Por: Miguel Marques
Em parceria com: https://ciclismoatual.com
Quando Mads Pedersen se tornou
profissional em 2015, o ciclismo já era um desporto exigente e orientado por
dados. Uma década depois, o dinamarquês mal reconhece o mundo em que entrou.
Falando no recente media day
da Lidl-Trek, Pedersen fez uma avaliação frontal de como a modalidade evoluiu
de forma radical, sobretudo na obsessão pelo detalhe, pela nutrição e pelo
controlo. O que era uma disciplina assente em treino duro e instinto, defende,
tornou-se um ambiente onde quase nada fica ao acaso.
“Mesmo desde que me tornei
profissional, o ciclismo mudou completamente”, explicou Pedersen em declarações
recolhidas pelo Ekstra Bladet. “Quando querias perder peso naquela altura, ias
treinar, levavas um pouco de água na bicicleta, uma barra energética, talvez
uma banana e um café a meio, e estava feito. Estavas pronto. Agora comes como o
dia todo”.
A frase surgiu com um sorriso,
mas a mensagem era séria. Para Pedersen, o pelotão moderno exige um nível de
compromisso que poucos fora da modalidade compreendem verdadeiramente.
“O ciclismo é completamente
diferente agora”, continuou. “Tens de estar muito focado e muito sério. Nunca
esperei isso, sem dúvida. Mas acabas por te adaptar. Aceitas. Se queres
continuar no desporto, tens de o fazer. Se não queres, então tens de encontrar
outra coisa para fazer”.
Crescer
antes da explosão dos dados
A carreira de Pedersen
atravessa duas eras. Aprendeu o ofício antes de os planos de nutrição serem
cronometrados à grama e antes de cada intervalo de treino, ciclo de sono e
posição aerodinâmica serem monitorizados sem tréguas.
Questionado se está contente
por não ter crescido no desporto sob as condições hiper-científicas de hoje, o
dinamarquês de 30 anos foi mais reflexivo do que nostálgico.
“Para ser honesto, não penso
muito nisso”, referiu. “Estou feliz com a situação em que estou agora. Estou
satisfeito com as experiências que tive do que soa estranho chamar de ciclismo
antigo. Estou contente por ter feito parte dessa viagem”.
Em vez de resistir à mudança,
Pedersen vê-se como alguém que se adaptou em paralelo com a modalidade,
aprendendo a competir num ambiente cada vez mais controlado, sem perder os
instintos desenvolvidos no início da carreira.
“Também estou curioso para ver
onde vamos estar antes de eu deixar de correr”, acrescentou. “É entusiasmante
ver como tudo evolui. Neste momento, tudo está a mover-se incrivelmente
depressa. A tecnologia está a enlouquecer em todas as áreas da vida e, claro,
no ciclismo é igual”.
O que Pedersen descreve não é
nostalgia nem crítica, é realidade. O desporto em que entrou há pouco mais de
uma década já não existe na mesma forma, substituído por um ambiente onde
precisão, controlo e optimização constante são inegociáveis.
Para o pelotão atual, essa
mudança é apenas a linha de base. Para os corredores que a viveram, a
transformação foi total e, como Pedersen deixa claro, continua a acelerar.
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