domingo, 25 de outubro de 2026

“UAE Team L’Imad conquista o mundo: profundidade, talento e regularidade levam equipa ao topo do ciclismo feminino”


Por: José Morais

A temporada de 2026 terminou com emoção até aos últimos quilómetros e consagrou a UAE Team L’Imad como a nova referência do ciclismo feminino mundial. Graças a uma sucessão de resultados de elevado nível nas derradeiras provas do calendário, a formação dos Emirados Árabes Unidos conseguiu ultrapassar a FDJ United-Suez na reta final e assegurar, pela primeira vez na sua história, o primeiro lugar do Ranking Mundial UCI por equipas.

A decisão ficou adiada até ao último fim de semana de competição. Em França, Maeva Squiban brilhou ao vencer o Chrono des Nations, enquanto Eleonora Camilla Gasparrini garantiu um lugar de destaque entre as melhores classificadas. Dias antes, o Veneto Women, em Itália, já tinha comprovado a força coletiva da formação emiradense, com várias corredoras entre as dez primeiras posições.

A soma dos pontos obtidos pelas oito melhores atletas da equipa revelou-se decisiva. Com 22.262,99 pontos acumulados ao longo da temporada, a UAE Team L’Imad terminou no topo da hierarquia mundial, invertendo o desfecho de 2025, ano em que tinha ficado atrás da formação francesa.

A luta pelo primeiro lugar foi intensa durante vários meses. A FDJ United-Suez, liderada pela número um mundial Demi Vollering, manteve-se no comando durante grande parte da época, mas acabou por ceder nos instantes finais, encerrando o ano com pouco mais de 22 mil pontos e uma diferença inferior a 300 pontos para a nova campeã mundial por equipas.

A fechar o pódio surgiu a Team SD Worx-Protime. Depois de dominar o ranking entre 2021 e 2024, a equipa neerlandesa voltou a demonstrar enorme consistência, impulsionada pelas suas principais figuras, Lorena Wiebes, Anna van der Breggen e Lotte Kopecky.

Ao longo de 2026, um total de 59 equipas provenientes de vários continentes pontuaram no Ranking Mundial Feminino da UCI, evidenciando a crescente competitividade e internacionalização da modalidade.

 

Longo Borghini confirma estatuto e Blasi afirma-se como a grande revelação

 

A força da UAE Team L’Imad não se explicou apenas pelas vitórias, mas sobretudo pela impressionante consistência do seu bloco. As oito melhores corredoras da equipa ultrapassaram a marca dos mil pontos individuais, um indicador raro e revelador da profundidade do plantel.

Entre os grandes destaques esteve Elisa Longo Borghini. A italiana voltou a demonstrar toda a sua experiência e qualidade competitiva, acumulando mais de cinco mil pontos durante a temporada. O triunfo no UAE Tour Women e a presença constante entre as melhores classificadas nas principais provas do calendário consolidaram o seu papel de líder da equipa.

Mas foi Paula Blasi quem mais chamou a atenção do pelotão internacional. A jovem espanhola, que celebrou apenas 21 anos durante a época, protagonizou uma ascensão meteórica. Depois de ter trocado o triatlo pelo ciclismo há relativamente pouco tempo, transformou-se numa das sensações do World Tour feminino.

As primeiras grandes confirmações chegaram nas clássicas das Ardenas. A vitória na Amstel Gold Race, acompanhada por prestações de destaque na Flèche Wallonne e na Liège-Bastogne-Liège, revelou uma atleta capaz de competir ao mais alto nível em terrenos exigentes.

A consagração definitiva aconteceu em Espanha. Na subida mítica ao Angliru, Blasi conquistou a liderança da classificação geral da La Vuelta Femenina e entrou definitivamente na elite internacional do ciclismo feminino.

 

Uma equipa preparada para vencer em qualquer terreno

 

A diversidade de talentos foi um dos fatores determinantes para o sucesso da UAE Team L’Imad. Enquanto algumas corredoras se destacaram nas clássicas de um dia, outras assumiram protagonismo nas provas por etapas, nos contrarrelógios ou nas chegadas mais seletivas.

No Tour de France Femmes, a formação emiradense apresentou uma das exibições coletivas mais impressionantes da temporada. Elisa Longo Borghini, Paula Blasi e Dominika Włodarczyk surgiram frequentemente entre as protagonistas da corrida, contribuindo para a conquista da classificação coletiva e demonstrando uma superioridade difícil de igualar.

Também nos Campeonatos do Mundo a equipa deixou marca. Longo Borghini e Włodarczyk obtiveram classificações de relevo tanto no contrarrelógio individual como na prova de fundo, reforçando a ideia de que a UAE Team L’Imad possuía argumentos competitivos para qualquer tipo de desafio.

No total, a equipa celebrou 30 vitórias ao longo da época. De janeiro a outubro, acumulou triunfos em diferentes países, continentes e perfis de corrida, reflexo de uma estrutura sólida, equilibrada e extremamente competitiva.

 

2027 traz novas dúvidas e desafios

 

Depois de alcançar o topo do ciclismo feminino mundial, a grande questão passa agora por saber se a UAE Team L’Imad conseguirá defender a liderança em 2027. A saída de Paula Blasi para a Movistar Team representa uma perda significativa, sobretudo tendo em conta o impacto que a jovem espanhola teve na campanha vitoriosa.

Ainda assim, a equipa demonstrou ao longo de toda a temporada que o seu verdadeiro segredo não reside numa única estrela, mas sim na qualidade coletiva do grupo. Foi precisamente essa profundidade de talento que permitiu à UAE Team L’Imad escrever a página mais importante da sua história e terminar 2026 como a melhor equipa feminina do planeta.

“Tempestade lusa marca o UCI Alentejo gravel: Três triunfos nacionais brilham em Ourique”


Por: José Morais

Ourique foi palco de uma verdadeira demonstração de força do ciclismo português na segunda edição do UCI Alentejo Gravel. Perante um pelotão internacional composto por cerca de mil atletas provenientes de 34 países, os corredores nacionais conquistaram três das quatro vitórias em disputa, deixando a sua marca numa das mais prestigiadas provas de gravel do calendário internacional.

A competição, realizada nas paisagens características do Baixo Alentejo, reuniu alguns dos melhores especialistas da modalidade e serviu igualmente como etapa de qualificação para o Campeonato do Mundo de Gravel de 2027, que terá lugar em França.

Na prova principal, com um percurso de 119 quilómetros, Filipe Francisco impôs-se entre os homens, confirmando o excelente momento de forma que atravessa. No setor feminino da distância longa, a alemã Rosa Klöser foi a mais forte e cruzou a meta na primeira posição.

Já na corrida de 85 quilómetros, Portugal voltou a celebrar. João Oliveira dominou a competição masculina, enquanto Raquel Dias foi a grande vencedora entre as mulheres, reforçando a supremacia portuguesa nesta edição do evento.

Além da luta pelas vitórias, a prova assumiu particular relevância devido ao apuramento para o Mundial de Gravel de 2027. Os atletas que terminaram entre os 25% melhores classificados dos respetivos escalões etários garantiram presença na competição internacional agendada para os dias 26 e 27 de agosto, na região de Châtel, em território francês.

No final da jornada, a organização destacou o crescimento alcançado pelo evento. O responsável da Cabreira Solutions, João Cabreiro, sublinhou o aumento expressivo da participação face ao ano anterior e o forte impacto turístico e económico gerado na região.

Com uma maioria significativa de participantes oriundos do estrangeiro, a prova reforçou o posicionamento de Ourique e do Alentejo como destinos de referência para o turismo desportivo, contribuindo para a projeção internacional do território.

Apoiado por diversas entidades locais e nacionais ligadas ao turismo e ao desporto, o UCI Alentejo Gravel continua a afirmar-se como uma das mais importantes competições da modalidade em Portugal. A combinação de estradas rurais, caminhos de gravilha e trilhos naturais voltou a atrair atletas de todo o mundo, confirmando o crescente interesse pelo gravel, disciplina que une o espírito do ciclismo de estrada à aventura do BTT.

“Uno-X alimenta sonho milionário: Jonas Vingegaard continua na mira, mas custo travará operação”


Por: José Morais

A Uno-X Mobility continua a sonhar com a contratação de Jonas Vingegaard, mas a concretização de uma das transferências mais mediáticas do ciclismo mundial esbarra numa realidade difícil de contornar: o elevado valor financeiro necessário para garantir os serviços do bicampeão da Volta a França.

O principal responsável pela formação escandinava, Thor Hushovd, admitiu recentemente que ver o dinamarquês vestir as cores da equipa seria um cenário ideal. Contudo, reconheceu que a dimensão económica de um negócio desta natureza ultrapassa largamente aquilo que a estrutura consegue suportar atualmente sem apoio externo.

O dirigente norueguês considera que qualquer equipa gostaria de contar com corredores da dimensão de Vingegaard ou de outras figuras de referência do ciclismo dinamarquês. Ainda assim, sublinhou que uma eventual investida dependeria da entrada de novos parceiros capazes de reforçar significativamente o orçamento da formação.

A estratégia da Uno-X passaria, segundo Hushovd, por encontrar empresas interessadas em associar-se a um projeto escandinavo ambicioso, criando uma base financeira sólida para tornar possível a chegada de uma das maiores estrelas do pelotão internacional.

Os números ajudam a perceber a complexidade da operação. Estima-se que Vingegaard aufira atualmente cerca de cinco milhões de euros por temporada na Visma | Lease a Bike, um valor que representaria uma fatia considerável dos recursos anuais da equipa norueguesa. Perante esse cenário, qualquer negociação exigiria um esforço financeiro sem precedentes.

Apesar dos obstáculos, a ideia de reunir os melhores talentos da Escandinávia continua a fazer parte da visão de longo prazo da Uno-X. Desde a entrada no World Tour, a equipa tem demonstrado vontade de crescer e afirmar-se entre as principais estruturas do ciclismo internacional, mantendo simultaneamente a aposta na formação e desenvolvimento dos seus próprios corredores.

As especulações em torno do futuro de Vingegaard ganharam novo fôlego após declarações de Magnus Cort, antigo corredor da Uno-X. O dinamarquês revelou que o compatriota vê a equipa norueguesa como uma opção natural caso algum dia decida abandonar a Visma. A possibilidade foi interpretada por muitos como um cenário capaz de proporcionar novos desafios e uma mudança de ambiente ao vencedor da Volta a França.

Para já, porém, o cenário permanece distante. Vingegaard mantém contrato de longa duração com a formação neerlandesa e, em diversas ocasiões, manifestou o desejo de continuar ligado ao projeto que o levou ao topo do ciclismo mundial.

Enquanto isso, na sede da Uno-X, o sonho permanece vivo. Mas entre a ambição e a realidade existe uma diferença de vários milhões de euros, um obstáculo que poderá ser decisivo na corrida por uma das figuras mais cobiçadas do ciclismo internacional.

Ficha Técnica

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