sexta-feira, 25 de setembro de 2026

“Fim de uma Era? UCI Prepara Revolução Histórica nas Bicicletas de Competição Após Três Décadas”


Por: José morais

A União Ciclista Internacional (UCI) deu o primeiro passo para uma das mais profundas transformações regulamentares da história do ciclismo moderno, ao anunciar a revisão integral da chamada Carta de Lugano, o documento que, há cerca de 30 anos, define as regras fundamentais para as bicicletas e equipamentos utilizados nas competições oficiais.

Criada para garantir condições de igualdade entre os corredores e evitar que a tecnologia se sobreponha ao talento dos atletas, a regulamentação manteve praticamente intactos os seus princípios essenciais desde meados da década de 1990. Contudo, a rápida evolução dos materiais, da engenharia e do desenvolvimento tecnológico levou a que muitos setores da indústria considerem hoje essas normas desajustadas à realidade atual.

A revisão agora anunciada poderá abrir caminho a alterações significativas em várias áreas, incluindo o peso mínimo das bicicletas, a geometria dos quadros, os sistemas de transmissão e outros componentes técnicos utilizados no pelotão profissional.

 

Peso mínimo volta ao centro do debate

 

Entre os temas que mais atenção despertam encontra-se a possível revisão do limite mínimo de 6,8 quilogramas, estabelecido no ano 2000. Quando esta regra foi introduzida, a utilização da fibra de carbono encontrava-se ainda numa fase inicial e existiam preocupações legítimas relacionadas com a resistência e a segurança dos equipamentos.

Hoje, porém, os avanços tecnológicos permitem fabricar bicicletas extremamente leves sem comprometer a fiabilidade estrutural. Por essa razão, engenheiros, fabricantes e especialistas têm vindo a questionar a pertinência de manter um limite definido há mais de duas décadas.

Uma eventual alteração desta norma poderá representar uma mudança significativa na conceção das bicicletas de competição dos próximos anos.

 

Novas regras para quadros e transmissões em discussão

 

Apesar de a Carta de Lugano ter permanecido praticamente inalterada, a UCI foi introduzindo ao longo do tempo algumas adaptações técnicas relacionadas com a aerodinâmica, as proporções dos tubos, a geometria dos quadros e a posição dos ciclistas sobre a bicicleta.

As futuras alterações poderão aprofundar ainda mais essa modernização, permitindo uma atualização abrangente das regras que regulam os equipamentos utilizados nas provas internacionais.

Durante o Congresso da UCI realizado em Montreal, à margem dos Campeonatos do Mundo, o organismo reconheceu que a evolução da modalidade exige uma análise profunda do atual enquadramento regulamentar.

Segundo a federação internacional, três décadas após a adoção da Carta tornou-se indispensável reavaliar o seu conteúdo, tendo em conta as mudanças tecnológicas, as novas exigências de segurança e os desafios atuais enfrentados pelo ciclismo.

 

Indústria terá voz ativa no processo

 

Uma das novidades mais relevantes deste processo será o maior envolvimento dos fabricantes e dos restantes intervenientes do setor. A UCI pretende criar um novo modelo de consulta permanente com a indústria, através da constituição de vários comités técnicos especializados.

Esses grupos de trabalho irão analisar áreas específicas como quadros, rodas, pneus, vestuário e equipamentos de proteção, permitindo que as decisões futuras resultem de uma colaboração mais próxima entre reguladores e fabricantes.

A medida foi recebida de forma positiva pelo setor, sobretudo após alguns episódios de tensão registados nos últimos anos entre a UCI e determinadas marcas. Um dos casos mais mediáticos envolveu a norte-americana SRAM, na sequência das regras que limitaram determinadas configurações de transmissão e acabaram por gerar um conflito jurídico.

 

Objetivo: implementar novas regras em 2028

 

A UCI garante que a revisão será conduzida de forma equilibrada, procurando preservar valores fundamentais como a segurança dos atletas, a justiça desportiva, a universalidade da modalidade e a sustentabilidade.

O organismo prevê apresentar uma proposta preliminar da nova Carta de Lugano no início do próximo ano. A versão definitiva deverá ficar concluída até ao final de 2027, com entrada em vigor apontada para 2028.

Caso as alterações avancem conforme previsto, o ciclismo poderá assistir à maior revolução tecnológica das suas bicicletas desde a introdução das atuais regras, marcando o início de uma nova era para equipas, fabricantes e corredores.

“Benjamim Noval arrasa em Montreal e junta a camisola arco-Íris ao ouro do contrarrelógio, ciclista português Gonçalo Costa foi 55.º”


Por: José Morais

O ciclismo espanhol voltou a celebrar uma exibição de luxo graças a Benjamin Noval, que conquistou de forma categórica o título mundial de fundo no escalão de juniores, em Montreal. O jovem talento, já assegurado pela Netcompany INEOS para integrar a estrutura da equipa a partir de 2027, assinou uma corrida de enorme autoridade e confirmou o estatuto de grande figura destes Campeonatos do Mundo.

A prova demorou a ganhar contornos decisivos, com várias tentativas de fuga a marcarem a primeira metade da corrida. Entre os mais ativos estiveram o francês Lancelot Gayant, o espanhol Luca Martinez e o norueguês Sindre Orholm, aos quais se juntaria posteriormente o belga Sander Willems. O grupo conseguiu ganhar vantagem e obrigou as seleções favoritas a assumir a perseguição.

À medida que os quilómetros finais se aproximavam, o ritmo aumentou significativamente no pelotão. Um grupo de candidatos ao pódio lançou a ofensiva, integrando corredores como Aitor Martinez, Brandon Fedrizzi, Dexter Townsend e Simon Defrance, numa tentativa clara de reduzir a diferença para os homens da frente.

A corrida mudou definitivamente de rumo quando Benjamin Noval entrou em cena. O recém-coroado campeão mundial de contrarrelógio mostrou toda a sua classe ao acelerar no grupo perseguidor e selecionar os mais fortes. Apenas Simon Defrance conseguiu acompanhar o espanhol numa primeira fase, permitindo que ambos chegassem à dianteira da competição.

Mas Noval ainda guardava a sua cartada decisiva. A duas voltas do final, lançou um ataque devastador que deixou toda a concorrência sem resposta. Com uma pedalada poderosa e um ritmo impossível de igualar, o espanhol rapidamente abriu uma vantagem confortável e iniciou uma marcha triunfal rumo à meta.

Isolado nos quilómetros derradeiros, Benjamin Noval cruzou a linha de chegada em apoteose, conquistando o segundo título mundial da semana e completando uma extraordinária dobradinha, depois do triunfo no contrarrelógio. Uma demonstração de força, talento e maturidade competitiva que o confirma como uma das maiores promessas do ciclismo internacional.

“Paratriatlo: Filipe Marques de bronze no mundial de Pontevedra”


Filipe Marques conquistou a medalha de bronze no mundial de Paratriatlo (categoria PTS5 – deficiência ligeira), disputado esta sexta-feira (25 de setembro) em Pontevedra.

Filipe Marques cumpriu os 750 metros de natação, 20 quilómetros de ciclismo e cinco de corrida, distância sprint, em 1h00.26 horas, a 20 segundos do norte-americano Chris Hammer e a quatro do alemão Martin Schulz, respetivamente campeão e vice-campeão paralímpicos em Paris2024.

No final da prova em Pontevedra, Filipe Marques emocionou-se em declarações à RTP e Agência Lusa: “Foi a repetição do pódio de Paris’2024, aquilo que eu não pude aproveitar e estou a fazê-lo este ano. Esta emoção é reflexo de muito trabalho. Acho que é a primeira vez que acabo uma prova assim”.

Em Pontevedra, dominou a parte da natação e do ciclismo, mas perdeu duas posições na corrida, o segmento no qual está mais limitado. “A época não começou com pódios, porém fui melhorando e sem dúvida que esta prova foi a melhor da temporada. Era a mais importante, foi a que eu preparei melhor “, assumiu.

Fonte: Federação Triatlo Portugal

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