domingo, 2 de outubro de 2016

Primeiro Passeio “O Cantinho do Avô” ao Rubro

Alcanhões recebe mais de duas centenas de cicloturistas

Texto e fotos: José Morais

Alcanhões é uma vila portuguesa do distrito de Santarém, a cerca de 80 km de Lisboa, pertencente à província do Ribatejo, esta vila ribatejana fica a sul da cidade de Santarém, e foi nesta vila que estivemos este primeiro domingo de outubro, iniciamos o mês com um grande passeio de cicloturismo, foi o primeiro, e será sem dúvida o primeiro de muitos, a organização esteve a cargo do Núcleo de Cicloturismo “O Cantinho do Avô”, e teve apoio da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), já que fazia parte o passeio do seu calendário oficial nacional.

Bem cedo Alcanhões começou a ser evadida por bicicletas, a concentração ocorreu junto ao Núcleo O Cantinho do Avô, confirmadas as inscrições, preparadas as bicicletas, dois dedos de conversa, e pelas 9 horas tudo estava a postos para ser dada a partida, para o passeio que tinha 60 quilómetros, percorridos pelo distrito de Santarém, sendo o mesmo dividido por duas partes, com uma primeira passagem pelo local da partida, onde foi feita uma paragem para um abastecimento liquido e sólido, retomadas as pedaladas, na segunda passagem, terminaram as pedaladas, que ocorreu depois das 12 horas.

Com um trajeto de dificuldade praticamente baixa, apenas uma subida marcou os participantes, o percurso era assim excelente para rolar, com paisagens sem dúvida magnificas, algumas das quais eram vinhas, não estivéssemos nós numa zona vinícola, ao mesmo tempo que os participantes podiam conviver entre si, numa manhã de domingo sem dúvida excelente para a prática da modalidade, a qual acordou fresca, vindo mais tarde a ser aquecida pelo calor que se fez sentir.

Olhando o evento:

Com algumas dificuldades nos últimos anos na modalidade, pela crise que o país passou, e ainda sente, este ano tivemos dois novos passeio, ambos de sucesso, o primeiro em Tires, organizado pelo Monte Real, e agora este, do Cantinho do Avô, que se esmerou na sua realização, também esta organização, apesar de só este ano ter formado o Núcleo, muitos dos seus cicloturistas já andavam nestas andanças há vários anos, e assim conseguiram sem dúvida um êxito no seu passeio. Souberam assim os mesmo receber na sua terra, tanto antes, durante, como depois, ofereceram um abastecimento sem dúvida excelente, com um almoço final divinal. Na estrada o acompanhamento foi muito bom, com uma velocidade a manter o pelotão praticamente junto, sendo dada a segurança pelo Grupo de Motard Bispos do Asfalto a toda a caravana.

Momento alto do evento, foi também marcado já quase no final, com uma paragem de homenagem a José Balreira, um antigo ciclista da terra dos anos 30, tendo corrido, entre outros clubes, pelo Benfica, foi treinador dos Águias de Alpiarça em 1955, e fundador e sócio honorário da Associação de Ciclismo de Santarém, tendo pertencido ao seu Conselho Técnico, em 1991 foi agraciado pelo Ministério da Educação com a Medalha de Bons Serviços Desportivos.

No final, ouvimos Alexandre, responsável pelo evento, o qual se mostrou satisfeito pelo número de participantes, e pela forma como o passeio decorreu, sendo um incentivo a futuras edições. Alexandre, referiu que os apoios são muitos pouco ou quase nenhuns, apenas o seu café/restaurante do nome no Núcleo, que está a apoiar a iniciativa, mas esperam marcar o máximo de presenças nos eventos, como forma de divulgar e incentivar ainda mais a modalidade. Finalizou deixando a sua mensagem, venham até Alcanhões, serão sempre bem-vindos, e se não vierem antes, venham para o ano, cá os recebemos de braços abertos.

E pouco mais para dizer, num evento que juntou mais de duas centenas de participantes, alguns das redondezas, muitos da área da Grande Lisboa, outros de mais longe, como de Tavira, Gáfete, Pombal, Leiria, com um final sem dúvida muito bom, onde todos saíram com muita satisfação, deixando no ar a vontade de voltarem no próximo ano.

Temos de dar mais uma vez os parabéns á organização, foi excelente em tudo, pela primeira vez foi muito positivo, e mais uma vez não posso deixar de referir, como já o fiz este ano ao primeiro passeio do Tires que também foi realizado pela 1ª vez, superou alguns passeios realizados já há vários anos, e muitas vezes ficam a desejar, continuem assim, força nesse projeto, e parabéns.

E como costume, não só de passear de bicicleta, ou saborear um bom prato, faz parte do cicloturismo, também a cultura e a história são importantes, assim fica um pouco da história de Alcanhões, um local que se recomenda a visitar.

História de Alcanhões

A 21 de março de 1928, Alcanhões foi elevada a vila por decreto assinado por Óscar Carmona, Presidente da República de Portugal na época, como resposta a uma proposta apresentada pelo Governador Civil de Santarém.

Alcanhões teve a presença dos romanos, na parte norte da vila encontram-se ruínas daquilo que foram balneários tipicamente romanos. Foi também ocupada pelos mouros antes da conquista de Santarém, local onde já existia uma povoação.

No século XII, Alcanhões fazia parte da freguesia de São Mateus, tal como o bairro ribeirinho da cidade de Santarém.

No século 14, aquele lugar teria servido de ponto de encontro da Corte Real, destacando-se a sua presença sobretudo nos reinados de D. Pedro I e D. Fernando nos Paços Reais de Alcanhões, como comprovam as crónicas de Fernão Lopes.

Foi aqui, em Alcanhões, que se acordou a paz com Castela e Aragão numa situação de grande instabilidade política no reinado de D. Fernando. Foi também aqui que se engendrou o plano definitivo para o assassinato de D. Maria Teles, que era casada com o infante D. João (filho de D. Inês de Castro e de D. Pedro I) e que era irmã da rainha D. Leonor Teles. A herdeira do trono era D. Beatriz, filha do rei. O assassinato não passava de um pretexto para celebrar o casamento entre o infante D. João e D. Beatriz e, assim, estaria encontrado o herdeiro ao trono. Então, o infante D. João, antevendo a possibilidade de vir a ser Rei de Portugal, decide matar a sua própria mulher, D. Maria Teles em Coimbra. E assim, partem de Alcanhões, onde delinearam o plano definitivo para o assassinato da irmã da rainha D. Leonor, "às pressas". Por este motivo é que, ainda hoje, as pessoas naturais de Alcanhões são adjetivados de "apre

Nos finais do século XIV, a antiga residência real era conhecida por "Paços Velhos de Alcanhões", devido ao seu avançado estado de degradação. Foi D. Manuel I que doou a propriedade a D. João de Meneses, mordomo-mor do reino de Portugal que exigia o pagamento de dois frangos por altura do Natal como renda, existindo ainda uma cláusula que obrigava o novo proprietário a recuperar os Paços Velhos de Alcanhões, impedindo a sua venda ou penhora. Hoje, ainda se conservam dois tanques, uma parte da torre de menagem e um antigo fontanário.

No início do século XVI, a povoação já era composta por cerca de 30 casas, um número considerável para a época. A partir de 1514, a povoação beneficiou de uma certa autonomia religiosa e, através de uma petição ao Prior de São Mateus, foi possível começar a realizar celebrações religiosas nesse lugar, pois tinham de percorrer uma longa distância para chegar à Igreja Paroquial da freguesia, localizada a cerca de 7 quilómetros das suas casas.

Finalmente, no dia 6 de outubro de 1852, estando no trono D. Maria II, o Cardeal D. Guilherme, Patriarca de Lisboa, concedia a total autonomia civil e religiosa a Alcanhões. Pode-se, assim, estabelecer esta data como o nascimento da freguesia alcanhoense e a sua separação da freguesia de São Mateus que teria sido extinto no ano anterior pelo mesmo cardeal. E assim, a freguesia da Ribeira de Santarém e de Alcanhões tornar-se-iam independentes uma da outra.

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