sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

“FIGURAS MARCANTES DO CICLISMO LUSO”

Hoje falamos de: Marco Chagas

Foram várias as figuras do pelotão nacional que marcaram as principais fases da evolução do ciclismo português, e das quais nos iremos ocupar neste capítulo, desde as proezas de José Bento Pessoa, nos finais do Século XVIII, aos inesquecíveis José Maria Nicolau e Alfredo Trindade, até aos históricos Alves Barbosa, Joaquim Agostinho e Marco Chagas.

Pelo meio ficaram Ribeiro da Silva, a dinastia dominadora do FC Porto (dos Moreira, Dias Santos, Sousa Cardoso, Mário Silva, José Pacheco, entre outros), os dois José Martins (o do Benfica e o da Coelima), José Albuquerque (o popular “Faísca”), o “leão” João Roque e os benfiquistas Peixoto Alves, Fernando Mendes e Francisco Valada, para terminar em Joaquim Gomes, Fernando Carvalho, Jorge Silva, Orlando Rodrigues, Vítor Gamito, Nuno Ribeiro e José Azevedo. 

Todos eles estão envolvidos na reconstituição, que a seguir fazemos, das breves biografias daqueles que elegemos como principais marcos históricos da evolução do ciclismo português


MARCO CHAGAS

Nome completo: MARCO António Martins CHAGAS Nascimento: 19 de Novembro de1956 

Natural: Pontével (Portugal) 

Carreira: 1980 a 1990

Equipas em Portugal: Costa do Sol (1976), Águias-Clock (1977,1978), LousaTrinaranjus (1979), Puch-Sem-Campagnolo (1980), FC Porto-UBP (1981,1982), Mako Jeans (1983), Sporting-Raposeira (1984,1985,1986,1987), Louletano-Vale de Lobo (1988,1989), Orima (1990). 

Equipas no estrangeiro: Frimatic (1970), Hoover (1971), Marki-Bonanza (1972)


Destaques:

Marco Chagas ficará para sempre ligado à história do ciclismo lusitano, por ser o único a ter vencido quatro edições da Volta a Portugal (1982, 1983, 1985 e 1986). Vestiu a camisola amarela 40 vezes. Características: Corredor completo que conseguia como ninguém controlar a corrida, fazendo-o com classe e inteligência. Foi o grande nome do nosso ciclismo nos anos 80, tendo, inclusive, participado em 2 Tours.

 

RECORDISTA DA VOLTA

Marco Chagas é o recordista da Volta, com quatro vitórias, marca que dificilmente será igualada por qualquer dos anteriores vencedores ainda em actividade.

Chagas poderia ter chegado às seis vitórias, e cinco delas consecutivas, se o controlo anti-doping não o tivesse desclassificado em 1979 (a favor de Joaquim Sousa Santos) e afastado da edição de 84, que Venceslau Fernandes veio a ganhar.

Foi, incontestavelmente, o melhor ciclista da sua época, dominando o panorama da modalidade nos anos oitenta, tendo registado algumas prestações valiosas no estrangeiro, com duas presenças no 'Tour', em 80 (41º) e 84 (77º). Depois de terminada a sua carreira, tem continuado no ciclismo, primeiro como técnico das equipas de Santa Marta de Portuzelo e da Sicasal, e depois como comentador televisivo, função que continua a desempenhar.


AUTO-RETRATO

«Comecei a correr aos 15 anos na equipa da Casa do Povo de Pontével, a minha terra natal, disputando os Campeonatos da FNAT nos anos de 1973/74. O meu primeiro ano de ciclista federado foi em 1974 e comecei a correr como individual na categoria de populares porque o Sporting não tinha essa categoria, mas eu já me encontrava integrado na equipa.

No mesmo ano passei a junior já ao serviço do Sporting, onde fiquei até a secção de ciclismo do clube ter sido extinta em 1975.  Depois corri uma série de outras equipas, desde o Costa do Sol, em representação do qual disputei, em 1976, a minha primeira Volta a Portugal, que foi ganha por Firmino Bernardino e eu fiz o sexto lugar.

A seguir estive dois anos no Águias de Alpiarça, passei depois o ano de 1979 no Lousa e no ano seguinte fui para França com o Agostinho na equipa da Push, regressei a Portugal em 1981 para representar o FC Porto, onde continuei em 1982, tendo então conquistado a primeira vitória na Volta a Portugal, que tornei a vencer em 1983 com a camisola da Mako-Jeans.

O Sporting voltou ao ciclismo em 1984, ano em que faleceu Joaquim Agostinho, e eu regressei ao Sporting para, em 85 e 86, vencer de novo a Volta a Portugal. Em 1987, o Sporting voltou a abandonar a modalidade e nos dois anos seguintes estive ao serviço do Louletano/Vale do Lobo.

Terminei a minha carreira de ciclista na equipa da Orima, em 1990.  Este foi o meu percurso no ciclismo, ao longo do qual, além de ter vencido quatro Voltas a Portugal, fui cinco vezes campeão nacional de fundo e uma vez campeão nacional de perseguição em pista. Ganhei várias etapas e algumas corridas ‘clássicas’, nomeadamente o Porto-Lisboa, e no estrangeiro tive duas participações na Volta a França (1980 e 1984), terminei qualquer delas, a primeira em 41º e a segunda em 77º. Ganhei também a Volta da Independência, no Brasil, e a Volta à África do Sul. Fiz ainda um 2º lugar na Ronda da Hispanidade (1975). Pronto, foram estes os meus melhores resultados.

Encerrado o meu ciclo competitivo no ciclismo, continuei ligado à modalidade, mas então na parte técnica. Primeiro fui director-desportivo da equipa Tensai (91 e 92) e depois na Sicasal (93, 94 e 95) e a partir de 1997 tenho desempenhado a função de comentador na RTP, para que fui convidado. Espero continuar a fazer aquilo que estou fazendo, na RTP se possível. De qualquer maneira pretendo continuar sempre ligado ao ciclismo.»  a) Marco Chagas


PALMARÉS   Amador 

1976

Campeão de Portugal 6º na Volta a Portugal, 3 etapas 2º na Ronda da Hispanidade 

1977

5º na Volta a Portugal 1º no GP Clock 

1978

1º no Rapport Toer (África do Sul) 1º nos 150 km do Troféu Unisol 2º no GP Clock 2º no GP Duas Rodas  3º no Lisboa-Alpiarça 

1979

3 etapas na Volta a Portugal 1º no Circuito da Mealhada 3º no GP Sumol 3º na Volta ao Oeste   Profissional

1980

41º no Tour de France 43º no Dauphiné-Liberé 

1981

Campeão de Portugal por Equipas 8º na Volta a Portugal 

1982

1º na Volta a Portugal, 2 etapas Campeão Nacional Campeão de Portugal por Equipas 

1983

1º na Volta a Portugal, 3 etapas Campeão de Portugal por Equipas 1º na Clássica Porto-Lisboa 1º na Volta ao Minho  1º no Circuito da Marinha Grande  1º na Volta à Madeira  1º no Circuito de Rio Maior  3º no Campeonato Nacional   1984 1º na Volta ao Alentejo, 1 etapa  3 etapas na Volta a Portugal  1 etapa na Volta ao Algarve  1 etapa no GP Jornal de Notícias  77º no Tour de France 


1985

1º na Volta a Portugal, 3 etapas Campeão Nacional de Estrada, 1º no GP dos Orgãos da Comunicação Social, 1 etapa no GP de Loures, 1 etapa no GP de Gaia, 1º no Circuito da Malveira, 1º no Circuito do Cartaxo, 1º em Prova Nacional de Contra-relógio, 2º na Volta ao Algarve, 2 etapas + Montanha e Pontos, 8º na Clássica Porto-Lisboa, 8º na Prova de Aniversário Fundação da UVP/FPC (Ciclo-Cross) 30º na Vuelta ao País Basco 

1986

1º na Volta a Portugal, 4 etapas 1º no GP do Minho, 3 etapas 2º na Volta ao Algarve 3º no GP de Torres Vedras 

1987

1 etapa na Volta a Portugal, 1 etapa no GP O Jogo, 1 etapa na Volta à Vila da Feira, 1 etapa na Clássica Matosinhos-Régua, 1 etapa no GP Abimota, 1º no Carnide-Almoçageme, 1º no Circuito de Altina, 4º no Campeonato Nacional de Estrada. 

1988

Campeão Nacional de contra-relógio por Equipas, 1 etapa no GP do Minho, 2º na Semana Algarvia, 1 etapa 2º na Volta a Santa Maria da Feira, 3º na Volta ao Alentejo, 5º no Campeonato Nacional de Montanha 

1989 1 etapa no GP Correio da Manhã, 2º na Volta ao Alentejo, 1 etapa 1 etapa no GP do Minho, 1 etapa no Troféu Joaquim Agostinho, 1 etapa no GP Costa Azul, 3º no Campeonato Nacional de contra-relógio por Equipas, 10º na Volta a Portugal. 

1990

1 etapa na Volta ao Alentejo, 1º no Circuito da Marinha Grande, 3º na Clássica Porto-Lisboa, 5º na Volta a Portugal

Fonte: FPC

“Associação de Ciclismo do Minho abrangida pelo Mecenato Desportivo”

O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, reconheceu o interesse desportivo das atividades da Associação de Ciclismo do Minho, passando a associação a estar abrangida pelo Estatuto do Mecenato, um conjunto de incentivos fiscais que visam estimular as empresas e os particulares a efetuarem donativos a favor de entidades privadas e públicas em benefício do desporto.

O interesse desportivo das atividades da Associação de Ciclismo do Minho foi reconhecido através da publicação de despacho subscrito pelo Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo.

O Estatuto dos Benefícios Fiscais relativos ao Mecenato Desportivo configura um conjunto de incentivos fiscais, concedidos pelo Estado, para incentivar as empresas e os particulares a efetuarem donativos (monetários ou em espécie) a favor de entidades privadas, e também públicas, em benefício do desporto.

As empresas e os particulares que concedem um donativo, beneficiam de uma majoração que é adicionada ao valor desse donativo, o qual é abatido à sua matéria coletável, conduzindo à redução do imposto a pagar ao Estado. O imposto em causa é, no que concerne às empresas, o IRC (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas) e, no que concerne aos indivíduos particulares, o IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares). Os donativos constituem entregas em dinheiro ou em espécie concedidos sem contrapartidas, estando os benefícios fiscais previstos na legislação.

Instituição de Utilidade Pública e representante da Federação Portuguesa de Ciclismo (entidade detentora do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva) nos distritos de Braga e Viana do Castelo, a Associação de Ciclismo do Minho (www.acm.pt) foi fundada em 1977 e é uma associação sem fins lucrativos que tem como objeto a promoção e regulamentação do ciclismo, nas suas diversas vertentes, agrupando utilizadores de bicicleta, praticantes de ciclismo (competição e lazer) e clubes.

Com sede em Guimarães, a ACM é a maior e mais representativa associação regional de ciclismo do País, tanto em número de praticantes, como de clubes e atividades (em 2019 teve 2832 atletas, 120 clubes, 132 agentes desportivos e promoveu 195 atividades que mobilizaram cerca de 2600 voluntários e 49.000 atletas), contribuído para motivar, especialmente as camadas mais jovens da população, para uma manifestação desportiva e de mobilidade tão saudável e tão confraternizante como é o ciclismo.

Além da organização de eventos desportivos e da promoção da utilização da bicicleta como opção de prática desportiva (lazer e competição) e de mobilidade sustentável, a Associação de Ciclismo tem assumido um postura bastante interventiva em diversos domínios, contribuindo para a reflexão sobre o desporto e o ciclismo, perspetivando o futuro da modalidade e contribuindo para a (re)definição de estratégias de desenvolvimento do ciclismo. A Federação Portuguesa de Ciclismo homenageou recentemente a Associação de Ciclismo do Minho pelos relevantes serviços prestados à modalidade, em especial na resolução do problema do policiamento das provas de ciclismo.

Com a maior representação na Assembleia-Geral da Federação Portuguesa de Ciclismo, a Associação de Ciclismo do Minho já foi distinguida com a medalha de ouro da UVP/Federação Portuguesa de Ciclismo, Medalha de Mérito Desportivo da Câmara Municipal de Guimarães e o Troféu O Minhoto (categorias "Evento Desportivo" e "Dirigente Desportivo").


Época desportiva 2020

No ano de 2020, a Associação de Ciclismo do Minho promoverá mais de 40 provas das diversas vertentes de ciclismo, às quais acrescem cerca de meia centena de atividades de “Ciclismo para Todos” (BTT e Ciclismo de Estrada).

Em 2020 a ACM procurará consolidar as ações de promoção e regulamentação do ciclismo e reforçar a promoção da modalidade e da utilização da bicicleta como opção de prática desportiva (lazer e competição) e de mobilidade sustentável. Além da melhoria das condições de realização das atividades, a ACM promoverá diligências visando a obtenção de soluções mais justas e adequadas em termos de policiamento de atividades de ciclismo, pela implementação de ações e medidas que reconheçam e valorizem o papel dos dirigentes desportivos e pela adoção de medidas que visem a obrigatoriedade de todos os eventos desportivos serem oficializados pelas federações detentoras do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva.

Num ano em que a ACM promete continuar a ser uma voz ativa na defesa do ciclismo, a exigir para a modalidade um tratamento equitativo por parte dos organismos e entidades oficiais e a defender o reforço dos apoios ao ciclismo regional e de formação, destaca-se do calendário de 2020 o grande número de provas destinada às categorias de formação. Neste particular, realce-se o Encontro Inter-Regional de Escolas de Ciclismo, a Prova de Abertura de Juniores e as provas da Taça de Portugal de Juniores e Cadetes, em ciclismo de estrada.

A ACM volta a merecer a confiança da Federação Portuguesa de Ciclismo e receberá, além dos Nacionais de DHI e Enduro, três provas da Taça de Portugal: de BTT (XCO Vila Franca), XCM (6.ª Maratona de BTT Vila de Melgaço) e ainda a Taça de Portugal de Paraciclismo em ciclismo de estrada a realizar aquando do 22.º Prémio Viana do Castelo Fica no Coração / Encontro Inter-Regional Escolas Ciclismo.

Fonte: ACM