segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

“Triatlo: evolução para chegar às medalhas”

Triatlo aposta forte em juventude e experiência para chegar à glória nos Jogos, o que não sucede desde 2008... com Vanessa Fernandes

Por: Filipe Balreira

A 18 de agosto de 2008, a maior parte da população ficou colada à televisão e a vibrar com a performance de Vanessa Fernandes nos Jogos Olímpicos de Pequim e que terminou com a medalha de prata ao peito da atleta oriunda de Perosinho.

O feito inédito de Vanessa levou a um acréscimo de praticantes na modalidade e, passados mais de dez anos, Portugal olha com otimismo para um possível regresso às medalhas nos Jogos do próximo ano em Tóquio. Uma das pessoas que esperam lá estar e orgulhar o país é mesmo Melanie Santos que, a Record, aborda como tem vivido a reta final de apuramento para a competição. Tudo com vista a tentar imitar um dos seus exemplos, Vanessa Fernandes.

"Fico contente pelos resultados que tenho obtido e por ser vista como uma das grandes esperanças nacionais para Tóquio’2020, mas não sinto pressão acrescida por esse motivo. Aliás, é importante estarmos em provas de alto nível, mas eu vejo isso como se fosse uma competição como outra qualquer. Podemos estar nos Jogos Olímpicos, mas encarar como se fosse uma prova normal.

Isto para que nos corra bem", admite a triatleta, de 24 anos, que tinha somente 13 quando viu o brilharete daquela que acabou por ser sua companheira de modalidade no Benfica. "Comparam-me à Vanessa e fico satisfeita por isso, mas não penso muito nesse facto nem fico obcecada em conseguir resultados por esse motivo", considera, antes de analisar as hipóteses de chegar às medalhas em Tóquio:

"Penso que posso fazer um bom resultado, sim, mas é sempre uma competição difícil. Existe um lote de 35 atletas que podem lutar por vencer e posso estar nesse grupo, mas depende de várias coisas", anotou, perspetivando aquela que pode ser a sua primeira presença nos Jogos Olímpicos.

De resto, a triatleta, de 24 anos, enumera dois aspetos importantes quando convidada a comentar a evolução da modalidade em Portugal nos últimos anos. "Temos tido muito apoio da federação e vemos cada vez mais praticantes. Existe espírito de grupo com uma mistura de atletas jovens e mais experientes."


Reconhecimento do terreno

Uma delegação com triatletas portugueses esteve presente já durante este ano de forma a perceberem como serão as condições das provas no terreno nipónico, já que o calor pode ser um problema no verão, e Melanie realça a importância desse reconhecimento do terreno.

"Todos os aspetos acabam por ser importantes neste nível e temos tido uma boa preparação", referiu.

Recorde-se que, nos Jogos de 2020, as provas individuais masculina e feminina, que se disputam a 27 e 28 de julho, foram antecipadas para as 6h30 devido ao calor previsto.


João Pereira inspira Melanie

Melanie alinha pelo Benfica e é precisamente no clube da Luz que tem uma das inspirações na modalidade, João Pereira. O triatleta, de 31 anos, tem conseguido bons resultados pelos encarnados e ficou principalmente conhecido pelo 5º lugar registado nos últimos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro. Em 2016, João alcançou marca próxima das medalhas e Melanie assume que pede conselhos tanto a ele como a atletas mais velhos.

"Os mais velhos ajudam-nos muito. Na Seleção Nacional existe muita camaradagem e toda a gente se apoia e dá conselhos. Isso acontece muito e é positivo. Já o João dá-me conselhos sobre os Jogos. Em 2012 ele falhou a qualificação, tal como eu em 2016 e, por isso, percebemo-nos nesse aspeto", confessa.


FACTOS E NÚMEROS

FUNDAÇÃO. Federação Portuguesa de Triatlo foi fundada em 1989, sucedendo à Associação Portuguesa de Triatlo, que tinha sido criada dois anos antes.


INTEGRAÇÃO. A FPT colocou em marcha o programa Tri-Try Jamor, que serve de promoção da atividade física através da prática de triatlo dirigida a atletas amadores, que funciona em parceria com o Instituto Português do Desporto e Juventude.


ESTREIA. Este ano, realizou-se pela primeira vez em Portugal a Taça do Mundo de Paratriatlo na distância sprint. A competição acabou por ter lugar no Funchal.


CLUBES. O número de praticantes da modalidade no País tem tido um franco crescimento nos últimos anos e, em 2018, estavam registados 115 clubes associados.

 
PRATA. Vanessa Fernandes conquistou até agora a única medalha portuguesa em Jogos Olímpicos. Em Pequim’2008, a triatleta ganhou a medalha de prata.

Fonte: Record on-line

“Vasco Rodrigues: «Temos atletas com potencial a nível mundial no triatlo»”

Líder da Federação Portuguesa de Triatlo confiante

Foto: Pedro Ferreira

A pouco menos de oito meses do arranque dos Jogos Olímpicos em Tóquio, a preparação da comitiva portuguesa no que diz respeito ao triatlo continua a bom ritmo e o próprio presidente da federação, Vasco Rodrigues, fez um ponto de situação ao nosso jornal.

"Perspetivando os Jogos Olímpicos do próximo ano, nós temos um último grande desafio que terá lugar no fim de semana de 8 e 9 de maio e que acaba por ser o apuramento de estafetas mistas para os Jogos Olímpicos", revela o líder da Federação Portuguesa de Triatlo (FPT), apontando o grande foco da entidade neste momento: "O grande objetivo é segurarmos a qualificação para a etapa de estafetas.

Temos uma equipa feminina e uma masculina que têm um apuramento praticamente concluído e não podemos falhar essa oportunidade. Assim teríamos uma equidade de género, o que é importante, e o triatlo português estaria representado em várias categorias. Temos atletas com um grande potencial a nível mundial. Uma qualidade muito significativa mesmo... Depois, na linha de partida, é um desafio para toda a gente". De resto, Vasco Rodrigues aponta igualmente ao que a comitiva lusa poderá fazer em Tóquio. "Temos esperança em conseguir um diploma olímpico ou até uma medalha", assegura o dirigente.

A verdade é que a competitividade na maior prova de países no Mundo é elevada e Vasco refere isso mesmo: "O triatlo está cada vez mais competitivo, mas estamos dentro do lote de possíveis vencedores em provas. Ao todo são 55 atletas masculinos e femininos e existem cerca de 35 com aspirações a chegar ao pódio.

Nós tentamos controlar sempre as variáveis". Tendo isso em conta, o presidente da FPT revela melhorias no apoio dado aos triatletas portugueses. "A Seleção de triatlo é cada vez mais transversal. Temos nutricionistas, especialistas, fisioterapeutas... Acima de tudo queremos ajudar na adaptação às condições extremas no Japão, procurando aclimatar-se o melhor possível", deixou claro.


Mundial serve de exemplo

No Japão, os triatletas em competição vão encontrar condições climatéricas adversas devido ao grande calor que se vai fazer sentir e Vasco Rodrigues comparou o cenário ao Mundial de 2016, em Cozumel (México). "Obviamente há atletas que se adaptam melhor e temos o caso do João Silva, que gosta de correr com calor. A prova mais parecida com esta foi a final do Mundial em 2016, em que atletas sucumbiram", concluiu.

Fonte: Record on-line

“Filipe Marques: «Tive só um ano para me superar»”

Aos 21 anos, o triatleta é uma das grandes esperanças lusas para os Jogos Paralímpicos e explica a carreira que teve como base passagens pelo futebol e natação

Por: Filipe Balreira

Foto: Paulo Calado

RECORD - Tem uma carreira ainda curta no triatlo. Considera que 2019 foi o seu melhor a nível de resultados e surpreendeu-o?

FILIPE MARQUES – Sim, este ano acabou por ser mais um rumo ao meu objetivo de tentar a qualificação para os Jogos’2020 e o próximo será o derradeiro desafio. Em 2019, tive alguns bons resultados e que até surpreenderam pela positiva, mas acredito que em 2020 possa melhorar e desenvolver a minha qualidade de trabalho e desempenho.

R - Sendo que só começou no projeto olímpico do triatlo em 2018, considera que os Jogos’2020 é um objetivo para ser alcançado no imediato ou perspetiva isso como uma preparação já a pensar na qualificação para 2024?

FM – Eu já estou há muitos anos no triatlo, mas só integrei o projeto exatamente a partir desse ano. A qualificação este ano está complicada, pois a concorrência também é muita, só que continuo a achar que ainda posso conseguir chegar ao objetivo na primeira metade do ano que aí vem. Claro que se não conseguir a qualificação já em 2020, o meu foco passa a ser em 2024, pois para aí ainda tenho uma esperança maior. Espero passar por essa grande experiência.

R - Que resultados terá de alcançar para conseguir já chegar a Tóquio’2020?

FM – Existem três provas de qualificação a contar para o apuramento. Este ano, até tive competições que não me correram tão bem, mas vou ter provas em julho ou agosto que podem servir para melhorar a minha pontuação de forma a que consiga o desejado apuramento.

R - Em relação ao triatlo, como surgiu a sua entrada na modalidade? O que o cativou?

FM - Já pratico triatlo há mais ou menos oito ou nove anos, mas nem foi a primeira modalidade que pratiquei, na verdade. Comecei cedo no futebol, mas não correu bem nessa altura e passei para a natação. Na natação, uma pessoa – que até acabou por ser o meu primeiro treinador no triatlo – levou a que fosse para o triatlo e foi assim que tudo começou. Acabei por gostar ao experimentar e ele ajudou-me muito.

R - Era uma modalidade que já acompanhava quando era mais jovem ou até passou a gostar depois da boa prestação da Vanessa Fernandes em 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim?

FM - Eu comecei creio que em 2011 e nem ligava muito à modalidade. Não conhecia muito sobre ela, aliás. Conhecia a Vanessa por isso, mas acabava por ser uma modalidade que, na altura, eu não acompanhava com grande atenção. Depois lá gostei e passei a acompanhar muito mais.

R - Ficou surpreendido com o triatlo quando experimentou?

FM - Nessa altura, o meu treinador começou a falar comigo e aprendi basicamente o que era o triatlo e fui-me adaptando aos poucos e aprendendo vários aspetos importantes. Pensei basicamente que podia continuar naquele desporto por vários anos ainda, o que aconteceu.

R - Quais foram as principais dificuldades que teve na adaptação, sendo que fez uma mudança da natação para o triatlo? Foi difícil ou acabou por ser gradual?

FM - A adaptação nessa mudança foi gradual. Por exemplo, eu já tinha uma bicicleta, mas era fraquinha e, pronto, lá tive de investir. Também o triatlo é um desporto em que se tem de investir muito. Houve a necessidade de comprar uma bicicleta nova e não só… o triatlo é um desporto muito exigente. Ora, nós temos de treinar em três modalidades, conseguir ser bons ou eficientes em todas e isso torna-se difícil. Assim, quando começamos a treinar mais e a evoluir, torna-se mais fácil integrar esta modalidade.

R - No seu caso específico, tem ‘pé cavo’. Em que medida é que isso dificultou a forma de se integrar na modalidade e nas suas especificidades?

FM - Sim, a minha limitação nesse sentido acaba por ser uma dificuldade maior para mim na etapa de corrida. Ao início, não era uma grande limitação e quase nem se notava, mas com o passar da idade, e mais na altura da adolescência, é que começou a piorar, por assim dizer...

R - E o facto de ter começado no projeto olímpico em 2018 acabou por prejudicá-lo a nível de competição por iniciar mais tarde que alguns adversários seus ou não sentiu isso dessa forma?

FM - Acaba por ser mais difícil, sem dúvida. É uma desvantagem em relação a adversários que começaram mais cedo nos seus projetos. Tive só um ano para começar a aprender como tudo funcionava e tive de me superar, pois foi um bocado difícil e ainda estou em aprendizagem, e nesse aspeto sinto um pouco, sim.

R - Nessa aprendizagem, quais foram os seus maiores apoios?

FM - Nessa altura, a federação de triatlo foi um grande suporte para mim. De resto, a federação tem-me ajudado muito, quer a nível financeiro, quer a nível de equipamentos, tais como as bicicletas. E nunca me tem faltado nada.

Fonte: Record on-line

“Filipe Marques: «A nova geração pode lutar por títulos»”

Jovem triatleta de olho no futuro

Por: Filipe Balreira

RECORD - Foi um dos primeiros atletas inseridos no projeto do paratriatlo por parte da federação e é visto como uma das caras do projeto. Sente uma maior pressão a nível de resultados por esse facto ou funciona como uma motivação?

FILIPE MARQUES – Claro que gostava de ter mais atletas portugueses neste projeto, mas tenho orgulho em poder representar o paratriatlo do nosso país. Não julgo que sinta pressão por esse motivo. Vou tentar fazer o meu melhor sempre.

R - Como vê a evolução da modalidade em Portugal nos últimos anos? Existem melhores condições?

FM – Ao longo dos últimos anos, o triatlo passou a contar com um aumento significativo no que diz respeito ao número de participantes. Além disso, é fácil ver que tem existido uma evolução positiva em relação ao nível de condições na participação de atletas em Portugal.

R - Considera que os atletas portugueses estão cada vez mais habilitados para discutirem medalhas e lugares cimeiros com praticantes de outros países e até mesmo em competições com a importância dos Jogos Olímpicos?

FM - Eu acho que sim. Digo isto até porque temos no nosso país o atual campeão do Mundo de juniores [Ricardo Batista] e o João Pereira, que nos últimos Jogos Olímpicos alcançou a 5ª posição, ficando assim muito perto do pódio. Logo, eu acho que nos próximos anos Portugal pode ter uma grande esperança em conseguir medalhas. A nova geração pode lutar por títulos. Isso pode ocorrer até já nos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, ou até mais para a frente, nos de 2024, em Paris.

R - Quem vê como exemplos ou referências para si no triatlo?

FM - Nesse perspetiva, tenho o João Pereira, a Melanie [Santos], o Ricardo Batista, que foi recentemente campeão do Mundo de juniores e basicamente acabam por ser esses que enumerei.

R - Que conselhos é que eles lhe dão e de que forma é que o conseguem motivar?

FM - Eu estive com o João Pereira em Yokohama, por exemplo. Nessa altura, foi no Campeonato do Mundo e ele deu-me conselhos importantes naqueles dias em relação à forma como devia treinar e sobre eu fazer o que mais gosto. Basicamente, disse-me para ter paciência e esperar pelo meu momento.

Fonte: Record on-line

“Filipe Marques: «Ficou fácil conciliar triatlo com faculdade»”


Apoio dado pelas bolsas dos Jogos Santa Casa ajuda

RECORD - Concilia atualmente a carreira no triatlo com a vertente académica?

FILIPE MARQUES – Sim. Atualmente, estou a tirar um curso superior e tenho conseguido conciliar bem os dois aspetos, também graças ao apoio dado pelas bolsas dos Jogos Santa Casa, pois ajuda no que diz respeito ao pagamento de propinas e em outras matérias. Com o passar dos anos, foi ficando mais fácil conciliar a faculdade com o triatlo. Treino no Jamor e estudo também numa zona próxima, por isso acaba por ser facilitado.

R - Acha que existem cada vez mais apoios por parte das faculdades para com os atletas-estudantes?

FM – Sem dúvida! Com o estatuto de alto rendimento, posso ter um horário melhor, fazer as cadeiras com alguma flexibilidade e os professores têm a consciência de que nós temos de treinar. Logo, não nos sobrecarregam com trabalhos e em relação aos horários.

R - Quais são os seus objetivos na carreira e em especial para o ano que se avizinha?

FM – Neste momento, pela minha cabeça passa o objetivo de chegar aos próximos Jogos, mas também existem os Campeonatos do Mundo a cada ano e mesmo o Europeu, que tem tido lugar no Funchal nos últimos dois anos e são sempre provas que me motivam bastante e nas quais tento chegar às medalhas...

Fonte: Record on-line