quinta-feira, 25 de junho de 2026

“Mireia Benito domina o contrarrelógio e faz história: queda deixa Paula Blasi fora do pódio”


Mireia Benito amplia hegemonia no contrarrelógio espanhol enquanto Paula Blasi vê medalha escapar após queda

 

Por: José Morais

Mireia Benito voltou a mostrar por que é a maior referência espanhola no contrarrelógio. A catalã conquistou o seu quarto título nacional de elite, defendendo com autoridade a camisola de campeã ao completar o percurso em 25:59, o melhor tempo do Campeonato de Espanha Feminino de 2026.

O dia de competição começou com as categorias sub-23 e elite a partilharem o mesmo circuito, num ambiente marcado por forte calor e ritmo intenso.

 

Sub-23: Laia Puigdefábregas confirma favoritismo

 

A disputa entre as jovens ciclistas ganhou forma logo cedo. Ayala Serrano estabeleceu a primeira marca relevante com 28:49, mas rapidamente Nahia Imaz elevou o nível ao registar 28:28. Goretti Sesma e Alba Codony também se mantiveram entre as melhores, mas nenhuma conseguiu superar o desempenho de Laia Puigdefábregas, que brilhou com 28:17.

O tempo da catalã permaneceu intocável até ao fim, garantindo-lhe o título espanhol sub-23 de contrarrelógio.

 

Elite: Martín e Alonso pressionam, mas Mireia Benito decide

 

Na elite feminina, Tamara Seijas abriu a tabela com 27:47, antes de Ainara Albert baixar o tempo para 27:22. A luta pelas medalhas ganhou intensidade quando Sandra Alonso assumiu a liderança provisória com 26:26.

Pouco depois, Sara Martín elevou o nível da disputa ao completar o percurso em 26:20, seis segundos mais rápida que Alonso, colocando enorme pressão sobre as últimas ciclistas a partir.

 

A queda de Paula Blasi e o desfecho da campeã

 

A reta final trouxe frustração para Paula Blasi, que sofreu uma queda e perdeu qualquer hipótese de lutar pelo pódio, terminando a prova a 19 segundos do tempo de Martín. Já Paula Ostiz também não encontrou o ritmo ideal e ficou longe das primeiras posições.

Com todas as atenções voltadas para a última ciclista a partir, Mireia Benito confirmou o favoritismo. A campeã nacional entrou no percurso com confiança, manteve um ritmo superior ao das rivais e fechou com 25:59, garantindo mais um título para o seu currículo.

 

O pódio final ficou assim definido:

 

Mireia Benito — 25:59

Sara Martín — 26:20

Sandra Alonso — 26:26

“Terremotos Paralisam o Ciclismo Venezuelano e Adiam o Nacional de Estrada”


Por: José Morais

A atividade do ciclismo venezuelano sofreu um duro revés após a série de terremotos que atingiu o país nas últimas horas. A Federação Venezuelana de Ciclismo anunciou a suspensão imediata do Campeonato Nacional de Estrada e Paraciclismo, previsto para ocorrer entre 24 e 28 de junho, em Trujillo.

 

Um país em emergência, um desporto em pausa

 

A decisão foi tomada em conjunto com a Presidência da República Bolivariana da Venezuela e o Ministério do Poder Popular para o Desporto, no âmbito do Estado de Emergência Nacional decretado pelo governo.

A prioridade, segundo o comunicado oficial, é garantir a segurança da população e direcionar todos os recursos para ações de prevenção, assistência e estabilização após os abalos sísmicos.

O campeonato reuniria mais de 250 atletas, além de equipas técnicas, árbitros e adeptos um movimento que, por agora, fica totalmente suspenso. A Federação informou que o calendário será reorganizado assim que as autoridades confirmarem o fim dos protocolos de emergência.

 

Atletas afetados: Peñuela entre os prejudicados

 

Entre os ciclistas diretamente impactados está Francisco Peñuela, que não poderá disputar neste fim de semana a prova que define a cobiçada camisola de campeão nacional um símbolo que marca toda a temporada de um atleta.

Para já, porém, não há espaço para competição. A estrada, tão central na vida dos ciclistas, dá lugar à urgência humanitária.

 

Solidariedade e espera

 

A Federação expressou “profunda solidariedade com todo o povo venezuelano”, refletindo o sentimento de uma comunidade desportiva que, neste momento, deixa de lado cronómetros, estratégias e ambições para acompanhar um país abalado pela força da natureza.

O ciclismo voltará. Mas só quando a Venezuela puder, novamente, olhar para o desporto sem a sombra de uma emergência nacional.

“Tadej Pogacar em modo tirano, Vingegaard à espreita e um pelotão de incógnitas: o mapa real da luta pela amarela em 2026”


Por: José Morais

O Tour de França arranca em Barcelona com um cenário que parece repetido, mas nunca é igual: Tadej Pogacar continua a ser o centro de gravidade do ciclismo mundial. O esloveno chega ao mês de julho com uma temporada quase imaculada, enquanto Jonas Vingegaard reaparece como o único capaz de lhe fazer frente. À espreita, um conjunto de talentos prontos para incendiar três semanas de corrida.

 

Pogacar, o homem que não sabe abrandar

 

A campanha de 2026 transformou-se numa coleção de demonstrações de força. Só Wout van Aert conseguiu traválo e apenas numa ParisRoubaix caótica.

O resto foi domínio puro: Strade Bianche, Milão–Sanremo, Tour de Flandres, Liège–Bastogne–Liège, além da vitória esmagadora no Tour de Romandia.

Depois de um estágio em altitude, regressou ao Tour da Suíça como se tivesse carregado baterias nucleares: atacou a 69 km da meta logo no primeiro dia e deixou a geral praticamente decidida antes da corrida aquecer.

 

Vingegaard, o rival que nunca desaparece

 

O dinamarquês chega por um caminho mais turbulento, marcado por saídas na equipa, problemas físicos e dúvidas internas. Mas a estrada tratou de o recolocar no centro da discussão: vitória em Paris–Nice, domínio absoluto na Volta à Catalunha, e um Giro d’Itália conquistado com cinco etapas e sem entrar no limite.

Com cinco participações no Tour e nunca abaixo do segundo lugar, Vingegaard volta a Barcelona com a ambição de recuperar o trono.

 

Del Toro, o escudeiro que pode virar protagonista

 

A UAE EmiratesXRG leva ao Tour um estreante que já não parece estreante: Isaac del Toro.

O mexicano venceu o Tour dos Emirados, o TirrenoAdriático e o Tour AuvergneRhôneAlpes, e chega com estatuto de último homem de Pogacar na montanha.

Se o líder abrir diferenças cedo, Del Toro pode até sonhar com a geral. Se a luta com Vingegaard for ao limite, será o primeiro a sacrificarse.

 

Paul Seixas, a esperança francesa que ainda ninguém sabe medir

 

Aos 19 anos, Seixas carrega um país inteiro às costas.

A sua primavera foi estrondosa: vitória na Itzulia, triunfo na Flèche Wallonne e coragem em Liège.

O Dauphiné deixou dúvidas após uma queda, mas também mostrou que o jovem não parte facilmente.

A grande incógnita permanece: como reage um prodígio de 19 anos a três semanas de Tour?

 

Evenepoel, o talento que chega com mais perguntas do que respostas

 

Sete vitórias em 2026 não escondem as interrogações.

O belga brilhou na Amstel Gold Race, mas mostrou fragilidades na montanha nos Emirados e na Catalunha.

A Red Bull mudou o plano: nada de Dauphiné, apenas dois meses de treino intenso.

A referência interna é a Vuelta 2022, onde um ciclo semelhante o levou ao título.

Mas o Tour é outra dimensão.

 

Lipowitz, o trabalhador que virou opção real

 

Sem o brilho mediático de Evenepoel, Florian Lipowitz construiu a sua candidatura com consistência:

3.º na Catalunha,

2.º na Itzulia,

2.º na Romandia.

A vitória no Tour da Eslovénia deulhe moral e levantou uma questão estratégica: como coexistirá com Evenepoel no contrarrelógio por equipas do primeiro dia?

 

Ayuso, entre a frustração e a oportunidade

 

A mudança para a LidlTrek começou bem, com triunfo no Algarve, mas uma queda em Paris–Nice e uma doença em Itzulia atrasaram a sua evolução.

O estágio na Serra Nevada recolocou-o no eixo e o Dauphiné mostrou um Ayuso agressivo, ainda que por vezes precipitado.

A convivência com Skjelmose, antes vista como problemática, parece agora estabilizada.

 

Pidcock, o incómodo que ninguém quer perder de vista o britânico chega como incógnita total

 

A época foi irregular, a desistência no Tour da Suíça levantou alarmes, mas a vitória na Andorra MoraBanc Clàssica devolveu-lhe confiança.

Pidcock insiste que não pensa na geral, mas o seu histórico 3.º na Vuelta diz outra coisa: ele corre sem pedir licença e pode virar a corrida do avesso em qualquer etapa.

O Tour começa em Barcelona. A história, essa, começa agora.

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