Por: Carlos Silva
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Bater Tadej Pogacar já não
passa por encontrar o rival perfeito. Passa por criar problemas que ele não
consiga resolver sozinho.
É essa a lógica que Alberto
Contador acredita que a Red Bull - BORA - hansgrohe deve seguir se quer
transformar a ambição que tem em cor amarela. Em conversa com a Sporza, o
bicampeão da Volta a França deixou claro que a maior arma da equipa é não ter
apenas um líder, mas a possível tensão entre vários.
“Roglic, Lipowitz e Remco.
Todos querem ganhar o Tour. Os três já subiram ao pódio”, disse Contador.
Porque é
que a força dos números conta mais do que as estrelas
Nas últimas Voltas, Pogacar
tem sido muitas vezes o corredor mais forte da corrida. Mas também beneficiou
da clareza: um único rival, um plano principal a bater. A estrutura da Red Bull
ameaça essa simplicidade.
Com Primoz Roglic, Florian
Lipowitz e Remco Evenepoel todos capazes de chegar a Paris perto do topo, a
equipa pode atacar de várias formas, em momentos diferentes, com perfis de
risco distintos.
Contador expôs a ideia base:
“Têm de jogar com as opções que possuem. O Roglic pode arriscar, o Remco e o
Lipowitz ficam na roda. Mas se perderem tempo, podem mudar de tática.”
Isto não é uma estratégia
única. É uma estratégia em movimento.
Em vez de defender um líder, a
Red Bull pode obrigar Pogacar a responder a vários tipos de ameaças. Investidas
de longe, ataques curtos e explosivos. Pressão constante com os números. Cada
uma exige uma resposta diferente.
Onde é
que Evenepoel encaixa neste quadro
Evenepoel não foi para a Red
Bull para ser “o” líder. Foi para se tornar um líder melhor.
Como disse Contador: “Mudou
para uma equipa muito boa, que tem tudo em casa.” Apontou ao ambiente à sua
volta, citando Roglic, Lipowitz, Hindley e Vlasov, e acrescentou que a equipa
tem “as pessoas certas para ajudar o Remco a melhorar nas subidas longas.”
Isso importa porque a ambição
de Evenepoel na Volta a França sempre foi condicional. Não sobre ganhar etapas
ou contrarrelógios, mas sobre repetir desempenhos em alta montanha dia após
dia.
Contador enquadrou-o como o
verdadeiro teste: “Veremos qual é o nível do Remco se ainda melhorar mais.
Consegue estar no topo todos os dias numa Grande Volta com etapas que tenham
duas ou três grandes subidas?”
Dentro do sistema liderança da
Red Bull, Evenepoel não tem de responder sozinho a essa pergunta. Pode crescer
para esse patamar enquanto integra a máquina tática mais ampla.
Não são
líderes a mais, mas sim os líderes certos
Contador viveu conflitos reais
de liderança, o mais famoso quando Lance Armstrong assinou pela Astana. Mas vê
a situação da Red Bull diferente. “No meu caso, o Armstrong já tinha ganho a
Volta e voltou para a ganhar outra vez. Eu acabara de ganhar a Volta. Mas só um
de nós podia levar a geral, por isso foi difícil.”
O trio da Red Bull está
alinhado na ambição, não na hierarquia. Ninguém regressa para recuperar um
trono antigo. Todos perseguem e querem o mesmo.
O que torna isso viável, na
visão de Contador, é a certeza do ciclismo moderno. “Conseguem ver os valores
deles para o Tour. Pode tomar-se uma decisão com muito mais certeza do que há
10 ou 15 anos.”
Isso permite à Red Bull
adaptar a liderança conforme a forma evolui, sem queimar a época numa escolha
precoce.
O
problema Pogacar
Contador não finge que os
números garantam o sucesso. “Se queres bater o Pogacar, tens de jogar com as
tuas possibilidades”, disse. E acrescentou o aviso: “Caso contrário, é difícil
bater o Tadej quando está em forma.”
Por isso a abordagem da Red
Bull não pode ser passiva. Não pode simplesmente esperar que um corredor atinja
o nível de Pogacar. Tem de criar situações em que Pogacar seja obrigado a
resolver vários problemas ao mesmo tempo.
Para Evenepoel, esse é o
verdadeiro valor da mudança. Não ser a única opção, mas fazer parte da pressão.
Se Contador estiver certo, o
Tour da Red Bull não se decidirá por escolher um líder. Decidir-se-á por saber
quando usar três.

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