domingo, 19 de abril de 2026

“Nem sequer era suposto estar aqui” - Paula Blasi, do fundo do pelotão para a vitória na Amstel Gold Race Feminina”


Por: Miguel Marques

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A vitória de Paula Blasi na Amstel Gold Race Feminina 2026 surpreendeu o pelotão internacional e a própria vencedora. A ciclista da UAE Team ADQ assinou uma exibição de classe, selada com um ataque a solo que deixou favoritas como Katarzyna Niewiadoma-Phinney e Demi Vollering sem resposta.

Para lá do resultado, as suas palavras após a corrida traduziram perplexidade, emoção e uma honestidade pouco comum. Longe da euforia imediata, Blasi admitiu na meta que ainda não tinha interiorizado o que conseguira: “Não, acho que vou precisar de algumas semanas ou até meses para assimilar”, começou, depois de garantir o maior triunfo da sua carreira. Uma confissão que espelha a dimensão de uma vitória tão inesperada quanto brilhante.

O desfecho foi tão imprevisível quanto a própria corrida. A ciclista descreveu a confusão dos quilómetros finais: “Sinceramente, quando estava sozinha e cruzei a linha, nem sabia quantos quilómetros faltavam. Pensei ‘espero que só faltem cinco’. De repente disseram-me ‘não, tens de aguentar 21’”.

Blasi manteve-se firme apesar das exigências de uma longa fuga a solo, sustentando o andamento apesar do trabalho forte no pelotão, muitas vezes comandado pela FDJ - Suez e pela SD Worx - ProTime. “Sabia que ia ser um dia duro na frente”.

 

De descolada a líder da corrida

 

Um dos aspetos mais marcantes da sua vitória é que, minutos antes do movimento decisivo, tinha perdido o contacto com o grupo principal: “Na verdade, cinco minutos antes de atacar, tinha ficado descolada. Voltei e disse ‘ok, vamos tentar ver se consigo ajudar a equipa’”.

Essa mudança de mindset foi crucial num dia implacável: “E, de repente, dei por mim na frente. Sim, porque naquele momento a corrida estava mesmo muito dura. E como é que o fiz? Nem eu sei”.

 

“O pelotão é uma loucura”

 

Blasi sublinhou ainda a dificuldade tática da prova, sobretudo num terreno que ainda lhe era novo: “Desde o início trabalho para a equipa. Disse à equipa que estava a ter muitas dificuldades em manter a posição porque é a minha primeira corrida aqui nas Ardenas”.

A espanhola descreveu com clareza o caos no grupo: “Este pelotão é uma loucura. É bastante difícil ficar na frente. E, na verdade, essa é a parte mais importante”. Perante isso, encontrou na fuga uma solução quase improvisada: “A certa altura disse ‘vamos para a frente, se conseguires ir melhor na fuga, porque assim não tens de lutar pela posição’”.

 

Uma vitória que nem estava nos planos

 

Talvez o detalhe mais revelador tenha surgido quando recordou que a sua chamada foi de última hora: “Para ser sincera, nem sei bem, porque nem era suposto estar aqui. Fui inscrita na corrida só ontem porque tivemos algumas lesões e algumas ciclistas doentes”.

Com humildade, Blasi fechou com uma reflexão franca: “Preciso de respirar fundo e aceitar o que acabou de acontecer”.

“Resultados Amstel Gold Race 2026: Remco Evenepoel desforra-se de Skjelmose e leva a vitória ao sprint”


Por: Miguel Marques

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Remco Evenepoel venceu a edição de 2026 da Amstel Gold Race. A primeira das clássicas das Ardenas foi corrida sem grandes elaborações táticas, com o campeão olímpico a mostrar-se o mais forte nas subidas; e a bater ao sprint o defensor do título Mattias Skjelmose na reta da meta.

A prova, com 257 quilómetros, partiu de Maastricht e levou o pelotão pelas estradas onduladas e explosivas do Limburg holandês. Na fuga do dia seguiram nove corredores: Huub Artz, Filip Maciejuk, Marco Frigo, Warren Barguil, Xabier Mikel Azparren, Joseba López, Siebe Deweirdt, Valentin Retailleau e Abram Stockman.

O grupo de nove trabalhou bem, enquanto no pelotão foi a Red Bull - BORA - hansgrohe a assumir a maior fatia do trabalho ao longo do dia. Ao entrar nas últimas duas horas, a equipa alemã acelerou para travar antecipações, abrindo fendas repetidas no pelotão e acumulando fadiga numa corrida onde a resistência é decisiva.

O pelotão manteve-se relativamente compacto até 43 quilómetros do fim, quando no Kruisberg Romain Grégoire atacou, seguido por Remco Evenepoel e Kévin Vauquelin. Matteo Jorgenson, Mattias Skjelmose e Mathieu Burgaudeau também reagiram, e o movimento ganhou espaço em relação ao pelotão no momento em que alcançaram Huub Artz. Entretanto, Marco Frigo tinha-se isolado na dianteira.

Em poucos minutos, porém, o grupo partiu-se com a queda de Vauquelin, Jorgenson e Artz, enquanto Burgaudeau ficou retido atrás. O corredor da Visma foi o mais afetado. Na frente seguiram apenas Evenepoel, Skjelmose e Grégoire, que pouco depois apanhariam Marco Frigo.

Nas múltiplas ascensões, Evenepoel impôs um ritmo forte, deixando Frigo para trás e, a 22 quilómetros da meta, também Grégoire. O duo discutiu a vitória, enquanto o restante era absorvido por um grupo perseguidor.

No sprint final, Skjelmose seguia na frente, mas não teve resposta para a aceleração de Evenepoel, que se desforra assim da derrota de 2025. Na luta pelo terceiro lugar, Frigo tentou surpreender várias vezes no derradeiro setor plano, sem sucesso. Benoît Cosnefroy sprintou para terceiro no dia, fechando o pódio.

“Gabriel Baptista e João Martins conquistam 6.º lugar no Madison na Taça do Mundo de Pista”


Gabriel Baptista e João Martins terminaram em sexto lugar a prova de Madison da segunda ronda da Taça do Mundo de Pista UCI, que terminou hoje em Hong Kong. A dupla fez a sua estreia nesta disciplina este domingo e impressionou com o desempenho demonstrado ao serviço da Seleção Nacional. Em ação esteve também Daniela Campos, com a prova de Omnium, onde concluiu em 19.º lugar na classificação final.

Foi na prova de Madison que chegou a surpresa do dia, com a dupla Gabriel Baptista e João Martins a fazer a sua estreia numa competição de elite mundial na Taça do Mundo. Começaram o “desafio” em pleno, a qualificar para a final, com 12 pontos. E o melhor ainda estava para vir.

O que fizeram hoje em Hong Kong “foi muito relevante e importante para o desenvolvimento e crescimento que estão a realizar no âmbito da pista”, disse o Selecionador Nacional, Gabriel Mendes, que continuou: “Primeiro passaram as qualificações com muito mérito e competência, sempre focados nos fatores importantes de gerir na competição. Na final seguiram à risca o plano delineado, sabiam que iam entrar num domínio novo, nunca tinham feito uma prova de 50 quilómetros de Madison. A prudência nas ações a realizar e a sabedoria na gestão da energia eram fatores essenciais para evitar uma quebra, que poderia ser fatal”.

Para o selecionador nacional estiveram “extremamente bem, conseguiram dar uma volta e pontuar nos sprints, demonstrando uma atitude competitiva extraordinária e capacidade de superação essencial nesta prova. Estou muito orgulhoso do trabalho que fizeram e da participação digna e muito boa perante a responsabilidade que lhes foi atribuída, terminado num honroso sexto lugar, numa prova de extrema exigência perante a elite mundial. Estão de parabéns”.

A medalha de ouro foi para a dupla de neerlandeses Y. Havik e P. Heijnen, a prata para os franceses E. Besnier e D. Grondin e o bronze foi para L. Maclean e W. Perrett.

Daniela Campos começou por garantir um lugar na final do programa de Omnium, com o segundo lugar na prova por pontos da primeira manga qualificativa. A portuguesa prosseguiu para as quatro provas que compõe o Omnium: scratch, corrida tempo, eliminação e corrida por pontos.

Foi 16.ª classificada no scratch, ficando em 17.º lugar na corrida tempo. Na eliminação foi a 18.ª classificada e na corrida por pontos terminou na 19.ª posição. Na classificação final ficaria também em 19.º lugar, com 30 pontos.

Para Gabriel Mendes, “foi positivo e importante ultrapassarmos a fase da qualificação. É sempre um momento exigente que a Daniela soube superar”. No desenrolar do programa, o qual teve bastante exigência e nível competitivo, “sabíamos que era muito difícil ter um resultado ao nível da participação anterior na Austrália. A competição foi importante para trabalhar e fazer melhorias no processo de desenvolvimento, essenciais para progredir no futuro, com a Daniela a aprimorar vários aspetos e isso é fundamental para melhorar a nossa competência e capacidade de resposta futura para este nível de competição”.

A medalha de ouro em Omnium femininas foi para a japonesa Tsuyaka Uchino, a prata para a dinamarquesa Amalie Dideriksen e o bronze foi entregue à mexicana Yareli Mendoza Cevedo.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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