segunda-feira, 1 de junho de 2026

“Não faria sentido fazer batota por 20 gramas” - Medalista olímpica perplexa com o castigo severo aplicado a Lorena Wiebes na Volta a Itália”


Por: Miguel Marques

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A expulsão de Lorena Wiebes da Volta a Itália Feminina deixou a ex-profissional dinamarquesa, medalhada olímpica de pista e analista da Eurosport, Julie Leth, convicta de uma coisa: foi um erro caro, não uma tentativa calculada de obter vantagem.

Wiebes cortou a meta em primeiro na 1ª etapa, em Ravenna, e parecia ter garantido a vitória de abertura e a primeira maglia rosa da corrida. Horas depois, o seu Giro terminou. As verificações pós-etapa detetaram a bicicleta abaixo do limite mínimo de 6,8 kg da UCI, com relatos a apontarem para uma margem de apenas 20 gramas.

Elisa Balsamo herdou o triunfo e a liderança. A Team SD Worx - Protime perdeu a velocista mais forte da corrida antes mesmo do arranque da 2ª etapa.

Ao analisar o incidente na cobertura da Eurosport Dinamarca, Leth rejeitou a ideia de que Wiebes ou a SD Worx - Protime tivessem qualquer motivo óbvio para procurar um ganho tão marginal numa etapa plana ao sprint. “Tenho absoluta certeza de que é um erro da equipa”, disse Leth. “Sei que seguem as balanças da UCI. Não faria sentido tentar enganar por 20 gramas, por isso é uma grande asneira, que custa mesmo, mesmo caro em muitos aspetos”.

 

Uma margem minúscula, um castigo enorme

 

A regra da UCI é clara. As bicicletas devem cumprir o limite mínimo de 6,8 kg, e a de Wiebes foi considerada abaixo desse patamar. Leth não defendeu que o regulamento fosse ignorado. A sua reação focou-se na dimensão da infração, no tipo de etapa e na severidade da consequência. “Consigo perceber o quão frustrante deve ser”, afirmou. “Mas, por outro lado, regras são regras, e não existem para ser quebradas. Não haveria qualquer ganho em ter uma bicicleta 20 gramas mais leve numa etapa completamente plana como uma panqueca”.

Wiebes já tinha imposto um sprint dominante em Ravenna antes do resultado ser anulado. Bateu Balsamo e Lara Gillespie num final onde pareceu, em todos os aspetos, a ciclista mais rápida em prova.

“Ela ganhou praticamente com uma perna às costas, portanto também não precisava disso”, acrescentou Leth. “Tenho absoluta certeza de que, de alguma forma, ocorreu um erro, e é um erro muito, muito caro”.

Para Wiebes, a decisão significou zero vitórias de etapa, zero camisola rosa e zero hipótese de reentrar na corrida. Para a SD Worx - Protime, transformou um dia inaugural quase perfeito numa falha de equipamento logo no arranque de um Grand Tour.

 

Balsamo assume o comando após a controvérsia com Wiebes

 

O Giro prosseguiu com uma hierarquia de sprinters alterada quase de imediato. Balsamo iniciou a 2ª etapa de rosa após herdar a abertura e depois venceu o sprint massivo em Caorle, reforçando a liderança. Gillespie regressou ao pódio, Charlotte Kool entrou na discussão, e a ausência de Wiebes deixou as etapas planas sem o seu principal referente.

A SD Worx - Protime contestou a forma como foi feita a verificação do peso, e Leth disse compreender a frustração da equipa. Admitiu também que qualquer contestação ao procedimento teria de assentar em algo mais concreto.

“Claro que é a UCI que tem a última palavra, e o equipamento também é deles, mas se achassem que tinham um caso, talvez pudessem contrariá-lo”, afirmou Leth. “Não creio que estejamos a ver nada disso aqui neste caso. Para mim, é um pouco vago”.

Wiebes continua fora do Giro, Balsamo soma duas vitórias de etapa, e a primeira grande controvérsia da corrida já está a moldar as chegadas ao sprint que se seguem.

"Foi um sonho viver todo este Giro": Afonso Eulálio conquista um lugar entre a elite do ciclismo”


Por: Miguel Marques

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Afonso Eulálio fechou este domingo uma Volta a Itália que dificilmente esquecerá. O jovem corredor da Bahrain - Victorious confirmou a conquista da camisola branca, atribuída ao melhor jovem da prova, coroando três semanas de enorme consistência naquela que foi a sua afirmação definitiva entre os nomes mais promissores do ciclismo internacional.

Na última etapa, disputada nas ruas de Roma, Jonathan Milan foi o mais forte ao sprint, não se fazendo quaisquer diferenças na geral, com Eulálio a garantir uma das classificações mais prestigiadas do Giro e concluindo a prova num notável sexto lugar da classificação geral.

Aos 24 anos, o ciclista figueirense foi uma das grandes figuras desta edição da corrida italiana. Além de ter vestido a camisola rosa durante nove etapas, mostrou capacidade para discutir posições com alguns dos melhores corredores do mundo nas jornadas de alta montanha, revelando uma maturidade competitiva que surpreendeu o pelotão.

Na classificação da juventude, Eulálio terminou com 1:13 de vantagem sobre Davide Piganzoli, da Team Visma | Lease a Bike. O terceiro lugar ficou entregue ao francês Mathys Rondel, da Tudor, já a 5.33 minutos do português.

O triunfo na classificação dos jovens representa um dos resultados mais marcantes do ciclismo português nos últimos anos, repetindo o feito de João Almeida na Volta a Itália 2023, e confirma o crescimento de um corredor que chegou ao World Tour há pouco tempo e que saiu de Roma como uma das revelações da temporada.

«Mais do que a camisola rosa ou a camisola branca, a minha maior satisfação é ver todas as pessoas que me rodeiam e trabalham comigo tão felizes. Chegar depois de uma etapa e ver toda a gente com um sorriso assim é algo incrível para mim. Um grande obrigado a todos e agora é tempo de saborear», declarou.

Terminada a aventura italiana, o corredor da Bahrain Victorious quer agora aproveitar o momento antes de definir os próximos objetivos da temporada, que não incluirão a Volta a França e não devem incluir a Volta a Espanha.

«Para já, quero sobretudo desfrutar do que vivi, desligar um pouco da bicicleta, e quando retomarmos, fá-lo-emos pouco a pouco antes de vermos o que poderemos fazer de novo com a equipa».

Depois de três semanas que o colocaram sob os holofotes do ciclismo mundial, Afonso Eulálio despede-se de Roma com a camisola branca nos ombros, um lugar entre os seis melhores da geral e a certeza de que o seu nome passa a fazer parte da elite da modalidade.

"Foi um Giro agridoce": Nelson Oliveira bate recorde em grandes voltas, mesmo sem estar a 100%, e elogia Afonso Eulálio”


Por: Miguel Marques

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Nelson Oliveira concluiu este domingo mais uma Volta a Itália e entrou para um grupo muito restrito da história do ciclismo. O corredor da Movistar Team chegou a Roma e igualou o registo do polaco Sylwester Szmyd, tornando-se apenas o segundo ciclista a completar 23 Grandes Voltas sem qualquer abandono.

Apesar da marca histórica, o português admite que a edição de 2026 do Giro ficou aquém das expectativas que levava para a partida.

"A verdade é que, no início do Giro, sentia-me bastante bem e esperava que a coisa até corresse bem. Mas, depois, infelizmente, tive problemas respiratórios e, depois, mais tarde, alguns problemas estomacais, o que me arrastou um bocadinho para não estar a 100%", revelou.

Os contratempos físicos impediram-no de mostrar o nível que esperava, mas não alteraram a sua postura dentro da equipa. Mesmo longe da melhor condição, continuou a desempenhar o papel habitual ao serviço da Movistar, com particular notoriedade na 4ª etapa, onde eliminou os sprinters numa subida e permitiu a Orluis Aular disputar a vitória, perdendo, na altura, para o super Jhonatan Narváez.

"Mesmo sem a melhor saúde", procurou "ajudar a equipa o melhor possível", resumiu.

A chegada à capital italiana permitiu-lhe alcançar a 23ª Grande Volta concluída da carreira, um número que o leva inevitavelmente a olhar para trás e recordar o percurso feito ao longo de mais de uma década ao mais alto nível.

"Começo a ter um bocadinho dessa noção. No final, são 23 grandes Voltas e faz-nos voltar tempos atrás e recordar como foi a minha primeira grande Volta e ver as diferenças que há. Realmente, o ciclismo mudou muito, mas sinto-me agradecido por ter chegado até aqui", assumiu.

A aventura começou na Vuelta de 2011 e, desde então, Nelson Oliveira acumulou participações nas três grandes corridas por etapas do calendário. Soma dez presenças na Volta a Espanha, nove na Volta a França e quatro na Volta a Itália.

O balanço desta edição italiana é feito sem grandes euforias, mas também sem arrependimentos.

"Foi um Giro agridoce. Nem bem, nem mal. Estou agradecido, porque cheguei a Roma, não nas melhores condições físicas, mas foi o que se pôde fazer. Por vezes, as coisas não são como nós queremos, são como nós podemos. Mas estou contente por, pelo menos, chegar a Roma são e salvo, sem grandes contratempos. Sei que dei o meu melhor, não me arrependo de nada", afirmou.

Terminada a corrida, o corredor de Vilarinho do Bairro quer agora concentrar-se na recuperação antes de pensar nos próximos compromissos.

"Vou ter um período de recuperação e veremos, depois, como o corpo estará. Agora, não quero ouvir falar de mais corridas para já, porque, quer queiramos quer não, este Giro foi bastante duro, não tanto fisicamente, mas mentalmente, e temos de recuperar bem", explicou.

Neste momento, o português figura como suplente para o Tour, numa equipa que deverá ser liderada por Cian Uijtdebroeks e Iván Romeo, mas a sua presença na prova francesa continua em aberto.

"Não sei se o farei ou não. [...] Saberemos muito em breve", referiu.

Além do seu próprio percurso, Nelson Oliveira acompanhou com satisfação a excelente prestação de Afonso Eulálio, que terminou o Giro na sexta posição da geral e conquistou a classificação da juventude.

O veterano português, que partilhou treinos com o corredor da Bahrain - Victorious antes da sua chegada ao WorldTour, considera que o resultado é fruto de uma evolução sustentada.

"Foi bastante bom e fico contente pelo Eulálio. Acho que é um corredor que soube crescer e soube entrar no WorldTour e o resultado tem-se vindo a ver. A própria equipa confiou nele e bem. Ele soube aproveitar essa oportunidade e está de parabéns", destacou.

Para Oliveira, a camisola branca conquistada pelo jovem figueirense é um prémio inteiramente merecido, depois de três semanas em que foi uma das figuras da corrida, quiçá a maior revelação.

No final da Volta a Itália, Nelson Oliveira terminou na 66ª posição da classificação geral, a 3h38m31s de Jonas Vingegaard, vencedor da prova, encerrando mais um capítulo de uma carreira que continua a acumular feitos raros no ciclismo internacional.

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