terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

“A UCI não disse nada porque tem medo da Red Bull” - Patrick Lefevere atira-se a Denk por causa de Remco Evenepoel”


Por: Miguel Marques

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O brilho da luademel em torno do arranque perfeito de Remco Evenepoel na Red Bull - BORA - Hansgrohe contrasta com um tom bem diferente do seu antigo chefe. Numa entrevista frontal e muito pessoal, Patrick Lefevere não escondeu o que pensa de Ralph Denk nem a forma como se desenrolou a saída de Evenepoel da Soudal - QuickStep.

“Detesto-o. Ignorou as regras”, disparou Lefevere, ao refletir sobre o que descreveu como uma longa investida de Denk e da Red Bull que antecedeu a saída de Evenepoel.

Falando no podcast Radio Peloton, de La Derniere Heure, Lefevere afirmou ter apresentado uma queixa à Union Cycliste Internationale sobre a abordagem a Evenepoel, invocando uma regra que exige acordo de todas as partes para que um corredor possa rescindir contrato. Alegou que as tentativas de Denk para contratar o belga remontam a 2021 e sugeriu que o organismo regulador mostrou relutância em agir.

“A UCI não disse nada porque tem medo da Red Bull”, disse Lefevere. “Se isto fosse para tribunal, a Red Bull tem recursos financeiros ilimitados que levariam a UCI à falência”.

São acusações graves, em claro contraste com a narrativa positiva que envolveu as primeiras semanas de Evenepoel com as cores da Red Bull. Enquanto o corredor tem destacado o detalhe meticuloso do novo ambiente e a confiança que ali sente, a versão de Lefevere desenha um quadro de frustração, contorno de regras e uma mudança de poder no ciclismo moderno.

 

Uma mudança preparada há anos, segundo Lefevere

 

Lefevere disse que os problemas começaram muito antes da saída de Evenepoel, garantindo que o contacto de Denk foi persistente. “Vendi o projeto Remco à Soudal por cinco anos. E depois, ao fim de três anos, começaram os problemas. O Ralph Denk ofereceu um contrato ao Remco. E a partir daí, nunca mais parou”.

Fez um paralelismo com o seu próprio passado, reconhecendo ter estado envolvido numa transferência polémica com Frank Vandenbroucke nos anos 90, mas sublinhou que não repetiu esse comportamento desde então. Chegou a referir que recusou contratar Wout van Aert em 2018 em circunstâncias semelhantes.

“A certa altura, podia ter levado o Wout van Aert. Disselhe que era bemvindo se pagasse a indemnização por quebra de contrato, mas ele não o fez”.

 

Compreende, mas não aceita

 

Apesar da irritação, Lefevere mostrou algum grau de compreensão em relação ao próprio Evenepoel.

“Sim e não”, respondeu quando questionado se entendia a decisão do corredor. “Percebo que te possas fartar do teu entorno. E, bom, também percebo que, se és ambicioso, penses que a relva é mais verde noutro lado. Só espero que não peça para voltar daqui a dois anos”.

Essa frase final carrega resignação e amargura. E sublinha o quão pessoal esta saga se tornou.

 

O pano de fundo de um início perfeito com a Red Bull

 

Tudo isto acontece depois Evenepoel desfrutar de uma estreia competitiva imaculada com a Red Bull no Challenge Mallorca, vencendo o contrarrelógio por equipas antes de somar duas vitórias a solo nos dias seguintes. Essas exibições foram amplamente elogiadas como prova de que a mudança rendeu de imediato no plano desportivo.

Mas os comentários de Lefevere revelam uma história paralela nos bastidores. Uma que mostra como as transferências no topo do ciclismo são cada vez mais moldadas pelo músculo financeiro, cortejos prolongados e linhas difusas em torno dos contratos.

Independentemente de as suas alegações terem peso para lá do seu testemunho, acrescentam uma aresta cortante ao que, até agora, parecia um capítulo novo, fluido e celebratório para Evenepoel e a Red Bull.

“Puck Pieterse começou demasiado forte” - O erro tático que ditou a vitória de Lucinda Brand no Campeonato do Mundo, segundo especialista”


Por: Miguel Marques

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O antigo campeão do mundo Bart Wellens não viu a corrida de elites femininas nos Campeonatos do Mundo de Ciclocrosse de 2026 como a história de um ataque vencedor. Viu-a como a história de uma corrida mal gerida na dianteira e lida na perfeição logo atrás.

As voltas iniciais foram frenéticas. Mudanças de ritmo, acelerações, ciclistas a tentar forçar a separação num circuito que não recompensava forçar seja o que for. Hulst estava ingrato, esburacado, em off-camber e cada vez mais escorregadio com a chegada da chuva. Pedia paciência e linhas limpas mais do que agressividade.

Wellens viu Puck Pieterse gastar energia cedo enquanto Lucinda Brand recusava entrar no jogo. “Depois do último fim de semana, tinha dúvidas sobre a Lucinda Brand, mas após duas voltas na tarde de sábado percebi que essas dúvidas eram infundadas”, escreve Wellens na sua coluna pós-Mundiais no Het Nieuwsblad.

Brand não respondeu à violência inicial da corrida. Observou-a. “Puck Pieterse começou demasiado louca. A Lucinda pôde assistir”.

 

Onde a corrida virou

 

A reconfiguração surgiu à medida que o percurso se degradava e os erros apareciam. Pieterse foi ao chão numa das zonas mais polidas do circuito. A frente da corrida fraturou. As ciclistas aceleravam e travavam, a tentar recuperar ritmo num traçado que não oferecia nenhum.

Foi aí que Brand mudou o andamento. “Depois disso, abriu totalmente o gás. Esta foi a Lucinda do início da época. O seu ritmo, sem cometer erros, a assumir riscos calculados”.

Wellens não descreveu um ataque. Descreveu controlo. Uma elevação constante de ritmo enquanto as outras ainda recuperavam da desordem ao redor.

Num circuito onde a tração desaparecia sem aviso e as rodagens puniam a mínima hesitação, o estilo sentado e medido de Brand tornou-se decisivo. Enquanto outras lutavam com a bicicleta, ela guiava-a.

 

“A única que verdadeiramente o mereceu pelo que fez na época”

 

Para Wellens, não se tratou apenas do que aconteceu em Hulst. Foi a confirmação da forma de toda uma época, expressa no dia maior. “Com a Lucinda, tivemos a vencedora merecida, a única que verdadeiramente o mereceu pelo que fez na época”.

Viu o triunfo de Brand como a conclusão lógica de meses de consistência, não como um impulso isolado no dia da corrida.

E, crucialmente, enquadrou-o como um exemplo de julgamento. “O seu ritmo, sem cometer erros, a assumir riscos calculados”.

Num circuito que punia o impulso, a contenção de Brand tornou-se a sua maior arma.

 

Um lugar na história, mesmo à sombra de Vos

 

Wellens colocou também o feito de Brand num contexto histórico mais amplo. “Ela nunca se tornará a melhor ciclocrossista de sempre por causa da figura de Marianne Vos. Mas a Lucinda conquistou o seu lugar nos livros de história”.

A referência a Marianne Vos não foi para diminuir Brand, mas para sublinhar a dimensão do padrão no ciclocrosse feminino. Ainda assim, Wellens foi claro ao dizer que Hulst confirmou o estatuto de Brand como uma das corredoras definidoras da sua era. “Ela é um exemplo para as mais jovens. Espero que continue a competir em ciclocrosse durante muito tempo, mas espero sobretudo que no futuro coloque a sua experiência ao serviço do ciclocrosse feminino”.

Para Wellens, a camisola arco-íris em Hulst não se ganhou com um único movimento. Ganhou-se com paciência, contenção e uma leitura precisa do que a corrida pedia.

Enquanto outras tentaram impor-se ao percurso, Brand permitiu que fosse o percurso a decidir a corrida por ela.

“Após a sua queda nos europeus de pista, Miguel Salgueiro atualizou o seu estado de saúde”


Por: José Morais

Foto: FPC

Após a queda sofrida no primeiro dia do Campeonato da Europa de pista, que decorre na Turquia, Miguel Salgueiro recorreu às redes sociais para atualizar o seu estado de saúde. O ciclista português revelou que se encontra estável e fora de perigo, garantindo que o pior já passou.

“Só agora recebi o meu telemóvel após a queda. Ainda estou no hospital, a ser monitorizado, mas penso que o pior já passou. Estou estável e fora de perigo”, escreveu o atleta, tranquilizando familiares, colegas e adeptos.

Na mesma publicação, Miguel Salgueiro agradeceu as inúmeras mensagens de apoio que recebeu após o acidente. “Obrigado a todas as pessoas que me enviaram mensagens e comentários de força e de carinho. São muitas mensagens para ler e responder, mas agora não me vai faltar tempo”, acrescentou.

O ciclista lamentou ainda o fim prematuro da sua participação na competição continental, confessando frustração por não poder lutar pelos seus objetivos. “Não era assim que queria começar nem acabar o meu europeu. Tinha boas pernas e acredito que poderia fazer algo bonito, tanto na prova de eliminação como nos dias seguintes, mas faz parte”, concluiu.

“Almeida e Evenepoel voltam a cruzar caminhos na Valenciana”


Esta quarta-feira arranca Volta à Comunidade Valenciana, português e belga lideram o cartaz da corrida

 

Por: José Morais

A Volta à Comunidade Valenciana começa esta quarta-feira com dois nomes em destaque no pelotão: João Almeida e Remco Evenepoel. O reencontro entre o ciclista português e o belga promete animar a corrida espanhola, que serve de primeiro grande teste da época para vários candidatos às provas por etapas.

Para Remco Evenepoel, esta será já a quarta competição da temporada. O belga chega embalado após um início de ano perfeito no Challenge de Maiorca, onde somou três vitórias em três corridas, mostrando-se de imediato em grande forma na estreia pela Red Bull–BORA–hansgrohe, depois de deixar a Soudal.

“É muito especial vencer tão cedo com a nova equipa. Demonstra que o trabalho feito durante o inverno foi positivo e que estamos no caminho certo”, sublinhou o ciclista de 26 anos, tricampeão mundial de contrarrelógio, que procura recuperar totalmente de uma época de 2025 marcada por uma queda num treino que atrasou o arranque da sua temporada. “Depois dos problemas do ano passado, voltar a ganhar logo no início é extremamente motivador”, acrescentou.

Já João Almeida inicia em solo espanhol a sua temporada de 2026. O português conhece bem a prova e parte com ambição renovada, depois de em 2025 ter terminado no segundo lugar da classificação geral, apenas superado pelo colombiano Santiago Buitrago.

A Volta à Comunidade Valenciana será disputada em cinco etapas. O segundo dia reserva um contrarrelógio individual de 17,5 quilómetros, enquanto as restantes jornadas incluindo a etapa inaugural apresentam perfis exigentes, com presença de montanha, que poderão ser decisivos para a geral.

Com Almeida à procura de um arranque sólido e Evenepoel a confirmar o excelente momento de forma, a corrida promete duelo intenso logo nos primeiros dias da época europeia.

“Equipa de ciclismo do CRP Ribafria | Grupo Parapedra – MAF – Riomagic inicia época com vitória em Espanha”


A equipa de ciclismo CRP Ribafria | Grupo Parapedra – MAF – Riomagic iniciou oficialmente a época desportiva de 2026 da melhor forma, ao conquistar uma vitória individual e coletiva em Espanha, no passado fim de semana de 31 de janeiro e 1 de fevereiro.

A formação aproveitou estes dois dias para realizar um estágio de preparação e participar na sua primeira competição oficial da temporada. No primeiro dia, a equipa concentrou-se no Couço, de onde partiu para um treino coletivo até Elvas, local onde pernoitou.


No segundo dia, a equipa deslocou-se a Badajoz para participar no Criterium Fundación CB – Rubén Tanco, uma prova com cerca de 90 quilómetros, que contou com a presença de várias equipas espanholas. Esta competição marcou o arranque oficial da época de 2026 para o CRP Ribafria | Grupo Parapedra – MAF – Riomagic, que se apresentou com a totalidade do seu plantel.


A corrida teve um início bastante rápido, apesar das condições meteorológicas adversas, com chuva e vento. Desde os primeiros quilómetros, a equipa portuguesa assumiu uma postura ofensiva, promovendo vários ataques. Cerca dos 40 quilómetros de prova, formou-se uma fuga de seis atletas, na qual se integraram João Letras e Hélder Loureiro, corredores do CRP Ribafria, que rapidamente conquistaram cerca de 40 segundos de vantagem sobre o pelotão.


Por volta dos 50 quilómetros, registou-se uma queda que envolveu vários atletas do pelotão. Entre os corredores envolvidos encontravam-se também Henrique Silva e Diogo Pereira, do CRP Ribafria, que sofreram escoriações e foram obrigados a abandonar a prova. A corrida foi neutralizada durante alguns minutos, de forma a permitir a assistência e evacuação de atletas feridos.


Após a retoma da corrida, no grupo da frente sucederam-se vários ataques, sempre neutralizados com grande eficácia pela dupla do CRP Ribafria. A decisão acabou por acontecer ao sprint, com João Letras a impor-se como o mais rápido, conquistando a vitória individual.

A equipa venceu igualmente a classificação coletiva. Em termos individuais, destaque ainda para:

• João Letras, vencedor da prova e do escalão Elite

• Hélder Loureiro, 2.º classificado no escalão M40

• Luís Teixeira, vencedor de uma meta volante


Do ponto de vista tático, a prestação da equipa foi de elevado nível, com o plano de corrida a ser cumprido na perfeição. Todos os atletas demonstraram grande espírito de equipa, união e coesão, lamentando-se apenas o infortúnio da queda que levou ao abandono de dois corredores.

Este fim de semana revelou-se extremamente positivo e produtivo para a época que agora se inicia. A equipa deixa um agradecimento especial a todos os patrocinadores pelo apoio contínuo, às famílias dos atletas e a todos os corredores pelo esforço, empenho e dedicação diários, determinantes para o sucesso deste projeto desportivo.

Fonte: Equipa de ciclismo do CRP Ribafria | Grupo Parapedra – MAF – Riomagic






“Daniela Campos e Diogo Narciso alcançam dois oitavos lugares no segundo dia do Europeu de Pista”


Depois de um primeiro dia atribulado, marcado pela queda violenta de Miguel Salgueiro na prova de Eliminação, que resultou em múltiplas fraturas na região torácica, Portugal respondeu com solidez no segundo dia do Campeonato da Europa de Pista, que decorre em Konya, na Turquia. Daniela Campos e Diogo Narciso terminaram ambos na 8.ª posição, nas provas de Eliminação e Corrida por Pontos, respetivamente.

Diogo Narciso foi o primeiro a entrar em ação, competindo na exigente Corrida por Pontos, disputada ao longo de 160 voltas, a um ritmo elevado e com grande intensidade competitiva. O ciclista português esteve em evidência ao longo da corrida, envolvendo-se em várias movimentações ofensivas, conseguindo dobrar o pelotão por três vezes e pontuando em quatro dos 16 sprints intermédios.


Abrindo as contas logo ao segundo sprint, o ciclista gondomarense revelou um andamento consistente na fase inicial, chegando a rodar no top-5 da classificação geral após o oitavo sprint, quando faltavam ainda 77 voltas para o final. A partir desse momento, recuou até à 12.ª posição, mas voltou a ganhar protagonismo no último terço da prova, recuperando até ao 8.º lugar final, com um total de 67 pontos.

O título europeu, que pertencia ao português Iúri Leitão, foi conquistado pelo alemão Tim Torn Teutenberg, que somou 106 pontos, apenas mais quatro do que o dinamarquês Conrad Haugsted, enquanto o bronze ficou para o belga Jasper de Buyst, com 98 pontos.

Já Daniela Campos regressou à pista para competir na prova de Eliminação, naquela que foi a sua terceira participação neste evento em Campeonatos da Europa e Mundiais. A ciclista algarvia voltou a demonstrar evolução e maturidade competitiva, respondendo com qualidade às exigências da corrida e alcançando um excelente 8.º lugar final.


O ouro foi conquistado pela belga Lotte Kopecky, com a francesa Victoire Berteau a garantir a medalha de prata e a alemã Lea Lin Teutenberg a assegurar o bronze.

No final do dia, o Selecionador Nacional, Gabriel Mendes, destacou a resposta da equipa: “Estou muito satisfeito e orgulhoso pela excelente atitude demonstrada após a enorme infelicidade do primeiro dia. O Diogo realizou uma Corrida por Pontos muito consistente e competitiva, enquanto a Daniela fez a sua melhor prova de Eliminação em Europeus ou Mundiais, demonstrando coragem, capacidade de decisão e espírito de luta até ao fim”.

Esta terça-feira, Portugal volta à pista com Daniela Campos a competir no Omnium feminino e Diogo Narciso no Scratch. Ao contrário do inicialmente previsto, a Seleção Nacional não terá representação na Perseguição Individual, na sequência da queda sofrida por Miguel Salgueiro, que permanece internado, estável e fora de perigo, sob vigilância médica.

Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo

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