Foto: Paulo Maria/FPC
A 52.ª Volta ao Algarve foi oficialmente
apresentada esta terça-feira, na sede da Região de Turismo do Algarve, em Faro,
numa conferência de imprensa que reuniu os principais parceiros e
patrocinadores da única prova portuguesa por etapas integrada no circuito
mundial Pro Tour. A organização revelou o percurso completo da edição de 2026 e
confirmou a presença de várias das principais equipas do pelotão internacional,
incluindo a líder do ranking UCI em 2025.
A prova realiza-se entre 18 e 22 de fevereiro
de 2026, ao longo de cinco etapas, num total de 697,41 quilómetros
cronometrados, num traçado que introduz várias novidades do ponto de vista
desportivo e promete uma corrida mais dinâmica, disputada e imprevisível desde
o primeiro dia.
Arranque em Vila Real de
Santo António e final no Alto do Malhão
Uma das grandes novidades da edição de 2026 é a
estreia de Vila Real de Santo António como local de partida da Volta ao
Algarve. A primeira etapa, no dia 18 de fevereiro, liga a cidade raiana a
Tavira, mantendo a tradição de uma jornada inicial plana e favorável aos
velocistas, mas introduzindo um novo elemento já testado nas grandes clássicas
belgas: o “quilómetro de ouro”, com três sprints bonificados concentrados em
pouco mais de um quilómetro, num troço de empedrado da reta histórica da
cidade, criando um cenário tático inédito logo na abertura da prova.
Neste caso, a tradição do empedrado une-se à
modernidade dos sprints agrupados, criando um cenário tático inédito, explosivo
e altamente televisivo. Uma combinação que pode agitar a corrida desde o
primeiro dia e fazer com que o vencedor da etapa não seja necessariamente o
primeiro líder da Volta ao Algarve.
A 2.ª etapa parte de Portimão em direção ao
Alto da Fóia, na Serra de Monchique, naquela que será a primeira chegada em
montanha da edição de 2026. A grande novidade reside na utilização de uma
subida inédita, mais seletiva e exigente, com características próprias de um
prémio de montanha de primeira categoria. Também aqui vão existir três pontos
quentes, dois dos quais pouco antes do início da subida final.
O terceiro dia é dedicado ao Contrarrelógio
Individual, com partida e chegada em Vilamoura e passagem por Quarteira.
Trata-se de um contrarrelógio urbano de 19,5 quilómetros, com um início mais
técnico e um traçado posterior claramente favorável aos especialistas.
No sábado, a 4.ª etapa liga Albufeira a Lagos,
com um circuito final de 32 quilómetros após uma primeira passagem pela meta,
oferecendo nova oportunidade aos velocistas, mas com pontos estratégicos que
poderão introduzir tensão e cortes no pelotão.
A 5.ª e última etapa, no domingo, parte de Faro
com destino ao emblemático Alto do Malhão, em Loulé. A grande inovação passa
pela dupla passagem pelo Malhão, integrada num circuito final de 45
quilómetros, numa jornada que promete voltar a ser decisiva para a
classificação geral.
No plano global, a edição de 2026 aposta numa
corrida mais dinâmica, com a introdução de Pontos Quentes em várias etapas,
reforçando a competitividade e a imprevisibilidade da prova.
“A identidade da Volta ao Algarve resulta da
sua arquitetura, da orografia, do clima, da qualidade das infraestruturas e do
esforço dos organizadores, fatores que explicam o elevado nível de participação
atual. Preservando esse sucesso, procurámos tornar a Fóia mais decisiva,
equilibrando a luta entre trepadores e contrarrelogistas. Este final, aliado ao
desfecho explosivo no Malhão e a um contrarrelógio mais urbano e técnico,
oferece mais oportunidades aos trepadores puros. A introdução do Ponto Quente,
unindo a portugalidade do naming a um fenómeno emergente do ciclismo moderno,
acrescenta novidade, emoção e movimentos antecipados numa corrida que muitas
vezes se decide por segundos. No Algarve, o espetáculo está sempre garantido.”,
explica o diretor de prova Ezequiel Mosquera.
João Almeida e Juan Ayuso no duelo mais
aguardado
A 52.ª Volta ao Algarve contará com um pelotão
de luxo, composto por 12 equipas World Tour, três formações Pro Team e as nove
equipas continentais portuguesas.
A UAE Team Emirates-XRG, que terminou 2025 no
topo do ranking UCI, estará presente no Algarve e traz ao sul do país os quatro
ciclistas portugueses da equipa: João Almeida, António Morgado e os irmãos Rui
e Ivo Oliveira.
João Almeida será um dos principais candidatos
à vitória final, depois de ter sido segundo classificado na edição de 2025, num
arranque de temporada que viria a culminar numa das melhores épocas da sua
carreira, com triunfos na Volta ao País Basco, Volta à Romandia e Volta à
Suíça, além do segundo lugar na Volta a Espanha.
A edição de 2026 marcará ainda o aguardado
reencontro entre João Almeida e Juan Ayuso, antigos colegas de equipa e agora
adversários. Será o primeiro confronto entre ambos desde a saída do espanhol da
UAE Team Emirates-XRG para a Lidl-Trek, uma das formações mais fortes em prova.
Há ainda grande expectativa em torno da estreia
em Portugal de Paul Seixas, jovem talento de 19 anos da Decathlon CMA CGM Team,
apontado como uma das maiores promessas do ciclismo internacional, tendo já
sido terceiro no último Campeonato da Europa. É apontado por muitos como o
próximo francês capaz de vencer o Tour.
Entre as estrelas já confirmadas ou com
presença prevista contam-se ainda Richard Carapaz (EF Education- EasyPost),
Julian Alaphilippe (Tudor Pro Cycling Team), Filippo Ganna (INEOS Grenadiers)
ou Arnaud De Lie (Lotto Intermarché), entre outros nomes de referência do
pelotão mundial.
Um produto de excelência para promover o
Algarve
Para além da vertente desportiva, a Volta ao
Algarve afirma-se como um produto turístico de excelência, promovendo o
território a nível nacional e internacional, através de cinco dias de corrida
que percorrem paisagens diversas e atraem milhares de espectadores à região.
André Gomes, Presidente do
Turismo do Algarve:
“A Volta ao Algarve é uma montra de excelência
para o destino, pela sua dimensão internacional e pela ampla visibilidade que
garante em múltiplos mercados estratégicos. Para além do espetáculo desportivo,
a prova reforça o posicionamento do Algarve como território preparado para
acolher grandes eventos e contribui para captar visitantes também fora da época
alta.”
Cândido Barbosa,
Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo:
“Num ano atípico, marcado pela realização de
eleições autárquicas, o trabalho no terreno começou necessariamente mais tarde.
Ainda assim, fizemos questão de introduzir um conjunto de inovações que tornam
a corrida mais interessante do ponto de vista desportivo. A nova parceria com a
Eme Sports representa um passo importante para tornar a Volta ao Algarve ainda
mais profissional e ajustada aos tempos atuais.”
RTP e Eurosport garantem
transmissão global
Todas as etapas da Volta ao Algarve poderão ser
acompanhadas em direto na RTP2 e na RTP Play, em território nacional. A
distribuição internacional está a cargo da Warner Bros. Discovery, através dos
canais Eurosport e HBO Max, garantindo um alcance estimado de 14,8 milhões de
lares em todo o mundo.
Em 2025, a Volta ao Algarve alcançou um impacto
global recorde de 36,5 milhões de euros, segundo o Estudo realizado pela
Universidade do Algarve e pela Cision. O impacto económico direto na região foi
de 8,6 milhões de euros, enquanto o retorno mediático ascendeu a 27,9 milhões
de euros.
A prova registou 1.525 notícias, 56,9 milhões
de impressões, foi transmitida para 78 países e gerou mais de 4,5 milhões de
impressões nas redes sociais. A marca Algarve destacou-se com um retorno
mediático superior a 24 milhões de euros.
Algarve Granfondo corre-se
em Lagos
Tal como em anos anteriores, a 52.ª edição da
Volta ao Algarve integrará no seu programa o Algarve Granfondo, no dia 21 de
fevereiro, uma viagem de imersão pelas paisagens mais genuínas e menos
conhecidas do interior algarvio, onde os participantes poderão optar entre dois
desafios: os 130 quilómetros do Granfondo ou os 90 quilómetros do Mediofondo.
Com partida de Lagos, são esperados mais de
1.000 ciclistas amadores nesta que é a prova de participação popular da Volta
ao Algarve.
As etapas da Volta ao
Algarve ao pormenor
1. ª Etapa: Vila Real de
Santo António/Tavira
Quarta-feira, 18 de fevereiro 2026
Distância: 185,60 km Altimetria: 2.359m
Partida: Av. da República (Vila Real de Santo
António) - 10h00 Chegada: Av. Zeca Afonso - 16h27 (previsão)
Descrição:
A 1.ª etapa apresenta o percurso clássico de
uma Volta ao Algarve: uma jornada eminentemente plana, o fator vento e um final
previsível ao sprint. Um cenário reconhecível, mas apenas na aparência… A
grande novidade é a introdução de um elemento já testado nas grandes clássicas
belgas e que gera sempre enorme expetativa: o “quilómetro de ouro”, com três
sprints bonificados concentrados em apenas quilómetro e meio, precisamente no
empedrado da longa e histórica reta de Vila Real de Santo António. Mas este ponto
nevrálgico da corrida não adota um nome importado nem desprovido de identidade.
Os Pontos Quentes fazem parte da história do
ciclismo português e não têm réplica em nenhum outro país. Neste caso, a
tradição do empedrado une-se à modernidade dos sprints agrupados, criando um
cenário tático inédito, explosivo e altamente televisivo. Uma combinação que
pode agitar a corrida desde o primeiro dia e fazer com que o vencedor da etapa
não seja necessariamente o primeiro líder da Volta ao Algarve.
2.ª Etapa: Portimão/Alto
da Fóia (Monchique)
Quinta-feira, 19 de fevereiro 2026
Distância: 157,10 km Altimetria: 3.154m
Partida Concentração: Zona Ribeirinha - Clube
Naval (Portimão) - 11h00 Partida: Av. Capitão Fernandes Leão Pacheco (Zona
Ribeirinha) Chegada: Alto da Fóia (Monchique) - 16h29 (melhor horário)
Descrição: A Fóia,
decisiva
Talvez uma das nossas primeiras inquietações,
procurar uma subida mais própria da alta montanha para um final tão emblemático
como a Fóia, palco de grandes batalhas entre alguns dos melhores corredores do
pelotão. Uma subida histórica e exigente, mas com inclinações tradicionalmente
mais favoráveis a outro tipo de corredor do que aos trepadores puros, onde até
o vento, quando sopra com força, tem condicionado o desfecho e a classificação
geral numa ascensão que se aproxima dos 1.000 metros de altitude.
Este ano, localizámos uma subida inédita na
Volta ao Algarve, que pode ser considerada um autêntico prémio de 1.ª
categoria: 8,5 quilómetros com troços sustentados a 14%, ligando duríssimas
curvas em ferradura, mais próprias de uma grande montanha italiana do que da
orografia algarvia.
A etapa contará ainda com um porto prévio,
situado sete quilómetros antes do início da ascensão definitiva, e, entre
ambos, um Ponto Quente que atribuirá 6, 4 e 2 segundos de bonificação,
concentrados em dois pontos bonificáveis, sendo o último localizado a três
quilómetros do início da subida final. Um final de montanha que poderá não
decidir o vencedor absoluto da prova, mas que marcará com clareza quem ficará
definitivamente fora da luta pela classificação geral.
3.ª Etapa:
Vilamoura/Vilamoura - Contrarrelógio Individual (CRI)- 19,5 km
Sexta-feira, 20 de
fevereiro 2026
Distância: 19,51 km Altimetria: 147m
Partida: Marina de Vilamoura Chegada: Av. Eng.
João Meireles
Partida do 1.º Corredor -
13:10h (Provisório)
Descrição: Os contrarrelógios urbanos
representam sempre um verdadeiro desafio organizativo. Conciliar uma modalidade
tão visual e representativa para a cidade anfitriã, com o incómodo inevitável
dos cortes de estrada, implica lidar com uma multiplicidade de condicionantes
logísticas.
Com a Marina de Vilamoura como cenário
privilegiado, os primeiros dois quilómetros, mais técnicos, darão lugar a 15
quilómetros totalmente favoráveis aos especialistas, onde as diferenças
começarão a refletir-se no cronómetro. Um traçado pensado para corredores com
uma combinação perfeita de potência e técnica, fundamentais para tirar o máximo
rendimento da bicicleta de contrarrelógio.
4.ª Etapa: Albufeira/Lagos
Sábado, 21 de fevereiro 2026
Distância: 182,10 km Altimetria: 2.038m
Partida: Av. dos Descobrimentos (Albufeira)
Concentração Chegada: Av. Fonte Coberta (Lagos)
Chegada: Av. dos Descobrimentos (Lagos) - 16h29
(melhor horário)
Descrição:
A 4.ª etapa volta a reunir todos os
ingredientes necessários para o protagonismo dos grandes velocistas. Como já é
habitual em Lagos, o sprint massivo apresenta-se como uma última oportunidade
que os homens rápidos do pelotão não estarão dispostos a desperdiçar. O
percurso inclui uma única dificuldade orográfica de terceira categoria e um
perfil claramente favorável ao controlo do grande grupo. A etapa contará ainda
com um Ponto Quente em Aljezur, com duas metas volantes bonificadas
concentradas em apenas um quilómetro, um elemento que pode acrescentar tensão e
leitura tática.
Talvez este seja o único fator capaz de quebrar
momentaneamente a hegemonia do pelotão e provocar algum corte significativo
antes do desfecho final.
5.ª Etapa: Faro/Alto do
Malhão (Loulé)
Domingo, 22 de fevereiro 2026
Distância: 153,10 km Altimetria: 3.264m
Concentração Partida: Largo São Francisco
(Faro) - 11h00 Partida: Largo da Sé (Faro)
Chegada: Alto do Malhão (Loulé) - 16h29 (melhor
horário)
Descrição: A 5.ª e última etapa terá como
grande protagonista o clássico Malhão, tão curto quanto explosivo e, uma vez
mais, decisivo. A jornada final começará com um setor inicial rolador, com uma
exigência que irá aumentando progressivamente, até entrar num circuito final
pensado para decidir a corrida.
Após a passagem e sprint pela emblemática
localidade de Alte e o seu famoso estendal, onde o ciclismo e a Volta ao
Algarve são vividos como uma verdadeira religião, chegará o momento-chave com o
duplo passo pela já mítica subida do Malhão, no interior mais agreste do
Algarve. Uma ascensão que não necessita de maior protagonismo, porque tem tudo:
história, dureza e um público extraordinário. Ingredientes perfeitos para ditar
a sentença final da corrida.
Fonte: Federação Portuguesa Ciclismo