Por: Miguel Marques
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Mathieu van der Poel aponta
novamente à primavera com fome de monumentos. O neerlandês inicia a nova época
determinado a erguer os braços outra vez na Milan-Sanremo, na Volta à Flandres
e no Paris–Roubaix, três corridas que moldaram a sua carreira e que,
previsivelmente, o voltarão a opor a Tadej Pogacar como principal rival. O
duelo entre ambos tornou-se uma das grandes atrações do calendário, e tudo
indica que esta temporada não será exceção.
Longe de mexer numa fórmula
vencedora, Van der Poel mantém o plano intacto. No podcast da WHOOP deixou
claro que a abordagem não muda: “Os meus objetivos são mais ou menos os mesmos
dos últimos anos: primeiro construir a base com o ciclocrosse e depois focar-me
nas grandes clássicas da primavera”. Essa base de inverno permite-lhe chegar
com explosividade e resistência aos compromissos decisivos de março e abril,
onde cada detalhe conta.
Em corridas como a
Milan-Sanremo, onde a colocação antes do Poggio é determinante, ou na Flandres,
com os seus bergs estreitos e explosivos, a experiência torna-se um
diferenciador-chave. O próprio Van der Poel explicou a importância dessa
aprendizagem tática: “Nas clássicas, quando o percurso passa de estradas largas
para subidas estreitas, tens de estar entre os primeiros vinte; caso contrário,
é impossível estar com o grupo da frente. Isso aprende-se, e a experiência
ajuda, mas uma equipa forte também é importante”. A mensagem sublinha a leitura
de corrida e o apoio coletivo necessários para lutar pela vitória.
Se há uma corrida com lugar
especial no seu coração, é a Volta à Flandres. Van der Poel não escondeu a
preferência pela Clássica flamenga quando questionado sobre a favorita: “Quando
me perguntam a minha corrida preferida, não é surpresa: a Ronde van Vlaanderen
(a Volta à Flandres). É a maior corrida que posso vencer, a par do
Paris–Roubaix. São as corridas que via em miúdo e com que sempre sonhei”. As
palavras captam o peso emocional que os monumentos têm para um corredor que
cresceu a admirar essas mesmas estradas.
Paris–Roubaix,
a exceção
Paris–Roubaix, porém, coloca
um desafio diferente até para quem vem do ciclocrosse. O neerlandês descreveu a
singularidade do Inferno do Norte: “Paris–Roubaix não se compara a nada. É tão
dura por causa dos paralelos. A chegada no velódromo é única. Embora muitos
ciclocrossistas queiram fazê-la por parecer semelhante, não concordo: é a
clássica de um dia mais difícil. Vencer ali dá uma sensação indescritível. É
pena acabar tão depressa. À medida que envelheço, tento desfrutar mais. Um dia
vou deixar de correr.”

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