Por: José Morais
O ciclista francês Damien
Touzé, de 29 anos, descreveu ao L’Équipe aqueles que considera “os minutos mais
longos da sua vida”, após a violenta queda sofrida em fevereiro durante o Tour
de Omã, que lhe provocou fraturas na pélvis e no fémur, além de uma lesão no
braço. O atleta admitiu que, no momento do acidente, acreditou que não iria
sobreviver.
“Tive a
sensação estranha de que estava a morrer”
Touzé recorda que, apesar de
inicialmente não sentir a gravidade das lesões, percebeu rapidamente que algo
estava errado ao observar a reação da equipa.
“Olhei para o
diretor-desportivo e percebi que o seu rosto não transmitia qualquer
tranquilidade. Estava num país que não conhecia, num hospital improvisado, sem
raio‑X. Deram-me apenas pontos na
coxa. Os médicos fizeram o que puderam, mas eu sabia que era grave”, relatou.
A ausência de meios adequados
e a dor intensa deixaram o ciclista desorientado e com a sensação de que a
situação poderia ter um desfecho fatal.
A chamada
que gelou a família
A esposa, Sofia Six, descreveu
um dos momentos mais dramáticos do episódio: a chamada telefónica em que o
marido acreditava estar a despedir-se.
“Eu estava a trabalhar e nem
sabia que ele tinha caído. Quando atendi, ouvi-o a chorar e a dizer: ‘Vou
morrer, diz ao nosso filho que o amo’. Tentei acalmá-lo, mas percebi que havia
algo muito sério.”
Só mais tarde soube das
fraturas e da complexidade da situação clínica.
O aviso
do cirurgião e o desespero antes da operação
A fase mais crítica, segundo
Touzé, ocorreu antes da cirurgia. O médico responsável foi direto: havia risco
de não sobreviver ao procedimento.
“Ele foi honesto. Disse-me que
eu podia não voltar a acordar. Recusei-me a ligar à minha mulher naquele
momento, mas no dia seguinte ele repetiu o aviso: ‘Pode não voltar a falar com
ela’. Foi então que liguei… para me despedir.”
Recuperação
lenta e futuro incerto
Desde o acidente, Touzé não
voltou a competir. Aos 29 anos, continua em reabilitação e ainda procura a
primeira vitória da carreira profissional. A equipa não estabeleceu prazo para
o seu regresso às competições.
Um alerta
para a segurança no ciclismo internacional
O caso reacende o debate sobre
as condições médicas disponíveis em provas realizadas em países com
infraestruturas limitadas. Especialistas têm defendido protocolos mais
rigorosos, incluindo:
Equipas
médicas completas em todas as etapas
Transporte rápido para
hospitais com capacidade de diagnóstico avançado
Avaliação prévia das condições
de resposta de emergência nos países anfitriões
A queda de Touzé junta-se a
outros incidentes recentes que têm levado a União Ciclista Internacional a
rever procedimentos de segurança.

Sem comentários:
Enviar um comentário