Por: José Morais
Jonas Vingegaard afastou
qualquer ligação entre o controlo antidoping realizado de madrugada e a queda
que o retirou do Tour de France. O dinamarquês, então segundo da geral,
enfrenta agora uma cirurgia à clavícula devido à severidade da fratura.
O corredor da Visma–Lease a
Bike foi ao chão a cerca de 20 quilómetros da meta no Planalto de Solaison, num
incidente que envolveu vários ciclistas junto a um meio‑fio. Visivelmente abalado,
permaneceu sentado no asfalto antes de caminhar até à ambulância, com o braço
direito imobilizado.
Apesar de ter sido submetido a
um controlo antidoping por volta das duas da manhã, Vingegaard rejeitou
qualquer relação entre a falta de descanso e o acidente. “Quedas fazem parte do
ciclismo. Não vou atribuir isto ao controlo”, afirmou o dinamarquês à televisão
TV2, numa posição que reforça a ideia de que o azar é um elemento inevitável da
modalidade.
Os exames posteriores
confirmaram uma clavícula partida e múltiplas escoriações. A equipa comunicou
que, devido à gravidade da fratura, os médicos recomendaram cirurgia. A Visma
pediu apoio dos adeptos e desejou uma recuperação rápida ao seu líder.
A saída de Vingegaard altera
profundamente o duelo que vinha marcando o Tour. Tadej Pogacar, líder da
classificação geral, lamentou a perda do rival: “Sem o Jonas, o Tour não será
igual”. O esloveno também passou por um controlo antidoping nas primeiras horas
da manhã, tal como o dinamarquês.
Sepp Kuss e Isaac del Toro,
igualmente envolvidos na queda, conseguiram continuar. O grupo de Pogacar
chegou a abrandar o ritmo ao saber do acidente, retomando depois a velocidade
normal quando ficou claro que Vingegaard não regressaria ao pelotão.
A desistência abriu espaço
para mudanças no pódio provisório: Remco Evenepoel, vencedor da etapa, ascendeu
ao segundo lugar, a cinco minutos de Pogacar, enquanto Del Toro subiu ao
terceiro posto, a 5:58 do líder.


