Por: José Morais
Depois de ter integrado a
histórica temporada de 2025 da UAE Team Emirates, que culminou num recorde
absoluto de 97 vitórias, Ivo Oliveira entra em 2026 com um objetivo claro:
erguer os braços com a camisola de campeão nacional vestida.
O ciclista gaiense, atual
campeão nacional de fundo título que já conquistara também em 2023 não esconde
o orgulho sempre que compete em solo português. A 52.ª edição da Volta ao
Algarve voltou a proporcionar-lhe esse sentimento especial.
“É a segunda vez que faço o
Algarve como campeão nacional e é um orgulho enorme mostrar estas cores em
Portugal. Tenho poucas oportunidades de correr no país. Já estive na Figueira e
aqui sente-se o calor do público. É muito bonito”, sublinhou.
As discretas listas verde e
vermelha na camisola branca do campeão destacam-se no pelotão e também fora
dele. Junto ao autocarro da equipa emiradense, Oliveira é um dos mais
solicitados pelos adeptos. “É óbvio que as pessoas me reconhecem mais um
bocado”, admite, entre sorrisos.
A vitória
que falta
Apesar das quatro vitórias
conquistadas em 2025, há uma meta que continua por cumprir: ganhar já depois de
envergar a camisola de campeão nacional.
“Nunca o fiz. As quatro
vitórias do ano passado foram antes dos Nacionais. Agora gostava de levantar os
braços com estas cores, seja em que corrida for”, assumiu o corredor de 29
anos.
Num pelotão cada vez mais
competitivo, Oliveira reconhece que vencer é um desafio permanente. “Ter uma
vitória por ano é o que toda a gente quer, mas hoje em dia ganhar, seja numa
corrida de menor ou maior nível, é extremamente difícil.”
Parte de
um feito histórico
O português foi um dos
elementos que ajudou a UAE Team Emirates a alcançar o recorde de 97 triunfos
numa só temporada marca inédita na estrutura.
“Foi a primeira vez que
batemos o recorde. Saber que contribuí para isso foi especial. Claro que
gostava de ter tido ainda mais vitórias”, confessou.
Questionado sobre a
possibilidade de a formação apontar à simbólica barreira das 100 vitórias em
2026, Oliveira relativiza. “Não é um foco. Não nos pedem para chegar às 100.
Quando tens corredores como o Tadej Pogačar ou o Isaac Del Toro, que ganham
tanto, tudo se torna mais fácil. Mas as vitórias surgem naturalmente. Mesmo que
não cheguemos às 100, o início de época já é espetacular.”
Algarve
com ambição coletiva
Na Volta ao Algarve, a
prioridade passa pela luta pela classificação geral, onde o compatriota João
Almeida se mantém entre os candidatos, numa edição que Oliveira considera ter
“um dos níveis mais altos de sempre”. O norte-americano Brandon McNulty também
integra o leque de apostas da equipa.
“Está tudo focado neles. Eu
quero perceber como me vou sentir no contrarrelógio, é uma motivação pessoal,
mas não conta para as contas da geral”, explicou, referindo-se ao exercício
individual de 19,5 quilómetros em Vilamoura.
Entre a
estrada e a pista
Com um calendário exigente na
estrada, Ivo Oliveira viu-se obrigado a abdicar dos Campeonatos da Europa de
pista. “Custou. No dia em que começavam os Europeus eu estava a regressar das
corridas da Austrália. Era impossível conciliar, e era algo que gostava muito
de ter feito”, lamentou.
O objetivo passa agora por
marcar presença nos Mundiais e continuar a equilibrar as duas vertentes da
carreira. “Sempre que houver abertura no calendário, vou tentar conciliar pista
e estrada.”
Para 2026, a ambição está
definida: transformar o orgulho de vestir as cores nacionais numa imagem de
triunfo. Porque, para Ivo Oliveira, ganhar é importante, mas ganhar como
campeão de Portugal é ainda mais especial.

Sem comentários:
Enviar um comentário