a sua retirada, encerra-se um capítulo singular no ciclismo internacional. No entanto, permanece o legado de uma atleta que desafiou barreiras culturais, inspirou uma nova geração e escolheu seguir, até ao fim, o caminho ditado pelas suas convicções.

“Villanueva del Pardillo pedala pelo futuro: 200 mulheres transformam as estradas numa celebração do ciclismo”


Por: José Morais

Villanueva del Pardillo voltou a afirmar-se como uma das referências do ciclismo feminino ao receber cerca de duas centenas de participantes na iniciativa “Women in Bike”, promovida pela Real Federação Espanhola de Ciclismo. A jornada juntou desporto, convívio e inclusão, num ambiente marcado pela paixão pelas duas rodas e pela promoção da participação feminina na modalidade.

Ao longo do dia, as ciclistas puderam escolher entre percursos de estrada e de BTT, desfrutando de diferentes desafios adaptados aos seus níveis de experiência e preparação física. Com condições meteorológicas favoráveis, o evento decorreu num ambiente de entusiasmo e partilha, reforçando os valores de união e crescimento do ciclismo feminino.

A vertente de estrada conduziu as participantes por um percurso de 72 quilómetros através de várias localidades da Comunidade de Madrid, enquanto a opção de BTT permitiu explorar os trilhos e paisagens naturais de Villanueva del Pardillo através de um circuito flexível, ajustável às capacidades de cada atleta.

A iniciativa contou ainda com a presença de duas figuras de destaque do ciclismo paralímpico espanhol: Manuela Vos, campeã mundial na categoria WH1, e Maribel Toro, medalhada nos Campeonatos da Europa. A participação das duas atletas reforçou a mensagem de inclusão e acessibilidade que caracteriza o projecto Women in Bike, demonstrando que o ciclismo é um espaço aberto para todos.

Entre os momentos mais aguardados esteve o sorteio de seis bicicletas de montanha da marca Rali, uma acção que animou ainda mais as participantes e acrescentou um atractivo especial à jornada.

 

Os mais jovens também subiram para a bicicleta

 

O ciclismo não foi apenas para os adultos. A actividade Kids On Bike reuniu mais de cinquenta crianças, proporcionando uma primeira experiência de contacto com a modalidade num ambiente seguro, divertido e educativo.

A iniciativa procurou incentivar hábitos saudáveis e despertar o interesse das novas gerações pelo ciclismo, complementando um programa repleto de actividades para todas as idades.

 

União de esforços para um evento de sucesso

 

A Real Federação Espanhola de Ciclismo destacou o apoio fundamental da Câmara Municipal de Villanueva del Pardillo, cuja colaboração foi decisiva para a realização do evento. O organismo agradeceu igualmente o contributo dos vários parceiros e patrocinadores, entre os quais Rali, Infisport, iGPSPORT, AMMO, Atlas Bike e Mitsubishi.

Com cerca de 200 participantes, dezenas de jovens envolvidos e uma forte mensagem de inclusão, o encontro voltou a demonstrar o crescimento do movimento Women in Bike e a crescente importância do ciclismo feminino em Espanha. Uma festa das duas rodas que uniu gerações e mostrou que o futuro da modalidade continua a ganhar força a cada pedalada.

“Escândalo abala seleção britânica: Matthew Richardson afastado do mundial de pista em Xangai”


Por: José Morais

A participação de Matthew Richardson no Campeonato do Mundo de Ciclismo de Pista sofreu uma reviravolta inesperada. O velocista, uma das principais figuras da seleção britânica, foi retirado da equipa pela Federação Britânica de Ciclismo após o surgimento de alegações graves relacionadas com comportamento impróprio e comentários considerados racistas.

A decisão foi tomada quando a delegação britânica já se encontrava em Xangai, palco da competição mundial. De acordo com informações divulgadas pela imprensa britânica, Richardson está a ser alvo de uma investigação interna que procura apurar denúncias de discriminação e linguagem ofensiva.

O corredor vive um dos períodos mais marcantes da sua carreira desportiva. Campeão europeu de velocidade e keirin, Richardson somou também duas medalhas de prata e uma de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris. Pouco depois desse evento, protagonizou uma mudança de bandeira ao deixar de representar a Austrália para passar a competir oficialmente pela Grã-Bretanha.

As acusações que motivaram a investigação indicam que o ciclista terá feito comentários depreciativos dirigidos a pessoas negras, além de alegadamente ter utilizado, em tom de brincadeira, expressões racialmente ofensivas. As denúncias desencadearam uma resposta imediata por parte da federação, que optou por afastá-lo da competição enquanto o processo decorre.

Embora Richardson já estivesse integrado no estágio da seleção em Xangai, a sua ausência numa sessão de treino realizada esta segunda-feira levantou dúvidas sobre a sua situação. Horas depois, a Federação Britânica de Ciclismo confirmou oficialmente que o atleta tinha sido excluído da convocatória para o Mundial.

Num comunicado divulgado anteriormente, o organismo responsável pelo ciclismo britânico reiterou a sua política de tolerância zero perante casos de assédio, intimidação ou discriminação, sublinhando que todas as denúncias são analisadas de forma rigorosa e de acordo com os procedimentos internos estabelecidos.

Enquanto a investigação prossegue, o futuro desportivo de Richardson permanece envolto em incerteza, num caso que já está a gerar forte impacto no ciclismo internacional e a dominar as atenções nos bastidores do Mundial de Xangai.

Ficha Técnica

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