domingo, 15 de fevereiro de 2026

“O Ciclo do Tempo: A Evolução do Ciclismo Português”


O Progresso do Ciclismo Português, uma história de glória, números e futuro, o que aguardará a modalidade

 

Por. José Morais

O ciclismo português tem uma tradição rica que atravessa quase um século, com heróis que se afirmaram em estradas nacionais e nas mais exigentes corridas internacionais. Desde os primeiros vencedores da Volta a Portugal até aos modernos gladiadores das Grandes Voltas, o desporto sobre duas rodas em Portugal construiu uma narrativa de resistência, técnica e evolução competitiva.

 

A Volta a Portugal e os Seus Maiores Campeões

 

A Volta a Portugal começou em 1927. Ao longo dos anos, inúmeros ciclistas deixaram a sua marca quer pelas conquistas absolutas, quer pela consistência em etapas e classificações gerais.

Lista dos grandes vencedores portugueses da Volta a Portugal:

Marco Chagas 4 vitórias (1982, 1983, 1985, 1986), o segundo maior vencedor português de sempre.

Joaquim Agostinho 3 vitórias (1970, 1971, 1972), um ícone absoluto da modalidade.

Alves Barbosa 3 vitórias (1951, 1956, 1958), pioneiro da resistência lusitana.

Joaquim Gomes 2 vitórias (1989, 1993), famoso pelas capacidades de escalador.

José Maria Nicolau, Alfredo Trindade, José Martins, Orlando Rodrigues e outros também venceram 2 vezes cada.

Homenagens chamadas a nomes como Venceslau Fernandes, Belmiro Silva e Américo Silva confirmam a profundidade de talento ao longo de décadas.

A Volta a Portugal foi palco de duelos clássicos em montanhas como a Serra da Estrela ou a Senhora da Graça, cenários em que a rivalidade entre a geração de Chagas e a de Joaquim Gomes cativou o público e solidificou momentos épicos na história do ciclismo lusitano.

 

Portugueses nas Grandes Voltas (Tour, Giro, Vuelta)

 

Portugal jamais dominou completamente as principais corridas internacionais mas marcou presença e fez história em muitas edições, especialmente através de Joaquim Agostinho, José Azevedo e, mais recentemente, João Almeida ou António Morgado, entre outros.

 

Joaquim Agostinho

 

Participou mais de 10 vezes nas Grandes Voltas.

Termos mais memoráveis no Tour de France: 3.º lugar em 1978 e 1979, entre várias top-10.

Nos restantes anos, terminou frequentemente dentro dos 10 primeiros, elevando Portugal ao conhecimento internacional.

 

José Azevedo

 

Marcante presença no início dos anos 2000.

Terminou 5.º no Giro d’Itália (2001) e foi 5.º no Tour de France (2004), com outras classificações sólidas no top-10.

Azevedo também foi peça fundamental em equipas internacionais como a US Postal e depois tornouse diretor desportivo após a carreira de atleta.

 

João Almeida

 

Um dos mais brilhantes talentos portugueses atuais.

Já concluiu as três Grandes Voltas com top10: Giro d’Itália (3.º em 2023 e 4.º em 2020), Tour de France (4.º em 2024) e Vuelta a Espanha (2.º em 2025).

É também o primeiro português a fechar uma edição das três grandes na elite do pelotão.

Almeida soma mais de 20 vitórias em provas importantes de percurso e contrarrelógio na Europa, incluindo etapas em Tours por pontos e provas de uma semana.

Esses feitos demonstram como o ciclismo português tem migrado das vitórias locais para o protagonismo nas grandes corridas mundiais.

 

Análise Comparativa entre Épocas

 

O ciclismo dos anos 50–80 era dominado por resistência bruta: longas etapas em estradas muitas vezes precárias, bicicletas com poucos avanços tecnológicos e pouca assistência técnica. A façanha de Alves Barbosa em conseguir um top10 no Tour de France nos anos 50 é ainda hoje lembrada pela sua dificuldade.

Já nas décadas de 90 e 2000, com maior profissionalização e equipas mais estruturadas, ciclistas como Azevedo conseguiram inserirse em equipas de topo e cumprir etapas duríssimas integradas em estruturas internacionais.

No século XXI, a progressão técnica treino científico, nutrição especializada, bicicletas ultraleves e estratégia de corrida avançada permitiu a talentos como João Almeida competir ao mais alto nível, sem esquecer os sacrifícios físicos que continuam a fazer parte da modalidade.

 

O Ciclismo Português Hoje e o Futuro

 

O presente mostra uma base sólida de talentos e uma crescente presença portuguesa em equipas World Tour e eventos internacionais. A progressão de Almeida, aliados a nomes emergentes e a um calendário competitivo europeu mais acessível para jovens talentos, cria um ambiente propício para novos resultados internacionais.

 

Contudo, desafios persistem:

 

Infraestruturas de treino ainda são desiguais em Portugal.

Financiamento e patrocínios para desenvolvimentos de equipas sub23 e profissionais são frequentemente instáveis.

Exposição mediática e cultura popular em torno do ciclismo ainda lutam para competir com outros desportos em Portugal.

A esperança está em reforçar a formação desde os escalões de base, investir em programas científicos de treino e criar parcerias internacionais que permitam aos jovens talentos rodar e competir em pelotões profissionais globais.

 

Conclusão

 

Do espírito de sacrifício dos primeiros campeões às estratégias modernas de treino e corrida, o ciclismo português construiu um legado que merece ser celebrado. Os números vitórias na Volta a Portugal, top5 em grandes voltas, e a versatilidade de corredores contam uma história de resiliência e evolução. Enquanto Portugal investe no futuro, as estradas continuam a ser palco onde surgirão, certamente, novas glórias e heróis sobre duas rodas.

Em suma, o ciclismo português é uma narrativa de resistência, talento e evolução constante. Dos ciclistas lendários aos heróis modernos, cada época teve os seus desafios e triunfos. E se algo permanece constante, é a paixão que move todos aqueles que vestem a camisola e desafiam o vento pelas estradas de Portugal e além, e todos que adoram o ciclismo.

“Resultados Ciclocrosse das Universidades de Bruxelas: Brand e Nieuwenhuis vencem o Troféu X2O; Alvarado e Vanthourenhout ganham a ronda final”


Por: Miguel Marques

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O Troféu X2O terminou hoje com a 8ª ronda, o Ciclocrosse das Universidades de Bruxelas, vencida por Ceylin del Carmen Alvarado e Michael Vanthourenhout, respetivamente.

Ceylin del Carmen Alvarado venceu a corrida feminina, o último grande evento do inverno, antes de a época encerrar no próximo fim de semana. O pelotão apresentou uma startlist forte e este triunfo tardio de Alvarado teve mérito: para conquistar a vitória teve de superar a campeã do mundo Lucinda Brand. Manon Bakker foi terceira.

Lucinda Brand, porém, foi a mais consistente ao longo de toda a temporada e nem precisou de se esforçar este fim de semana para confirmar o título geral; venceu a classificação com 13:20 minutos sobre Manon Bakker e mais de 21 sobre Inge van der Heijden.

“Resultados da 3ª etapa do Tour de la Provence 2026: Axel Laurance dá uma merecida vitória à INEOS no último dia”


Por: Miguel Marques

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A 3ª etapa do Tour de la Provence voltou a sorrir aos atacantes madrugadores, com a segunda fuga em três dias a chegar com sucesso. Dela, Axel Laurance assinou o triunfo pela INEOS Grenadiers, uma vitória muito necessária após a derrota na etapa rainha do dia anterior.

Se a primeira etapa, teoricamente para sprinters, acabou decidida por uma fuga, o segundo dia foi para os candidatos à geral. O dia final, entre Rognac e Arles, estava no papel reservado aos sprinters, mas a partida foi muito rápida e formou-se uma fuga fortíssima numa tirada de 205 quilómetros.

Na dianteira seguiram Sam Oomen, Clément Davy, Daniel Arnes, Maxime Jarnet, Lorrenzo Manzin, Simon Carr, Axel Laurance, Victor Loulergue e Jannis Peter, com poucas equipas no pelotão disponíveis para perseguir, já que EF, INEOS e TotalEnergies, as formações dos três principais favoritos, tinham homens na frente.

O grupo de nove manteve cerca de 1 minuto de vantagem até aos quilómetros finais, faltando potência de perseguição atrás e sem que o movimento representasse grande ameaça para o líder Matthew Riccitello. A 6 quilómetros da meta, Axel Laurance e Daniel Arnes atacaram, e o grupo perseguidor não encontrou a colaboração ideal para anular a ação.

Este acabou por ser o movimento decisivo, mas entre o duo notou-se clara diferença de força. No último quilómetro, Laurance acelerou novamente e, com o seu perfil de classicoman, resistiu ao regresso do grupo num final em ligeira inclinação.

Laurance venceu com 4 segundos sobre Maxime Jarnet e Lorrenzo Manzin. Atrás, o pelotão chegou pouco depois e Matthew Riccitello confirmou a vitória na geral pela Decathlon CMA CGM.

“Marta Esteves é a melhor portuguesa na Taça das Nações Júnior Feminina”


Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

Marta Esteves foi a 38.ª classificada na Taça das Nações Júnior Feminina, que se realizou hoje em Jaén, Espanha, no âmbito da “Clásica Jaén Paraíso Interior”, assinalando o regresso tão desejado da Seleção Nacional de Estrada Feminina a esta importante corrida internacional. Naquela que foi também a primeira prova da Seleção Sub-19 em 2026, a júnior portuguesa ficou a 06m17s da vencedora, a lituana Augustè- Mikutytè- (Grouwels-Watersley R&D Road Team), que terminou os 74,8 quilómetros do percurso em 02h14m56s.

O pódio ficou completo por duas corredoras da Seleção de Espanha, Alejandra Neira, a 23 segundos da vencedora e Mirari Gotxi, terceiro lugar e com mais 35 segundos que Augustè- Mikutytè.

Num dia em que o nível competitivo era elevado e o percurso exigente - com partida e chegada a Úbeda, Cidade Património da Humanidade -, a Seleção Nacional lutou pelo melhor resultado. Foram 76 as atletas que alinharam à partida, para a segunda edição da Taça das Nações UCI Jaén Paraíso Interior. O trajeto, bem ondulado, foi disputado na primeira metade integralmente em asfalto, para depois seguir-se o “sterrato”.

Foram três troços, que seriam decisivos para o desfecho da corrida: Juancaballo (aos 45,4 quilómetros, com 3,6 de extensão), San Bartolomé (aos 56,2 quilómetros, com 3,3 de extensão) e Mar de Olivos, o mais longo e exigente (a menos de 10 quilómetros da chegada e com 7,3 de extensão). O “sterrato” antecedeu a subida final com três quilómetros e que levaria à meta, de novo na Cidade Património da Humanidade de Úbeda.

A corrida decidiu-se entre o trio da frente, em San Bartolomé, que conseguiram aumentaram a vantagem para 01m10s sobre o pelotão. Mas em Mar de Olivos, Mikutytè acelerou o ritmo, ganhando margem para isolar-se e erguer os braços na chegada a Úbeda.

A seguir a Marta Esteves, das seis atletas convocadas, Eva Emídio concluiu na 52.ª posição. Bárbara Cunha, Diana Silva, Bárbara Santos e Daniela Silva não terminaram.

“Clássica de Almería com o português Iúri Leitão a estar em evidência ao terminar na 19.ª posição”


Clássica de Almería voltou a confirmar o seu estatuto de palco privilegiado para os sprinters puros, com uma chegada rápida e compacta a decidir a edição deste domingo. O português Iúri Leitão esteve em evidência ao terminar na 19.ª posição, integrado no primeiro grupo do pelotão, numa corrida ganha pelo eritreu Biniam Girmay, que foi o mais forte na reta final instalada em Roquetas de Mar.

A prova espanhola, disputada ao longo de 189,7 quilómetros entre Puebla de Vícar e Roquetas de Mar, ficou resolvida ao sprint após 4:10.36 horas de corrida. Girmay confirmou o seu excelente início de temporada, impondo-se com autoridade e somando mais um triunfo depois de ter vencido recentemente a classificação por pontos da Volta à Comunidade Valenciana. O belga Milan Fretin foi segundo classificado e o italiano Matteo Moschetti completou o pódio, todos com o mesmo tempo do vencedor.

Campeão olímpico de madison em Paris’2024 na vertente de pista, Iúri Leitão voltou a mostrar consistência em estrada ao posicionar-se bem na aproximação à meta, fechando a corrida no top 20. O ciclista natural de Viana do Castelo, de 27 anos, prossegue agora a sua preparação competitiva em território nacional.

O próximo desafio será já esta terça-feira, em Vila Real de Santo António, com o arranque da Volta ao Algarve, prova de cinco etapas que decorre até domingo e que contará com um pelotão de elevado nível internacional. Entre as formações presentes estarão várias equipas do escalão máximo do ciclismo mundial, incluindo a UAE Emirates, liderada pelo português João Almeida, que envergará o dorsal número um.

 

Uma clássica com identidade própria

 

Criada em 1986, a Clássica de Almería conquistou ao longo das décadas um lugar especial no calendário internacional, tornando-se uma das provas de um dia mais apetecíveis para os velocistas. O seu percurso maioritariamente plano, exposto ao vento do Mediterrâneo, oferece frequentemente corridas rápidas e tácticas, onde o posicionamento e o trabalho de equipa são decisivos. Nomes sonantes do sprint mundial já deixaram marca na Andaluzia, reforçando o prestígio de uma clássica que continua a abrir a época europeia com espetáculo garantido.

Ficha Técnica

  • Titulo: Revista Notícias do Pedal
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  • Subdiretor: Helena Ricardo Morais
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