Por: José Morais
O Tour de França prepara uma
revolução logo na largada em Barcelona. A corrida mais tradicional do ciclismo
mundial abandona protocolos e inaugura, pela primeira vez em sua história, um
contrarrelógio por equipes em que cada ciclista recebe seu próprio tempo
individual, quebrando décadas de costume e abrindo a classificação geral já no
primeiro dia.
A etapa inaugural terá 19,6 km
e terminará na icónica subida de Montjuïc, junto ao Estadi Olímpic Lluís
Companys. O formato, já testado em algumas provas menores, chega agora ao maior
palco do ciclismo com a promessa de tensão máxima: líderes obrigados a não
perder a roda, equipas forçadas a manter ritmo perfeito e zero margem para
erros.
Movistar
encara o desafio sem um dos seus especialistas
Iván Velasco, chefe de
desempenho da Movistar, analisou o desafio para a MARCA e admitiu que a equipa
chega desfalcada. A ausência de Iván Romeo, um dos pilares nos contrarrelógios
coletivos, obriga a reconfigurar estratégias.
“É uma perda muito importante.
Romeo era peça-chave nos últimos contrarrelógios. Vamos ter de compensar da
melhor forma”, explica Velasco.
O foco da Movistar é claro:
proteger Cian Uijtdebroeks, a aposta para a classificação geral. O objetivo é
simples perder o mínimo possível para os gigantes do pelotão.
Onde a
corrida vai explodir: Montjuïc decide
Velasco detalha o percurso e
aponta o ponto crítico:
Primeiros 15–16 km: zona
plana, ritmo altíssimo, curvas de 90 graus que podem quebrar o fluxo das
equipas.
Final em Montjuïc: duas rampas
decisivas, onde a potência e a coordenação vão separar favoritos de
sobreviventes.
“Na parte plana, todos vão
muito rápido. As diferenças reais aparecem nas encostas de Montjuïc”, afirma o
engenheiro.
Favoritos? Os de sempre e
reforçados
Velasco não hesita ao apontar
os blocos mais perigosos:
Visma–Lease a Bike
UAE Team Emirates, agora com
Pogacar e McNulty
Ineos Grenadiers, muito fortes
em 2024 e 2025
Red
Bull–BORA-hansgrohe
Lidl–Trek
“Chegam equipas muito
poderosas. O UAE não brilhou nos contrarrelógios por equipas este ano, mas com
Pogacar tudo muda”, resume.
O orgulho
nacional e a vitória de Castrillo
A Movistar chega motivada pela
conquista do título espanhol de contrarrelógio por equipas, vencido por Pablo
Castrillo.
“Foi especial. Sempre
ficávamos em segundo. Esta vitória abre portas para um Pablo mais confiante e
vencedor”, celebra Velasco.
E o corte
de cabelo? Mito ou verdade?
A entrevista termina com
humor: afinal, um corte de cabelo às pressas pode influenciar a aerodinâmica?
Velasco ri e desmonta o mito:
“Hoje, com os capacetes
modernos, não faz diferença. No passado talvez, mas agora não.”




