quinta-feira, 7 de julho de 2022

“Van Aert despediu-se da amarela em fuga e entregou-a ao 'dono' Pogacar”


Wout van Aert (Jumbo-Visma) passou hoje o testemunho a Tadej Pogacar (UAE Emirates) na 109.ª Volta a França, ‘entregando’ a amarela ao embarcar numa fuga ‘suicida’ na sexta etapa, conquistada pelo ciclista esloveno

 

Por: Lusa

Foto: AFP

A amarela mudou de corpo no final da tirada mais longa deste Tour, mas continua a ser vestida por um ícone do ciclismo de ataque, depois de ‘Pogi’ ter acelerado na parte final do ‘muro’ de 800 metros, com uma pendente média de 12,3%, que ‘desembocava’ na meta em Longwy, para se tornar no segundo corredor da história a vencer sete etapas na ‘Grande Boucle’ antes de cumprir 24 anos – o outro foi François Faber, que venceu 13 entre 1908 e 1910.

“Cada vez que ganho é ainda melhor. Hoje, foi um dia tão duro desde o início... As primeiras duas horas foram uma loucura, o tipo mais forte foi para a fuga […]. Pensei que ele iria chegar ao final”, assumiu o esloveno, referindo-se ao homem de quem ‘herdou’ a amarela e que andou mais de uma centena de quilómetros em fuga, para ser apanhado a 11.000 metros do final.

Ainda antes de saber que a liderança da geral era sua, o jovem bicampeão do Tour estava feliz por ter conseguido a vitória à frente de Michael Matthews (BikeExchange-Jayco), o rápido australiano que se intrometeu entre os favoritos, e do trepador francês David Gaudu (Groupama-FDJ), numa jornada percorrida a quase 50 km/h e concluída em 04:27.13 horas.

Com a Super Planche des Belles Filles a espreitar no horizonte, a sexta etapa prometia trazer algum sossego ao pelotão, após a carnificina nos ‘pavés’, mas o ainda camisola amarela tinha outros planos para os 219,9 quilómetros entre a cidade belga de Binche e Longwy.

Definido pelo diário desportivo francês L’Équipe como “o melhor ciclista do mundo”, Wout van Aert revolucionou hoje a tirada mais longa da 109.ª edição, principiando uma série de ataques a mais de 200 quilómetros da chegada.

Durante quase 80 quilómetros, o belga da Jumbo-Visma foi omnipresente: iniciou fugas, respondeu a ataques, anulou escapadas, contribuiu para que a média na primeira hora de corrida fosse de 50,8 km/h, até, finalmente, conseguir isolar-se na frente, na companhia de Jakob Fuglsang (Israel-Premier Tech) e Quinn Simmons (Trek-Segafredo).

Em fuga desde o quilómetro 75, o líder da geral teve percalços técnicos – uma corrente que saltou e uma troca de bicicleta -, aparentes desacordos com Fuglsang, uma vantagem que chegou aos quatro minutos e uma colaboração harmoniosa com o jovem Simmons, que aos 21 anos procurava a glória na sua estreia no Tour.

Surpreendidos pela iniciativa do “meio homem, meio máquina”, como o descreve o seu companheiro Primoz Roglic, os ‘humanos’ do pelotão demoraram a reagir e a organizar a perseguição, com a UAE Emirates de Tadej Pogacar a dar, novamente, mostras de falta de destreza coletiva, e a BORA-hansgrohe a assumir inexplicavelmente o trabalho.

Neste Tour, ‘WVA’ já superou registos de Eddy Merckx, ao terminar seis etapas consecutivas nas duas primeiras posições (as quatro primeiras desta edição e as duas últimas do Tour2021, que venceu), já se tornou no primeiro belga a vencer uma etapa de amarelo desde Freddy Maertens em 1976, mas, sozinho contra o pelotão, depois de ter deixado para trás Simmons, não conseguiu contrariar a maior frescura dos perseguidores, sendo alcançado a 11 quilómetros da meta.

 

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“O plano era ligeiramente diferente daquilo que foi a execução. Esperávamos uma fuga mais numerosa. Quando vi que éramos só três, soube que seria nisso. Gastei tanta energia para que acontecesse, que decidi continuar para honrar a camisola”, confessou o consolidado líder da classificação por pontos, que perdeu 07.28 minutos para Pogacar na meta.

Com Van Aert a despedir-se de amarela, ao não conseguir acompanhar o grupo de favoritos, os ataques sucederam-se na dura aproximação a Longwy, com o francês Alexis Vuillermoz (TotalEnergies) a parecer lançado para o triunfo, mas a ser ‘absorvido’ a 1.500 metros da meta.

Primoz Roglic (Jumbo-Visma), aparentemente recuperado da deslocação de ombro que sofreu na véspera, foi o primeiro a lançar o ‘sprint’, mas, vindo de trás, ‘Pogi’ foi imbatível e, graças às bonificações, recuperou a amarela que vestiu no pódio final das últimas duas edições da ‘Grande Boucle’.

O esloveno da UAE Emirates tem quatro segundos de vantagem sobre o norte-americano Neilson Powless (EF Education-EasyPost) e todos os pretendentes a destroná-lo a mais de 30 segundos, nomeadamente Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma), agora terceiro a 31, e o trio de líderes da INEOS: Adam Yates é quinto, a 39, Geraint Thomas está a 46 no sexto lugar e Daniel Martínez ocupa a oitava posição, a um minuto.

Nelson Oliveira (Movistar), que foi 66.º a 04.04 minutos, continua a ser o melhor português na geral, enquanto Ruben Guerreiro (EF Education-Easy Post), hoje 96.º a mais de seis minutos do vencedor, é 135.º na geral, a 22.40 de Pogacar.

O bicampeão em título chegou à amarela na véspera da primeira etapa de montanha da 109.ª Volta a França, que na sexta-feira vai ligar Tomblaine ao alto da Super Planche des Belles Filles, no total de 176,3 quilómetros, com a meta a coincidir com uma contagem de primeira categoria, à qual os ciclistas chegarão após sete quilómetros de escalada com uma inclinação de 8,7%.

Fonte: Sapo on-line

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