quarta-feira, 4 de novembro de 2026

“Guerra pelo top 30: Bardiani acusa rivais da Euskaltel de “manipular resultados” e admite levar caso à justiça desportiva”


Por: José Morais

A exclusão da Bardiani CSF 7 do grupo das 30 melhores equipas do ranking da UCI continua a gerar polémica e ameaça transformar-se num caso jurídico internacional. A histórica formação italiana falhou a permanência no Top 30 e vê agora comprometida a presença nas Grandes Voltas da próxima época, incluindo o Giro d’Italia, numa situação que coloca em causa o próprio futuro da equipa.

O principal alvo das críticas é a Euskaltel-Euskadi, formação basca que protagonizou uma recuperação surpreendente nos últimos meses da temporada. Apostando num calendário alternativo e somando pontos em provas disputadas em diferentes continentes, a equipa conseguiu ultrapassar vários rivais diretos e assegurar um lugar entre as 30 formações melhor classificadas da UCI.

A estratégia não convenceu Bruno Reverberi, responsável máximo da Bardiani, que lançou acusações duras contra a Euskaltel e a formação italiana Solution Tech. Em declarações ao podcast Bla Bla Bike, o dirigente garantiu acreditar que existiu coordenação entre equipas e organizadores de corridas para beneficiar determinados projetos e prejudicar diretamente a estrutura italiana.

Segundo Reverberi, algumas provas terão sido utilizadas de forma estratégica para permitir a acumulação de pontos decisivos, nomeadamente uma corrida realizada no Panamá. O dirigente sustenta que determinadas equipas tiveram acesso privilegiado a oportunidades competitivas enquanto outras ficaram afastadas da luta pelos pontos necessários para garantir a permanência entre a elite.

“Fomos prejudicados por um sistema que favoreceu interesses específicos. Houve corridas organizadas de uma forma que nos deixou sem capacidade de resposta”, afirmou o veterano responsável italiano, que não esconde o descontentamento com aquilo que considera ter sido uma clara desigualdade competitiva.

A Bardiani diz já ter comunicado as suas preocupações à União Ciclista Internacional e admite avançar para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS/CAS). Reverberi garante que a equipa reuniu documentação sobre o caso e considera que a situação merece uma investigação aprofundada.

No final da temporada, a Euskaltel conseguiu dar um salto significativo no ranking mundial, ultrapassando a linha de corte necessária para assegurar um lugar entre as 30 melhores equipas. Essa ascensão acabou por deixar a Bardiani fora das posições que garantem o acesso privilegiado às principais competições do calendário internacional.

Enquanto a equipa basca celebra uma das maiores recuperações do ano, a formação italiana prepara-se para uma batalha fora da estrada, convencida de que a luta pelo Top 30 não foi decidida apenas pelos resultados desportivos. A polémica promete continuar nos próximos meses e poderá mesmo chegar aos tribunais, num caso que está a dividir opiniões no mundo do ciclismo profissional.

“Do topo do mundo ao risco do anonimato: Sam Bennett aproxima-se do fim da carreira sem o adeus que merece”


Por: José Morais

Durante vários anos, o nome de Sam Bennett foi sinónimo de velocidade pura. O ciclista irlandês protagonizou algumas das épocas mais dominadoras entre os sprinters do pelotão internacional, acumulando triunfos nas maiores corridas do calendário e rivalizando com os melhores finalizadores da sua geração. No entanto, o cenário em 2026 é muito diferente: o antigo vencedor da camisola por pontos do Tour de France enfrenta a possibilidade de encerrar a carreira longe dos holofotes que um dia conquistou.

 

Entre problemas de saúde e falta de oportunidades: uma época para esquecer

 

A temporada de 2026 ficou marcada por dificuldades em série para Bennett. Uma intervenção cardíaca, através de uma ablação, atrasou o arranque da sua época e comprometeu a preparação física. O regresso à competição aconteceu mais tarde do que o habitual e, desde então, o irlandês nunca conseguiu recuperar os níveis que o transformaram num dos velocistas mais temidos do mundo.

Ao serviço da equipa suíça Q36.5, os resultados ficaram aquém das expectativas. Sem alcançar qualquer vitória, Bennett passou grande parte do ano longe da discussão dos triunfos. Ainda assim, nos meses finais, deixou alguns sinais encorajadores, conseguindo classificações dentro do top 10 em provas como o Renewi Tour e o Tour da Grã-Bretanha.

Esses desempenhos, contudo, parecem não ter sido suficientes para garantir o futuro. A estrutura liderada por Tom Pidcock continua a evoluir e a aumentar a competitividade interna, reduzindo drasticamente o espaço para veteranos. Aos 36 anos, e com apenas 52 pontos UCI conquistados ao longo de 38 dias de competição oficial, o irlandês encontra-se numa posição delicada num mercado já praticamente fechado.

 

Uma carreira marcada por vitórias memoráveis

 

Independentemente do desfecho, o currículo de Bennett continua a impressionar. Ao longo da carreira somou 71 vitórias profissionais, incluindo alguns dos maiores sucessos disponíveis para um velocista.

Entre os resultados mais marcantes destacam-se as vitórias em etapas das três Grandes Voltas: três no Giro d'Italia, cinco na Vuelta a España e duas no Tour de France. A estas juntam-se ainda triunfos em corridas prestigiadas como a Paris-Nice, a Eschborn-Frankfurt e a Clássica Bruges-De Panne.

O seu momento mais alto surgiu quando conquistou a classificação por pontos da Volta a França, superando nomes históricos da especialidade, entre eles Peter Sagan. Nessa fase da carreira, Bennett era apontado como uma das referências absolutas da velocidade mundial.

 

O peso da saída da Quick-Step

 

A trajectória do irlandês também voltará a alimentar o debate em torno do chamado "efeito Quick-Step". Muitos corredores brilharam intensamente com a formação belga, mas poucos conseguiram manter o mesmo nível competitivo depois de a abandonarem.

O próprio Bennett admitiu, ao longo dos anos, que algumas decisões tiveram impacto na sua carreira, nomeadamente as ausências no Tour de France em momentos importantes da sua passagem pela Quick-Step e também no regresso à BORA. Curiosamente, uma das frases que deixou ficou gravada como uma espécie de previsão involuntária: não queria ser visto como mais um dos corredores que saíram da Quick-Step e deixaram de vencer.

Hoje, essa realidade parece difícil de ignorar.

 

Ainda haverá uma última oportunidade?

 

Apesar das dificuldades, o mercado de transferências nem sempre fecha todas as portas. A experiência, o nome e o histórico de Bennett continuam a ter valor no pelotão internacional, e não seria surpreendente que alguma equipa lhe oferecesse uma derradeira oportunidade.

Ainda assim, o cenário mais provável aponta para uma despedida discreta de um corredor que, durante alguns anos, foi simplesmente um dos melhores velocistas do planeta. Um final agridoce para uma carreira que conheceu o topo do ciclismo mundial e que merece ser recordada muito para além dos resultados das últimas temporadas.

“Agenda”


Pista e Paraciclismo marcam fim de semana no Velódromo Nacional de Sangalhos

 

Fotos: Pista Masters: João Calado / FPC - Paraciclismo: Licínio Florêncio / FPC

O Velódromo Nacional de Sangalhos, em Anadia, recebe este fim de semana duas importantes competições de pista do calendário nacional e o desfecho da Taça de Portugal de Paraciclismo, sendo do seu exterior que vai ser dada a partida. A segunda e última prova da Taça de Portugal de Pista para Masters será no sábado, dia 7 de novembro e o Campeonato Nacional de Pista 2026 tem lugar no domingo, mesmo dia em que se realiza a sexta e última ronda da Taça de Portugal de Paraciclismo, que decidirá os vencedores da competição.

A jornada de sábado será dedicada à decisão da Taça de Portugal de Pista para elites amadores e masters. A competição arranca às 09h30, com provas de Scratch, seguindo-se as provas de Pontos e Eliminação, para os vários escalões masculinos e femininos.

Do programa competitivo fazem também parte as provas de Paraciclismo, para as classes B, C1-C3 e C4-C5, em Quilómetro e Eliminação. O Velódromo Nacional de Sangalhos será, assim, palco da atribuição dos últimos pontos que vão definir os vencedores da Taça de Portugal de Pista de 2026.


Já no domingo, dia 8, o mesmo recinto acolhe o Campeonato Nacional de Pista 2026, também destinado a elites amadores e masters. Em disputa estarão os títulos nacionais nas disciplinas de Scratch, Pontos e Eliminação, além, mais uma vez, das competições de Paraciclismo em Quilómetro e Eliminação, tal como no dia anterior. Os novos Campeões Nacionais serão encontrados após um programa que tem início novamente às 09h30.

Também no domingo realiza-se a sexta e última prova da Taça de Portugal de Paraciclismo. A corrida terá partida simbólica às 13h45, junto ao Velódromo Nacional de Sangalhos e partida real às 13h55, na Zona Industrial do Paraimo. Os atletas irão percorrer um circuito de 2530 metros durante uma hora mais uma volta, numa prova que definirá os vencedores finais da edição de 2026 da competição.

 

Mais eventos oficiais:

 

7 de novembro: 5.º Encontro de Escolas de BTT de Marvila, Lisboa

7 de novembro: Passeio BTT Noturno? Na Rota da Água-Pé, Miranda do Corvo

8 de novembro: 4.ª Taça da Madeira de Enduro / Mini Enduro - SOMEQ 2026, Calheta (Madeira)

8 de novembro: Granfondo Portimão, Portimão

8 de novembro: 17.º BTT Terras de Almagra, Almagreira

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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