Por: Pascal Michiels
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Um dia antes de a época de
ciclismo de 2026 começar oficialmente para a maioria dos adeptos com o Tour
Down Under, na terça-feira, 20.01, uma Grande Volta vai arrancar… na Índia!
Não, não enlouquecemos, mas também não envolve Giro, Tour ou Vuelta. Em vez
disso, o chamado “Tour de Pune” figurará no calendário UCI como a primeira
corrida internacional na Índia desde 2013. A prova por etapas de cinco dias, na
região de Pune, começa na segunda-feira, 19.01, e termina na sexta-feira.
Para o ciclismo no país mais
populoso do mundo, é uma oportunidade de renascimento após a queda de
popularidade na década anterior. Porém, nos últimos anos, o ciclismo de estrada
tem recuperado espaço no coração do público, pouco a pouco.
O Tour de Pune promete ser um
evento de grande escala, uma celebração que vai muito além do desporto. Para
esta corrida 2.2, um pelotão numeroso de 171 corredores alinhará no prólogo de
segunda-feira. No lote estarão várias equipas de perfil elevado, que parecem
querer testemunhar in loco o nascimento de uma “quarta Grande Volta”.
Entre os participantes mais
destacados estão a ProTeam Burgos Burpellet BH, a equipa continental belga
Tarteletto-Isorex com o ex-sprinter profissional Timothy Dupont, e a formação
chinesa Li Ning Star com o ex-Bahrain sprinter Cameron Scott. O país anfitrião,
a Índia, apresenta também duas seleções: a Equipa Nacional, composta
maioritariamente por ciclistas experientes, e a Equipa de Desenvolvimento,
focada em talentos emergentes.
Um
momento decisivo
“Todo o desporto tem o seu
momento decisivo. Acho que, para o ciclismo de estrada, este poderá ser o tal”,
disse Naveen John, líder da Seleção da Índia, à newsletter Global Peloton antes
do arranque da corrida.
O veterano John, de 39 anos, é
nove vezes campeão nacional de contrarrelógio e é apontado como o melhor
classificado entre os da casa no prólogo inaugural de 8 quilómetros. Poderá ser
o único no pelotão com participação nos “Cyclothons” de 2013.
E embora a cena doméstica
tenha acelerado nos últimos meses e anos, John sublinha a importância de medir
forças com o pelotão internacional: “Pela visibilidade que a corrida está a
ter. Não é só a nível estadual nem apenas dentro dos círculos do ciclismo. Pela
primeira vez, um evento da nossa modalidade está a rebentar essa bolha.”
“Este é um momento de viragem
para Pune e para a Índia, e estamos prontos para entregar uma corrida que
estabelece um novo padrão global para as UCI Asia Tours”, afirmou em comunicado
Jitendra Dudi (IAS), Collector do Distrito de Pune e responsável máximo pela
prova.
“Isto não é apenas uma
corrida; é a chegada da Índia como nova potência no pelotão profissional. É um
momento de orgulho para Pune ao recuperar a sua identidade original de ‘Capital
da Bicicleta’. A edição inaugural será um marco para a Índia se afirmar como
destino internacional de ciclismo. Para nós, o Bajaj Pune Grand Tour não se
trata apenas de organizar uma prova; queremos criar um legado para Pune e para
a Índia. Inspiramo-nos nos 120 anos de legado que o Tour de France construiu. A
participação recorde no Tour de Pune reforça a nossa convicção de que a Índia
pode ter o seu próprio ‘Pro Tour’ num futuro próximo, com Pune a liderar esta
ambição.”
Segundo a Global Peloton, a
chegada da corrida motivou a repavimentação de 500 km de estradas em
Maharashtra, e mais de 3 000 pessoas inscreveram-se como voluntárias.
Se o prólogo de abertura será
decisivo para baralhar as primeiras cartas da geral, já que a maioria das
etapas deverá terminar ao sprint em pelotão, a terceira tirada pode oferecer
animação graças a várias colinas curtas no percurso, com a última, a 17 quilómetros
da meta, a ser a mais dura do dia: 1,8 km a 8,7%.



