Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
Num desporto cada vez mais
moldado por ganhos marginais e planeamentos de carreira rígidos, Quinn Simmons
(Lidl-Trek) assume uma ambição que foge ao guião do ciclismo moderno.
O norte-americano deixou claro
que o seu horizonte olímpico vai além da estrada. Los Angeles 2028 surge como
objetivo possível em plena maturidade competitiva, mas Simmons olha já mais
longe, para uma meta bem mais rara.
“Primeiro quero viver os Jogos
de Verão”, disse Simmons à Sporza, referindo-se a Los Angeles. “Depois, quero
apontar aos Jogos de Inverno de 2034, em Utah”.
É uma declaração que coloca
imediatamente Simmons num espaço histórico quase vazio.
Um clube
tão exclusivo que só tem seis membro
A história olímpica sublinha
quão extraordinária é essa ambição. Apenas seis atletas conquistaram medalhas
nos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno.
A lista inclui Eddie Eagan,
ainda o único com ouro em ambas as edições; o polivalente norueguês Jacob
Tullin Thams; a alemã-oriental Christa Luding-Rothenburger, patinadora de
velocidade que passou à pista e conseguiu o feito no mesmo ano; a canadiana de
endurance Clara Hughes; a norte-americana Lauryn Williams, sprinter que
transitou para o bobsleigh; e Steven Holcomb, que passou do atletismo para o
bobsleigh.
Nenhum deles fez a ponte do
ciclismo de estrada para uma disciplina alpina de endurance. É essa a lacuna
que Simmons propõe colmatar.
De
promessa juvenil na neve a profissional no World Tour
O que dá peso às palavras de
Simmons é que o ski mountaineering não é novidade nem gancho de marketing no
seu percurso. Antes de competir profissionalmente na estrada, foi o seu
primeiro desporto de elite.
Crescido no Colorado, Simmons
competiu a nível mundial juvenil em ski mountaineering, disciplina que combina
longas ascensões em esqui com descidas tecnicamente exigentes. O perfil físico
é brutal e muito específico, mas ajudou a moldar o motor aeróbico e a
resiliência que sustentaram a sua ascensão rápida no ciclismo.
Após a mudança de modalidade,
Simmons não perdeu tempo. Um título mundial júnior projetou-o diretamente para
o profissionalismo, contornando a longa curva de desenvolvimento comum na
modalidade. Apesar de ter abraçado totalmente o ciclismo, nunca cortou de todo
os laços com o desporto de origem.
Porque é
que Utah 2034 não é conversa oca
Essencialmente, Simmons não
enquadra a ambição olímpica como um cruzamento de curto prazo. A sequência é
relevante. Los Angeles 2028 encaixa nos seus anos de pico como profissional.
Utah 2034, pelo contrário, surge no final de uma carreira longa de elite,
permitindo uma mudança tardia em vez de uma aposta a meio do percurso.
A recente inclusão do ski
mountaineering no programa olímpico reforça esse foco. Ao nomear uma edição
específica e uma disciplina concreta, Simmons retira muita da ambiguidade que
costuma envolver estas conversões olímpicas.
Se chegar ou não à linha de
partida continua incerto. A história olímpica sugere probabilidades muito
contra. Mas, ao enunciar o objetivo de forma tão direta, Simmons colocou-se
numa conversa a que quase nenhum ciclista no ativo pode aspirar com credibilidade.
Se algum dia o conseguir, não
será apenas o sétimo membro de um clube olímpico exclusivo. Será o primeiro a
abrir um caminho totalmente novo para lá chegar.
Pode visualizar este artigo
em: https://ciclismoatual.com/ciclismo/so-6-atletas-conquistaram-medalhas-nos-jogos-olimpicos-de-inverno-e-de-verao-podera-quinn-simmons-ser-o-7o-quero-apontar-aos-jogos-de-inverno-de-2034-em-utah






