Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
Tadej Pogacar lançou uma ideia
radical para o calendário das Grandes Voltas, sugerindo que a Volta a Itália e
a Volta a Espanha troquem de lugar na época para facilitar que os corredores
apontem a várias provas de três semanas.
À margem do estágio da UAE
Team Emirates - XRG em Gran Canaria, o esloveno afirmou, em declarações
recolhidas pelo AS, que realidades de calendário enraizadas estão cada vez mais
difíceis de ignorar.
“Digo sempre que, se a Volta a
Itália e a Vuelta fossem trocadas, seria muito melhor, pelas condições
meteorológicas e porque permitiria que mais corredores participassem”, admitiu.
Pogacar continua, segundo se
relata, empenhado em fechar “o círculo” das Grandes Voltas acrescentando o
título da Vuelta em 2026, mas a dificuldade de combinar duas provas de três
semanas ao mais alto nível permanece um tema central.
Ausência
de Gran Canaria ‘é uma pena’ enquanto Pogacar elogia a base de treinos
‘paraíso’
Um elemento da Volta a Espanha
2026 já está definido: Gran Canaria não fará parte do percurso após recusar
receber etapas devido à presença da antiga equipa Israel - Premier Tech no
pelotão.
Pogacar classificou esse
desfecho como “uma pena”, por retirar a opção de terminar a corrida na ilha,
mas sublinhou que as prioridades locais são compreensíveis.
Recordou que “as corridas de
ciclismo não são a prioridade número um” e aceitou que todos os lados do debate
têm as suas razões.
Ao mesmo tempo, foi perentório
quanto ao potencial da ilha como palco da Vuelta e como centro de treinos de
alto nível. “Gran Canaria tem potencial para acolher três ou quatro etapas de
topo para a Volta a Espanha”, disse. “A ilha tem tudo para melhorar os
corredores. Tem boas estradas, pouco trânsito e bom tempo para desfrutar.
Qualquer um é capaz de evoluir graças às condições desta ilha. É a minha
primeira vez aqui, mas é uma boa forma de redefinir bem o meu treino”.
Após uma curta pausa na
off-season, Pogacar está de volta ao trabalho na Gran Canaria e vai participar
na TotalEnergies Gran Fondo Pico de las Nieves como parte da preparação, com um
objetivo claro: “explorar” a ilha. Disse ao AS que tenciona regressar, chamando
a Gran Canaria “um paraíso como base de treinos”.
Volta a
França 2026, Monumentos em falta e Mundiais de Montreal
Pogacar já analisou de perto o
percurso da Volta a França 2026, onde tentará novamente aumentar a sua coleção
de camisolas amarelas.
Desvalorizou grandes surpresas
no traçado, dizendo que é “nada de especial” em termos de mudanças, e vincou
que continuarão a ser três semanas de “subidas e etapas duras”. O que lhe
prendeu a atenção foi a Grand Départ em Barcelona, que considerou “interessante”.
“Tenho o Tour no horizonte, mas ainda falta muito”, explicou.
Fora das corridas por etapas,
Pogacar mantém duas lacunas importantes no palmarés: Milan-Sanremo e
Paris-Roubaix. Não escondeu a vontade de voltar a ambas e compensar desilusões
anteriores.
Em ambas poderá cruzar-se com
Remco Evenepoel, corredor que destacou ao abordar essas Clássicas. Chamou o
belga “um rival a ter debaixo de olho e alguém com hipóteses de vencer”, graças
à forte adaptação de Evenepoel às exigências das duas corridas.
Olhando mais além, Pogacar tem
também em mira um terceiro título mundial consecutivo em 2026, quando o
Campeonato do Mundo se disputar em Montreal. Espera um percurso “muito bonito e
difícil de ganhar”, mas afirmou que irá “dar o meu melhor” na perseguição a
outra camisola arco-íris.
Pressão, motivação e contornar
comparações com Merckx
Em 2026, Pogacar já terá oito
épocas ao mais alto nível. Encadear anos de sucesso nessa intensidade, admitiu,
muda a forma como um corredor gere a motivação e a pressão.
“Não diria que é mais difícil
motivar-te, mas a pressão é diferente e o stress à tua volta muda”, contou.
“Quando tens épocas como a última, é difícil voltar no ano seguinte e fazer
melhor”.
Isso influencia diretamente a
forma como vê os seus próprios padrões. Para Pogacar, simplesmente fazer menos
não é opção. “Do meu ponto de vista, se fizer menos na próxima época é um
problema. Tentamos atingir o mesmo nível e obter os mesmos resultados e mostrar
que conseguimos fazê-lo outra vez”, afirmou.
Também afastou comparações com
Eddy Merckx e debates sobre a hierarquia histórica da modalidade. Sobre esse
tema, foi o mais simples possível: “Cada um é como é”.
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