Por: José Morais
O sindicato que representa os
ciclistas profissionais voltou a colocar pressão sobre as entidades
antidopagem, depois de terem sido realizados testes durante a madrugada a Tadej
Pogacar e Jonas Vingegaard na última edição do Tour de França. A associação Cyclistes
Professionnels Associés (CPA) pede uma revisão urgente das práticas adotadas,
defendendo que o combate ao doping não pode colidir com direitos básicos dos
atletas.
Num comunicado divulgado esta
semana, o CPA reforça que continua “firmemente comprometido com uma política
antidopagem rigorosa e eficaz”, mas alerta para a necessidade de garantir que
todos os procedimentos respeitam normas legais claras e não ultrapassam limites
considerados razoáveis. A organização considera que acordar ciclistas a meio da
noite para recolha de amostras é uma medida que merece “uma reflexão séria”,
sobretudo numa competição de desgaste extremo como a Volta a França.
O sindicato recorda que o
Código Mundial Antidopagem foi criado para proteger a saúde dos desportistas e
assegurar condições equitativas entre concorrentes princípios que, segundo o
CPA, ficam comprometidos quando o descanso dos atletas é interrompido por
controlos inesperados.
A associação chama ainda
atenção para o desequilíbrio financeiro no setor: enquanto o ciclismo, através
da International Testing Agency (ITA), investe cerca de 10 milhões de euros
anuais em recolha e análise de amostras, a Agência Mundial Antidopagem (AMA)
destina apenas cerca de 5 milhões de dólares por ano à investigação científica
que permite desenvolver novos métodos de deteção aplicáveis a todas as
modalidades.
Perante estes números, o CPA
questiona a estratégia atual: será mais eficaz multiplicar controlos surpresa
ou reforçar a investigação que permite detetar substâncias com maior precisão?
A organização conclui que o futuro passa por uma abordagem dupla “uma luta
forte contra o doping é essencial, mas uma luta inteligente é igualmente
indispensável”.


