Por: Letícia Martins
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Juan Ayuso não podia ter
começado melhor este novo capítulo. Na primeira corrida pela Lidl-Trek, após
deixar a UAE Team Emirates - XRG, o espanhol conquistou a geral da Volta ao
Algarve e assinou uma estreia irrepreensível com vitória de etapa de amarelo
vestida.
A avaliação do próprio
corredor é enfática em entrevista ao Marca: “A Volta ao Algarve deixou-me
sensações muito boas. Para lá da vitória, vou lembrar-me de como a conseguimos,
porque no último dia atacaram-nos até ao carro-médico.” Ayuso coloca o foco no
esforço coletivo: “A equipa respondeu da melhor forma possível: primeiro a
impedir que uma fuga grande se formasse e, depois, no final, a absorver ataques
de todas as equipas. Estou muito feliz, sinto-me enormemente apoiado e o
ambiente é fantástico.”
Um
ambiente que faz a diferença
Nestes primeiros meses, a
mudança de estrutura superou as expectativas, sobretudo no lado humano. “Acima
de tudo, levo as pessoas. Além disso, a Lidl-Trek está a começar a investir de
forma significativa para acrescentar mais recursos: um camião-cozinha,
ferramentas de recuperação… Nem todas essas melhorias chegaram ainda, mas tudo
aponta para um desfecho muito positivo.”
Ayuso insiste que não lhe
falta nada: “Enquanto estrutura, não me falta nada; até tenho mais recursos à
disposição do que tinha antes. Mas, se tiver de escolher uma coisa, escolho as
pessoas, porque me fazem sentir muito confortável e são profissionais de topo.”
Cita o trabalho aerodinâmico
como exemplo: “Por exemplo, no túnel de vento melhorámos novamente a minha
posição no contrarrelógio, algo que, a meu ver, era difícil de afinar e
preferia não mexer; no entanto, graças a eles dei mais um passo em frente.”
A força
do coletivo
A vitória no Algarve reforça a
convicção sobre o salto que deu. “Com outra equipa teria perdido a Volta ao
Algarve”, afirma sem rodeios.
A pensar em Paris–Nice, no
Critérium du Dauphiné e na Volta a França, sublinha a importância do
contrarrelógio coletivo: “Agora vêm Paris-Nice, o Dauphiné e o Tour - todos com
contrarrelógio coletivo - e levamos um bloco que, não sendo o favorito claro, será
altamente competitivo. Vendo o percurso de Paris-Nice, o TTT pode decidir 70%
da geral e, com a equipa que levamos, a nossa força coletiva vai colocar-nos lá
em cima. Estou muito contente por fazer parte de um grupo que me vai tornar o
resto das etapas muito mais fáceis.”
Um passo
em frente em 2026
Individualmente, identifica
uma melhoria clara contra o cronómetro. “No contrarrelógio dei mais um passo
graças a uma pequena mudança de posição e ao novo equipamento - o novo capacete
assenta-me mesmo bem.” No resto, mantém a mesma linha: “No restante, como
sempre, tentar melhorar em tudo e polir os detalhes. Dito isto, há menos
mistério aí do que as pessoas possam pensar.”
Novos
rivais no horizonte
Entre os nomes a seguir está
Paul Seixas. Ayuso não tem dúvidas sobre a sua trajetória: “O Seixas vai ser um
corredor que em breve estará a discutir as Grandes Voltas; se não for este ano,
será no próximo. Mais um rival com quem lutar.”
E aponta para o contexto atual
do pelotão: “Já estamos habituados a enfrentar corredores que estão a marcar
uma era: Tadej, Remco, Vingegaard…”
Modelos e
ambição
As comparações com Alejandro
Valverde e Alberto Contador também surgem na sua análise. “Ficaria feliz por
assemelhar-me a qualquer um deles. Acho que o ciclismo está a mudar e o perfil
de ciclista necessário para vencer uma Grande Volta é diferente de há dez
anos.”
Se tiver de escolher, é claro:
“Se tivesse de escolher, revejo-me mais no Valverde, porque tenho esse sprint
que me permite ganhar. No entanto, o que o Alberto conseguiu na alta montanha
também é essencial para ter sucesso no ciclismo de hoje. Assino por uma mistura
dos dois”, brincou.
Um desejo
claro
Para o resto do ano, o
objetivo é específico: “O meu desejo é que tudo continue como até agora:
continuar a melhorar, evitar contratempos e ver até onde pode ir o meu nível
sem os percalços que tive nos últimos anos.”
O principal alvo será a
estreia no Tour: “Vou tentar fazer um bom Tour, já que será o primeiro que
disputo. Que a sorte esteja do nosso lado e que o meu nível dite o resultado.”


