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A fusão Lotto-Intermarché foi
um dos projetos mais ambiciosos, e caóticos, que o ciclismo viveu nos últimos
anos. Em menos de um ano, duas equipas de nível World Tour com quase 60
ciclistas (90 se contarmos as formações de desenvolvimento) tiveram de se unir
para criar uma única equipa. Não aconteceu sem polémicas, lágrimas e até
algumas reformas imprevistas. Mas o patrão da equipa acredita que era a única
opção para garantir que pelo menos um dos dois projetos sobrevivia a longo
prazo.
“Estou a falar com a imprensa
pela primeira vez e devo dizer que lamento esta falta de comunicação sobre o
projeto”, enquadrou o chefe da Lotto-Intermarché, Jean-François Bourlart, aos
jornalistas, incluindo a Dernière Heure, na apresentação da equipa.
“Não foi uma operação fácil. A
certa altura, a própria UCI mostrou reservas em relação ao projeto. Mas no
final quase nos felicitaram… Uma coisa é certa, não tenho qualquer pressa em
repetir a mesma operação”, assume sem rodeios.
Bourlart explicou que, na
Intermarché-Wanty, a situação se tornara demasiado exigente do ponto de vista
financeiro para continuar como projeto autónomo. Apesar da ascensão de Biniam
Girmay em 2022 e de novo em 2024, a equipa não conseguiu assegurar financiamento
suficiente para manter o crescimento num ritmo elevado que permitisse
acompanhar a concorrência.
Noutros depoimentos citados
pelo Cyclism'Actu, Bourlart reconheceu que foi mantido “um número máximo” de
elementos de staff das duas estruturas, mas que “outros tiveram de encontrar um
novo emprego”. “Não foi a parte mais divertida da operação”, admitiu, “mas
tínhamos de a concluir e hoje estamos orgulhosos da equipa que temos”.
Perda de
Biniam Girmay
O sprinter eritreu estava,
naturalmente, no topo da lista de desejos da nova direção, mas o corredor de 25
anos optou por acionar uma cláusula do contrato para encontrar nova casa na NSN
Pro Cycling. É uma das derrotas que Bourlart lamenta.
“O Biniam era muito cobiçado
por outras equipas com grandes orçamentos”, disse Bourlart, antes de sublinhar:
“Fizemos coisas muito boas com ele. Vê-lo ganhar na Gent-Wevelgem [em 2022] foi
uma surpresa, mas não para nós. Depois veio aquela etapa que venceu na Volta a
Itália num traçado desenhado para o Mathieu van der Poel, as três vitórias na
Volta a França e a camisola verde… é incrível o que vivemos no nosso pequeno
projeto”.
Com Girmay alegadamente a
auferir 1 milhão de euros por ano após a renegociação contratual na sequência
da vitória em Gent-Wevelgem, Bourlart admitiu sem rodeios que as limitações
orçamentais da equipa pesaram na sua saída.
“Certamente”, afirmou, segundo
o Cyclism'Actu. “Havia a questão desportiva e a do orçamento. Tínhamos 43
ciclistas sob contrato e tivemos de fazer escolhas. Algumas eram intocáveis
porque a UCI deu prioridade aos corredores da Lotto. Não empurrámos o Biniam
para fora, havia propostas e ele fez a sua escolha”.
A fusão avançou, em qualquer
caso, e a ideia é aproveitar o melhor das duas equipas, explicou Bourlart à
Derniére Heure, para tentar melhorar em todas as frentes. Como disse, “um mais
um não dá três, mas vamos tentar aproximar-nos o mais possível dessa direção.
Certamente tentaremos que seja mais do que dois”.
E há trabalho a fazer, já que,
em 2025, Lotto e Intermarché-Wanty terminaram individualmente em 23º e 24º,
respetivamente, no ranking anual da UCI, pior do que a agora extinta Arkéa -
B&B Hotels (21º) e a TotalEnergies (22º).

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