Por: Vasco Simões
Foto: Getty Images
AS PARIS-ROUBAIX MASCULINA E
FEMININA TERÃO TRANSMISSÃO NO EUROSPORT E NA HBO MAX, NUMA EMISSÃO DE QUASE 10
HORAS COM O MELHOR DO CICLISMO.
ESTA SEXTA-FEIRA, A ANTEVISÃO
DA CORRIDA GANHA AINDA MAIS INTENSIDADE COM A ESTREIA DE “PARIS-ROUBAIX, DUELS
IN HELL” EM TODA A EUROPA, UM DOCUMENTÁRIO PARA VER NO EUROSPORT 1 ÀS 12H15 E
EM STREAMING NA HBO MAX.
MATHIEU VAN DER POEL PODE
CHEGAR ÀS QUATRO VITÓRIAS CONSECUTIVAS NO “INFERNO DO NORTE”.
ANTÓNIO MORGADO E RUI OLIVEIRA
SÃO OS DOIS PORTUGUESES EM PROVA.
O “Inferno do Norte” está de
regresso e promete, uma vez mais, escrever uma das páginas mais intensas da
temporada. A 123.ª edição da Paris-Roubaix arranca este domingo, 12 de abril,
com partida em Compiègne e chegada, como manda a tradição, no icónico velódromo
André-Pétrieux, em Roubaix. São 258,3 quilómetros de desgaste contínuo, onde a
resistência física, a técnica e a capacidade de sobrevivência ao caos definem o
vencedor de um dos “Monumentos” mais imprevisíveis do ciclismo mundial.
O percurso mantém a sua
essência, mas traz novidades relevantes em 2026. Logo na fase inicial de pavé,
a organização introduziu uma sequência mais densa de setores, praticamente sem
asfalto entre eles, o que deverá endurecer a corrida mais cedo e aumentar o
risco de cortes no pelotão. No total, serão 30 setores de empedrado, somando
54,8 km, com destaque inevitável para os três juízes da corrida: Trouée
d’Arenberg, Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre, todos classificados com
cinco estrelas e tradicionalmente decisivos.
A entrada no velódromo de
Roubaix continua a ser um dos momentos mais emblemáticos do ciclismo. Depois de
mais de seis horas de sofrimento, os sobreviventes entram num cenário quase
mítico, onde o silêncio tenso dos balneários, com os históricos chuveiros
individuais e placas com nomes lendários, contrasta com o ruído das bancadas. É
aqui que se decide tudo: sprint reduzido ou triunfo isolado, com o vencedor a
erguer o simbólico paralelepípedo, um dos troféus mais icónicos do desporto.
No plano desportivo, todas as
atenções recaem no duelo entre Tadej Pogačar e Mathieu van der Poel. O
neerlandês chega como dominador recente da prova, tendo vencido as edições de
2023, 2024 e 2025, e pode agora igualar o registo de quatro vitórias detido por
Tom Boonen e Roger De Vlaeminck. Já Pogačar regressa com uma ambição clara:
conquistar o único “Monumento” que ainda lhe escapa, depois de um segundo lugar
que lhe abriu definitivamente as portas deste território.
O contraste de forma entre
ambos acrescenta ainda mais interesse ao duelo. Em 2026, Van der Poel soma
vitórias na Omloop Nieuwsblad e na E3 Saxo Classic, mantendo consistência no
pavé, enquanto Pogačar chega com um palmarés de peso nas clássicas, incluindo
triunfos na Ronde van Vlaanderen, na Milano-Sanremo e na Strade Bianche. Um
confronto entre especialização e versatilidade, num terreno onde qualquer
detalhe pode ser decisivo.
Entre os principais candidatos
surgem ainda nomes como Wout van Aert, Mads Pedersen, Jasper Philipsen e
Filippo Ganna, num leque de especialistas capazes de aproveitar qualquer falha
dos favoritos. Num cenário onde quedas, furos e problemas mecânicos são
praticamente inevitáveis, a corrida tende a eliminar candidatos sem aviso,
abrindo espaço a surpresas.
Nota ainda para a presença
portuguesa, com António Morgado e Rui Oliveira, integrados na UAE Team
Emirates-XRG numa participação que reforça a visibilidade nacional numa das
corridas mais exigentes do calendário. Ambos deverão assumir papéis de apoio às
suas equipas, mas com margem para ganhar protagonismo num contexto onde a
imprevisibilidade é regra.
Na sexta-feira, o aquecimento
para o “Inferno do Norte” ganha nova dimensão com a estreia de “Paris-Roubaix,
Duels in Hell” no Eurosport e na HBO Max, um documentário exclusivo de 102
minutos que serve como antevisão privilegiada da clássica mais dura do
ciclismo. Antes de o pelotão enfrentar os setores de pavé que podem decidir a
corrida de domingo, o filme mergulha na história épica da prova e na rivalidade
contemporânea entre Tadej Pogačar e Mathieu van der Poel, dois protagonistas
destinados a cruzar novamente caminhos no empedrado de Roubaix. Com análises de
especialistas e imagens que contextualizam o peso histórico da corrida, a
estreia funciona como um verdadeiro aperitivo competitivo, elevando a tensão e
o entusiasmo para um dos fins de semana mais aguardados do calendário de
ciclismo.
A corrida feminina volta
também a assumir um papel central neste domingo, com a Paris-Roubaix Femmes a
apresentar o percurso mais exigente da sua história: 148 km desde Denain até
Roubaix, com mais de 33 km de pavé e uma entrada precoce no caos graças à nova
sequência inicial de setores. A campeã em título Pauline Ferrand-Prévot parte
como principal candidata a repetir o triunfo em casa, mas terá forte oposição
de Lotte Kopecky, Lorena Wiebes e Elisa Longo Borghini, num pelotão cada vez
mais profundo e imprevisível, onde o caos do pavé pode abrir espaço a novas
protagonistas.
Mais do que uma prova, a
Paris-Roubaix é um teste ao limite do ciclismo moderno e uma ponte entre eras.
A presença de um corredor como Pogačar reforça essa ideia: um vencedor de
Grandes Voltas a desafiar o terreno mais brutal das clássicas, frente a um especialista
que pode entrar definitivamente na história. Entre ambição, legado e
sobrevivência, a edição de 2026 reúne todos os ingredientes para um duelo
memorável no coração do “Inferno do Norte”.
Toda a ação pode ser
acompanhada em direto no Eurosport 1 a partir das 9h30, numa emissão contínua
que se prolonga até às 16h00, momento em que ficará decidido o novo vencedor.
De seguida, o protagonismo passa para a corrida feminina, transmitida até cerca
das 17h45, completando um dia inteiramente dedicado ao melhor ciclismo do
mundo. Toda a cobertura estará igualmente disponível em streaming na HBO Max,
num verdadeiro festival de pavé do início ao fim.
Fonte: Eurosport