segunda-feira, 26 de novembro de 2018

“Novo Diretor Técnico Nacional na FTP”

Com 34 anos, António Fortuna assumiu em novembro de 2018 funções na direção e coordenação do alto rendimento.

Qual é a tua formação base?
Licenciei-me em Educação Física pela Universidade Lusófona de Humanidade e Tecnologias, depois de uma juventude muito ligada ao desporto. Somos cinco irmão dos quais quatro seguiram a área do desporto, apesar de os meus pais serem os dois advogados.

Quando iniciaste a tua vida profissional?
Comecei a trabalhar na Câmara Municipal do Seixal quando ainda estava a frequentar a faculdade. Estive ligado ao ensino e treino da natação, fui preparador físico de nadadores e tenistas. Acabei por ficar a trabalhar na Câmara como Técnico Superior de Desporto.

Falaste-me num projeto em que estiveste envolvido?
Sim, fui convidado para a criação do primeiro ginásio exclusivamente para diabéticos através da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, onde tive funções de coordenação do espaço durante três anos, mas também de preparação de atletas diabéticos de todas as idades. O programa pré consulta incluía o ‘Circuito Primeira Vez’, onde o diabético passava por três sessões de formação: exercício físico, motivação e alimentação, cujo objetivo era principalmente alterar o estilo de vida, para poder estar na melhor condição física de modo a adaptar a farmacologia.

Que tipo de formação disponibilizavam?
O estilo de vida tem muita influência na diabetes tipo II, há muitas pessoas que se alterarem a alimentação, praticarem exercício físico e ganharem motivação para manter estes hábitos podem fazer regredir a doença. O ginásio disponibilizava o enquadramento das sessões de treino, além de momentos formativos aos técnicos e utentes dos Centros de Saúde.

E depois disso por onde seguiste a atividade profissional?
Integrei nos últimos dois anos a função de Diretor Geral da Federação de Remo, uma instituição que tinha passado recentemente por um processo de insolvência. Foi muito interessante poder estar ligado à renovação de uma modalidade desportiva em Portugal, onde foi possível contribuír para as mais diversas àreas de atividade, tais como a reorganização e regulamentação de quadros competitivos, organização das seleções nacionais tendo em vista Tóquio 2020 e relacionar todas estas àreas com a sáude financeira da organização. Muito poucos desafios profissionais me fariam abandonar o projeto do remo, mas o da FTP era seguramente um deles, já que é a minha área de maior investimento profissional. Foi com um grande orgulho que vim exercer as funções de DTN.

Como vieste parar ao Triatlo?
Eu tinha um colega na Câmara do Seixal, quando era Técnico Superior da Câmara, que me desafiou a experimentar a modalidade: foi paixão à primeira vista! Mantive-me sempre como atleta amador para conseguir uma prática regular de atividade física e desportiva, e acabei por ficar ligado durante alguns anos como treinador à Associação Naval Amorense  A seguir estive no Belenenses com o Pedro Freire, que me tem acompanhado nesta caminhada e ambos voltámos à Associação Naval Amorense.

E continuas como treinador?
Atualmente não exerço funções de treinador, uma condição que considero necessária para exercer este cargo de modo isento nas tomadas de decisão ou para não colocar em risco as instituições ou clubes às quais eu eventualmente estivesse ligado. A independência era um ponto fundamental.

Como defines o ponto em que se encontra o Triatlo hoje?
O Triatlo é uma modalidade com uma longevidade bastante grande e, por outro lado, demasiado recente no panorama internacional. Os ciclos olímpicos têm sido sempre diferentes e se calhar a partir de agora é que vamos assistir a uma revolução da modalidade, com um desempenho uniforme por parte dos atletas nos três segmentos. Se de algum modo se privilegiava a natação e a corrida, ficando o ciclismo para segundo plano, atualmente os triatletas têm que mostrar valências nos três segmentos. É o amadurecimento da modalidade que provavelmente irá ditar diferenças em Tóquio 2020.

Quais são os objetivos desta função que assumiste?
Queremos apostar numa equipa de estafetas que se qualifique para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Seria a primeira vez que teríamos duas atletas femininas nos mesmos Jogos Olímpicos, além dos dois atletas masculinos. A qualificação da equipa de estafetas não começou da melhor maneira para nós, porque o modelo de acesso às competições foi realizado com base nos rankings das Taças do Mundo e WTS, antes de sabermos que a prova por estafetas mistas seria modalidade olímpica. Deste modo, nesta primeira fase de qualificação, não tínhamos ranking que nos permitisse ter acesso às primeiras competições pontuáveis.
Em termos práticos, como contam os cinco melhores resultados, no máximo três por casa período, eu acredito que ainda vamos ter um bom resultado neste primeiro período e três no segundo e último de qualificação. Era muito importante atingir esta meta e para isso será necessário que todos compreendam que temos que ter uma consciência coletiva e nível forte de coesão, o que até agora não era tão necessário na nossa modalidade.

Já existe uma equipa mista em vista?
Está tudo em aberto nesta altura, estamos a um ano e pouco do final da qualificação olímpica, sabemos que existe muito potencial, mas que depois terá que se efetivar nos resultados. Vai ser um período extremamente exigente e para qualquer atleta ser elegível terá que estar nos 140 primeiros lugares do ranking. Apesar da qualidade inegável de alguns atletas, estes têm que conquistar os pontos necessários para estarem elegíveis para a equipa estafeta. Este misto de condicionantes vai requerer uma responsabilidade redobrada, critérios rigorosos na presença em competições e responsabilidades partilhadas na obtenção de boas classificações.

Qual o caminho para a obtenção de resultados?
Temos que ser capazes de trabalhar em conjunto na gestão e na decisão, sou extremamente defensor das equipas multidisciplinares, do contributo coletivo não só a nível dos diferentes treinadores, mas também de outros agentes de diferentes disciplinas como a Fisioterapia, a Medicina, a Psicologia ou a Nutrição.
Por outro lado, é também importante obtermos dados longitudinais que caracterizem os nossos atletas, realizarmos controlos de treino sistemáticos, que não só funcionam como ferramentas muito importantes para os treinadores e atletas conseguirem mensurar o seu estado, mas também para evoluírem no caminho dos seus objetivos. Posteriormente, temos que saber analisar os dados de modo a conseguir traçar objetivos realistas. E se todos nós tivermos a preocupação de sermos honestos, competentes e realistas no trabalho que fazemos, os resultados a alcançar serão tendencialmente melhores.

O que pode influenciar os atletas?
Um grupo forte pode influenciar individualmente os atletas, a comparação com os pares é a melhor forma de evoluir, em que o contributo coletivo é uma forma de aumentar a competência. Por outro lado, é mais fácil gerir em grupo as ansiedades competitivas, onde, por exemplo, a psicologia, pode ter uma intervenção fundamental. Para conquistar índices de excelência, os atletas têm que se comprometer com a modalidade, com a estrutura, com as direções técnicas e com os treinadores de modo a que esse compromisso possa ser recíproco. Queremos que exista um compromisso real das pessoas para que haja também um investimento cada vez maior.

O que falta fazer?
Verificamos duas coisas: ainda não temos triatletas olímpicos que tenham iniciado a sua carreira desportiva no triatlo, pelo que temos alguma expetativa de haver triatletas provenientes das escolas de formação de triatlo e, quem sabe, ter os nossos primeiros atletas de nível olímpico vindos da formação do triatlo.
Por outro lado, existe a necessidade de, em conjunto com os treinadores, conseguirmos reter o atleta praticante na modalidade. Nós verificamos que muitos dos jovens talentosos e promissores estão a ficar pelo caminho, sendo necessário repensar a nossa abordagem do treino dos mais jovens ao contexto competitivo. Dado que o triatlo tem grande longevidade, não deveria ser necessário queimar etapas.
A ideia é tornar a abordagem muito apelativa aos jovens, disponibilizando formatos que permitam que as escolas de triatlo identifiquem os atletas que pretendem manter-se num formato competitivo, mas sem esquecer aqueles jovens que querem usufruir do triatlo como uma prática regular de atividade física, entrando numa prática competitiva, comparando-se com os seus pares, mas evitando a pressão da obtenção do resultado.
Infelizmente, estamos muito direcionados nas camadas mais jovens para o modelo da competição idêntico ao das Elites, mas acredito que estamos a conseguir sensibilizar os treinadores para não copiarmos os modelos competitivos dos mais velhos.

E quando achas que isso vai haver alteração do modelo competitivo jovem?
Não acontece da noite para o dia, vai obrigar a uma reflexão, a um contributo de vários treinadores com experiência na modalidade, à sensibilização dos agentes da modalidade que passam pelas famílias, pelos pares escolares. É preciso ‘abanar’ as estruturas que integram o desporto, dando importância aos fatores de desenvolvimento biológico dos atletas.

O que está efetivamente a mudar no Triatlo?
Estamos a assistir a uma alteração nos modelos competitivos, nas distâncias, nos formatos, nos tipos de terrenos das provas e nomeadamente com segmentos de corrida e ciclismo mais desafiantes. Temos por exemplo segmentos de ciclismo mais exigentes, alterações dos percursos de corrida que eram tradicionalmente planos; apareceram as estafetas que vieram alterar o quadro competitivo das nações, inclusive em Portugal, uma das grandes mudanças e objetivos a atingir no Triatlo.
Os nossos treinadores têm níveis de formação bastante elevados, preocupam-se em desenvolver um trabalho criterioso, mas vamos ter que perder a necessidade de conquistar os títulos jovens a todo o custo, avaliando um bom treinador apenas pelos resultados dos seus atletas. É importante avaliar outros parâmetros como o índice de retenção na modalidade, os atletas mais motivados, o espírito de equipa vigente. Há mais fatores que devem ser valorizados pela FTP e pelos restantes colegas de profissão para que todos compreendam as vantagens desta forma de estar no desporto.

Fonte: FTP

“ACM acusa Presidente da República e Governo de discriminarem ciclismo”

O Presidente da República e o Governo foram acusados de discriminar o ciclismo por não atribuírem tratamento igual às modalidades e aos feitos desportivos dos portugueses. A acusação partiu do Presidente da Associação de Ciclismo do Minho, José Luís Ribeiro, na Gala de encerramento da época desportiva realizada no auditório do Campus de Azurém (Guimarães) da Universidade do Minho.

Perante um auditório repleto, o dirigente minhoto acusou também algumas autarquias e alguma comunicação social de tratamento diferenciado, defendeu o reforço dos apoios ao ciclismo regional e de formação, anunciou uma iniciativa junto do poder político para enquadrar todos os eventos na tutela das federações e apelou aos jovens atletas para que não descurem os estudos e conciliem a vida académica com a prática desportiva.

A Associação de Ciclismo do Minho encerrou a época desportiva de 2018 com uma Gala em que, além da consagração dos Campeões do Minho e dos vencedores das diversas competições, homenageou os minhotos que se sagraram Campeões Nacionais em 2018 e que alcançaram resultados internacionais de relevo.

“O nível de progresso de um País também se mede pelo índice de prática desportiva e pela qualidade e quantidade do trabalho desenvolvimento na formação desportiva dos jovens. Por vezes, basta um pequeno reconhecimento público que confira visibilidade às modalidades - nem que este surja apenas quando um atleta alcança um feito desportivo de relevo - para que as dificuldades diminuam”, referiu José Luís Ribeiro lamentando que “infelizmente, nem isso aconteça e o ciclismo, como outras modalidades amadoras, continuem a ser discriminados por aqueles que mais responsabilidades têm”.

“Onde estavam o Presidente do República e o Governo quando ciclistas portugueses conquistaram títulos europeus e mundiais? Como é possível um Presidente da República e o Governo continuarem a discriminar o ciclismo e a não atribuírem tratamento igual às modalidades e aos feitos desportivos das modalidades amadoras? Quantos títulos internacionais será necessário o ciclismo voltar a conquistar para que os titulares de cargos públicos se dignem reconhecer a modalidade?”, questionou José Luís Ribeiro afirmando “não ser justo que o ciclismo seja considerado pelo IPDJ das primeiras modalidades nacionais em termos de desenvolvimento desportivo mas seja das últimas em termos de financiamento público”.

O dirigente minhoto considerou ser “imperioso” que o Presidente da República e o Governo “saibam e reconheçam que existe muito mais desporto para além do futebol”, afirmando que “ao não ser alterado o comportamento discriminatório evidenciado até ao momento pelo presidente da República e pelo Governo, estes continuarão a trilhar o caminho para se transformarem no Presidente e no Governo de alguns portugueses e no Presidente e no Governo de apenas algumas modalidades desportivas”,

José Luís Ribeiro afirmou que “situação idêntica, infelizmente, ocorre também nalgumas autarquias do Minho que privilegiam algumas modalidades na atribuição de apoios e discriminam os nossos clubes de ciclismo”.

Os apoios ao desenvolvimento da prática desportiva e ao alto rendimento, a revisão dos estímulos do Estatuto do Mecenato e o incentivo e valorização do trabalho dos dirigentes desportivos voluntários são matérias que, segundo o dirigente minhoto, “se não forem urgentemente acauteladas vão contribuir para o rápido declínio do desporto”.

“É fundamental estimular e valorizar o trabalho desenvolvido no ciclismo regional e reconhecer que os clubes e as associações, movidos pelo trabalho voluntário dos seus dirigentes, são a base da construção do desporto e prestam à comunidade um serviço singular, mantendo ativos e dinamizando projetos que contribuem, por exemplo, para a integração social, a democratização da prática desportiva e a preservação dos valores do desporto”.

“Sem ciclismo regional de formação não haverá futuro, não existirá ciclismo profissional e não haverá sequer Volta a Portugal”, referiu o dirigente considerando que a Federação Portuguesa de Ciclismo tem que fazer mais, exigindo ao Governo, com mais veemência e eficácia, um tratamento justo e adequado para o ciclismo”.

José Luís Ribeiro acusou ainda a comunicação social de “salvo raras exceções, só se lembra do ciclismo para noticiar casos de doping”. “Somos pelo jogo limpo e defendemos “tolerância zero” em relação ao doping mas - também neste assunto - não aceitamos tratamentos diferenciados. Não se percebe nem se aceita que a comunicação social e a própria população sejam benevolentes e desvalorizem casos de doping surgidos noutras modalidades mas sejam absolutamente implacáveis quando surgem casos no ciclismo”, disse reafirmando que a ACM “foi e continuará a ser pelos princípios e valores do desporto, nomeadamente, a ética, a honestidade, o espírito e a verdade desportiva”.

“Defendemos e continuaremos a exigir que a Federação Portuguesa de Ciclismo processe judicialmente os prevaricadores em matéria de dopagem reclamando indemnizações pelos prejuízos causados à modalidade”, referiu o dirigente relembrando que, desde 2014, a ACM alerta para “os sinais preocupantes em relação ao doping detetados, em especial, em eventos e competições não reconhecidas pelas federações desportivas”.

“Esses são eventos que fogem à tutela das federações e nos quais não existe qualquer garantia, por exemplo, de cumprimento das normas de segurança e da defesa da verdade e da ética desportiva, podendo, inclusive, estarem a contribuir para a proliferação do doping. Esses eventos são um sério problema do desporto atual e uma grave ameaça ao desenvolvimento desportivo, não apenas do ciclismo, configurando também uma flagrante e incompreensível concorrência desleal em relação a eventos desportivos devidamente oficializados pelas federações”, afirmou.

O Presidente da Associação de Ciclismo do Minho considerou ser “urgente enquadrar definitivamente todos os eventos nas respetivas Federações dotadas do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva pelo que, acompanhando a evolução do fenómeno desportivo e antecipando o futuro, estamos a trabalhar, com o apoio da Federação Portuguesa de Ciclismo, numa proposta de alteração legislativa que oportunamente será apresentada”.

No balanço da época desportiva, José Luís Ribeiro considerou que “2018 foi um ano de excelência para a Associação de Ciclismo do Minho: consolidamos a ACM como a maior e mais representativa associação regional de ciclismo do País (2893 atletas, 127 clubes, 157 agentes desportivos, 186 dias de atividade, 2860 colaboradores voluntários em todas as atividades e 45.318 participantes no total das atividades), desenvolvemos e inauguramos em Guimarães a segunda fase do Centro de Ciclismo do Minho, organizamos mais uma edição do Grande Prémio do Minho, organizamos os campeonatos do Minho de ciclismo de estrada e BTT, provas da Taça de Portugal e os Campeonatos Nacionais de Maratonas e de Ciclocrosse e organizamos ainda aqueles que já foram considerados os melhores Campeonatos do Mundo Universitários de sempre”. “Orgulha-nos o êxito da época desportiva de 2018 e partilhamos o sucesso com todos os que contribuem para que a Força Minho seja uma realidade cada vez mais pujante”, referiu.

Aos jovens atletas, “que merecem o nosso carinho especial”, o dirigente minhoto fez um pedido: “continuem a divertir-se com o ciclismo mas nunca descuidem os estudos. É possível praticar desporto e ter bom rendimento escolar. O estudo e o desporto complementam-se e potencializam-se, sendo possível conciliar a carreira académica com a prática desportiva ao mais alto nível. Esse é o caminho certo, esse é um caminho de futuro”.

“Também não esquecemos – porque merecem uma palavra de apreço e de reconhecimento - as famílias dos atletas, dos dirigentes, dos restantes agentes desportivos, voluntários e patrocinadores. Sem o apoio deles, jamais se conseguiriam vencer as dificuldades”, concluiu.

Na 10ª edição da Gala da ACM foram homenageados os atletas minhotos que se sagraram Campeões Nacionais em 2018 e que conquistaram resultados de relevo a nível internacional. De igual modo, foram entregues os prémios finais do Campeonato do Minho de Ciclismo de Estrada - Arrecadações da Quintã, Campeonato do Minho de BTT XCO - Raiz Carisma, Campeonato do Minho de BTT DHI - CISION, Campeonato do Minho de BTT XCM - AFA Cycles e da Taça do Minho de Ciclismo de Estrada - Arrecadações da Quintã e de BTT XCO - Raiz Carisma.

Na iniciativa, que decorreu com grande entusiasmo e emoção, atuaram Marco Génio, a Academia Sara Salazar - Danças Orientais, Zé Miguel, Paulo Rodrigues / Ana Silva e Sina Key.

Fonte: ACM