Por: José Morais
A UAE Team Emirates vive dias
de tensão na terceira semana do Tour de França. A sucessão de problemas físicos
entre os principais gregários de Tadej Pogacar acendeu todos os alertas dentro
da formação, que já adotou medidas de contenção para proteger o líder e manter
intactas as ambições de vitória na geral.
Fadiga,
vírus e um pelotão em alerta
O primeiro sinal de alarme
surgiu com Adam Yates, vítima de uma forte indisposição gastrointestinal que o
deixou incapaz de se alimentar corretamente. O britânico teve um dia para
esquecer, chegando à meta apenas com o apoio de Tim Wellens, ambos muito atrasados
em relação ao vencedor da etapa.
Segundo o diretor desportivo
Mauro Gianetti, Yates apresentou melhorias de um dia para o outro, mas continua
debilitado. O ciclista até iniciou a etapa seguinte usando máscara, numa
tentativa de evitar qualquer contágio dentro da equipa.
“Ele está melhor, mas vazio.
Não comeu ontem. Hoje vai sofrer, mas sexta e sábado deve estar perto dos 90%”,
explicou Gianetti.
Com as etapas alpinas à porta,
a recuperação de Yates é considerada vital para Pogacar, que depende dele e de
Isaac del Toro para controlar a montanha.
Del Toro
e outros casos levantam suspeitas
A situação de Yates não é
isolada. Del Toro também mostrou sinais de quebra física, embora a equipa
garanta que não se trata de doença. Já Wellens admitiu publicamente que também
está doente:
“Tenho dor de garganta, muco…
não me sinto bem. Mas mais de metade da equipa está em ótima forma.”
Além disso, Brandon McNulty
ainda se recupera de um atropelamento antes do contrarrelógio, e Felix
Grossschartner sofreu na queda que retirou Jonas Vingegaard da prova.
Quarentena
dentro da equipa
Para evitar que o problema se
espalhe, a UAE reorganizou completamente a logística:
Ciclistas isolados em quartos
individuais
Separação entre atletas
doentes e saudáveis no autocarro
Refeições solitárias para quem
apresenta sintomas
Wellens descreveu a nova
rotina:
“Os doentes comem nos quartos
e sentam-se separados no autocarro.”
Pogacar
mantém a calma e até brinca
O líder da prova garante que
está saudável e até ironizou a situação:
“Tenho mais hipóteses de ficar
doente a falar com jornalistas do que dentro da bolha da equipa.”
Mesmo assim, analistas como
Johan Bruyneel alertam para sinais de fragilidade coletiva da UAE,
especialmente após a etapa 17, onde vários gregários ficaram para trás.
Bruyneel também criticou a
estratégia da equipa ao tentar simultaneamente lutar pela classificação geral e
pela classificação por equipas:
“Se o objetivo é ganhar o
Tour, tudo o resto deve ser consequência.”
Pogacar
deve parar de esperar por Del Toro?
Bruyneel foi ainda mais longe
ao sugerir que Pogacar está a sacrificar tempo precioso ao proteger Del Toro:
“Se Remco perceber que Pogacar
abranda para esperar Del Toro, vai atacar. Isso pode prejudicar quem querem
proteger.”
Com a última semana a decorrer
e a equipa fragilizada, cada decisão estratégica pode ser decisiva.


